O Benemérito Dr. Melchert

(Germano Frederico Eduardo Melchert)

E as Epidemias de Febre Amarela em Campinas, S.P. Brasil.

 

Glória Melchert

[email protected]

 

 

Este trabalho é sobre a trajetória médica do benemérito Dr.  Melchert durante as epidemias de febre amarela, ocorridas em Campinas, S. P. - Brasil; constando importantes informações sobre os também beneméritos Dr. Costa Aguiar e Dr. Ângelo Simões.

 Tem como objetivo, inclusive, fazer retificações sobre um trabalho de Valquíria Maria Augusti a respeito da trajetória política desse ilustre cidadão.

“... e não existe amor maior do que o daquele que dá a sua vida pelo seu próximo...”
 “Jesus de Nazaré”.

 

No final do  século XlX, em Campinas, houve várias epidemias de febre amarela mas a mais grave foi no ano de 1889 quando o êxodo ocorrido na região foi verdadeiramente impressionante.

As famílias de posses se retiraram para outros locais não afetados por essa terrível epidemia permanecendo junto ao perigo apenas os menos favorecidos ou aqueles que por obrigação inadiável teriam que continuar em lugar tão perigoso.

 

O livro "A cidade de Campinas em 1900" cita, sobre a mais terrível epidemia de febre amarela:

Pg: 39- "Os annos de 1879-1880 estão vinculados, em nossa vida social, à maxima expansão do commercio. Nunca, antes ou depois, attingiu esta classe tão alto gráu de prosperidade...era citado como symbolo da seriedade...continuou até o anno lugubre de 1889, quando estalou aqui o raio da mais horrivel epidemia...".

Foi nessa época tão sombria que o benemérito Dr. Melchert mostrou, em sua plenitude, seu valor. (assim como os outros dois médicos.)

Dos 23 médicos que em Campinas residiam apenas 3 (três) ficaram, durante todo o tempo, inclusive no chamado “mês do terror (abril de 1889)”, lutando heroicamente sem qualquer remuneração já que em Campinas só ficaram as famílias menos favorecidas economicamente.

Os nossos grandes beneméritos foram: Dr.Ângelo Jacinto Simões, Dr.João Guilherme Costa Aguiar e Dr.Germano Melchert. Este último deixava juntamente com as prescrições, dinheiro para os medicamentos e alimentação das famílias visitadas.

Dr. Melchert foi contaminado pela febre amarela e tratado pelo delegado de higiene. Mesmo com sua saúde comprometida, continuou tratando incansavelmente os amarelentos e ajudando em tudo o que era possível, inclusive removendo cadáveres.

No livro “Registro Histórico da Real Sociedade Portuguêsa de Beneficência 1873-1960” consta: (sobre a epidemia de febre amarela de 1889)

Pg. 93 - “Marcou o ano de 1889  pungente tragédia na história de Campinas: luto, dor, desespêro, foram pontos comuns nos lares, nas ruas, em tôda parte, envolvendo nos mais dolorosos momentos a população da então florescente cidade de Barreto Leme”

A cidade era cortada por dois insignificantes cursos d’água: o denominado Tanquinho que se juntava com um outro córrego denominado do Serafin e ambos  tiveram, nas  suas águas e poças estagnadas de suas margens e no ar infectado, o centro proliferador do famigerado estegomia, o pernilongo traiçoeiro, veículo da contaminação que causou a terrível epidemia de  febre amarela. (informação obtida no livro supracitado)

Pg. 94 - “Nesse quadro sombrio, de sempterna tristeza, viveu a cidade dias de agonia e desolação; a calamidade pública igualava a todos perante a dor e a desgraça.”

Pg. 97- “O Sr. José Paulino Nogueira telegrafou ontem ao presidente da província pedindo auxílio de médicos, visto que alguns que estavam prestando serviços retiraram-se e outros estão fatigadíssimos.  Os que atualmente estão na cidade não podem atender a todos os chamados.”

O Sr. José Paulino Nogueira foi vereador de 1887 a 1890 e intendente municipal de 1892 a 1895.

