HISTÓRICO DA IMIGRAÇÃO NO BRASIL


A primeira fase da imigração ao Brasil aconteceu após a descoberta do território americano pelos portugueses. A imigração portuguesa foi particularmente intensa nos séculos XVI, XVII e XVIII, devido à necessidade de ocupar os territórios da colônia; durante este período, foram trazidos da África cerca de seis milhões de escravos negros para o trabalho da lavoura e da mineração. A legislação colonial proibia a entrada de estrangeiros; as tentativas de franceses e holandeses foram violentamente repelidas. Somente com a abertura dos portos, em 1808, a imigração foi legalizada. No entanto, a utilização de mão-de-obra escrava dificultava a fixação dos estrangeiros, que só podiam se estabelecer à medida que a escravidão ia entrando em declínio. Até 1850, período em que a escravidão atingiu seu apogeu no Brasil, a imigração foi restrita. Irlandeses e alemães tentaram se instalar na Bahia e em Pernambuco, mas sem sucesso.
A única experiência bem-sucedida ocorreu com a fundação das colônias alemãs de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, e São Leopoldo, no Rio Grande do Sul. No mesmo período, confederados norte-americanos derrotados na Guerra de Secessão chegaram ao Brasil - a cidade de Americana, no interior de São Paulo, remonta a este período.
A década de 70 marcou o início da maciça imigração italiana para as províncias do sul e do sudeste. A imigração estrangeira, porém, só foi legalizada no período republicano, em 1921. Com a revolução de 30, foram adotadas medidas de proteção aos trabalhadores nacionais e a imigração se reduziu bastante a partir de então. Em 1980, foi criado o Conselho Nacional de Imigração e a situação jurídica dos estrangeiros no Brasil foi definida.
No Brasil, a política migratória externa pode ser dividida nas seguintes fases: a primeira, de estímulo à imigração, principalmente após a abolição da escravidão, em 1888, visando à substituição de mão-de-obra escrava na lavoura cafeeira; a segunda, de controle à imigração, a partir de 1934, no governo de Vargas, devido à crise econômica internacional na década de 30.
O fluxo de imigrantes pode ser dividido em três períodos principais:
· O período de 1808 a 1850 foi marcado pela chegada da família real, em 1808, o que ocasionou a vinda dos primeiros casais açorianos para serem proprietários de terras no país. Devido ao receio do europeu de fixar-se num país de economia colonial e escravocrata, neste período houve uma imigração muito pequena. 
· O período de 1850 a 1930 foi marcado pela proibição do tráfico de escravos. Foi a época mais importante para a nossa imigração, devido ao grande desenvolvimento da monocultura do café e aos incentivos governamentais dados aos imigrantes. Em 1888, com a abolição da escravidão, estimulou-se ainda mais o fluxo imigratório, tendo o Brasil recebido, nesta época, praticamente 80% dos imigrantes do país. 
· O período de 1930 até os dias de hoje é caracterizado por uma sensível redução da imigração, devido, inicialmente, à crise econômica de 1929 ocasionada pela quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque, com o conseqüente abalo da cafeicultura brasileira. Além disso, contribuiu para esse processo a crise da nova lei da imigração, através da Constituição de 1934. Essa lei restringia a entrada de imigrantes, estipulando que, anualmente, não poderiam entrar no país mais do que 2% do total de imigrantes, de cada nacionalidade, que haviam entrado nos últimos 50 anos. Determinava ainda que 80% dos imigrantes deveriam dedicar-se à agricultura, além de estabelecer discutível e discriminatória "seleção ideológica" ou seja, conforme as idéias políticas que professava, o imigrante poderia ou não entrar no país.


A imigração portuguesa
O verdadeiro povoamento do Brasil por colonizadores portugueses só ganhou impulso com a instalação do Governo Geral em Salvador, no ano de 1549.
As migrações para as terras brasileiras continuaram, e já em 1580, se estima a sua população branca entre doze e quinze mil pessoas, sendo que o elemento português, durante o primeiro século da colonização, provinha dos pontos extremos da escala social: ou eram fidalgos, elementos da nobreza peninsular, aqui chegados como donatários, sesmeiros ou senhores de engenho; ou plebeus e degradados, homens de baixa condição social, que para cá vinham em busca de fortuna, de aventura ou mesmo para cumprir pena. Podemos, pois concluir que, inicialmente, a colonização portuguesa planejada, ficou restrita a São Vicente, Recife e Salvador, e só mais tarde dirigiu-se para o Norte e Nordeste, para posteriormente se voltar para o Rio de Janeiro, Santa Catarina e, por último, São Paulo. 
