
|
ANO I – NÚMERO 01 OUTUBRO /NOVEMBRO / DEZEMBRO 2001 |
|
PUBLICAÇÃO DO DEPARTAMENTO DE SILVICULTURA INSTITUTO DE FLORESTAS DA UFRRJ |
|
O LIXO É UM LUXO |
Wilson Mendonça |
Lixão de Seropédica
|
Quem já não ouviu dizer que o lixo é um luxo? Pois por mais estranho que pareça é assim que deveríamos tratar nosso lixo. Humanos produzem, além dos dejetos naturais, resíduos de diferentes composições e de difícil degradação. O problema do lixo sempre foi colocado de lado pelo Homo Sapiens no processo evolutivo das civilizações. Os restos de comida e da caça do homem primitivo evoluíram, tornando-se o lixo orgânico que é produzido por bilhões de habitantes, diariamente. Os restos dos utensílios usados por nossos ancestrais se transformaram em ferro, aço plástico, papel, papelão, vidros, lixo tóxico etc... É muito lixo. Até no espaço encontramos restos dos programas espaciais orbitando, em volta do planeta, como satélites-lixo. Culturas espalhadas pelo mundo desprezaram e, desprezam cuidados especiais com os resíduos produzidos. A poluição, causada por algumas empresas, foi um aviso da necessidade de cuidarmos com mais atenção destes resíduos, antes que o planeta esteja totalmente contaminado. Profundos túneis subterrâneos vem sendo usados, para armazenar material radioativo e outras substâncias danosas ao meio ambiente. As pessoas consomem mais e mais e a produção de lixo aumenta. Não importa se o foi o consumo de produtos para a alimentação, acarretando um aumento na quantidade de lixo orgânico, ou se foi apenas a compra de uma nova televisão, que acrescentará um volume de papelão e material de embalagem na lixeira do lar. Em todos os casos o volume de lixo produzido cresce. E, de maneira irregular, mesclando resíduos orgânicos com resíduos de produtos industrializados. Misturando materiais com diferentes graus de degradabilidade. Uns recicláveis outros não. Alguns podendo levar até 100 anos para se decomporem. Sem falar daquele lixo que vem dos hospitais, que não tem nem destinação separada, do chamado lixo “doméstico”.A solução existe. Já se reconhecem as vantagens da reciclagem de vários materiais como o vidro, o papel e o alumínio. Já existe know-how suficiente na área agrícola para a utilização de composto orgânico.Assim para ficarmos livre deste resíduo precisamos pagar. Da mesma forma que pagamos, às companhias de água e esgoto, para nos livrar daqueles resíduos que produzimos decorrentes da nossa alimentação As cidades pequenas, com pouco lixo ou que tenham fluxo sazonal deverão ter suas próprias usinas de reciclagem e de tratamento do lixo, terceirizadas ou não, mas conscientes de que o custo deve sair do cidadão que produz o lixo. E o cidadão deve entender que além de pagar, deve participar do processo, selecionando e dispondo adequadamente seus resíduos. No futuro, quando uma família fizer a lista de gastos mensais deverá incluir, além do gastos com aluguel, transporte, alimentação e escola, também um percentual para o tratamento do lixo por eles produzido.Neste instante, teremos finalmente evoluído. Seremos capazes de conviver com o planeta sem trazer prejuízos ambientais, pois estaremos tratando, todo o lixo produzido. E este é o grande lucro do tratamento do lixo. Um planeta limpo! |