 

 

 

O Retrato a óleo, em tamanho natural, foi feito em homenagem ao benemérito Dr. Germano Melchert e está no salão nobre do hospital Beneficência Portuguesa de Campinas.
Nesse salão existe um livro com pequena biografia desse ilustre médico, assim como dos personagens que foram fundadores ou beneméritos desse hospital e que também têm seus Retratos nesse salão.

 

 

Embora este trabalho seja sobre o benemérito Dr. Melchert e as epidemias de febre amarela em Campinas, o qual teve importantíssima trajetória política (sempre preocupado em defender as necessidades mais urgentes do local, visando o bem comum e tentando evitar o uso do dinheiro público em benefício dos poderosos, e com isso, provavelmente, adquirindo alguns adversários...)  seria muito injusto não citar os outros dois beneméritos.

Foram encontradas valiosas informações no livro:  “A Febre Amarela em Campinas”  de autoria do  Dr. Lycurgo de Castro Santos Filho.

              Na pg. 72- consta a lista de 21 médicos que em Campinas residiam naquela época, porém, apenas os 3 que permaneceram no “mês do terror” serão citados neste trabalho.
              Pgs. 72 e 73- “Excluindo Bráulio Gomes, 20 médicos exerciam a clínica em Campinas quando eclodiu e se manifestou a epidemia de 1889. Ângelo Simões, em seu livro sobre a febre amarela, escreveu que os médicos eram vinte e três, mas não citou os nomes. Estaria equivocado”.

             Olga Melchert, filha do benemérito Dr. Melchert, também afirmou serem 23 os médicos residentes em Campinas na época das epidemias de febre amarela. Sendo Olga Melchert filha e o benemérito Dr. Ângelo Simões colega do Dr. Melchert  podemos acreditar que realmente eram 23 os médicos residentes em Campinas quando se manifestou a epidemia de 1889. 

 

 

“Sobre Dr. João Guilherme Costa Aguiar” 

 

 

Nas pgs. 77 e 78 consta que Dr. João Guilherme Costa Aguiar, levou para fora a família e morreu de febre amarela contraída quando atendia aos pacientes da epidemia de1889.

Trechos de carta escrita por ele para a família: “Continuamos a lutar com o dragão que ameaça devorar a população desta cidade. Creio que das pessoas que não puderam sair, raras serão as que escapem da ação terrível do contágio. O número de médicos está muito reduzido; mas hei de ser dos últimos a sair”. Em trecho de outra missiva escreveu: “Hoje vi poucos doentes relativamente; 62 até esta hora (3 da tarde), ao passo que tem havido dias de ver 90, e não mais por fadiga”. “Admira que numa cidade despovoada, como está Campinas, onde custa ver-se uma casa aberta, a peste ache pasto abundante para fazer 30 vítimas como ontem, e 50 como anteontem.” “Quando nos deitamos, procurando um repouso para o corpo e para o espírito, debalde tentamos conciliar o sono; o gemido dos que lutam ainda, o arquejar dos moribundos, nos fazem como que uma obsessão. Parece que em cada um desses acentos lúgubres da vítima fala uma voz repetindo, em todos os tons, a miséria da nossa ciência, senão a inépcia com que a exercemos. Deus de misericórdia! Tende piedade de nós!”.   Trechos reproduzidos pelo médico Cesário Mota Júnior (1847 – 1897).

Pg.77-  “Costa Aguiar trabalhou intensamente e gratuitamente como os demais colegas da cidade”.

A Câmara Municipal concedeu-lhe posteriormente a Medalha de Gratidão e aprovou  a substituição do nome de rua da Constituição para rua Dr. Costa Aguiar.

João Guilherme Costa Aguiar nasceu em Itu em 11/6/1856 e faleceu em 19/5/1889. 

 

 

“Sobre Ângelo Jacinto Simões”

 

 

Na pg. 81-  “não se ausentou por um só dia da cidade, a exemplo dos outros dois médicos, Germano Melchert e João Guilherme Costa Aguiar”.

