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Universidade Federal Rural de Pernambuco

Departamento de Biologia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Análise microbiológica da água consumida no Município de Condado-PE.

 

 

 

 

 

 

 

 

                                                                   SÉRGIO LUIZ DOS SANTOS

 

 

 

 

 

 

                                                                                                                              Março, 2004/Recife

                                           SUMÁRIO

1.   INTRODUÇÃO...................................................................................................................... 3

2.   REVISÃO DE LITERATURA............................................................................................... 4

2.1. A água no tempo...................................................................................................................................................... 4

2.2. Direito à água.......................................................................................................................................................... 4

2.3. Água, parâmetro de qualidade de vida................................................................................................ 5

2.4. Distribuição da água no mundo................................................................................................................. 5

2.4.1. A situação da água no Brasil............................................................................................. 7

2.5. Tratamento e capacidade das estações............................................................................................... 7

2.6. Doenças de veiculação hídrica.................................................................................................................. 9

2.7. Preservação manutenção e localizaçao do manancial...................................................... 14

2.8. Água, estopim de guerras no século XXI.......................................................................................... 17

2.9. Padrão de potabilidade................................................................................................................................... 18

2.10. A questão da fluoretação........................................................................................................................ 19

3.   JUSTIFICATIVA E RELEVÃNCIA.................................................................................... 21

4.   OBJETIVOS.......................................................................................................................... 22

5.   MATERIAL E MÉTODOS.................................................................................................. 23

5.1. Coletas........................................................................................................................................................................ 23

5.2. Análises....................................................................................................................................................................... 23

5.2.1. Coliformes totais.............................................................................................................. 23

5.2.2. Coliformes fecais............................................................................................................. 23

6.   RESULTADOS..................................................................................................................... 25

7.   DISCUSSÀO......................................................................................................................... 28

8.   CONCLUSÒES..................................................................................................................... 30

9.   REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.................................................................................. 31

 

1.   INTRODUÇÃO

    Faz algum tempo que se tornou preocupação mundial a disponibilidade de água doce potável em quantidade e qualidade para o consumo humano, no presente e no futuro, em razão da interferência antropogênica, que vem afetando os sistemas hídricos, comprometendo a qualidade da água, como os exemplos a seguir citados: descargas pontuais e difusas nos centros urbanos de águas contaminadas e sem tratamento, produção de resíduos tóxicos por atividade agro-industrial e utilização imprópria do manancial.

    Órgãos da Saúde Pública no mundo têm se revelado preocupados com a atual situação, principalmente nos países pobres e em desenvolvimento,“emergentes”, onde a taxa de mortalidade infantil provocada por doenças transmissíveis pela água são alarmantes, em pleno Séc.XXI.

    O controle no tratamento e qualidade da água tem sido uma prerrogativa dos órgãos oficiais distribuidores do produto, utilizando-se, para tanto, de parâmetros bacteriológicos e físíco-químicos estabelecidos por Lei e orientados pela Associação Americana de Saúde Pública, mas ainda assim os mesmos têm se revelado ineficientes. Um suprimento de água pura e sistemas adequados para a eliminação dos detritos são de fundamental importância na prevenção da doença diarréica.

    O manancial aqui analisado é integrante da drenagem da bacia principal do Rio Goiana, formada pelo Rio Capibaribe-Mirim e Tracunhaém, tendo o seu uso voltado ao abastecimento público, recepção de efluentes domésticos, agro-industrial, industrial, agropecuário e de irrigação, com atividades industriais na bacia de produtos alimentares, indústrias do ramo sucro-alcooleiro, mineral não metálico, química, têxtil, papel, papelão e couros (Relatório de Monitoramento das Bacias Hidrográficas do Estado de PE (CPRH, 2002). Tendo em vista o exposto, fez-se necessária uma avaliação dos parâmetros bacteriológicos da água consumida no município de Condado-PE originada da drenagem da bacia acima citada.

2.   OBJETIVOS

    Considerando a infinita importância de uma água de qualidade para consumo humano, objetivou-se avaliar os parâmetros bacteriológicos da água do manancial, tratada e distribuída do riacho Zenith (vulgo Zenito) do Município de Condado – PE. através da contagem de microrganismos do grupo coliforme, confrontando os resultados com os padrões adotados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) Ministério da Saúde.

3.   REVISÃO DE LITERATURA

3.1.     A Água no Tempo

    Segundo Pereira (1979), na Bíblia encontram-se referências à acumulação, classificação, filtração e destilação de águas, com a finalidade de melhorar a sua qualidade. Ressaltam-se, ainda, alguns fatos históricos que se relacionam com o controle da qualidade da água:

Ousruta Sanghita, coleção de preceitos médicos, em 2000 a.C., instrui: “é bom manter a água em vasos de cobre, expô-la ao sol e filtrá-la através de carvão de madeira”.

Hipócrates (460-354 a.C.) preceituava: “a influência da água sobre a saúde é muito grande”.

César quando se apossou de Alexandria, em 47 a.C. encontrou aquedutos subterrâneos que traziam a água do Nilo para cisternas, onde se clarificava por sedimentação.

Em 97 da era cristã, Roma já possuía um “curator aquarium”, Sextus Julius Frontinus, diretor do serviço de água, que escreveu um tratado denominado “De Aquis Urbis Romão”, em dois volumes referente ao suprimento de água da cidade Macedo (2001, p.25).

3.2.     Direito à Água

    A água é a seiva do nosso planeta. Ela é a condição essencial de vida de todo ser vegetal, animal ou humano. Sem ela não poderíamos conceber como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura. O direito à água é um dos direitos fundamentais do ser humano.

