Costa&Medeiros | Mello&Barcellos| Borba&Silveiramast-l2.gif (6755 bytes)

Image7.gif (1431 bytes)Image8.gif (1437 bytes)Prefácio (permita-me o internauta)

em primeira pessoa


A todo o fascínio por rebuscar em retratos, memórias, garatujas e alfarrábios vestígios do passado que dêem conta de formar ao menos uma cena, um quadro, um dado que seja da história, mescla-se sem compaixão a angústia que sente o genealogista diante de rastros que se foram sem se deixar ficar por mais um pouco.

Por isso mesmo cheguei a imaginar quão feliz seria o historiador a quem lhe deparassem prontos e lineares todos os fatos da existência humana e terrestre, como num amplo e nítido panorama ou numa tela cinematográfica. Não obstante, extraí também da angústia decorrente da névoa do passado um quê de sonho, de imaginário, que me faz acordar todo dia querendo mais esse encontro quase impossível com o olvido.

Descobri pelo caminho que fragmentos falam de modo mais enérgico que as íntegras, porque denunciam a dilaceração, a fragilidade, a impotência humana diante do tempo, fazendo querer resgatar e preservar a qualquer preço, lançando o convite para sempre arriscar a reconstituição... Muito à semelhança do fascinante desafio lançado à criança pelas peças ilhadas de um quebra-cabeça... por cuja completitude ela anseia e a qual espera apreciar. Certamente reforça esse fato o que se acha no cerne do conceito cristão: segundo o qual, o homem fora criado ser eterno, que jamais precisaria perder, nem passar, nem se quebrar... muito menos ser resgatado.

Este apanhado, despretensioso e incapaz de reproduzir os pormenores do passado, sendo por isso mesmo tão desfigurado diante do tempo, ainda assim tem a seu favor a paixão da busca de seu autor como ser humano. (Não que precisasse disso. Certamente o meu eu eterno sempre fala mais alto. Contudo, desejei entender melhor minha história, e uma história não só familiar, mas também nacional, da qual faço inevitavelmente parte.)

As fotografias que me caíram misericordiosamente nas mãos são registros de gente que por um instante inexplicável desejei profundamente ter conhecido. Ocorreu-me pensar que diálogos travaríamos, que visões de mundo partilharíamos, e mais uma vez abominei o tempo finito que ora nos cerca e nos prende de modo avassalador —como a escravos. Contudo, o consolo chega: de ter hoje diante de mim retratos e retalhos que me dizem tão pouco para eu deles extrair tanto! E a certeza de que, se tivesse ouvido o timbre da voz dessa gente amada, se lhe tivesse fitado ao vivo os olhos tristonhos e sofridos, se lhe tivesse presenciado a saga esvaída com o tempo, não estaria hoje aqui, preservando essas fotos e esses dados. (De tão esparsos e desconexos, eles me são por isso mesmo valiosíssimos, inestimáveis!) Nem estaria escrevendo este registro... que desejo legar a meus filhos, sobrinhos e progênie... a meu povo, o de ontem, o de hoje, o de amanhã.

Elaborei estas páginas em primeiro lugar para mim mesmo, mas espero que o internauta e leitor extraia da consulta e leitura o mesmo deleite que obtive com a feitura da singela obra.

 

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©2003, de Fabiani Silveira Medeiros

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