Pgs.82 e 83 - “Incansável, infatigável, ele foi, como também o foram Germano Melchert e Costa Aguiar, o obreiro silencioso que não deixou de trabalhar um só dia por todo o período da epidemias”... “Bem que Ângelo Simões poderia ter se retirado da cidade por motivo relevante, qual seja o falecimento de sua filhinha. Não o fez. Disse ele ter sido a “causa-mortis” “acesso pernicioso de forma convulsiva ”e não febre amarela, como haviam publicado”.

Ângelo Simões publicou um livro “Tratamento da Febre Amarela pela Água Clorada” -Tipografia de Bersnard Fréres, Rio de Janeiro 1897. Segundo ele “que de 23 clínicos residentes na cidade, apenas 3 nela restaram em abril, ele, Germano Melchert e Costa Aguiar”.

Pg.83- “Suicidou-se, e são ignorados os pormenores”. Recebeu a  Medalha de Gratidão assim como outras importantes homenagens, por seus trabalhos e dedicação, em 21/7/1889.

Pg. 84 - “De gênio forte, as vezes irascível, granjeou inimizades, de onde somente em 1931 um logradouro da cidade, no bairro Ponte Preta, ser denominado avenida Ângelo Simões”.

O ilustre benemérito, que tanto lutou durante as epidemias de febre amarela, nasceu no Rio de Janeiro em 2/10/1860 e morreu em Campinas em 20/10/1907.

 

“Sobre Dr. Germano Melchert”

 

 

 Assim como Dr. Costa Aguiar,o benemérito Dr. Melchert também enviou sua família para fora (Vevey, Suíça) ficando só na árdua luta contra a epidemia de febre amarela de 1889.

 

 

 


Anna Elisa Melchert

 

Fotocópias enviadas pelo departamento do Arquivo Municipal de Vevey

Fotocópia do mapa de Vevey posicionando a Villa Bergère.

Fotografias de detalhes da Villa Bergère em 2007.

 

 

Págs. 89 e 90-  “Este combativo médico alemão foi um dos três que não se ausentaram da cidade um dia sequer. No cartório da Conceição está registrado um atestado de óbito por ele firmado a 10 de fevereiro, o da moça suíça Rosa Beck, a primeira infortunada vítima da epidemia de 1889”. (o que indica ter sido ele quem detectou a epidemia)

 

“A sua constante presença foi referida, melhor, foi confirmada por Ângelo Simões em seu opúsculo. (atrás citado)”.

 

 “Andejo como o seu colega, o visconde de São Valentim, (pg. 81- o qual foi a figura exponencial da medicina em Campinas na década de 1870) Melchert locomoveu-se bastante e clinicou em diversos lugares. Germano Frederico Eduardo Melchert, que esse era seu nome completo, nasceu em ...  Clinicou em Porto Feliz, Constituição (atual Piracicaba) onde se achava em 1873....  Estabeleceu-se em Campinas em 1874, montou uma casa de saúde e dedicou-se a partos e operações, notadamente dos olhos. Foi juiz municipal, suplente de delegado de polícia, capitão cirurgião mor da Guarda Nacional, membro do Conselho de Intendentes (1891) e vereador na primeira Câmara do regime republicano (1892-95)”.

 

Pgs. 89e 90-  “A Gazeta de Campinas de 29/7/1882 publicou um edital de leilão em hasta pública de uma ‘casa e o terreno da Rua Constituição (atual Costa Aguiar), pertencentes ao Dr. Germano Melchert, e sua mulher, em execução que lhe movem E. Adamzick & Cia., os quais se acham avaliados pela quantia de 16 contos de réis (uma boa soma para a época!)’. Como era de temperamento exaltado, essa questão deve ter resultado de alguma quizila... E nem por isso ficou sem recursos, porquanto em 1886 viajou para Viena d’Áustria, e lá na bela capital residiu até fim de 1887, quando voltou a Campinas. Em 1889, ano da primeira epidemia de febre amarela, ingressou no corpo clínico do Hospital da Beneficência  Portuguesa e ali sempre atuou.”

