O PETRÓLEO

O petróleo é o resultado da lenta degradação bacteriológica de organismos aquáticos vegetais e animais que, há dezenas, ou talvez centenas de milhões de anos, proliferaram nos mares, acumulando-se em camadas sedimentares. O petróleo é o conjunto dos produtos provenientes desta degradação, hidrocarbonetos e compostos voláteis, misturado aos sedimentos e aos resíduos orgânicos.
O petróleo apresenta-se, na maioria das vezes, sob uma camada de hidrocarbonetos gasosos e, geralmente, acima de uma camada de água salgada (mais densa que o petróleo). A espessura de uma jazida varia entre alguns metros e várias centenas de metros. Seu comprimento pode atingir várias dezenas de quilômetros (no Oriente Médio).

A indústria do petróleo

• Exploração e perfuração
A exploração ou prospecção tem como objetivo a procura de novas jazidas. A exploração comporta estudos geológicos e geofísicos para detectar as jazidas e, em seguida, uma ou várias perfurações exploratórias. O esgotamento das jazidas tradicionais favoreceu em larga escala a exploração de bacias sedimentares de difícil acesso, tais como as localizadas nas zonas árticas e/ou marítimas. A exploração petrolífera marítima foi realizada em primeiro lugar em mares calmos e pouco profundos, e a seguir em zonas mais profundas e hostis.

• Desenvolvimento e produção das jazidas
Se a jazida é comercialmente explorável, numerosos poços, chamados poços de desenvolvimento, são perfurados de modo a drenarem uma quantidade máxima de hidrocarbonetos. Seu número pode variar em função do tamanho da jazida. Por simples descompressão da jazida, pode ser recuperada somente uma proporção muito baixa de hidrocarbonetos ali encontrados, quantidade esta que pode, no entanto, ser aumentada sensivelmente graças às possibilidades de estimulação e de bombeamento da jazida. Este tipo de recuperação, que envolve tão-somente a energia própria do reservatório impregnado e de seu aqüífero, é freqüentemente qualificado de primário. Para melhorar a taxa de recuperação e prolongar a duração da produção, é necessário manter artificialmente a pressão da jazida por injeção de água ou gás.

• Transporte
As grandes distâncias de transporte tornou necessária a instalação de infra-estrutura de meios de transporte específicos da indústria petroleira: navios petroleiros, navios-tanque e oleodutos.

• Refino
São encontrados tantos tipos de petróleo bruto quanto de jazidas: elas diferem entre si não somente por suas propriedades físicas (densidade, viscosidade, etc.), mas, sobretudo por suas composições químicas. Além dos tipos fundamentais de hidrocarbonetos (parafínicos, naftênicos e aromáticos), que se encontram em proporções muito variáveis conforme a jazida, o petróleo contém diversas substâncias, tais como enxofre, água salgada e traços de metais que o tornam praticamente inutilizável em seu estado bruto. O refino é o conjunto das operações e procedimentos industriais empregados para tratar e transformar, com o menor custo, o petróleo bruto em produtos acabados. A operação fundamental do refino é a destilação fracionada contínua. A maioria dos produtos é a seguir objeto de tratamentos suplementares para melhorar a sua qualidade: reforma catalítica.
É obtida finalmente toda uma série de produtos que respondem às necessidades dos consumidores: carburantes, gasolinas especiais, combustíveis e produtos diversos.

Derivados do Petróleo

em % por barril

 GLP (gás liquefeito do petróleo)

7,5%

Gasolina

16,2 %

Diesel

33,9%

Querosene

5%

Óleo combustível

16,5%

Asfalto

1,8%

Lubrificantes

1,2%

Naftas

11,2%

Diversos

6,7%


· GLP: O gás liqüefeito de petróleo (GLP), mais largamente conhecido como "gás de cozinha" é normalmente comercializado em botijões no estado líquido, tornando-se gasoso à pressão atmosférica e temperatura ambiente na hora de sua utilização em fogão. Por ser um produto inodoro por natureza, um composto à base de enxofre é adicionado, dando-lhe um cheiro bastante característico para facilitar a detecção de possíveis vazamentos. Uma parcela de GLP é utilizada pela indústria de vidros, cerâmica e alimentícia.
· Querosene: Sua função básica é servir como combustível de iluminação em regiões localizadas basicamente no interior dos estados brasileiros, mas também, em menor escala, é utilizado como removedor (solvente).
· Lubrificantes: Estes produtos são vendidos a empresas fabricantes, que os utilizam na formulação de diversos produtos finais, entre eles: óleos lubrificantes automotivos, industriais, óleos marítimos e ferroviários e na produção de graxas lubrificantes.

Quando a simples destilação de petróleo bruto clássico não permite satisfazer a solicitação do mercado no que se refere à demanda da quantidade de produtos petrolíferos, deve-se adicionar aos procedimentos de refino clássico unidades de conversão. Entre os mais comuns estão os procedimentos de craqueamento catalítico, de craqueamento térmico e de lúdrocraqueamento, que permitem obter produtos "leves" por dissociação das estruturas moleculares dos produtos pesados.