    A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. De maneira geral, sua utilização deve ser feita com consciência e discernimento, para que não se chegue a uma situação de esgotamento ou de deterioração da qualidade das reservas atualmente disponíveis.

    A utilização da água implica o respeito à lei. Sua proteção constitui uma obrigação jurídica para todo homem ou grupo social que a utiliza. Esta questão não deve ser ignorada nem pelo homem, nem pelo Estado (Declaração universal dos direitos à água, disponível em: www.dhnet.org.br/direitos globais).

    A Campanha da Fraternidade de 2004 tem como tema: Fraternidade e água e como lema: Água, fonte de vida. O tema e o lema se justificam principalmente por causa dos gigantescos problemas que não só o Brasil, mas também toda a humanidade enfrentam diante dessa questão (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, disponível em www.cnbb.org.br/cf/index.php).

3.3.     Água, Parâmetro de Qualidade de Vida

    A água tem influência direta sobre a saúde, a qualidade de vida e o desenvolvimento do ser humano. Para a Organização Mundial da Saúde (OMS) e seus países membros, todas as pessoas em quaisquer estágios de desenvolvimento e condições sócio-econômicas têm o direito de ter acesso a um suprimento adequado de água potável e segura. Água segura neste contexto refere-se a uma oferta de água que não represente um risco significativo à saúde, que seja em quantidade suficiente para atender a todas as necessidades domésticas, que está disponível continuamente e que tenha um custo acessível. Estas condições podem ser resumidas em cinco palavras-chave: qualidade, quantidade, continuidade, cobertura e custo.

    De acordo com o relatório “Situação Global de Suprimento de Água e Saneamento 2000”, apesar do tremendo esforço nas duas últimas décadas para melhorar os serviços de abastecimento de água e saneamento nas regiões mais pobres dos países em desenvolvimento, muita gente ainda não foi beneficiada; hoje 2,4 bilhões de pessoas em todo o mundo (quase a metade da população do planeta) não vive em condições aceitáveis de saneamento, enquanto 1,1 bilhão de pessoas não têm sequer acesso a um adequado abastecimento de água. O documento concluído em novembro de 2000 resulta do Programa de Monitoramento do Suprimento de Água e Saneamento, uma iniciativa conjunta da OMS e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). É afirmado no relatório que cerca de um quarto dos 4,8 bilhões de pessoas dos países em desenvolvimento continuam sem acesso a fontes de água adequadas, enquanto metade deste total não está servida por serviços apropriados de saneamento.     

    Ocorrem no mundo 4 bilhões de casos de diarréia por ano, com 2,2 milhões de mortes, sendo a maioria crianças de até cinco anos. Água segura, higiene e saneamento adequados podem reduzir de um quarto a um terço os casos de doenças diarréicas.

(Organização Pan-Amerina da Saúde, disponível em www.opas.org.br).

É relatado por Carson (1996, p.158) que em um levantamento feito pela UNICEF sobre o fornecimento de água nos países em desenvolvimento, foi constatado que apenas 51% das pessoas têm acesso à água potável.

3.4.     Distribuição da Água no Mundo

    Segundo Braga et al. (2002, p.73), do total de 265 400 trilhões de toneladas de água, somente 0,5 por cento representa água doce explorável, sob o ponto de vista tecnológico e econômico, que pode ser extraída dos lagos, rios e aqüíferos. É necessário ainda subtrair aquela parcela de água doce que se encontra em locais de difícil acesso ou aquela já muito poluída, restando assim, para utilização direta, apenas 0,003% do volume total de água do planeta. Isso significa que se toda água do planeta correspondesse a 100 litros, a parcela diretamente utilizável corresponderia a apenas 0,003 litros ou meia colher de chá.

    Visto pelo lado de fora, o planeta deveria se chamar ÁGUA. Com algumas “ilhas” de terra firme, cerca de 2/3 de sua superfície são dominados pelos vastos oceanos. Os pólos e suas vizinhanças estão cobertos pelas águas sólidas das gigantescas geleiras. A pequena quantidade de água restante divide-se entre a atmosfera, o subsolo, os rios e os lagos. Estima-se em 1,35 bilhões de quilômetros cúbicos o volume total de água na Terra, sendo que 97,5% da água disponível na terra é salgada e está em oceanos e mares; 2,493% são de água doce, mas se encontram em geleiras ou regiões subterrâneas (aqüíferos de difícil acesso) e 0,007% são de água doce encontrada em  rios, lagos  e na  atmosfera, de fácil acesso para o consumo humano (Distribuição da água no planeta, disponível em, www.uniágua.org.br).

Figura 1- Distribuição da água no planeta.

Fonte: www.uniagua.org.br

3.4.1.  A Situação da Água no Brasil

    O Brasil detém 11,6% da água doce superficial do mundo. Os 70 % disponíveis da água para uso estão localizados na Região Amazônica. Os 30% restantes distribuem-se, desigualmente, pelo País para atender a 93% da população (Distribuição da água no planeta disponível em, www.uniagua.org.br).

3.5.     Tratamento e Capacidade das Estações

    De acordo com Desinfecção de Águas (USP,1970) as águas de superfície ao redor das grandes comunidades metropolitanas do mundo são geralmente poluídas com os resíduos desses centros de atividades humanas. Para garantir proteção máxima à qualidade da água, captações para abastecimento metropolitano de água têm sido geralmente localizadas a montante das descargas múltiplas de esgotos domésticos e efluentes industriais. Em casos recentes, tem havido um rápido crescimento de cidades e um desenvolvimento de áreas satélites expandindo-se em direção à sua parte externa. Tal explosão populacional, freqüentemente, rodeia a zona de captação de água para abastecimento, em um rio ou lago e traz novas fontes de esgotos e de escoamento de águas pluviais que degradam tais mananciais.