 

“Depois da primeira epidemia de 1889, foi homenageado em Campinas com a Medalha de Gratidão da Câmara Municipal e com uma grande manifestação popular, quando lhe foram ofertados um jarro e uma bacia de prata obtidos em subscrição entre amigos (fatos descritos por  Olga Melchert em seu pequeno relato sobre seu pai).

 

Esteve presente nas epidemias de 1890 e 1896 e após esta última viajou para a Europa, de onde regressou em 1898. Ficou em Campinas até 1903, mudando-se nesse ano para Santos onde viria a falecer em 1921. 

Uma das ruas da cidade de Campinas, no bairro Vila Nova, recebeu o seu nome: rua Dr. Melchert.”

  

Em Santos, no bairro Embaré, também existe uma rua com o nome do benemérito Dr. Germano Melchert, assim como uma Avenida em São Paulo.

  

Embora no livro do Dr. Lycurgo não conste muitos óbitos lavrados por Dr. Melchert nos cartórios podemos crer que, sendo uma pessoa pragmática, acreditava ele ser mais importante atender o maior número possível de doentes do que dispor parte de seu precioso tempo com idas a cartórios. No próprio livro do Dr. Lycurgo esse pensamento pode ser confirmado quando sita: “...e com uma grande manifestação popular....”  ( na pg. 90 como supracitado).

 

 

 

As lágrimas da medalha simbolizam o sofrimento e as lágrimas derramadas pelo povo durante a epidemia de febre amarela de 1889.



            Segundo breve biografia escrita por Olga Melchert

 

 

“... O Dr. Melchert ia de casa em casa para socorrer a pobreza. Entrava de porta adentro, examinava o doente ou os doentes e debaixo da receita deixava uma importância para a compra não só do medicamento como também para a alimentação da família necessitada. Providenciava a remoção de cadáveres, pois numa feita ao querer abrir a porta de um casebre, encontrou resistência: era um cadáver que estava atravessado na soleira da porta...

O que fez pela pobreza de Campinas foi recompensado pelo que diziam: “ Deus no céu e Dr. Germano Melchert na terra”.

Em 1.903 deixou Campinas para ir residir em Santos onde procurou melhoras para sua saúde visto que o clima lhe ser mais favorável.

Em Santos clinicou por mais dezoito anos, sempre procedendo com a mesma solicitude sobretudo quando se tratava de um cliente pobre.”

 

A família do benemérito Dr. Melchert veio para o Brasil por motivos políticos, ou seja, as constantes guerras com a Dinamarca que tentava, constantemente, tomar aquele território.

O menino Germano desembarcou no porto de Santos, no dia 7 de Setembro de 1856, com seus pais e irmãos. Contava então 12 anos de idade e já demonstrava grande inclinação para a medicina; como era de família de Cavalheiros “Ritter” a tradição impunha que o primogênito seguisse as atividades do pai, que era de linhagem de médicos. Joaquim Theodoro Melchert, seu irmão, não possuía essa vocação e estando num país de costumes totalmente diferentes não obedeceu ao pai, seguiu sua aptidão e estudou agrimensura.

Germano, não tendo o apoio paterno para seguir sua vocação, transferiu-se de Piracicaba onde a família se estabeleceu, para São Paulo, ingressando como auxiliar de farmácia na “Veado de Ouro” e aos 15 anos de idade embarcava, com seus próprios recursos, para a Alemanha a fim de completar seus estudos e realizar seu sonho.

Tendo seu bisavô feito um “Monte Pio” que proporcionava formação acadêmica até a 5º geração, o jovem Germano pode realizar seu objetivo mostrando sua determinação. (algumas informações obtidas pelo pequeno histórico de Olga Melchert e por memórias de infância da autora). 

 

É válido citar que Dr.  Melchert estava na Alemanha quando a França declarou guerra à Alemanha (a guerra Franco Prussiana) a qual foi vencida pela Alemanha. O então jovem médico não era obrigado a se alistar pois era naturalizado brasileiro; mesmo assim foi como médico voluntário e ao final da mesma, foi condecorado pelo Kaiser Guilherme I, por sua bravura e dedicação, com a medalha de bronze e a cruz de ferro.

