Marcelo Montenegro

Marcelo Montenegro (São Caetano do Sul, 1971) é autor de Orfanato PortátilTranqueiras Líricas, apresentado, entre outros, no Sesc Pinheiros, Galeria Olido, Casa das Rosas, Biblioteca Alceu Amoroso Lima, Barco Virgílio e Espaļæ½o Satyros. Integrou o projeto Poesia na Idade Mídia, no Itaú Cultural (Ago/2005), que reuniu 8 poetas brasileiros que se tornaram referência nesta intersecção de literatura e música no palco. No mesmo lugar, em 2006, participou do A(u)tores em Cena, com escritores contemporâneos sendo dirigidos por diretores de teatro. Em novembro do mesmo ano foi um dos curadores do Na Ponta da Língua, no Sesc Vila Mariana, que colocou lado a lado poetas e compositores" os primeiros falando sobre a importância da música e os segundos sobre a influência da literatura em seus trabalhos. Participaram, entre outros, Arrigo Barnabé, Clemente, Chacal, Fausto Fawcett, Ademir Assunção e Nei Lisboa.

Também é roteirista e editor de vídeo com trabalhos exibidos na MTV e TV Cultura, e criador de luz e trilha sonora para diversos espetáculos, é membro do grupo de teatro Cemitério de Automóveis onde opera iluminação e sonoplastia.

Poema Estatístico


Tem uma esquina prenha de um latido.
Trechos de pássaros que permanecem
nos muros que ficam. E vice-versa.
Um e-mail anotado às pressas no canhoto do tintureiro.
A cirrose portátil. A síndrome do pânico.
O enroladinho de presunto e queijo.


Tem a Mulher mais Linda da Cidade.
Groupies de cabelo rosa. Poodles
da solidariedade. Alguém chorando lágrimas
de tubaína. Penélopes Charmosas.
Dick Vigaristas. Um cara que já sai desviando
do cinema del arte, evitando ser atingido
por alguma conversa perdida.


Tem a mulher da vídeo-locadora
que não conhece o filme que estou procurando.
Um amigo que diz que escreve só para colocar epígrafes.
Taxistas infláveis. Manicures em chamas.
Um casal que desce a rua na banguela
prolongando a gasolina daquilo tudo
que um dia fora. Eu ando apaixonado
pela mulher da vídeo-locadora.
Lendo revistas na sala de espera
do consultório dentário. Tem uma
que venta. E um que desiste.
De arranhar os vidros do aquário.

 
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