Ao longo de trezentos e vinte e dois anos, durante os quais o Brasil foi parte integrante do Reino de Portugal o progresso foi muito lento, especialmente se comparado ao período que se seguiu a transferência da corte para o Rio de Janeiro, em 1808, e à proclamação da Independência, em 1822. Mas o grande e definitivo impulso ao povoamento e desenvolvimento do Brasil seria conseqüência da imigração maciça, principalmente para o Estado de São Paulo, do final do século XIX a meados do século XX, período em que quase seis milhões de imigrantes, vindos principalmente de Portugal, Itália, Espanha e Japão, transformaram radicalmente a economia e a sociedade brasileira. 
A chegada da família real ao Rio de Janeiro, a 7 de março de 1808, acompanhada por uma comitiva de cerca de 15 mil pessoas, incluindo todo o Colégio dos Nobres, com seus corpos docente e discente, transportando a própria biblioteca e a guarda real, mais que uma data histórica, representa o início do verdadeiro desenvolvimento da Colônia. O Rio de Janeiro, então uma pequena cidade de pouco mais de 50 mil habitantes, teve grande dificuldade em alojar tanta gente, o que só foi conseguido com a expulsão de muitos moradores de suas próprias residências, e da adaptação a moradias de vários edifícios públicos.Na bagagem do príncipe regente veio a primeira tipografia que se instalou no Brasil, com o patrocínio régio, e destinada a imprimir tudo quanto respeitasse ao funcionamento dos poderes e órgãos do governo, tendo, decerto, facilitado o ensino nas novas escolas superiores.
Entre 1808 e 1817, chegaram ao Rio de Janeiro cerca de 24 mil imigrantes portugueses. Mesmo no segundo quarto do século XX, quando o Brasil impôs restrições à imigração, com cotas limite para imigrantes de outros países, os portugueses logo foram liberados para entrar e sair livremente. 
Devido aos imigrantes portugueses, São Paulo, Rio de Janeiro e outras capitais são também os maiores e mais modernos centros de saúde da América Latina. Quando os portugueses chegaram ao Rio de Janeiro era época de desemprego e miséria, e foram fundadas Beneficências Portuguesas (hospitais destinados ao atendimento às suas colônias). 
A imigração para São Paulo iniciou-se em 1840 com a contratação, pelo senador Vergueiro, de noventa famílias lusas destinadas à sua fazenda. O processo é tão significativo e a imigração tão intensa que, até a crise de 1929, quando esta diminui drasticamente, o estado de São Paulo foi quase todo colonizado, nele se tendo instalado, em cerca de meio século, perto de meio milhão de portugueses.

A Imigração Africana
Em 1798, Brasil tinha 3,2 milhões de habitantes e 1,6 milhão de escravos, a metade da população. Em 1816-1817, vésperas da Independência, a população total era de 3,6 milhões de habitantes e os escravos 1,9 milhão.
Eles pertenciam a várias etnias dos grupos banto e sudanês, falavam várias línguas, sendo nomeados pelo porto de embarque. Os sudaneses (vindos da Nigéria e do Benim) concentraram-se na Bahia, enquanto os bantos (de Angola, Congo e Moçambique) eram maioria no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. Tudo que se produziu na Colônia foi obra de negro - trabalho manual era considerado vil! 
Os escravos rurais trabalhavam até a exaustão, nas minas e plantações, enquanto as escravas mais belas serviam os senhores e geravam os mulatos. Nas cidades, as ocupações variavam. As escravas eram amas-de-leite e mucamas. Havia negros-de-ganho, que sustentavam a si e ao seu senhor como vendedor (de galinhas, tecidos, frutas), mensageiros e carregadores - de água, sacas de café, pessoas e objetos. E também os escravos de aluguel, que prestavam serviço como cocheiros, barbeiros etc. O domínio de um ofício tornava-os artesãos - alfaiates, sapateiros, marceneiros, ferreiros. E assim podiam sonhar em comprar sua liberdade. Após séculos de segregação e preconceito social, os afro-brasileiros demonstram querer redescobrir as raízes de sua raça. Esse movimento é motivado pela contribuição, cada vez mais evidente, que dão à cultura nacional. Hoje, várias das manifestações culturais mais brasileiras - na música, dança ou culinária - tem algum tributo a pagar aos escravos que, mesmo a contragosto, cruzaram o Atlântico trazendo consigo genes e costumes que formaram o espírito nacional.


