 Descendentes da fam�lia
Costa Medeiros, de Laudelino da Costa Medeiros
Laudelino da Costa
Medeiros, autor do livrete abaixo, era filho de Jos� In�cio de Medeiros (Filho) e Maria
Auta Pereira da Costa; neto de Jos� In�cio de Medeiros e Ana Maria Teixeira. Era ele
primo em primeiro grau de meus tr�s bisav�s paternos: Lu�s C�sar da Costa Medeiros,
Sebasti�o da Costa Medeiros e Ambrosina da Costa Medeiros, os dois primeiros, irm�os,
filhos de Zeferino In�cio de Medeiros e Maria das Dores Pereira da Costa, sendo Ambrosina
filha de Sebast�o In�cio de Medeiros e Eul�lia Pereira da Costa.
Jos� In�cio de
Medeiros, cc Ana Maria Teixeira, PAIS DE:
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Jos� In�cio de
Medeiros Filho, cc Maria Auta Pereira da Costa (pais de LAUDELINO da Costa Medeiros)
...
Zeferino In�cio de
Medeiros, cc Maria das Dores Pereira da Costa (pais de meus bisav�s LU�S C�SAR da Costa
Medeiros e SEBASTI�O da Costa Medeiros)
Sebasti�o In�cio de
Medeiros, cc Eul�lia Pereira da Costa (pais de minha bisav� AMBROSINA da Costa Medeiros)
(Esta minha bisav� casou-se com o primo acima, Sebasti�o da Costa Medeiros.)
...
Para obter mais
informa��es sobre a sucess�o de Laudelino da Costa Medeiros, acesse as p�ginas de Medeiros
Franke e de Evandro de Andrade Medeiros.
DESCENDENTES
da
Fam�lia Costa
e Medeiros
Rio Negro,
Junho de 1936
Estado do Rio
Grande do Sul
por : Laudelino
da Costa Medeiros
Com o objectivo de que meus filhos e
netos, n�o vivam sempre, na ignorancia da genealogia de sua fam�lia; cuja ignorancia,
considero muito censuravel, entre pessoas de certa ordem social; motivo porque, deliberei,
j� no ultimo quartel de minha exist�ncia, a escrever esta recorda��o, que pe�o
conservem em lembran�a, para que, nas ocasi�es oportunas, n�o tenham que, constrangidos
dizer : - nada sei dos antecedentes de minha familia: Isto considero uma vergonha.
Portanto, os principaes factos
que me recordo e mais interessam, s�o os seguintes:
Nasci, a 21 de Novembro de
1849, no municipio do Herval, Comarca de Jaguar�o, na Estancia do Serro do Bah�,
pertencente a familia Pereira da Costa; tendo, anteriormente, pertencido a minha bisav�
Maria Muniz Amaro da Silveira.
Sou filho do Major Jos�
Ignacio de Medeiros, veterano da revolu��o de 35 (guerra dos farrapos) servindo nas
for�as legaes, tendo servido sob o comando dos Coroneis Silva Tavares e Chico Pedro.
Minha m�i, Dona Maria Auta
Pereira da Costa'sou neto, pelo lado paterno, de Jos� Ignacio de Medeiros e Maria
Teixeira Maciel e pelo materno, do Capit�o de milicia, Astrogildo Pereira da Costa e
Maria Antonia Amaro da Silveira; uns e outros, proprietarios e residentes no referido
municipio do Herval. Minha av� Maria Antonia Amaro da Silveira, era filha de Manoel Amaro
da Silveira e de Maria Muniz Amaro da Silveira, assim a referida, mais conhecida por velha
Amaro, que teve uma existencia de perto de 120 annos, e foi o tronco da familia Amaro da
Silveira, hoje, disseminada por todo o Estado. A dita velha Amaro, foi possuidora de
grande exten��o de campo, abrangendo quasi metade do municipio do Herval, com imensos
rodeios de gado (14 leguas de campo). A sua prole foi grande. Seus filhos 7 homens e cinco
mulheres; eram os seguintes: Jeronimo Amaro, morto no combate do Seival, guerra dos
farrapos; Vasco Amaro, morto na mesma guerra, Jo�o Amaro, av� de Jo�o Miguel Amaro e
Xerxes Campello, residentes em Cerro Chato. Manoel Amaro, pai do Coronel Manoel Barbosa,
um dos dusentos officiaes, que na celebre batalha de 24 de Maio, no Paraguay, por estar a
cavalaria do exercito brasileiro exausta de cavallos, se reuniram esses dusentos her�es e
com uma carga de lan�a, dissidiram a batalha, a favor do exercito aliado, Juca Amaro,
Hilario Amaro e dionisio Amaro. Mulheres: - Maria Antonia, minha av�; Francisca, casada
com o Capit�o Clementino Luiz de Freitas; dos quaes, s�o descendentes dos Freitas
residentes no Cerro Chato. Balbina, casada com Capit�o Antonio Luiz de Freitas; Firmina,
casada em primeiras n�pcias com Capit�o Jos� Theodoro Braga, um valente e em segunda
com seu sobrinho Hilario Amaro e Auta, casada com Torres, n�o me recordo o nome proprio.
(Nota : Jo�o dos Martires
Torres)
� 23 de Setembro de 1872,
contrahi matrimonio com minha prima irm�, Auta da Costa Medeiros, nascida na mesma
Estancia do Cerro do Bah�, a 1 de Novembro de 1854, filha legitima de meus tios Sebast�o
Ignacio de Medeiros e Eul�lia Pereira da Costa. Elle official honorario, da campanha do
Paraguay, tendo marchado como volunt�rio da Patria, na Brigada organisada pelo Coronel
Manoel Lucas de Oliveira.
