Glauco Mattoso

Pedro José Ferreira da Silva, mais conhecido pelo pseudônimo de Glauco Mattoso, poeta, tradutor e ensaísta, nasceu em São Paulo (SP), em 1951. Nos anos 70, editou o Jornal Dobrábil. Publicou, entre outros títulos, os livros de poesia Línguas na Papa (Pindaíba, 1982), Memórias de um Pueteiro (Edições Trote, 1982), Limeiriques & Outros Debiques Glauquianos (Edições Dubolso, s/d) Centopéia - Sonetos Nojentos & Quejandos (Ciência do Acidente, 1999), Paulisséia Ilhada - Sonetos Tópicos (Ciência do Acidente, 1999), Geléia de Rococó - Sonetos Barrocos (Ciência do Acidente, 1999) e Panacéia - Sonetos Colaterais (Nankin Editorial, 2000), além do CD de sonetos musicados Melopéia. Traduziu Fervor de Buenos Aires, para a coleção das Obras Completas de Jorge Luis Borges (Editora Globo, 1998). Em 2002, foi publicada uma edição completa do Jornal Dobrábil, pela editora Iluminuras.

Em 2008, publicou o livro Manual do Podólatra Amador (Casa do Psicólogo), As Mil e Uma Línguas (Annablume), e A Letra da Ley (Annablume). Além de organizar, junto ao poeta Antonio Vicente Seraphin Pietroforte, a antologia M(ai)S - Antologia SadoMasoquista da Literatura Brasileira, editada pela Demônio Negro.

MANIFESTO OBSONETO [1981]


(pros poetas ditos "sujos" que nunca esquecem o modess e
trocam de meia de meia em meia hora)


Isso não é poesia que se escreva,
é pornografia tipo Adão & Eva:
essa nunca passa, por mais que se atreva,
do que o Adão dá e do que a Eva leva.


Quero a poesia muito mais lasciva,
com chulé na língua, suor na saliva,
porra no pigarro, mijo na gengiva,
pinto em ponto morto, xota em carne viva!


Ranho, chico, cera, era o que faltava!
Sebo é na lambida, rabo não se lava!
Viva a sunga suja, fora a meia nova!


Pelo pelo na boca, jiló com uva!
Merda na piroca cai como uma luva!
Cago de pau duro! Nojo? Uma ova!

 
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