    Em outras palavras, a magnitude das descargas de poluentes por comunidades, a montante, tem crescido com rapidez maior do que a dos sistemas de tratamento de esgotos. Consequentemente, uma carga poluidora cada vez maior vem sendo introduzida às águas de superfície em uma intensidade que agora supera a capacidade natural de auto-purificação inerente a cada curso de água.      

    Ainda, o material relatou que bactérias coliformes têm sido observadas consistentemente a sobreviverem em água clorada com 1,0 a 0,5 mg/l de cloro livre residual, depois de um tempo de contato maior do que 30 minutos, simplesmente porque tais bactérias estavam embebidas em turbidez medida de 3,8 a 84 unidades Jackson. Que já foram encontradas em uma porção do abastecimento de água clorada de São Francisco, mesmo após horas de contato, por estarem protegidas nos corpos de pequenos crustáceos.

    Conforme citado por (BABIT et al.1962) os métodos comuns de tratamento dos suprimentos públicos de água incluem: (1) sedimentação simples ou com coagulação (2) filtração em areia e (3) métodos diversos, que incluem; a desinfecção, aeração, abrandamento, remoção de ferro, manganês e outros minerais, a prevenção de gostos e odores e a correção da corrosão. Porém, estão em uso tanques circulares de aço, incorporando mistura química, coagulação, deposição e filtração numa só unidade. A aplicação do cloro gasoso não é satisfatória pela baixa difusão, concentração do cloro ao redor do difusor a baixas temperaturas, possibilidades de corrosão das canalizações e válvulas, resultantes da acumulação de gás não dissolvido, embora seja menos onerosa. O cloro em solução aquosa mostra-se mais eficaz na desinfecção quando aplicado à água filtrada preferencialmente num reservatório.

    Segundo Braga et al. (2002, p.81,106) água potável é aquela que não causa danos à saúde nem prejuízo aos sentidos (odor, sabor). A alteração da qualidade, por cargas pontuais, é facilmente identificada e portanto, seu controle é mais eficiente e mais rápido. As cargas difusas são assim chamadas por não terem um ponto de lançamento específico e por ocorrerem ao longo da margem dos rios como, por exemplo, as substâncias provenientes de campos agrícolas, ou por não advirem de um ponto preciso de geração, como no caso de drenagem urbana.

O sistema de abastecimento compõe-se de:

    Manancial: de onde se tira o suprimento de água;

    Captação: equipamentos e instalações usadas;

    Adução: tubulações sem derivações como captação e tratamento;

   Tratamento: considerados os principais: sedimentação ou decantação, coagulação ou floculação, filtração, desinfecção, remoção da dureza, aeração, remoção de ferro e manganês, remoção de sabor e odor, controle de corrosão e fluoretação;

    Reservatório de distribuição: local para acumular água;

    Rede de distribuição: conduz a água do reservatório para pontos de consumo.

Figura 2- Estação de tratamento de água da cidade de Condado-PE.

Fotos: Sérgio Santos, 2003.

A experiência mostrou que uma melhoria na qualidade do suprimento público de água é seguida por uma melhoria na saúde pública. A poluição do suprimento público de água e o aparecimento de doenças tem sido vinculada a várias causas, estando entre elas a contaminação das bacias hidrográficas pelas atividades humanas Babit et al. (1962, p.346).

    Estações de tratamento de águas construídas há 50 ou 75 anos atrás estão agora sendo freqüentemente pressionadas para tratar adequadamente águas de qualidade cada vez mais pobre, conforme relatado em Desinfecção de Águas da (USP,1970). Outras estações de tratamento estão sendo operadas além de sua capacidade projetada e tais condições diminuem a barreira protetora contra os microrganismos patogênicos de veiculação hídrica, aumentando a probabilidade de ocorrência de interrupções momentâneas no tratamento adequado da água e freqüentemente gerando surtos de doenças, de pequenos a consideráveis, na comunidade. Para enfrentar esse problema, a qualidade dos mananciais deve ser protegida através do tratamento adequado de esgotos antes de seu lançamento em águas receptoras. Na estação um tratamento completo deve ser aplicado para assegurar proteção máxima contra as crescentes ocorrências de uma variedade de patogênicos transportados através da fonte de água bruta.

3.5.1.  A Questão da Fluoretação

    Os nazistas ''ministraram'' flúor na água nos campos de extermínio, que agia como sedativo, apaziguando os prisioneiros. Apesar desse precedente, o uso da água fluorada ainda é promovido em diversos países. O flúor também é empregado como componente ativo de poderosos tranqüilizantes. Descobriu-se que repetidas doses em quantidades muito pequenas de flúor afetam o cérebro, envenenando e narcotizando lentamente as pessoas e tornando-as submissas. Ansiosos em explorar o efeito do flúor, os comandantes dos campos alemães o acrescentaram ao abastecimento d'água. Os efeitos da água fluorada impressionaram fortemente os serviços de inteligência. Consideraram que a água fluorada era o meio ideal para controlar as populações depois de seus países terem sido invadidos. Antecipando-se à vitória, a fábrica alemã de produtos químicos I. G. Farben, instalada em Frankfurt, foi a encarregada da produção massificada de flúor destinado aos campos de extermínio e a outros futuros usos possíveis (disponível em, www.jornalabsoluto.com.br).