Trata-se pois de um herói nacional e internacional!

 

Dr. Melchert descendia de nobres alemães, mas sua maior nobreza era a de seu caráter!

 

O objetivo deste trabalho foi mostrar quem realmente foi esse importantíssimo benemérito e corrigir tópicos da dissertação da pessoa citada no resumo inicial deste.

 

No site, a autora já coloca esse ilustre benemérito em situação comprometedora, sem explicar o contexto da época, sem citar o autor da matéria  e sem comprovar a confiabilidade do que escreveu: “No diário de Campinas de 12 de outubro de 1890, Dr. Germano Melchert é relacionado como um dos “capitalistas” de 5º classe em débito com a Intendência Municipal....”

 

Questionada com veemência a respeito dessas injustiças, a autora disse que nada poderia fazer.

 

Não há indícios de que ele não tenha quitado a tal dívida caso contrário não poderia ter saído do país tantas vezes (como supracitado).

 

"Capitalista" é a pessoa que vive de seu capital e geralmente não tem uma profissão. Dr. Germano Melchert era médico e como tal é citado, por inúmeras vezes, no livro: "A CIDADE DE CAMPINAS EM 1900".

Nesse livro consta:

Pgs: 322 - 323 e 324 a lista dos "capitalistas" e consta o nome de Germano Hansen juntamente com todos os "capitalistas" da época. O NOME DO BENEMÉRITO DR. MELCHERT NÃO ESTÁ NESSA LISTA!

 

A autora deveria ter citado algo construtivo uma vez que dissertava sobre pessoa de tanto mérito!

 

Em 1890 o abnegado médico estava ocupadíssimo trabalhando, incansavelmente, na epidemia de febre amarela dessa data. Poderia, portanto, não ter tido tempo para quitar algum imposto, preferindo atender ao maior número de doentes possível!  As vidas das pessoas eram, sem dúvida, mais importantes! Ver pg. 90 do livro “A Febre Amarela em Campinas” de autoria do Dr. Lycurgo de Castro Santos Filho (supracitado).

Pg. 3 de 9- A autora  pergunta: “mas o que diz Olga Melchert sobre a participação de seu pai na política campineira?”- A ênfase é dada a sua participação como médico na cidade e região”.


Fácil explicar: vereador na época era cargo de honra não remunerado (o que a autora omitiu ou não sabia) e consciência social era qualidade dos homens de bem e capacidade que queriam o melhor para o local onde residiam, dispondo para isso de precioso tempo; e a grande admiração que Olga, assim como seus irmãos tinham pelo pai, era com relação  sua abnegação, generosidade, caráter impecável, e sua grande capacidade de sacrifício e honra no cumprimento do dever.

 

Pg. 3 de 9- “Dr. Germano Melchert ...é eleito vereador na primeira Câmara do regime republicano 1892 a 1895...” Não foi explicado que era cargo de honra não remunerado.  Verificar retificações abaixo, pg. 6 de 9 onde consta uma incoerência da autora a esse respeito.

Pg. 4 de 9- Concernente ao que foi citado sobre o Diário de Campinas...., seria necessário uma explicação correta dentro do contexto da época, pois história é uma ciência escrita baseada em documentações.
A autora disse ser o benemérito Dr. Melchert “capitalista de 5ª classe” Alguns indícios- (pessoa que empresta dinheiro, chamado atualmente de agiota)”... 

 

Faz-se necessário explicar que a classificação dos capitalistas era feita de acordo com a fortuna de cada um, quanto maior a fortuna a classificação seria de “1º classe”, “2º classe” e assim por diante... e, quanto à palavra “agiota”, qualquer pessoa sabe que é aplicada àquele que vive às custas de quem está em grande dificuldade financeira; e é sabido, como supracitado, que o benemérito Dr. Melchert ficou tratando dos atingidos pela terrível febre amarela, arriscando sua vida, sem nada receber de honorários desde que em Campinas ficaram somente os muito pobres. Para esses, ele deixava juntamente com as prescrições, dinheiro para que pudessem comprar medicamentos e alimentos.

