
SM 4.1, AGORA UM ESPORTIVO BEM MELHOR
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Com a eliminação de defeitos verificados no teste anterior, o SM 4.1 tornou-se um esportivo de alto luxo e bom desempenho |
SM 4.1, um novo esportivo de luxo produzido pela Companhia Industrial Santa Matilde, foi testado pela primeira vez por Quatro Rodas em maio de 1978, quando verificamos que, ao lado de seu bom desempenho e do revestimento interno com material de boa qualidade, havia também muitas falhas de acabamento.
Agora, Quatro Rodas resolveu testar novamente o carro, que pode ser definido como de sua segunda série. E concluiu que muitos defeitos então apontados foram eliminados - a rigor, apenas dois ainda não encontrarão solução final -, o que torna o SM 4.1 um carro de alto luxo, bom desempenho e ótimo acabamento. E como sua produção é pequena (cerca de um carro por dia), converteu-se num veículo praticamente exclusivo.
Sem defini-lo como um carro novo, esta segunda série do SM 4.1 tem muitas e importantes modificações com relação à primeira.
O carro por fora
Assim, externamente foi acentuada a inclinação do pára-brisa, o que melhora a aparência frontal e lateral do veículo. Também foram mudadas as maçanetas, que eram do tipo não-embutido e agora são semi-embutidas, compondo muito melhor o desenho das portas. Pelo resto o carro continua com seu estilo bem personalizado, que pode ou não agradar, mas que o individualiza em qualquer lugar e situação.
Na frente, destaca-se o pára-choque recoberto de borracha, dotado de certa elasticidade para poder resistir a pequenos choques. Acima dele fica a entrada de ar, de formato retangular, ladeada por dois faróis de cada lado, que proporcionam excelente iluminação. Nas extremidades ficam as luzes de posição e pisca-pisca, de formato triangular. Abaixo do pára-choque situam-se as tomadas de ar e, embutidos, os faróis de neblina.
A traseira em vidro térmico, sobre a tampa do porta-malas, os grupos óticos envolventes, de desenvolvimento horizontal e acabamento bem superior ao observado anteriormente, e o pára-choque também revestido com borracha, delimitando a linha de cintura visível nas laterais. Abaixo do pára-choque fica o local da chapa; ao centro, e a esquerda a saída do silencioso. O aspecto externo, sem qualquer cromado desnecessário, destaca o bonito desenho das rodas e à "limpeza" geral do estilo, formando uma imagem de sobriedade e luxo bem adequada ao carro.
O interior
No interior ocorreram as maiores alterações, que vieram solucionar os problemas que Quatro Rodas apontara no teste do ano passado. Assim o volante foi deslocado mais para direita e trazido cerca de 3 cm mais para perto do motorista, que teve sua posição melhorada.
O volante deixou de roçar nas pernas, a visibilidade dos instrumentos do painel é ótima e todos os comandos estão colocados em boa posição.
Foi modificada também a posição do cinto de segurança auto-enrolável, de três pontos cujo ponto de fixação muito alto fazia com que ele pegasse no pescoço. A alavanca do freio de mão foi redesenhada, seu posicionamento modificado, e agora não pega mais no console, também modificado. Além disso, foram alterados o posicionamento dos bancos (agora, mesmo com o carro em movimento é possível modificar a inclinação do encosto) e o desenho do encosto, para facilitar o acesso de motorista e passageiro.
Outra modificação, esta de grande importância, relaciona-se com o ar condicionado: foi adotado um sistema embutido, fazendo com que o ar se difunda de forma homogênea em todo o habitáculo, e que permite rodar com vidros fechados.
No porta-malas, sempre acarpetado, outra boa modificação: a bateria, anteriormente sem qualquer proteção, agora é semi-encaixada e apresenta uma cobertura total.