    Dr. Paul Connett, Professor de Química pela Universidade de St. Lawrence, NY, apresentou 50 razões para não se fazer a fluoretação da água e foi apoiado por simplesmente 14 ganhadores do prêmio Nobel de Química. Até que se façam estudos mais avançados aonde se possa melhor avaliar os efeitos da fluoretação, podemos citar dois efeitos negativos: 1-O fluoreto é biologicamente ativo mesmo em baixas concentrações. Ele interfere com os ligamentos de hidrogênio que é o centro da estrutura e funções das proteínas e ácidos nucléicos. Assim, o fluoreto tem o potencial de provocar distúrbios no processo vital do organismo; 2-O fluoreto mostrou ser mutagênico, provoca danos cromossômicos e interfere com as enzimas envolvidas no reparo do DNA, numa variedade de insetos, cultura de tecidos e em estudos animais. (disponível em, www.laleva.cc/pt/alimentos).

    De acordo com (BABBIT et al. 1962) muitos suprimentos de água contém fluoreto suficiente e não necessitam de quantidades adicionais, por outro lado a sua ausência na água provoca a fluorose (falha no esmalte dos dentes).

3.6.     Doenças de Veiculação Hídrica

    Como parâmetro bacteriológico, a Escherichia coli da família das Enterobacteriaceae do Gênero Escherichia da espécie E. coli, descrita por Theodor von Escherich em 1885 (BIER,1984) está presente em animais de sangue quente (homeotermo) constituindo 95% da flora intestinal, e logo, presente em grande quantidade no meio sempre que eliminada, servindo como indicador da presença de coliformes fecais; são fermentadoras da glucose e geralmente originando produção de gás, tornando-se assim o foco principal nas análises de controle de qualidade da água para consumo humano.

Braga et al. (2002, p.78) relataram que a água usada para abastecimento doméstico deve apresentar características sanitárias e toxicológicas adequadas, tais como estar isenta de organismos patogênicos e substâncias tóxicas, para prevenir danos à saúde e ao bem estar do homem. Organismos patogênicos são aqueles que causam doenças pela ingestão ou contato com a água contaminada, como bactérias, vírus, parasitas, protozoários, que podem causar doenças como disenteria, febre tifóide, cólera, hepatite e outras. A estimativa da Organização Mundial da Saúde é de que das 13.700 pessoas que morrem por dia devido a doenças transmitidas pela água, mais da metade são crianças com menos de 5 anos de idade. Essas doenças são facilmente evitáveis com a existência de saneamento básico adequado.

Conforme publicação de Desinfecção de Águas  (USP,1970) os microrganismos mais veiculados pela água, que causam enfermidades no ser humano são:

Bactérias - Salmonella Typhi = febre tifóide;

                 Vibrio cholerae = causador da cólera;

                 Shigella dysenteriae = disenterias bacilares.

Vírus - Hepatite infecciosa;

           Doença de Coxsackie (pleurodinia);

           Poliomielite.

 Protozoários - Entamoeba histolytica, causadora da amebíase;

                        Giardia lamblia, causadora da giardíase;

                       Balantidium coli, causador da balantidíase.

Vermes - Ascaris lumbricoides, causador da ascaridíase;

              Trichuris trichiura, causador da tricuríase;

              Enterobius vermicularis, causador da enterobíase;

              Ancylostoma duodenale causador da ancilostomíase;

              Necator americanus, causador da ancilostomíase e necatorose;

              Taenia solium, causadora da cisticercose;

              Schistosoma mansoni, causadora da esquistossomose.

    De acordo com (PELCZAR et al. 1981) as infecções causadas por Escherichia coli podem ser convenientemente agrupadas em três categorias: oportunistas, enteropatogênicas e enterotoxinogênicas, como apresentado na Tabela 1. Porém, a classificação descrita por Murray et al. (1998) e Mims et al. (1999) é mais abrangente, com cinco grupos descritos de diversos tipos de gastrenterites como apresentado na Tabela 2.

    As enterotoxigênicas (ETECS) são a causa bacteriana mais importante de diarréia em crianças nos países em desenvolvimento, podendo ser clinicamente distinguidas da cólera. A Síndrome Hemolítica Urêmica (HUS) é a causa mais importante de insuficiência renal aguda em crianças no Reino Unido e nos Estados Unidos. Não há indicação de terapia antibacteriana específica. A reposição de líquidos pode ser necessária, especialmente em crianças de pouca idade. O tratamento da HUS é urgente e pode envolver diálise.

Tabela 1- Classificação de infecções e gastrenterites causadas por Escherichia coli.

Local de ação

Doença

Oportunistas

Mucosa e tecidos

Infecções das vias urinárias, infecções sépticas, bacteremias, meningites, infecções pulmonares, abcessos e infecções da pele e de ferimentos.

Enteropatogênica (EPEC)

Intestino delgado

Ação lesiva, no trato intestinal em recém-nascidos e em crianças de até 2 anos de idade.

Sua singular habilidade infectante é baseada na capacidade de penetração nas células epiteliais da mucosa intestinal onde se multiplicam.

Enterotoxinogênica

Não invade a mucosa intestinal

Liberação de toxina absolvida pela membrana das células epiteliais seguida de síndrome diarréico geralmente do intestino delgado, mas com ausência de células inflamatórias

Tabela 2- Classificaçao das gastrenterites causadas por Escherichia coli.

Local de ação

Doença

Patogenia

E. coli enterotoxigênica

(ETEC) Fig.3

Intestino delgado

 

Diarréia do viajante; diarréia do Lactente em países subdesenvolvidos; diarréia aquosa, vômitos cólicas, náusea, febre baixa.