A Imigração Alemã
A imigração alemã começa, na verdade, nos primeiros dias da existência do Brasil, começa com os canhoneiros das caravelas de Pedro Álvares Cabral e com o "Mestre João", seu astrônomo que verificou, pela primeira vez, a posição geográfica da então Ilha de Vera Cruz.
No ano de 1808 fundou-se a primeira colônia alemã no Brasil, localizada perto da Vila Veçosas no sul da Bahia, à qual foi dado, em homenagem à Imperatriz, o nome de Leopoldina (1818).
O primeiro fluxo migratório de alemães para o Brasil data de 1824, durante o governo de D. Pedro. Tal fluxo fazia parte da política de povoamento do território brasileiro iniciada por D. João VI e continuada por D. Pedro.
Em virtude da fraca concentração populacional no Sul do Brasil e da necessidade de proteger o território, D. Pedro I incentivou o povoamento da porção meridional do país.
O povoamento dessa parte do território brasileiro diferiu daquele realizado em outras porções do Brasil. Enquanto no nordeste, e mesmo no atual sudeste, a estrutura fundiária se caracterizou pela formação de grandes lotes de terras para a produção de gêneros tropicais de exportação, no sul do Brasil formaram-se pequenas propriedades agrícolas. Formaram-se, assim, as colônias alemãs do sul do Brasil.
Neste ano, chegaram as primeiras levas de imigrantes alemães no Rio Grande do Sul, as quais deram origem à cidade de São Leopoldo. A colônia gaúcha prosperou e deu origem a duas novas colônias no mesmo estado: Torres e Novo Hamburgo. A fundação das colônias alemãs de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, e São Leopoldo, no Rio Grande do Sul. 
Em 1827, outro fluxo imigratório de alemães se dirigiu para o Brasil, fixando-se no Paraná, na localidade do Rio Negro.
Em 1829, muitas famílias de alemães se fixaram nas proximidades da cidade de São Paulo em Santo Amaro.
Também em 1829, houve a fundação da colônia de São Pedro de Alcântara em Santa Catarina, com 146 famílias alemãs. Por volta de 1840, surgiram novas colônias alemãs no estado do Rio de Janeiro (Petrópolis), Rio Grande do Sul, Espírito Santo e Santa Catarina. A partir de 1850, com a proibição do tráfico de escravos e outras medidas de restrição à escravidão, novos imigrantes alemães chegaram ao Brasil e novas colônias alemãs foram fundadas também nos estados do Paraná, Espírito Santo e Minas Gerais.
Em 1850, um alemão de nome Dr. Herman Blumenau, fundou às margens do rio Itajaí, em Santa Catarina uma colônia que apresentou um grande desenvolvimento. Atualmente, é a cidade de Blumenau, um grande centro comercial e industrial do estado de Santa Catarina.
Os quatro estados brasileiros nos quais ficou restrita, principalmente, a colonização alemã, foram: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Espírito Santo.

A Imigração Espanhola
A Europa, em geral, passou por profundas mudanças econômicas entre a segunda metade do século XIX e o início do século XX. As dificuldades a que se vêem sujeitos os seres humanos em momentos de transformações profundas geram inquietude que os leva a procurar oportunidades de vida e sobrevivência em outras terras. 
A Espanha, em particular, além das transformações econômicas referidas e conseqüentes dificuldades de sobrevivência das camadas de população mais pobre, enfrentou dificuldades de ordem interna que agravaram o quadro acima exposto, comum a outros países europeus. Foram dificuldades econômicas e inquietações de ordem política geradas, por exemplo, pelas guerras da África (1893), guerra de Cuba (1895), Insurreição nas Filipinas (1896), Guerra com os Estados Unidos (1898).
