A AGROPECUÁRIA NA OCEANIA
Em termos políticos, identificamos na Oceania a presença de quatorze países independentes, dezesseis territórios sob domínio de outras nações e um estado norte-americano, o Havaí. Dentro desse conjunto, os três maiores países independentes – Austrália, Papua-Nova Guiné e Nova Zelândia – correspondem a mais de 93% do território e abrigam cerca de 90% da população de toda a região.
As demais nações vivem essencialmente da agricultura da pesca e da exportação de matérias-primas. A agricultura é realizada em pequenas propriedades familiares ou em plantações destinadas à exportação. Na agricultura de plantation, pode-se ressaltar o cultivo da cana-de-açúcar, da banana e do coco. Recentemente foi introduzido o cultivo do cacau, do café, e de especiarias. O principal produto de exportação de muitas ilhas é a copra, polpa branca e oleosa do coco maduro, que é secada e exportada em grandes quantidades para ser utilizada na fabricação de sabonetes e outros artigos. O óleo de copra também é utilizado na indústria de detergentes e de sabões, por ser um ótimo espumante, bactericida, germicida e, principalmente, por ser biodegradável. Também é usado na culinária no preparo de margarinas.
Austrália
A descoberta e o reconhecimento do território australiano iniciou-se no século XVII, mas não motivaram grandes empreendimentos comerciais, pois a região carecia de terras férteis e, aparentemente, também não possuía riquezas minerais. Somente no século XVIII, o capitão James Cook, enviado pela Inglaterra, tomou posse dos territórios em nome da Coroa britânica. Funcionando inicialmente como colônia penal inglesa, aquela longínqua ilha apresentava diversas desvantagens, como o isolamento e o desconhecimento das condições de vida. Mesmo assim, a partir do início do século XIX, numerosos colonos aventuraram-se a uma nova vida na Austrália. Dentre os inúmeros grupos de imigrantes que se estabeleceram no país, merecem destaque os irlandeses, que se dedicaram especialmente à criação de ovinos.
O início foi árduo. Grande parte dos imigrantes não possuía experiência agrícola e as condições adversas levaram muitos ao desanimo e à fome. Mas o estabelecimento da colonização de povoamento levou à introdução da pecuária ovina. O ambiente revelou-se tão propicio a essa criação que, em menos de meio século, o rebanho ovino alcançou vários milhões de cabeças, convertendo-se na primeira riqueza do território.
Grande parte da Austrália é ocupada com atividades agropecuárias. A produção é em geral extensiva, já que a terra é abundante e barata e a população, rarefeita. A única região que realiza produções intensivas é o Sudeste.
A aridez do clima limita o espaço agrícola australiano; no entanto, as poucas regiões favorecidas apresentam grande produtividade, graças à adoção de modernas técnicas de irrigação como em Nova Gales do Sul que possui um canal de 155 Km de extensão e ao uso de espécies vegetais selecionadas e adaptadas às condições naturais do país.
O trigo (oitava produção mundial) é cultivado nas terras do sul e sudeste (Nova Gales do Sul, Vitória e Queensland) e nas áreas próximas às cidades de Adelaide e Perth. A cana-de-açúcar (nona produção mundial) desenvolve-se principalmente na costa leste, de clima tropical. Milho, arroz e aveia (sexta produção mundial) e frutas são produtos de menor destaque.
É a pecuária, no entanto, que se constitui na mais sólida fonte de riqueza australiana. A criação de ovinos ocupa os pastos mais pobres das zonas mais áridas, porém sua alta produtividade coloca o país em primeiro lugar na produção mundial de lã. O rebanho bovino, bem inferior ao ovino, ocupa os melhores pastos do sudeste, para a produção leiteira, e os do norte, para o corte.
O setor agropecuário é responsável por quase metade do valor das exportações australianas, especialmente da lã (o país exporta 87% da produção), trigo (79%) e carne (mais de 40%). Merecem destaque ainda outros produtos de origem animal, como manteiga e queijo.
Nova Zelândia
O arquipélago da Nova Zelândia foi uma das últimas áreas do mundo a serem povoadas pelos europeus. Povos polinésios ocuparam-no por volta de 1300 e os britânicos chegaram apenas no final do século XVIII, intensificando a imigração a partir de 1890.
Com um PNB (26,1 bilhões de dólares, em 1989) em constante crescimento, Nova Zelândia apresenta uma economia forte e diversificada. Embora apenas 11% desse PNB seja diretamente proveniente da agropecuária, este setor é responsável por grande parte das exportações de produtos industriais.
A pecuária, economicamente muito mais importante para o país que a agricultura, ocupa quase 52% de espaço territorial. O rebanho Bovino é de 11 milhões de cabeças e o de ovinos, quase 70 milhões (o terceiro do mundo).
A criação, em geral, é semi-extensiva, exceto para pecuária leiteira, que é praticada de forma intensiva, constituindo-se numa das mais avançadas do mundo em nível de tecnologia e produtividade.
Os produtos da pecuária – carne, lã e laticínios – estão entre as principais exportações do país, representando quase 80% do seu valor total.
A agricultura ocupa pequeno espaço territorial, mas revela alto grau de mecanização e absorve menos de 5% da população economicamente ativa. As principais lavouras localizam-se na Ilha Sul, onde se destacam o trigo, a cevada, a aveia, o milho e a batata.
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