Enterotoxinas termoestáveis e/ou termolábeis mediadas por plasmídios que estimulam a hiper secreção de líquidos e eletrolitos.

E. coli enteroinvasiva

(EIEC)

Intestino grosso

 

Doença nos países subdesenvolvidos: febre, cólica, diarréia aquosa seguida de desenvolvimento de disenteria com fezes sanguinolentas de pequeno volume.

Invasão mediada por plasmídios e destruição das células epiteliais que revestem o cólon.

E. coli enteropatogênica

(EPEC) Fig.4

Intestino delgado

Diarréia do lactente com febre náusea, vômitos, fezes não sanguinolentas.

Aderência mediada por plasmídios e destruição das células epiteliais.

E. coli enterohemorrágica

(EHEC) Fig.5

Intestino grosso

 

Colite hemorrágica com cólica abdominal intensa, diarréia aquosa inicial seguida de diarréia macroscopicamente sanguinolenta pouca ou nenhuma febre, síndrome hemolítico-urêmica.

Mediada por toxinas citotóxicas semelhantes a Shiga (SLT-I SLT-II) que interrompem a síntese de proteínas, toxinas  codificadas por bacteriófagos lisogênicos.

 

E. coli enteroagregativa

(EaggEC)

Intestino delgado

Diarréia do lactente nos países subdesenvolvidos, diarréia aquosa persistente, com vômitos, desidratação e febre baixa.

Aderência agregativa mediada por plasmídios, impedindo a absorção de líquido.

A E.coli enterotoxigênica (ETEC), a E.coli enteropatogênica (EPEC) aderida a mucosa intestinal e a E.coli enterohemorrágica (EHEC) que provoca a síndrome hemolítica urêmica (HUS) são apresentadas nas Figuras 3, 4 e 5, respectivamente.

Figura 3- E. coli enterotoxigênica (ETEC) com seus flagelos.

 Figura 4- E. coli enteropatogênica (EPEC) aderida à borda das células da    mucosa intestinal com destruição das microvilosidades.

Figura 5- E. coli enterohemorrágica (EHEC) produtora de verotoxina mostrando “trombos” de fibrina nos capilares glomerulares na síndrome hemolítica urêmica.

Fonte: Mims et al. Microbiologia Médica, 1999.

3.7.     Preservação e Manutenção do Manancial

    Os poços e outras obras para obtenção de água subterrânea e os reservatórios, tomadas e estruturas similares para a captação de água de superfície necessitam de proteção contra a contaminação. A poluição pode se deslocar no subsolo a grandes distâncias, especialmente através de cursos d’água subterrânea, tais como as que podem existir nas regiões calcáreas. A proteção da qualidade de um suprimento de água de superfície pode ser dividida em duas partes: uma proporcionada pela fiscalização e pelo cuidado da bacia hidrográfica e outra proporcionada pelo tratamento da água (BABBIT et al.1962).

    É importante registrar que o Conselho Nacional do Meio-Ambiente (CONAMA) através de resolução própria, instrui e orienta a criação de  Comissões Fiscalizadoras quanto a  destinação e uso dos recursos hídricos a partir de iniciativa  dos Estados e Municípios, mas aparentemente iniciativas ainda tímidas se considerados os atuais níveis de poluição e contaminação dos cursos d’água.

No período da safra (setembro a fevereiro) da agroindústria canavieira, os resultados das análises nas estações de monitoramento indicam que a carga orgânica que aflue aos rios que compõem a bacia do rio Goiana excede a capacidade de auto-depuração destes, reduzindo a qualidade da água que na entressafra apresenta valores de oxigênio dissolvido (OD) de até 7,3mg/L e na safra chega a 1,2mg/L. Os trechos mais comprometidos da bacia são os que se localizam nos baixos cursos dos rios Capibaribe Mirim e Tracunhaém, e o rio Goiana, indicando prioridade para ações de controle/fiscalização Relatório de Monitoramento das Bacias Hidrográficas do Estado de Pernambuco CPRH (2002, p.9).

    A Lei 4771 de 15/09/65 que instituiu o novo código florestal estabelece que as florestas existentes no território nacional e as demais formas de vegetação, reconhecidas de utilidade às terras que revestem, são bens de interesse comum a todos os habitantes do País e sendo assim a utilização e exploração das florestas são consideradas uso nocivo da propriedade. Consideram-se de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d’água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima seja: 1 - de 30 m (trinta metros) para os cursos d’água de menos de 10 m (dez metros) de largura (Normas jurídicas, disponível em, www.senado.gov.br).

3.8.     Água, estopim de guerras no século XXI

Às vésperas do séc.XXI, o problema da seca em numerosas e extensas regiões da Terra foi se tornando tão grave que as nações começaram a reavaliar o verdadeiro valor da água e sua importância estratégica para o desenvolvimento econômico e para a sobrevivência da humanidade, Lucci (1997, p.379).

A água potável será o recurso natural mais disputado do planeta no próximo século. Sua escassez em um grande número de países, principalmente na África e no Oriente Médio, será a principal causa de guerras.  Essa é a conclusão do Centro de Estudos Estratégicos Internacionais. Também o Banco Mundial, em um relatório publicado em agosto de 1995, alerta para o risco de guerras por causa da água: “muitas das guerras deste século foram fruto da disputa pelo petróleo. As do próximo século serão causadas pela luta por água”.