A produção espanhola estava destinada em sua maior parte ao consumo interno em decorrência da baixa produtividade. Por ser a Espanha um país com uma economia essencialmente agrícola, essas crises atingiam a maior parte da população espanhola.
Os espanhóis que já emigravam para a América Espanhola por questões históricas, nesse contexto econômico e social foram atraídos para o Brasil, mais especificamente, de maneira mais intensa, para São Paulo, a partir de 1885, ano em que o estado de São Paulo passa a substituir os gastos de transporte desde o país de origem dos imigrantes até as fazendas de café paulistas. 
Os emigrantes que saíram da Espanha no que caracterizamos segundo momento (depois da Guerra Civil Espanhola e da 2º Guerra Mundial) tiveram também causas econômicas como determinantes, porém não apenas estas, pois emigravam agora também os perseguidos pela ditadura franquista, os exilados políticos e os que não concordavam em viver sob tal regime.
Com o início do processo de extinção do regime escravista no Brasil, ainda no Império, foi assinada em 1850 a Lei Euzébio de Queirós, que proibia o tráfico de escravos africanos. Com o desenrolar do processo de libertação dos escravos, os europeus iam sendo incluídos no cenário nacional para substituir a mão-de-obra escrava que inevitavelmente iria desaparecer.
Para conseguir atrair para cá imigrantes europeus, os interessados utilizaram-se de meios como a propaganda feita através de agenciados na Europa e subsídios para as despesas de viagem desde a Europa até o destino final, que era a fazenda de café. Vale apenas ressaltar que os atrativos de que se lançou mão, para o imigrante espanhol, foram exatamente os mesmos que para outras nacionalidades. No que diz respeito ao segundo movimento imigratório importante de espanhóis para o Brasil, as justificativas para a escolha de São Paulo estão ligadas ao desenvolvimento do parque industrial paulista dos anos 50 e à necessidade de mão-de-obra especializada para a indústria, sobretudo a automobilística.

A Imigração Japonesa
A manhã de 18 de junho de 1908 marcou a chegada dos primeiros imigrantes japoneses ao Brasil. No navio Kasato-Maru, vinham não apenas passageiros ou tripulantes, mas sim um povo que trazia como bagagem sua cultura milenar.
Com o objetivo de prosperar, os primeiros 800 imigrantes, logo estabeleceram contato com o povo brasileiro, o que não foi tarefa fácil devido à dificuldade de adaptação a uma terra completamente estranha, tanto em costumes como em clima. Suas características de povo verdadeiro e organizado não foram suficientes para superar tais dificuldades. No entanto, tais características ficaram para a história.
Os japoneses adaptaram-se com facilidade. Acima de tudo, acreditavam que a força de seu trabalho na terra resultaria em sucesso, pois, mais que um lugar para viver, procuravam um lugar para trabalhar. Tal sucesso foi dificultado pelo mau contrato estabelecido com a Companhia Imperial de Imigração, pois esta os obrigava ao trabalho semi-escravo, em razão da dívida resultante da passagem e da alimentação, que aumentava e impedia o acesso à fortuna, mesmo com o passar dos anos.
Aqui chegando, os japoneses dividiram-se em fazendas (Fazenda Dumont, Fazenda Canaã, Fazenda Floresta, Fazenda São Martinho, Fazenda Guatapará e Fazenda Sobrado). Começaram a trabalhar colhendo café. O contato com outros japoneses e principalmente com o Japão, era praticamente impossível, o que fez a família tornar-se ainda mais importante. Alguns, por causa da saudade, voltaram para o Japão, mas muitos persistiram.
Atraídos ainda pela propaganda de enriquecimento rápido, chegaram em 28 de junho de 1910 mais imigrantes japoneses, perfazendo um total de 247 famílias com 906 imigrantes. As dificuldades foram maiores que na primeira vez, pois o próprio governo de São Paulo, temeroso da volta dos que estavam insatisfeitos, criou um contrato mais duro e mais difícil. 
Porém, essa nova leva de imigrantes trouxe mais ânimo aos que aqui já estavam. Com eles chegaram as tão esperadas notícias do Japão e a oportunidade de formação de uma colônia e, com esta, as amizades e os casamentos.