Quanto a chamar o abnegado benemérito médico de “agiota”, essa afirmação não é compatível com o histórico desse ilustre homem.

Artigos de almanaques, revistas e jornais para leigos não têm seus artigos analisados por “referees”, portanto não são obrigatoriamente comprováveis por não serem publicações científicas. (e podem ser matérias pagas que de qualquer modo ficam arquivadas, mesmo que desmentidas posteriormente, pela pessoa injustiçada ou por seus parentes e amigos.)

 

Para a história ser confiável, é preciso responsabilidade ao se fazer os levantamentos da mesma. 

 

Pg. 4 de 9- A autora diz: “o capitalista” (mesmo de 5º classe) se achava numa situação privilegiada pelas relações que estabelecia com a elite campineira”. Podemos afirmar que, nesse contexto, o benemérito Dr. Melchert não teria sido aceito pela elite campineira e nem convidado a exercer cargos de honra. Ele foi por seu impecável caráter e mérito e com o reconhecimento do próprio Imperador D. Pedro II.

 

Generoso, culto, inteligente, alegre e extremamente competente  Dr. Melchert, em princípio, era chamado como médico dessas famílias e depois “acolhido como amigo” pela elite campineira (embora pudesse ter angariado desafetos por suas atitudes políticas, como supracitado). Na mesma pg. Consta que esse grande benemérito era “filho de grande proprietário rural”. Faz-se necessário citar que seu pai, assim como seu avô, também eram médicos.

 

Como poderia Dr. Melchert viajar tanto, aprimorando sempre seus conhecimentos, e enviar alguns (as) de seus filhos (as) a Vevey, Suiça, a fim de lá estudarem, sendo “capitalista de 5º classe”?  Se assim  fosse, não teria condições para tanto! 

 

Pg. 6 de 9-  A autora, mostrando sua incoerência, diz ter Dr. Germano Melchert sido Intendente Municipal (cargo que nunca ocupou) no mesmo período em que foi vereador de 1892 a 1895 atividades totalmente incompatíveis para serem exercidas simultaneamente. 

 

A autora em nenhum momento se referiu a importância desse grande homem como médico benemérito!!!

 

Notam-se incoerência e impropriedades em seu trabalho como por ex: no uso do termo “indivíduo” quando mais de uma vez se refere ao ilustre cidadão.

 

Nos dicionários Houaiss, Caldas Aulete e Aurélio, “indivíduo” significa, no sentido familiar, “homem anônimo, que não se nomeia por ser desprezível, reles, etc...”

 

A autora se apegou a pequenos e improváveis fatos para denegrir a imagem de um dos mais importantes personagens das páginas mais dolorosas da história de Campinas.

 

Ela não poderia publicar esse trabalho fazendo uso de meu nome e do nome de minha tia Olga sem antes mostrá-lo para mim e muito menos fazer uso do nome de meu ilustre avô denegrindo-o.

 

Provavelmente poucos homens fizeram tanto pelos filhos de Campinas como esses três médicos.

Com relação a trajetória política deste ilustre cidadão, embora incompleto, pois foi de Dr. Germano Melchert o primeiro projeto de lei para coleta de lixo da cidade de Campinas, o trabalho da autora supre-citada vale ser lido e confirma a integridade desse bebemérito também na área política.  

 

A tradução do resumo de Valquíria para o inglês está incorreta.

 

Meus agradecimentos:

 

A Nena Melchert Teixeira da Silva, que me presenteou com uma fotografia original de nosso avô, um lindo medalhão com pintura de nossa avó, além de me emprestar inúmeros documentos originais relativos aos mesmos, dos quais pude tirar cópias xerox.

A Joana Tonon, chefe do setor de pesquisa e divulgação do Arquivo Municipal de Campinas, que muito gentilmente me indicou o livro “A Febre Amarela em Campinas”, de autoria do Dr. Lycurgo de Castro Santos Filho, prontamente xerocou páginas do mesmo de muita importância para este trabalho e me ajudou com importantes informações.