    Nos EUA, cada indivíduo consome, em média, cerca de 380 litros de água por dia considerando-se as diversas formas de utilização: para beber, higiene, lavagem de roupas, pratos, carros, quintais. Já em Madagascar, na África o seu consumo médio por indivíduo é de 5,4 litros, sendo que a quantidade mínima necessária para garantir uma possibilidade baixa de contaminação e condições mínimas de higiene é de 50 litros por dia. Entretanto, o consumo mundial de água doce pelas residências é reduzido: representa apenas 7%; a maior parte é consumida na agricultura 83%  e o restante na indústria 10%.

    O total disponível de água doce superficial é pouco mais de 1 por cento; mesmo essa quantidade, segundo o relatório da ONU, seria suficiente para as necessidades humanas atuais e futuras (LUCCI, 1997).

3.9.     Padrão de Potabilidade

    Segundo (BABBIT et al.1962) o estabelecimento de um padrão de qualidade, ao qual devem obedecer todas as águas potáveis, tem sido tentado frequentemente e tem demonstrado ser inadequado para todas as condições. Considera-se impossível estabelecer padrões que não excluam certas águas potáveis ou que não possam incluir certas águas insatisfatórias. Apesar disso, tem havido uma demanda continuada por padrões aceitáveis de aplicação geral. A larga aceitação voluntária dos padrões do Serviço de Saúde Pública dos Estados Unidos, para a qualidade da água nos transportes interestaduais, é uma indicação do desejo geral de alguma forma de medida aceitável para a qualidade da água. Na Grã-Bretanha o Ministério da Saúde exerce controle direto sem padrões estabelecidos, e no Canadá não é praticado nenhum controle detalhado. Na Alemanha, em 1954, a qualidade de cada sistema público de abastecimento de água estava sob o controle de autoridades locais ou estaduais de saúde. As normas suíças, em 1938, eram menos estritas que os padrões do Serviço de Saúde Pública dos Estados Unidos. A aplicação de padrões rígidos não foi considerada praticável na Argentina. No Brasil, conforme apresentado na Tabela 3, são adotados os seguintes padrões, de acordo com a portaria 1469 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária-ANVISA do Ministério da Saúde.

Tabela 3- Padrão de potabilidade.

PARÂMETRO

VMP¹

Água Para Consumo Humano²

Escherichia coli ou coliformes termotolerantes³

Ausência em 100 ml

Água na Saída do Tratamento

Coliformes totais

Ausência em 100 ml

Água Tratada no Sistema de Distribuição (Reservatório e Rede)

Escherichia coli ou coliformes Termotolerantes³

Ausência em 100 ml

 

Coliformes totais

Sistemas que analisam até 40 amostras/mês:

Ausência em 100ml em 95% das amostras examinadas no mês;

Sistemas que analisam mais de 40 amostras/mês:

Apenas uma amostra poderá apresentar mensalmente resultado positivo em 100ml.

Fonte: Diário Oficial da União (DOU) 02.01.2001 Portaria 1469.

1-Valor máximo permitido.; 2-Água para consumo humano em toda e qualquer situação, incluindo fontes individuais como poços, minas, nascentes, dentre outras.; 3-A detecção de Escherichia coli deve ser preferencialmente adotada. 

4.   MATERIAL E MÉTODOS

4.1.     Caracterização da Área

    O município de Condado-PE distante 72km da capital, localizado na microrregião da Mata Setentrional do Estado com área de 62Km2, solo argiloso, relevo ondulado a forte ondulado, vegetação de floresta subperenifólia, precipitação pluviométrica média anual de 1.672,5mm. meses chuvosos de abril a julho de clima úmido subúmido (Municípios brasileiros, disponível em www.pe-az.com.br/muni condado htm) fica situado a 7°50’ de latitude sul e 35°1’ de longitude oeste, com uma altitude de 5mts. acima do nível do mar, conforme citado no Projeto Piloto da Bacia Hidrográfica do Rio Goiana (CPRH, 1995), cuja bacia hidrográfica de captação da água do referido município é apresentada nas Figuras 6 e 7.

Figura 6- Bacia hidrográfica do Rio Goiana-PE.

Fonte: FIDEPE, 1981.

Figura 7- Bacia hidrográfica do Rio Goiana-PE: rede hidrográfica (principais afluentes) e divisão política administrativa.

Fonte: FIDEPE, 1981.

4.2.     Coletas

    Foram coletadas amostras de água em recipientes esterilizados do manancial, da saída da estação de tratamento e do sistema de distribuição do município de Condado-PE. A coleta de água da rede de distribuição foi realizada em três pontos, considerando a distância da estação de tratamento (a 150mts. a 700mts. e o terceiro ponto a ± 1.100mts), com cinco repetições totalizando 25 amostras.

    As amostras foram conduzidas em caixa isotérmica ao Laboratório de Inspeção de Carne, Leite e Derivados do Departamento de Medicina Veterinária da UFRPE, onde foram analisadas no tocante aos microrganismos do grupo coliforme (totais e fecais) seguindo-se o método citado no Standard Methods,

    As amostras tratadas com cloro foram coletadas em recipientes contendo tiossulfato de sódio, para a sua neutralização.

4.3.     Análises

4.3.1.  Coliformes

    A diferença entre coliformes totais e fecais é feita através da temperatura. Os coliformes fecais (Escherichia coli) de origem fecal, porém não exclusivamente humana continuam vivos mesmo submetidos à temperatura de 44,5ºC (termotolerantes) enquanto os coliformes totais só resistem até 37ºC, como as bactérias dos gêneros Citrobacter, Eriterobacter e Klebsiella e pertencem à mesma família da Ecoli, as enterobacteriaceae. Todas fermentam a lactose com produção de gases (MENDES; SENA, 2003).