A época não era propícia para o enriquecimento com o café, pois até os donos das plantações estavam em dificuldades. Com o tempo, os japoneses tornaram-se meeiros, pequenos proprietários. Passaram a ter livre iniciativa, o que possibilitou a melhoria de vida.
O sonho de voltar para o Japão começou a ser esquecido, pois a possibilidade de ser feliz aqui começava a se tornar realidade.
Com a formação de novas colônias, não havia mais a preocupação com os vizinhos, porque os costumes eram iguais. As famílias eram fortes e grandes para negociar e viver à sua maneira. Não se tratava, porém, de um mundo isolado. As tradições japonesas eram muito fortes, mas os filhos já eram da nova terra. A adaptação e a aculturação, mesmo com os hábitos alimentares do país eram inevitáveis.
Muitos japoneses se dedicaram ao cultivo do arroz, outros ao desbravamento das matas, outros foram construir uma estrada-de-ferro no Mato Grosso, enfrentando a malária e o clima. 
As colônias prosperaram, assim como o sucesso do trabalho no campo, o que não impediu que muitos imigrantes japoneses fossem para cidades e nelas se fixassem.
Regiões do interior de São Paulo foram habitadas pela comunidade japonesa: o Vale do Paraíba, a Alta Noroeste, a Alta Mogiana. As cidades foram crescendo e com elas a população imigrante, agora já bem brasileira.
Fatos históricos, dentre eles a II Guerra Mundial contribuíram, e muito, para dificultar a vida dos imigrantes no Brasil. A impossibilidade de ensinar o japonês, as tradições, as perseguições, a discriminação, as dificuldades com o desemprego pós-guerra. Tudo isso causou grandes danos aos japoneses que aqui viviam.
No entanto, alguns "cantinhos" da cidade de São Paulo foram, com o tempo, adquirindo características nipônicas. A Casa do Imigrante, as associações de moços, ruas do centro, como a Conde de Sarzedas, o próprio bairro da Liberdade, onde tudo era (e é) japonês. São Paulo e seu estado foram se adaptando às influências que recebiam. O universo da cidade foi tomando várias formas.
Novos imigrantes foram chegando e misturando-se aos filhos já brasileiros. Foram 180.000 imigrantes antes da segunda guerra e mais 70.000 depois. Acentuada ficou, porém, a dificuldade de relacionamento dos imigrantes com os descendentes nascidos aqui. Mas a miscigenação era inevitável com o contato com outras raças. Desde a lavoura, onde isso só acontecia se houvesse uma fuga, até as cidades, onde já se podia, embora com restrições, aceitar alguém que não fosse japonês na família, a cultura e a população foram deixando de ser exclusiva de uma colônia para ser de uma cidade.
Chegaram ao todo 250.000 imigrantes. Gerações se sucediam, e cada vez mais aparecia um povo paulista e brasileiro com uma cultura militar e forte.

A Imigração Italiana
Os italianos que imigraram para o Brasil fugiam da guerra e da fome, perseguindo o sonho de pelo menos continuar a sobreviver como pequenos produtores rurais – condição que não conseguiam mais manter em seu país.
A Itália era um país agrícola bastante limitado. O desenvolvimento industrial ocorreu principalmente no norte, mas não conseguiu mudar a situação de pobreza de sua agricultura. Não possuindo recursos minerais importantes para o desenvolvimento industrial, como o carvão e o ferro, a Itália teve de se limitar a uma industrialização mais modesta, baseada na indústria têxtil.
O primeiro grupo de imigrantes chegou ao Rio Grande do Sul em 1875. Foi assentado em terras devolutas do Império, na parte superior do Planalto Rio-grandense, a noroeste. Eram áreas desprezadas geográfica e economicamente pela grande propriedade. Os portugueses haviam deixado essas terras de lado. Interessaram-se mais pelas terras planas dos pampas, onde poderiam criar o gado com mais facilidade.
A fim de suprir a carência de mão-de-obra na lavoura cafeeira, a oligarquia paulista, valendo-se do seu prestígio político, estimulava a vinda de trabalhadores europeus com passagens subsidiadas pelo governo. O destino daqueles trabalhadores eram as fazendas de café do interior do Estado.
Em 1887 era inaugurada, no bairro do Brás, na cidade de São Paulo, a Hospedaria dos Imigrantes (atual Museu do Imigrante), com capacidade para receber 3.000 pessoas. Em ocasiões especiais, chegou a abrigar até 8.000 de uma só vez.