Ao Sr. Ariovaldo dos Santos, que fotografou o Retrato do Salão Nobre do Hospital Beneficência Portuguesa, a medalha das lágrimas e o retrato do medalhão de Anna Elisa Melchert.

A Marpolaine Guisan, do Arquivo Municipal de Vevey, que estava ausente quando estive lá, em 1998, mas logo que retornou me enviou fotocópias dos documentos relacionados com a estadia da Sra. Melchert naquela cidade (na época, vila).

Ao Sr. José Santos Franchin, Diretor de Patrimônio do hospital supracitado, que gentilmente abriu as portas do Salão Nobre do mesmo para que o Sr. Ariovaldo fotografasse o Retrato.

Ao Sr. Adair José Pedro, 1° vice-presidente da diretoria executiva do Hospital  Beneficência Portuguesa, que me agraciou com o livro “Registro Histórico da Real Sociedade Portuguêsa de Beneficência”.

A Jaqueline Lourenço Nicolau, que tirou cópias xerox de páginas do livro supracitado.

A minha amiga Carmem Nohemia Próspero de Paula que me emprestou o livro "A cidade de Campinas em 1900" (uma verdadeira relíquia).

A minha amiga Dorcidis Pereira Damaceno que me deu muito apoio durante este trabalho.

A Gabriela Schweizer que gentilmente fotografou a Villa Bergère em Vevey, Suíça, em 2007.

Dedico este trabalho em memória de meu filho André, de meu pai Hans (13° filho do Dr. Germano), e do tio e tias que tive o privilégio de conhecer e com eles ter estreita convivência. Elfriede Brunhild, Alberto, Olga Libânia e Mena Andréa, pessoas da maior bondade e generosidade, que guardaram com muito cuidado e carinho os documentos de seu pai (posteriormente guardados por Nena, filha de Mena Andréa).

E em consideração ao meu filho Luis que é cientista.

Meu pai e filho também foram beneméritos, meu pai propiciando a incontáveis pessoas escolaridade em Sto André S.P. e meu filho, que em sua tão breve vida, ajudou e salvou muitos índios em Roraima levando a eles medicamentos  de que  necessitavam. (ver Hans Melchert e André Melchert F. S.)

Referências

Registro Histórico da Real Sociedade Portuguêsa de Beneficência.
            A Febre Amarela em Campinas – Dr. Santos Filho Lycurgo de Castro.
            Dr. Germano Melchert – Melchert Olga.
            A Cidade de Campinas em 1900 - T Y P. a Vapor "Livro Azul"- Castro Mendes e irmão - 1889 - Organisado por Amaral Leopoldo (ortografia da época).

Campinas, 18 de Agosto de 2006.

Glória Melchert, neta do Dr. Melchert.

 

Complementações e modificações feitas em Agosto de 2007.

 

 

The Epidemics of Yellow Fever in Campinas, S. P. Brasil

And The Meritorious Dr. Melchert – born – Hermann Friedrich Eduard Melchert

                                      
          
ABSTRACT: This work is about the meritorious Dr. Melchert’s activities as a physician during the terrible epidemics; he was also a very important person as a politician of the place.

In those terrible days the wealthy families moved away to other places and in Campinas remained only the very poor ones. According to a book written by Dr. Ângelo Simões, there were 23 physicians but only three (3) stayed in town every single day, including during the “month of terror-April 1889”. It would be unfair not to mention the other two physicians.

They were: Dr. Ângelo Simões and Dr. Costa Aguiar.

Dr. Germano Melchert – born in 2/1/1844. Died in 5/6/1921. He got the fever, and cured continued working until the end of the epidemics.

Dr. Melchert, as his meritorious colleagues, worked with intensity and exhaustion (with no remuneration), until the end of those tragic days.

There is a work about his political trajectory, but many corrections had to be made.

 

 

Campinas, 18 de Agosto de 2006.

 

Glória Melchert, Dr. Melchert’s granddaughter.

 

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