4.3.2.  Coliformes Totais

    As amostras foram analisadas a partir da obtenção das diluições, utilizando-se três séries de cinco tubos, com o tubo de Durhan contendo 10mL nas diluições 10, 1, 0,1 contendo caldo Lauril Sulfato Triptose (LST), sendo acrescido a 1ª série de concentração dupla 10mL da amostra, na 2ª série de concentração simples 1mL e na 3ª 1mL do inóculo, que foi obtido a partir da diluição de 1mL da amostra em  tubo contendo 9mL de H2O peptonada a 0,1%. Após incubação a 35, 37ºC por 24/48h, a presença de reação ácida e/ou formação de gás indicou a positividade na fase presuntiva e a partir daí foi iniciada a fase confirmativa. Inoculou-se, com auxilio de alça de platina, uma alíquota do meio LST para tubos contendo 10mL do caldo Verde Brilhante Bile 2% lactose (BGBL) e tubos de Durhan e incubados a 35ºC por 24/48h. A formação de gás nos tubos de Durhan foi indicativo de positividade e considerados para se determinar o NMP/mL através da tabela de Hoskins.

4.3.3.  Coliformes Fecais

    Foi inoculado, com auxílio de uma alça de platina, uma alíquota proveniente dos tubos positivos de LST para tubos contendo o caldo EC e caldo Triptona. Após incubação em banho- maria sob agitação a 44,5 ± 0,2ºC por 48h., observou-se a formação de gás no tubo do caldo EC e adicionou-se 3 gotas do reativo de Kovac’s no tubo do caldo Triptona. Foi considerada positiva a amostra que apresentou formação de gás no tubo de Durhan do caldo EC e formação do halo vermelho induzido por INDOL, após adição do reativo de Kovac’s no tubo contendo caldo Triptona (Figura 8) a partir do caldo EC foi estriada uma alçada em placas contendo Agar Eosina Azul de Metileno (EMB) e incubada a 35ºC por 24h, nas quais observou-se a presença de colônias características de Escherichia coli como a cor azul verde-metálica na placa de Petri (Figura 9).

 Foto: Sérgio Santos, 2003        .                    Foto:Sérgio Santos, 2003. 

5.   RESULTADOS E DISCUSSÃO

    Nas Figuras 10 e 11, são apresentados os pontos de captação no manancial onde se observa a degradação do meio. Com a barragem a jusante, a calha de escoamento de águas residuárias tanto de cargas difusas quanto pontuais ou mesmo pela precipitação e a lixiviação do terreno , contando com a ausência de barreiras naturais como a vegetação nativa, àquela água pode atingir o manancial provocando a sua contaminação. Mesmo na parte mais baixa e de uso emergencial na captação, verificou-se a presença de animais, além da cultura de gramíneas típicas em ambas as margens.  O entorno do manancial não dispõe de mata ciliar preservada , verificou-se atividade agrícola no perímetro de preservação estabelecido por lei. Aporte de águas contaminadas, alimentadoras do lençol freático pode influenciar a qualidade da água do manancial,e de acordo com o relatório de monitoramento das bacias hidrográficas do CPRH da estação GO-75 localizada no rio Tracunhaém, no limite entre as Cidades de Itaquitinga e Condado a jusante da antiga usina Matary, nos meses de julho e novembro de 2002  apresentaram alta contaminação por coliformes fecais com 700 NMP e 3.000 NMP/100mL. já a estação GO-15 localizada no Rio Capibaribe Mirim a jusante da Cidade de Timbaúba no mesmo período de 2002, apresentaram 17.000 e 160.000 NMP/100mL de coliformes fecais.

Figura 10- Manancial de abastecimento de água da cidade de Condado-PE.

Fotos: Sérgio Santos, 2003.

Figura 11- Comparativo da degradação da área de captação de água com ausência de mata ciliar.

Fotos: Sérgio Santos, 2003.

    Amostras de água de abastecimento da cidade de Condado-PE foram analisadas quanto à carga de coliformes, para avaliar a sua potabilidade em comparação com os valores estabelecidos na legislação vigente. Foram coletadas água do manancial, da estação de tratamento e de três pontos da rede de distribuição, cujos resultados são apresentados na Tabela 4.

    Analisando os dados apresentados na Tabela 4, verifica-se que a amostra 1 coletada do manancial apresentou expressiva contaminação por coliformes, tanto total, quanto fecal. Contaminação de água dos mananciais poderiam ser minimizadas se houvesse uma correta proteção, seguindo-se o recomendado no código florestal, Lei 4771 de 15.09.65.

    A amostra 2 na 5ª coleta e a amostra 3 na 1ª coleta apresentaram discreta contaminação por coliformes fecais. Isto pode ter sido conseqüência da elevada turbidez que a água apresentava, o que proporcionou a proteção destes microrganismos contra a ação do cloro utilizado na estação de tratamento, conforme citado em Desinfecção de Águas (USP, 1970) de que bactérias coliformes podem sobreviver em água clorada de 1 a 0,5mg/L de cloro residual livre, mesmo após um tempo de contato maior do que 30 minutos, porque tais bactérias estavam embebidas em turbidez medida de 3,8 a 84 unidades Jackson.  Existe a possibilidade de a contaminação na rede de distribuição ter sua causa em conseqüência das tubulações serem antigas e por isto, vulnerável a perfurações e contaminações.

