Marcelo Tápia

Marcelo Tápia, nasceu na cidade de São Paulo, em 1954. Poeta, tradutor e editor, em 1982 publica Primitipo, (Massao Ohno / Maria Lydia Pires e Alburquerque Editores). O bagatelista (Edições Timbre, 1985), Rótulo (Editora Olavobrás, 1990), Pedra volátil (Editora Olavobrás, 1996), e o livro de contos Livro Aberto (Editora Olavobrás, 1992). Além das traduções, Joyce - Poemas (Editora Expressáo, 1986), Haikais do Tempo / Tankas e Haikais da Lua (Editora Olavobrás, 1988), Multijoyce, (Editora Olavobrás, 1988), Irish Dreams/Sonhos Irlandeses (Editora Olavobrás, 2000) Joyce - Poemas (Editora Olavobrás, 1992), junto a Luis Dolhnikoff, e A forja - alguma poesia irlandesa (Editora Olavobrás, 2003). Também traduziu o poeta cubano Alejo Carpentier, em Os Passos Perdidos (Martins Editora, 2008).
A VISÃO DO POETA NA TV
(angústia)
Ao vê-lo na tela,
joâo cabral de melo neto:
sem visão central
sem uma esperança
sem o olho do alvo
sem ponto de fuga
sem foco de apoio
seu "compreende?" soa
dito a cada frase
como a tentativa
de reter o ausente
que visto convence
como se o falado
só só se atingisse
quando dirigido
à meta do olhar
além do pensar
como se o pensado
só de fato o fosse
se olhado no centro
cravado no branco
como osso do verso
a cegueira faz
fazê-lo estranhar
as palavras ditas
escritas no ar:
a face invisível
do monstro vencido
em seus tempos vívidos