Sim há Inferno, Sim há Diabo, Sim há Karma

Capítulo 2  -  Os Três Aspectos do Interior da Terra

 

P. – Mestre, pelo que nos expôs anteriormente, devemos entender que debaixo das camadas inferiores da Terra só existem infradimensões, já que as supradimensões, que correspondem aos céus, somente se encontram acima da camada terrestre?

V.M. – Distinto senhor! Sua pergunta me parece certamente interessante e me apresso a responder-lhe.

É bom que todos os senhores entendam que este organismo planetário em que vivemos tem, em seu interior, três aspectos claramente definidos. Primeiro, região mineral meramente física. Segundo, zona supradimensional. Terceiro, zona infradimensional.

P. – Aceitando que no interior da Terra existiriam estes três aspectos de que nos fala (e, no meu caso, o aceito hipoteticamente, esclareço), teríamos que chegar à conclusão de que as nove esferas celestes convivem com os infernos que correspondem às infradimensões. Acaso é congruente que os céus se situem na mesma localidade que têm os infernos?

Distinto cavalheiro! É urgente compreender, de forma integral, que tudo na natureza e no cosmos se resume em somas e restos de dimensões que se penetram e compenetram mutuamente sem se confundir.

Existe um postulado hermético que diz: “Tal como é acima é abaixo”. Aplique o senhor este postulado ao tema em questão.

É ostensível que os nove céus têm, no interior de nosso organismo planetário, suas correlações de acordo com a lei das correspondências e da analogias.

Estes nove céus, no interior do organismo planetário em que vivemos, correlacionam-se inteligemente com as nove zonas profundas do planeta Terra.

Porém, ainda não expliquei a fundo a questão. O que sucede realmente é que estes nove céus têm um centro de gravitação atômico, situado exatamente no centro do planeta Terra.

De outra forma, quero dizer-lhe e dizer-lhes a todos vocês, senhores e senhoras, que os nove céus gravitam no átomo central do planeta Terra, estendendo-se muito mais além de todo o sistema solar.

Este mesmo processo se repete com cada um dos planetas do sistema solar de Ors.

P. – Esta exposição, Venerável Mestre, me parece muito bela e encaixa perfeitamente nas lacunas de meu entendimento; porém devo manifestar que, de acordo com os preceitos da lógica, não pode demonstrar com clareza a explicação que o senhor nos deu; portanto, como podemos chegar a verificar sua afirmação neste sentido?

V.M. – Estimável cavalheiro! Sua pergunta é inquietante. Inquestionavelmente, a lógica formal nos conduz ao erro. Não é por meio de tal lógica que podemos chegar à experiência do real; necessitamos de uma lógica superior, que existe afortunadamente. Já Ouspensky escreveu o “Tertium Organum”, o terceiro cânone do pensamento. É ostensível que existe o sentido da unidade na experiência mística de muitos sujeitos transcedidos.

Tais homens, mediante o desenvolvimento de certas faculdades cognocistivas, puderam verificar, por si mesmos e de forma direta, a realidade dos mundos infernos no interior deste planeta em que vivemos.

O interessante de tudo isto é que os dados enunciados por uns e outros adeptos são similares, apesar de morarem tais homens em diferentes lugares da Terra.

P. – Quer dizer-nos então, Mestre, que somente a certos e muito reduzido número de adeptos tocou a sorte de ter estes poderes cognoscitivos; é lhes dado comprovar as infradimensões e as supradimensões dos planetas e do cosmos, bem como do próprio homem?

V.M. – No terreno da experimentação direta, no campo da metafísica prática, existe uma variedade de sujeitos com faculdades psíquicas mais ou menos desenvolvidas.

É óbvio que há discípulos e mestres. Os primeiros podem dar-nos informações mais ou menos incipientes; os segundos, os adeptos ou mestres, dispõem de faculdades imensamente superiores que os capacitam para investigações de fundo, que lhes permitem, então, falar de forma mais clara, mais precisa e mais detalhada.

P. – Se o senhor, Mestre, nos ensinou que corroboremos, por experiência própria, o que afirmam os adeptos e os iluminados, cabe, então, a possibilidade de que nós, os profanos, possamos verificar, por vivência própria, a realidade dos mundos infernos, fora das experiências de um simples pesadelo causado por uma indigestão estomacal?

V.M. – Estimável senhor! É óbvio que a experimentação direta no terreno da metafísica só é exeqüível a sujeitos que tenham desenvolvido as faculdades latentes do homem. Mas, quero dizer-lhe, com inteira claridade, que toda pessoa pode experimentar sumariamente o cru realismo de tais infernos atômicos, quando cai nesses asquerosos pesadelos.

Indubitavelmente, não quero dizer com isto que os mencionados pesadelos permitam a verificação completa do cru realismo das infradimensões da natureza.

Quem quiser realmente vivenciar isso que está por baixo do mundo tridimensional de Euclides deve desenvolver certas faculdades e poderes psíquicos muito especiais.

P. – É possível que todos nós possamos desenvolver estas faculdades?

V.M.- Distinto cavalheiro! Quero informar-lhe que o Movimento Gnóstico Internacional possui métodos e sistemas, mediante os quais todo ser humano pode desenvolver, de forma consciente e positiva, seus poderes psíquicos.

P. – Mestre, poderia dizer-nos o que devemos entender acerca de que o demônio habita em infernos que têm labaredas de fogo e um tremendo cheiro de enxofre, onde se castiga os seres que nesta vida se portaram mal?

