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Um Estudo 100% Bíblico sobre: A PARÁBOLA DO HOMEM RICO E LÁZARO.

 

A História do Rico e Lázaro. Costuma-se mencionar a parábola do rico e Lázaro, como prova do galardão imediato após a morte. Mas em pura perda, como vamos mostrar cabalmente. Embora alguns se atrevam a dizer que a narrativa não é parábola, mas um fato real contado por Jesus, esmagadora maioria dos mais ilustres teólogos crêem que é parábola. Hastings, Rand, Smith, Davis, Angus, entre os que nos ocorre no momento.

 

Se tal parábola fosse real, não conteria enredo eivado de idéias pagãs, conceitos talmúdicos e metáforas judaicas. Eram idéias populares nos dias de Jesus, mas não eram conceitos bíblicos. Nos escritos de Flávio Josefo, por exemplo, encontramos referência a "Seio de Abraão", e "Hades" como lugar de tormento, aliás de acordo com idéias persas e egípcias. Jesus, como recurso didático, serviu-Se de idéias populares, embora errôneas, para chegar a conclusões corretas.

 

Diz o erutido Manson: "A narrativa por certo não foi engendrada por Jesus para a circunstância que a motivou. Isto porque há casos análogos e paralelos na literatura rabínica, e o Prof. Gressman os identifica como origem egípcia, representados principalmente pelo conto Si-Usire, o qual relata, como o realismo de quem conhece os segredos do além, como um mendigo de Mênfis, queimado sem honras, foi visto vestido de linho real do reino de Osíris, enquanto um homem rico que recebera um suntuoso sepultamento na terra fora conduzido ao Hades."

 

O abalizado Plummer, com sua incontestável autoridade, afirma: "Não há, na parábola, o propósito de dar informações acerca do mundo invisível. Nela é mantida a idéia geral de que a glória e a miséria depois da morte são determinadas pela conduta do homem antes da morte; mas os pormenores da história são extraídos das crenças judaicas relacionadas com a situação de almas no Sheol, e devem ser entendidas de conformidade com essas crenças. As condições dos corpos dos personagens são atribuídas a alma a fim de nos permitir compreender o enredo da narrativa."

Acresce o erudito Shailer Mathews: "Não há evidência de que os judeus nos dias de Jesus cressem num estado intermediário, e é inseguro ver nesta expressão [seio de Abraão] uma referência a tal crença."

Smith, em seu conhecido dicionário bíblico, conclui: "É impossível firmar a prova de uma importante doutrina teológica numa passagem que reconhecidamente é abundante em metáforas judaicas."

Edershein, em seu livro Life and Times of Jesus the Messiah, afirma categoricamente que a doutrina da vida além da morte não pode ser extraída desta parábola.

Diz um outro autor evangélico: "Coisas omitidas da narrativa: o sangue que faz remissão, a graça que perdoa os arrependidos e a fé que descansa numa obra expiatória."

Se, de fato, Cristo quisesse ensinar a situação exata das "almas" no além, mesmo na hipótese de haver Céu e Inferno de acordo com à mofada teologia popular, teria Ele o cuidado se ser exato no enredo, no ambiente e nos detalhes da história. Por exemplo:

  • O Céu não seria apresentado como lugar onde não se nota a presença de Deus, o Pai, nem de Jesus.

  • Não seria lugar encostado ao inferno, que permitisse conversação entre seus habitantes; que permitisse verem-se e penalizarem-se. Imaginem uma piedosa mãe, no lado de cá, vendo seu filho querido mas não salvo, convulsionando-se eternamente em dores lancinantes nas chamas, no lado de lá.

  • Lázaro salvou-se antievangelicamente sem Jesus, pelo mérito da pobreza.

·         Se o rico pediu a intercessão do Abraão da parábola, justificaria a doutrina extravagante e desajeitada da "intercessão dos santos".

  • Abraão deveria ter um seio descomunal para abrigar todos os remidos, e ele próprio como remido para onde iria? Será ele o monitor do Céu? Como estariam os justos que morreram antes dele?

·         Abel e Enoque por exemplo em que "seio" estariam?

 

O estudioso Charles L. Ives, evangélico, pondera: "Não se admite, como pretendem muitos, que o seio de Abraão seja uma expressão figurativa da mais elevada felicidade celestial, pois o próprio Abraão em pessoa aparece em cena. Se, pois, ele próprio se acha presente numa cena literal, é incorreto usar seu seio, ao mesmo tempo, em sentido figurativo. Se seu seio é figurado, então o próprio Abraão o é, e também a narrativa inteira." 

O Talmude (Kiddushin 72b) refere ao "regaço de Abraão", e Josefo ao "seio de Abraão". No mesmo Talmude se diz que "Abraão está assentado ao lado das portas do Sheol, e não permitirá que nenhum israelita lá entre". De acordo com a literatura judaica:

  • O Hades compunha-se de duas câmaras, uma para os justos e outra para os ímpios (Midrash, sobre Rute 1:1).

  • Segundo o livro Sabedoria de Salomão 3:1 alude a "câmara" dos justos. Que o Hades tem uma câmara onde os ímpios são atormentados, se tem notícia pelo livro de Enoque 22:9 a 13, Talmude (Erubin 19a).

  • Que os habitantes de ambas câmaras mantém diálogo se tem notícia através do Midrash, sobre Eclesiastes 7:14.

  • Que os justos, como recompensa, entram para o "regaço de Abraão" se lê no Talmude (Kiddushin 72b).

