Ricardo Aleixo

Ricardo Aleixo, poeta mineiro, nascido em 1960. Também é músico, produtor cultural e artista plástico, participando das mostras: Palavras a Olhos Vendo: Poéticas do Deslimite e Sebastião Nunes: 30 Anos de Guerrilha Cultural e Estética de Provocavam, Centro de Cultura de Belo Horizonte (1998). Fez exposição individual no Centro Cultural UFMG, BH (1999) e Centro Cultural Oduvaldo Vianna Filho, RJ (1999).
Em 1992, lança o livro Festim (Editora Oriki) e, com Edimilson de Almeida Pereira, o A Roda do Mundo(Mazza Edições, 1996). Além de Quem Faz o Quê? (Editora Formato,1999), Trívio (2002) e Máquina Zero (Francisco KAQ, 2004).
Possui poemas e artigos publicados em diversas antologias antologias, como Paixão Por São Paulo (Terceiro Nome, 2004), organizada por Luiz Roberto Guedes, A Cidade Escrita (Editora UFMG/ALMG, 1996), organizada por Wander Melo Miranda, e Esses Poetas - Uma Antologia da Poesia Brasileira nos Anos 90 (Editora Aeroplano, 1998), organizada por Heloisa Buarque de Hollanda.
PAUPÉRIA REVISITADA
Putas, como os deuses,
vendem quando dão.
Poetas, não.
Policiais e pistoleiros
vendem segurança
(isto é, vingança ou proteção).
Poetas se gabam do limbo, do veto
do censor, do exílio, da vaia
e do dinheiro não).
Poesia é pão (para
o espírito, se diz), mas atenção:
o padeiro da esquina balofa
vive do que faz; o mais
fino poeta, não.
Poetas dão de graça
o ar de sua graça
(e ainda troçam
- na companhia das traças -
de tal "nobre condição").
Pastores e padres vendem
lotes no céu
à prestação.
Políticos compram &
(se) vendem
na primeira ocasião.
Poetas (posto que vivem
de brisa) fazem do No, thanks
seu refrão.