Os imigrantes italianos chegavam a São Paulo pelo porto de Santos. Nos trens da São Paulo Railway subiam a serra, desembarcando na estação ferroviária da própria Hospedaria. Ali eram alojados em amplos dormitórios coletivos, faziam três refeições diárias e recebiam a assistência médica necessária. Ali também eram celebrados os contratos de trabalho para a lavoura do café.
Após anos de trabalho, os imigrantes acabaram por deixar o campo onde contribuíram de forma decisiva para a manutenção das lavouras de café paulistas. Nas cidades, especialmente na Capital, iriam dar início a uma série de atividades profissionais e formar a grande massa de operários que movimentou a indústria paulista em seus primeiros tempos.
Dentre as inúmeras famílias italianas que imigraram para o Brasil, destaca-se a família Matarazzo que construiu uma fabrica na cidade de São Paulo e gerou muitos empregos inclusive para os imigrantes italianos.
O bairro do Bexiga, na capital, foi o destino de muitas famílias italianas que migraram do interior de São Paulo. Hoje grande parte dos habitantes deste bairro são descendentes desses italianos.
Todas essas pessoas mantêm os costumes tradicionais de sua origem; anualmente promovem duas grandes festas: a de "San Genaro" e a de "Nossa Senhora de Achiropitta", que são festejadas com muita alegria, macarrão e vinho por grande parte da população de São Paulo.

A Imigração Holandesa
Apesar de terem emigrado para o Brasil desde o tempo colonial, foi recentemente que sua presença mais se fez sentir no Brasil, através de um trabalho de colonização bastante eficiente. É o caso das colônias de Castrolândia, no Paraná, de Mão-Me-Toque, no Rio Grande do Sul, e a Colônia de Holambra, no município de Mogi-Mirim, no estado de São Paulo.
Holambra é a união de Holanda, América e Brasil. E é isso mesmo que a pequena cidade a 130 quilômetros de São Paulo é: um pedaço da Holanda no Brasil. A mais conhecida das colônias holandesas no país é também a única a se transformar num município emancipado e elevado à categoria de estância turística. A Cidade das Flores, como é conhecida, é um convite aos nossos olhos, com sua beleza colorida perfumada.
A maioria dos 6 mil habitantes de Holambra é de imigrantes holandeses e seus descendentes diretos. Em 1948, os pioneiros trocaram a Europa devastada durante a Segunda Guerra Mundial pela região fértil do interior paulista, onde deixaram sua marca não apenas na produção de flores, mas também na arquitetura, culinária e costumes.

Outros Grupos de Imigrantes
O maior destaque numérico cabe aos poloneses e ucranianos, que se fixaram, em sua maioria, no Paraná, dedicando-se à agricultura e à pecuária.
Os sírio-libaneses distribuem-se por todo território nacional, dedicando-se às atividades predominantemente urbanas, como o comércio e a indústria. Vieram principalmente na segunda metade do século XIX.
Os judeus, sobretudo de origem alemã e eslava, vieram principalmente às vésperas e durante a Segunda Guerra Mundial, dirigindo-se para o sul e sudeste. Passaram a dedicar-se, como os árabes, a atividades urbanas, especialmente ao comércio e à indústria.
O Brasil passou a receber, durante os anos 70, um expressivo número de sul-americanos, principalmente paraguaios, bolivianos, uruguaios, argentinos e chilenos. Nos anos 80, o fluxo maior passou a ser de coreanos, mas estes, como os latino-americanos, vivem em boa parte clandestinamente, uma vez que sua presença é impossibilitada pelas leis que estabelecem cotas máximas de imigrantes por nacionalidades.
As regiões brasileiras que mais receberam imigrantes foram a sul e a sudeste. São Paulo, principalmente, recebeu quase a metade dos imigrantes entrados no Brasil. Apenas na capital paulista há imigrantes de mais de cem nacionalidades diferentes.
Atualmente, o ciclo migratório tem-se invertido, e o Brasil, que sempre recebeu imigrantes, passa hoje por uma fase de surto emigratório. As diversas crises sócio-econômicas do país têm levado uma parcela da população a procurar saída no exterior, especialmente nos Estados Unidos e na Europa.

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