V.M. – Vou dar resposta à pergunta do cavalheiro. Inquestionavelmente, nas regiões submersas do reino mineral, sob a própria epiderme do planeta Terra, existem diversas zonas. Recordemos, por um instante, a zona ígnea. É ostensível que está demonstrada com a erupção dos vulcões. Citemos a zona aquosa. Ninguém poderia negar que, no interior deste organismo planetário, haja água. Pensemos, por um momento, no elemento etéreo. Ainda que pareça incrível, dentro de nosso planeta Terra existem também correntes de ar, zonas especiais. Até se tem dito, com inteira claridade meridiana, que existe, no interior deste mundo, certa vasta região completamente oca, aérea, diríamos nós. De modo algum poderíamos negar o realismo de pedras, areias, rochas, metais, etc., etc., etc.

Ao pensar em conceito de demônio ou demônios, relembremos também as almas perdidas. Isto é verdadeiramente interessante.

Muitos habitantes do interior ou demônios, relembremos também as almas perdidas. Isto é verdadeiramente interessante.

Muitos habitantes dos mundos infernos moram na região do fogo; mas outros vivem nas regiões aéreas e, por último, habitam as regiões aquáticas e as zonas minerais.

É óbvio que os habitantes do interior terrestre se encontram muito relacionados com o enxofre, posto que isto é parte integrante dos vulcões. Porém, é evidente que, de forma específica, só os moradores do fogo poderiam achar-se tão associados ao enxofre. Quero, pois, distinto cavalheiro, honorável público, respeitáveis senhores e senhoras, que vocês compreendam o Inferno ou “Infernus” na forma cruamente natural, sem artifícios de nenhuma espécie.

P. – Poderia o senhor dizer-me, Mestre, por que, sendo a região do baixo ventre a dos mundos infernos, encontra-se situada na região do cordão prateado? Quer dizer isto que dito cordão se comunica constantemente com nossos mundos infernos?

V.M. – Honorável senhor! Quero responder-lhe com perfeita clareza. Muito se tem dito sobre o cordão de prata; é indubitável que toda alma está conectada ao corpo físico por meio desse fio magnético. Foi-nos dito que um ramo deste cordão, ou fio da vida, se acha relacionado com o coração e que o outro, com o cérebro.

Diversos autores enfatizam a idéia de que sete destes ramos derivados do cordão de prata encontram-se conectados com sete centros específicos do organismo humano.

Em todo caso, esse fio na vida, esse cordão do qual o senhor nos fala, base própria de sua pergunta, de modo algum está conectado aos sete chacras do baixo ventre. Resulta interessante saber que, durante as horas de sono, a Essência, a alma, escapa do corpo físico para viajar a diferentes lugares da Terra ou do cosmos. Então, o fio magnético de nossa existência se solta, se alonga-se infinitamente, atraindo-nos, depois, ao corpo físico para despertar no leito.

P. – Mestre, poderia ampliar-me isto que o senhor acaba de dizer, com respeito a que os sete chacras se encontram no baixo ventre, já que nos disse em outras conferências, em seus próprios livros inclusive, que os sete chacras se encontram repartidos em diferentes partes de nosso organismo?

V.M. – Honorável cavalheiro! Escutei sua pergunta e me apresso a responder-lhe com o maior agrado.

Vejo que você, senhor, confundiu os sete chacras do baixo ventre com as Sete Igrejas do Apocalipse de São João, situadas na espinha dorsal.

Indubitavelmente, em nenhuma parte da conferência que esta noite estamos desenvolvendo aqui, na cidade do México, D.F., fiz alusão alguma a tais centros magnéticos ou vórtices de força, situados no bastão de Brahama, ou medula espinhal.

Só temos citado, mencionado as sete portas infernais de que fala a religião de Maomé, os sete centros específicos ou chacras situados no baixo ventre e relacionados com os mundos infernos. Isto é tudo! Entendido?

P. – Por todo o antes exposto, podemos coligir, Venerável Mestre, que o aspecto físico do centro da Terra pertence ao mundo tridimensional e que os aspectos supradimensionais e infradimensionais estão situados nessas regiões subterrâneas do planeta, onde não chega a percepção intelectual e sensorial tridimensional do animal racional?

V.M. – Distinto cavalheiro! Quero informar ao senhor e, em geral, a todo este auditório que me escuta que nossos cinco sentidos só percebem os aspectos tridimensionais da existência; entretanto, são incapazes de perceber os aspectos supradimensionais ou infradimensionais da Terra e do cosmos.

É óbvio que as regiões subterrâneas de nosso mundo revestem-se de três aspectos fundamentais. Entretanto, os sentidos ordinários só percebem de forma só percebem de forma superficial o físico, o tridimensional. Se queremos conhecer as dimensões superiores e inferiores do interior da Terra, devemos desenvolver outras faculdades de percepção que se encontram latentes na raça humana.

P. – Querido Mestre, devemos entender que tanto nas supradimensões como nas infradimensões habitam seres vivos?

V.M. – Amigos meus! Inquestionavelmente, as três zonas do interior do nosso mundo estão habitadas. Se nas infradimensões vivem as almas perdidas, nas supradimensões do interior planetário moram muitos Devas, elementais de ordem superior, deuses, mestres, etc., que trabalham intensivamente com as forças inteligentes desta grande natureza. Poderíamos falar muito extensamente sobre as populações das zonas central, ou supradimensionais, ou infradimensionais do interior do nosso mundo; porém, isto o deixaremos para as próximas conferências. Por hora me despeço dos senhores, desejando-lhe muito boa noite.
                                                                                   Próximo Capítulo

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