    Observou-se, que 90% das amostras coletadas apresentaram ausência de coliformes totais, percentual inferior ao que é estabelecido pela ANVISA (2000) de sistemas que analisam até 40 amostras/mês devem ter ausência em 95% das amostras. Para coliformes termotolerantes (fecais) observou-se resultados negativos em 90% das amostras, contudo os padrões estabelecidos pela ANVISA exige que as amostras tenham  100% de negatividade, logo, as condições bacteriológicas da água não atende aos valores exigidos pela legislação devido a um percentual obtido, menor  do que o estabelecido pela ANVISA.

Tabela 4- Número Mais Provável (NMP) de coliformes totais e fecais de amostras de água colhidas no município de Condado-PE, no período de 2 a 30 de novembro de 2003.

 

Ponto 1

Ponto 2

Ponto 3

Ponto 4

Ponto 5

 

Cto

Cf

Cto

Cf

Cto

Cf

Cto

Cf

Cto

Cf

Coleta 1 Data 02/11/03

1600

500

< 2

-

15

13

7

< 2

< 2

-

Coleta 2 Data 09/11/03

300

50

< 2

-

< 2

-

< 2

-

< 2

< 2

Coleta 3 Data 16/11/03

≥ 1600

≥ 1600

< 2

-

< 2

-

< 2

-

< 2

-

Coleta 4 Data 24/11/03

≥ 1600

80

13

< 2

< 2

-

< 2

-

19

< 2

Coleta 5 Data 30/11/03

≥ 1600

80

19

11

13

< 2

6

< 2

11

< 2

Pontos: 1-Do manancial; 2-Estação de Tratamento; 3-Ponto próximo a estação de tratamento; 4-Ponto intermediário; 5-Ponto distante. Cto- Coliformes Totais; Cf- Coliformes Fecais.

    A contaminação por coliformes totais e fecais do manancial (ponto 1) e coliformes totais e fecais pontos 2 e 3 na 5ª e 1ª coletas, são apresentadas de forma destacada nas Figuras 12 e 13 respectivamente.

    As contaminações observadas nas amostras do manancial (ponto 1) e dos pontos 2 e 3 na 5ª e 1ª coletas foram muito superiores às verificadas na cidade de Nova Santa Bárbara/PR, quando o Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto detectou, nas análises bacteriológicas para água do manancial, até 4 NMP de coliformes totais e fecais por amostra/mês, e 0 (zero) para água tratada (disponível em, www.samaensb.com.br/município).

    O manancial do Prata, que serve  de abastecimento de água ao município de Caruaru é receptor de esgoto doméstico da cidade de Bonito-PE, o qual apresentou nos meses de abril, agosto, setembro, dezembro, respectivamente os valores abaixo para coliformes fecais segundo a tabela de NMP/100mL os números mínimos e máximos 23-30, 23-90, 11-50 e 17 (disponível em, www.sbq.org.br) que são bem inferiores se comparados aos números apresentados na Tabela 4 ponto 1 em relação ao manancial do Riacho Zenith de abastecimento ao município de Condado-PE.

    Através do Programa Pró-Ciência/PE como formação continuada dos Professores de Biologia do Estado no ano de 1998, foram realizadas pesquisas, nos interiores, para avaliação da qualidade de água nos mananciais, a partir da pesquisa de Escherichia coli. Em Itacuruba, amostras coletadas nos dias 28, 29 e 30/10/98, o resultado foi negativo para aquelas amostras, porém nos dias 10, 11 e 12/05 foram positivos; em Recife, em Dois Irmãos, as coletas do dia 22/10/97 apresentaram resultados positivos, porém as dos dias 28, 29 e 30/07/98 foram negativas. As amostras de Carpina, coletadas nos dias 3, 4 e 05/05/98 apresentaram resultados positivos na barragem (disponível em, www.proext.ufpe.br).

    Custódia, no Sertão Pernambucano, moveu ação civil pública em 1995 contra o agente distribuidor, pela péssima qualidade da água fornecida à população e devidamente comprovada através de laudos técnicos emitidos pela Fundação de Saúde Amaury de Medeiros (FUSAM) e do próprio agente distribuidor, onde se constatou a ausência de cloro e a presença de microrganismos, como a Klebsiella spp e Enterobacter spp. (disponível em, www.mp.pe.gov.br/procuradoria). Recentemente, também foi instaurado inquérito civil público contra o agente distribuidor de água no município de Rio Formoso, conforme entendimento do promotor, que concluiu pela possibilidade de existir falha no sistema e considerou justa a reclamação da comunidade.

    Verificou-se que a portaria da ANVISA que trata dos parâmetros para qualidade de água para consumo humano, não vem sendo cumprida em algumas localidades.

6.   CONCLUSÕES

    A água apresentou elevada contaminação no manancial (Ponto 1) e também no ponto 2 na 5a coleta e no ponto 3 na 1a coleta, que uma  vez comparados com os padrões de potabilidade estabelecidos pela ANVISA há de se fazer restrições ao seu consumo. O sistema, deficitário (tratamento, instalações, distribuição, pelo tempo de construído) já não atende à atual demanda da população, cada vez mais exigindo um volume maior do precioso líquido, e que pode prejudicar a desinfecção do produto. Não existe coleta e tratamento de águas residuárias, o que influencia de sobremaneira a qualidade da água, tanto subterrâneas como superficiais.

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Remoção de microrganismos nas diversas fases dos processos de tratamento de águas de abastecimento. In: Desinfecção de águas. São Paulo, 1970. cap.2, p. 1-2 Qualidade microbiológica em águas potáveis. In: Desinfecção de águas. São Paulo, 1970. cap.7, p.1-9.

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