Geografia do petróleo

O petróleo ainda é a principal fonte de energia no mundo. Sua extração conheceu uma progressão ininterrupta, ou quase, durante mais de um século. Iniciada em 1859 na Pensilvânia (EUA), a produção ainda era modesta em 1900: 30Mt. Em 1920 alcançou 97Mt, e ainda era relativamente pequena às vésperas da II Guerra Mundial (384Mt em 1939), mas teve um grande crescimento em seguida a ela, principalmente entre 1960 (1.050Mt) e 1973 (2.860Mt), assegurando, em 1973, 47% do consumo energético mundial. Houve uma progressiva mutação geográfica da produção. Os EUA e a Rússia eram os únicos grandes produtores no fim do séc. XIX. A Venezuela ocupou o cenário internacional entre as duas guerras mundiais. E, sobretudo, o Oriente Médio tornou-se pouco a pouco, após 1960, a principal região produtora, representada principalmente pela Arábia Saudita, Irã, Kuwait e Iraque. As crises do petróleo (craques) de 1973-1974 e de 1979-1980 se expressaram em consideráveis aumentos de preços, ligados à conjuntura internacional, ao deslocamento para o Oriente Médio dos principais centros exportadores e à tomada do controle da exploração pelos países produtores (antes em mãos das grandes companhias internacionais), e provocaram uma parada no crescimento da produção (3165Mt em 1994). Essa estagnação na produção ocorreu simultaneamente a uma recessão econômica mundial, e atuou de certa forma como fator que a agravava (através do desequilíbrio ocasionado nas balanças comerciais dos países importadores de petróleo), ao mesmo tempo em que era efeito da própria recessão (que provocou uma contenção e uma racionalização do consumo, além da busca de diversificação das fontes de energia). Como resultado, houve uma diminuição na participação do petróleo no consumo energético mundial (menos de 40% atualmente): a oferta passou a exceder a demanda: houve um enfraquecimento do cartel (OPEP) que agrupa uma parte significativa dos grandes produtores, assim como uma baixa de preços quase tão espetacular como havia sido a subida anos antes.
Atualmente, o Oriente Médio participa com menos de 30% (950Mt) da produção mundial. A Arábia Saudita precede, com 430Mt, os Estados Unidos (390Mt), a Rússia (350Mt) e a China (150Mt). Entretanto, a OPEP (com destaque para os países do Oriente Médio) ainda assegura mais de 50% das vendas de petróleo bruto no mercado internacional (que, no total, movimenta quase l bilhão de toneladas anuais) e controla dois terços das reservas mundiais (estimadas em 150 bilhões de toneladas, metade das quais no Oriente Médio). Essas reservas são calculadas a partir de prospecções em locais mais acessíveis tecnicamente (o petróleo de origem "submarina", de acesso relativamente difícil, constitui aproximadamente 25% do total atualmente extraído).



O Petróleo no Brasil

No Brasil, o primeiro poço produtor foi aberto em 1939, em Lobato, próximo de Salvador. Mas até o inicio de 1970, procurar petróleo no Brasil não parecia se rum grande negócio. As reservas do Recôncavo Baiano e da Bacia Sedimentar do Nordeste (abrangendo os estados de Sergipe e Alagoas) já eram exploradas pela Petrobrás, mas os maiores investimentos da empresa concentravam-se em seu parque de refino. O preço do petróleo internacional era baixo demais para justificar grandes investimentos em pesquisa e prospecção do óleo nas bacias sedimentares brasileiras.
Os choques de 1973 e 1979 mudaram essa história. No início da década de 80, o petróleo despontava como o grande vilão da balança comercial brasileira, representando cerca de 50% do total das importações do país.
A auto-suficiência com relação ao combustível transformou-se em prioridade nacional.
A ampliação da pesquisa e prospecção de petróleo demandou um grande esforço tecnológico por parte da Petrobrás e da Universidade Federal do Rio de Janeiro, sua principal consultora. O resultado desse esforço foi a descoberta de promissoras bacias petrolíferas na plataforma continental, em especial na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro.
A extração de petróleo no subsolo dos oceanos é uma atividade cara e exposta a muitos riscos. As plataformas petrolíferas ficam submetidas ao movimento incessantes e regular das águas marinhas. Todo o trabalho de montagem estrutural realizado em profundidades maiores do que 450 metros tem de ser realizado sem as mãos humanas, pois os mergulhadores não resistem à pressão: os poços petrolíferos da Bacia de Campos chegaram a atingir mais de 1000 metros de profundidade, um recorde mundial.
Também como conseqüência dos choques do petróleo, a Petrobrás alterou significativamente a sua estrutura de refino do óleo bruto: passou a produzir menos óleo combustível e gasolina e mais óleo diesel. Mesmo com essa alteração, o Brasil tornou-se exportador de gasolina nos anos 80: o crescimento da frota de carros a álcool fez com que o consumo diminuísse mais do que a produção. Observe o mapa que mostra a concentração de refinarias da Petrobrás na Região Sudeste, junto ao mercado consumidor dos derivados do petróleo.
Em 1995 foram extraídas 34,86Mt de petróleo, para um consumo interno de 66.31MÍ, sendo a diferença coberta pelas importações, sobretudo dos países do Oriente Médio.

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