A mecânica
O SM 4.1 utiliza, como antes, componentes Opala, com o motor mais possante da linha, o 250-S, provido de ventilador de cinco pás, por causa do ar condicionado. É um motor que vários testes já provaram ser forte e durável. Quanto à suspensão, tem molas mais curtas do que as utilizadas pela GMB no Opala e amortecedores mais duros do que os originais. Isso cria um conjunto um pouco mais duro do que o do Opala, que sem reduzir o conforto aumenta a estabilidade do carro.
Foi modificado o freio dianteiro, que agora tem pinça menor. Atrás continua sendo utilizado o conjunto de freio dianteiro da Brasília, mas com nova válvula limitadora. E, completando as modificações, também o tanque de combustível foi alterado, agora sendo montado um com capacidade de 65 litros, em lugar do anterior, de 54 litros, o que aumenta bastante a autonomia do carro.
Como anda
Com relação ao modelo anteriormente testado, este SM 4.1 não mostrou dificuldade de manutenção de trajetória, quando andando em linha reta, e sua suspensão proporciona boa estabilidade, observando-se tendência a sair de frente apenas perto do limite.
A direção é precisa e rápida, sem ser muito pesada nas manobras. Contudo, está sendo estudada pela fábrica a possibilidade de oferecer, como opção, uma direção hidráulica, leve em baixas velocidades e mais dura em altas. Outro opcional que está sendo estudado é um câmbio automático (provavelmente o da própria GMB) em lugar do câmbio mecânico de quatro marchas. Durante o teste não ocorreu nenhum problema com esse câmbio mecânico, que tem engates secos e precisos, embora um pouco duros, o que não pode ser considerado defeito num carro com apelo esportivo. Quanto à transmissão, mesmo exigida a fundo não apresentou falhas.
Um ponto negativo no teste anterior fora a freagem, com o travamento das rodas posteriores desequilibrando totalmente o carro. Isso não ocorreu desta vez. SM 4.1 parou em espaços normais, sem se verificar alterações de trajetória.
É interessante lembrar que o carro, cujo peso total é de 1 270 kg, tem 680 kg no eixo dianteiro e 590 kg no traseiro; e, mesmo considerando-se a transferência que ocorre quando da frenagem, continua existindo um bom equilíbrio geral, graças à boa ação da válvula limitadora, e dos quatro freios a disco.
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Desempenho e consumo O desempenho do SM 4.1 é bem razoável. Ele atingiu a velocidade máxima de 170,002 km/h e foi de O a 100 km/h em 13,10 segundos, completando depois os 1000 metros em 33,91 segundos. Na retomada de aceleração, foram necessários 15,08 segundos para ir de 40 a 100 km/h e 34,49 segundos para percorrer o quilômetro, sempre com uma aceleração uniforme, em que não se notam falhas ou mesmo "buracos" de carburação. É lógico que o mesmo motor 250-S, com algumas pequenas modificações (comando de válvulas e carburação, por exemplo) poderia dar ao SM 4.1 melhor desempenho. Mas isso aumentaria seu nível de ruído e exigiria uma forma de dirigir um pouco diferente. Quanto à economia, fator que merece ser lembrado mas que não tem poder decisivo na escolha (quem gasta quase meio milhão de cruzeiros com um carro, não deve estar muito preocupado com o custo da gasolina), é interessante lembrar que a nova edição do SM 4.1, ao mesmo tempo em que revelou desempenho um pouco inferior ao do carro testado em maio de 1978, mostrou também maior economia de combustível. Assim, sua média geral, que tinha sido de 7,75 km/litro, passou a ser de 8,79 km/litro, e em estrada, andando no fluxo geral, obtivemos a boa marca de 10,39 km/litro. Em velocidades constantes, atingimos 10,47 km/litro a 80 km/h e a boa marca de 9,86 km/litro a 100 km/h. Esses índices representam a preocupação das fábricas de obter uma carburação cada vez mais "pobre", de forma a reduzir o consumo, mesmo em prejuízo do desempenho. |