 

Por onde se vê a origem não bíblica, mas apócrifa dessa escatologia. Embora errôneas essas idéias, eram populares nos dias de Cristo.

"Jesus serve-Se da concepção e crença comuns de Seu povo, a respeito de um estado intermediário entre a morte e a ressurreição final, para, num diálogo sublime e simbólico mantido no mundo invisível entre Abraão e o rico..."

Outra pena autorizada escreve: "Nesta parábola Cristo Se acerca do povo em seu próprio terreno. A doutrina de um estado consciente de existência entre a morte e a ressurreição era mantida por muitos dos que ouviam as palavras de Cristo. O Salvador lhes conhecia as idéias e compôs Sua parábola de modo a inculcar verdades importantes em lugar dessas opiniões preconcebidas."

Portanto, o diálogo mantido pelo rico e Abraão é alegórico, e o importante é descobrir o que Cristo quis realmente dizer, pois, em se tratando de alegorias, símiles ou parábolas, é preciso compreender a idéia central, o objetivo principal, e não deixar-se prender pelos detalhes, que são acessórios para completar a cena.

O erudito Joseph Angus em sua conhecida obra, num capítulo sobre interpretação nos dá este judicioso conselho acerca das parábolas: "Converter delicados detalhes em grandes verdades escriturísticas é obscurecer o grande desígnio do todo, e assim trazemos um significado para a parábola em vez de extrair dela o significado. Isso é um hábito que nos pode levar aos enganos mais sérios."

Bem, vamos direto à parábola. Se eram almas que deixaram o corpo e estavam no "seio de Abraão" e no Hades (almas do rico e de Lázaro) então seriam aberrantes, pois estas almas têm "olhos" (verso 23), têm "seio" (verso 23), têm dedos (verso 24), têm "língua" (verso 24). Se têm olhos e têm línguas, devem ter cabeça; se tem dedos, logicamente devem ter mãos e necessariamente braços. Se uma delas sentia sede e reclamava água para refrescar a língua, concluímos que tinha organismo. Falavam, o que significa que tinham cordas vocais, laringe, etc., e se ouviam deviam ter órgãos auditivos. Se tinham cabeça, tronco e membros, ou seja partes corpóreas, materiais, então não eram almas. Não podiam ser corpos glorificados, pois ainda não haviam ressuscitado. Os corpos achavam-se debaixo da terra, pois diz a narrativa: "... o mendigo morreu... e morreu também o rico e foi sepultado." (verso 22). E no verso 31 a ressurreição é apresentada como acontecimento futuro.

Mas, crêem os imortalistas, se houve diálogo é porque estavam conscientes. Sendo alegoria, não se impõe essa conclusão. Temos, na mesma Bíblia, a parábola de Jotão, relatada em Juízes 9:8 a 15, das árvores que "foram uma vez ungir um rei para si". As árvores falavam mas o ensino que lá se tira não é o de que as árvores são conscientes! Outra alegoria semelhante nos é relatada em Isaías 14:9 a 11, onde os falecidos reis de todas as nações, que estão no Sheol, se levantam dos tronos e conversam, dizendo: "Tu como nós também estás fraco? És semelhante a nós?" - Ora isso é alegórico, e não constitui ensino direto sobre um estado consciente após a morte. Por que o seria na parábola de Jesus?

Qual seria, então o ensino de Jesus na parábola do rico e Lázaro? Dissemos ensino, e não doutrina, pois, como diz acertadamente um comentador de peso: "É regra aceita em teologia que as doutrinas não devem ser baseadas sobre parábolas."

A narrativa é endereçada "aos fariseus, que eram avarentos" (Lucas 16:14) e vem depois da parábola do mordomo infiel, que fizera provisão para a garantia futura. Os fariseus consideravam a riqueza um favor do Céu, e a pobreza um desfavor divino. Cristo quis desfazer esse conceito errôneo, e contou a parábola. Os fariseus inflavam de excessivos orgulhos nacionais, e julgavam-se salvos pela indisputável fórmula "filhos de Abraão". O Mestre quis ensinar que o procedimento humano aqui na Terra reflete-se na vida por vir, e que não há uma segunda oportunidade de salvação.

 

"Na parábola do rico e Lázaro, Cristo mostra que nesta vida os homens decidem o seu destino eterno. Durante o tempo da graça de Deus, esta é oferecida a toda a alma. Mas, se os homens desperdiçam as oportunidades na satisfação própria, afastam-se da vida eterna."

O grande ensino é de ordem moral e espiritual, e não doutrinário escatológico. Não houve o objetivo de ensinar a falsa idéia da imortalidade natural. As cenas acidentais são meros detalhes, particularidades, para completar o quadro, mas destituídos de ensinamentos em si mesmos. A única referência de cunho escatológico está na conclusão da parábola, no versículo de Lucas 16:31, e diz respeito à ressurreição que é apontada como único meio de um morto voltar à vida.

Concluindo, diremos que Abraão da parábola ao afirmar que os cinco irmãos do rico têm "Moisés e os profetas" e que se não cressem neles não creriam em coisa alguma ainda que algum dos mortos ressuscite, deixou patente:

a) Que eram remetidos aos ensinos das Escrituras, sobre o estado do homem na morte (e elas dizem que o homem dorme na sepultura até à ressurreição);

b) Que os mortos estavam inconscientes na sepultura, porque somente da sepultura pode alguém ressuscitar. Não haviam, pois, recebido ainda o galardão; não se achavam no Céu, nem no inferno. Estavam aguardando o juízo vindouro. Então teriam o galardão e o castigo.

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