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| Defeitos e qualidades Alguns defeitos do SM 4.1 ainda não foram eliminados. O mais grave é a insuficiente vedação térmica. Para rodar com todos os vidros fechados, é necessário ter o ar condicionado constantemente ligado, de forma a eliminar o calor proveniente do motor e câmbio. Outros defeitos, estes porém de solução bem mais fácil, são o ventilador, barulhento mesmo em baixas velocidades, o espelho retrovisor externo sem comando do interior e o volante cuja empunhadura deveria ser mais grossa. Aliás, um novo volante está sendo estudado e logo deverá substituir o atual. Ao lado disso devem ser destacadas algumas qualidades. O nível de ruído, por exemplo, é o mais baixo observado em carros desse tipo e inferior à maioria dos carros de grande série. Outro ponto de destaque: a antena do rádio, embutida no teto, entre a fibra de vidro e o revestimento interno, o que evita problemas e constitui a solução ideal, formando um ótimo conjunto com o bom rádio AM/FM estéreo com toca-fitas incorporado, Um terceiro ponto, de grande importância, é a ótima posição oferecida ao motorista, que além de alcançar os comandos com facilidade tem boa visibilidade geral. |
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| Ficha técnica Motor - De seis cilindros em linha, dianteiro, quatro tempos, refrigerado a água; diâmetro e curso dos cilindros, 98,4 x 89,6 mm; cilindrada total, 4093 cm³; taxa de compressão, 7,8:1; potência máxima, 171 CV (125,9 kw) SAE a 4 800 rpm; torque máximo, 32,5 mkgf (318,7 Nm) SAE a 2 600 rpm; comando de válvulas lateral, acionado por engrenagem: válvulas de admissão e escapamento no cabeçote: alimentado por um carburador duplo corpo de fluxo descendente; gasolina indicada: comum. Transmissão - Embreagem monodisco a seco, de acionamento mecânico; câmbio de quatro marchas sincronizadas para a frente e ré, com alavanca de mudanças no assoalho; relações: 1):3,07: 1 ; 2) 2,02:1 ; 3) 1,39:1 ; 4) 1,00: 1; ré) 3,57:1; diferencial: 3,08:1 ; tração traseira. Suspensão - Dianteira: independente, com triângulo superior, braço simples inferior, braços tensores diagonais, barra estabilizadora, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos telescópicos; traseira: de eixo rígido, tensores longitudinais, barra tipo Panhard, barra estabilizadora, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos telescópicos, Carroceria, chassi - Carroceria de fiberglass, cupê, duas portas, dois + dois lugares; estrutura monobloco. Freios - A disco nas 4 rodas, com válvulas limitadoras de pressão no eixo traseiro; freio de estacionamento mecânico atuando nas rodas traseiras. . |
![]() Direção - Mecânica, do tipo setor e rosca sem fim Rodas, pneus - Rodas de liga leve com aro de 14 polegadas e tala de 6 polegadas; pneus 205/70 HR 14, radiais. Dimensões - Comprimento total: 418,0 cm; largura: 171,5 cm; altura: 132,0 cm: distância entre eixos: 237,0 cm; bitolas dianteira e traseira: 141,Ocm. Peso - 1 270 kg (aferido). Capacidade do tanque 65 litros. Preço do carro testado Cr$ 446 051,27.¨ |
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Conclusão
SM 4.1 superou seus defeitos de origem e agora é um carro muito bem acabado em todos os seus detalhes. As modificações externas eliminaram o desagradável ruído do ar quando em alta velocidade e as internas tornarem o habitáculo bonito e funcional, ao mesmo tempo em que conservavam-se as qualidades do conjunto mecânico utilizado, adaptando-as melhor ao carro. Agora o SM 4.1 pode ser apontado como uma opção para quem, desejando um carro estrangeiros não pode comprá-lo por causa das restrições à importação.
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