Minha m�i, faleceu em
Dezembro de 1854, na mesma estancia do Cerro do Bah�, deixando treis filhos: eu com 5
annos, Adelina com 3 annos e Jos� Maria, com poucos dias. Ficamos sob o amparo de nossa
b�a e amorosa tia Maria das Dores Costa. Meu pai depois de 5 annos de viuvez, casou com
Dona Praxedes Bitencurt, m�i de meu irm�o Belmiro Medeiros. Meu pai nos levou, a mim e
minha irm� Adelina para sua companhia, com grande desgosto de nossa b�a tia, Maria das
Dores, ficou est� com Jos� Maria, que faleceu depois de mo�o.
Passo, agora, a relatar factos
tragicos que se deram em nossa familia: - Tendo sido trai�oeiramente assassinado um
irm�o e genro de meu av� Astrogildo casado com minha m�i, em primeira nupcias, houve
represalia por parte da familia, sendo o assassino, tamb�m morto; pelo que se originou
guerra entre as duas familias que eram ambos poderosas; Costas e Mellos Brabos; cuja
guerra terminou pelo assassinato de meu av� Astrogildo; sendo, uma noite, inesperadamente
assaltado por um grupo de inimigos, em grande numero, meu av� que era um valente
comprovado, resistio, auxiliado por sua eroica mulher, por um fiel escravo e por um filho
menino de doze annos de idade. Na fasenda havia muitos escravos, alguns delles muito
fieis; porem, com a surpresa do ataque, n�o se poderam reunir e trataram de se refugiar
nos matos proximos a casa. A resistencia durou enquanto houve muni��o, terminada esta,
ent�o puderam os assaltantes, se aproximarem da casa, que era coberta de palhas e
atearam-lhe fogo. Nessa emergencia, meu av� com fiel escravo sahiram cercados pelos
inimigos, pelejando de arma branca, at� que uma bala fraturou-lhe uma perna; n�o podendo
mais resistir, foi trusidado pelos inimigos e tambem, o valente escravo. As mais pessoas
da familia, foram poupadas.
Minha av�, teve o animo e
resigna��o de, auxiliada pelos filhinhos, recolherem os corpos das duas vitimas, para
uma dependencia separada da casa incendiada. Ap�s esse acto, de eroica resigna��o,
altas horas da noite, seguio a p� rodeada de seus filhinhos, algum de colo e ella
gr�vida da filha mais mo�a, Maria das Dores, que mais tarde nos servio de amparo, apos a
perda de nossa m�i; em direc��o a casa de sua m�i Maria Amaro, na distancia de uma
legua.
Minha m�i, que era a mais
velha da familia, achando-se nessa ocasi�o ausente de casa. Astrogildo, o menino de doze
annos que t�o heroicamente se portou na resistencia do pai, � o mesmo que, nas guerras
com as Republica Argentina, Uruguay e Paraguay, ligou seu nome a historia, pelos seus
actos de valentia: principalmente, no Paraguay, aonde a frente da celebre Brigada ligeira,
fez prodigios de valor, no posto de Coronel, sendo agraciado pelo Governo Imperial com o
titulo Honorifico de Bar�o do Assegu� e Brigadeiro honorario do Exercito. Seus irm�os,
major Vasco Pereira da Costa, morreu como um heroi, no combate do Estero Rogas (Paraguay)
no dia 24 de Setembro de 1867, a frente do corpo que commandava. Era o pai de nosso
parente e amigo Malaquias Pereira da Costa, Justino Pereira da Costa, outro heroi, foi
morto na Republica Oriental, no sitio da villa de Mello, na guerra do Flores. Dionisio P.
da Costa, cahio varado por balas em conflitos, com inimigos, no Assegu�.
Nazeazeno P. da Costa, tamb�m
homem de brio e valor, muito se salientaram, pela sua honradez, cavalheirismo e
generosidade. As tres irm�s, Maria Auta, minha m�i, sendo a mais velha da familia,
devido ao seu bom senso, sempre lembrada pelos parentes que a conheceram, durante a sua
curta existencia (faleceu aos quarenta e um annos) foi sempre o arbitro entre seus
irm�os. Eulalia, minha madrinha e sogra, foi uma santa.
Maria das Dores, foi nossa
m�i de cria��o, ap�s a perda de nossa m�i desvelada e carinhosa. As tres, casaram com
tres irm�os, respectivamente Jos� Ign�cio, meu pai, Sebasti�o e Zeferino Ignacio de
Medeiros
Minha m�i, deixou aos filhos
regular heran�a, em campo, gado e escravos; por�m a sorte foi ingrata comnosco: meu
irm�o Jos� Maria, faleceu muito mo�o. Eu n�o em extravagancia, por�m em reveses de
neg�cios, perdi, totalmente meus haveres.
Adelina, casou-se com nosso
parente Jo�o Salles, muito bom mo�o e tamb�m em b�a posi��o pecuraria, por�m, com a
revolu��o de 93, seu prejuiso foi quasi total.
Minha irm� e eu fomos pela
natureza, dotados de animo e resigna��o: Ella, foi para Pelotas, ella viuvou, por�m,
soube encaminhar seus filhos, pelo caminho reto do dever e da honra e s�o hoje umas
pessoas de prestimo, brio e vergonha.
Eu, si n�o recuperei os bens
perdidos, ao menos, consegui, pelo amor ao trabalho, o necessario, para n�o ser pesado a
ninguem e considero que, meus bons filhos, com os bons exemplos de seu pai e de sua boa e
carinhosa m�i, tem sempre sabido trilhar a estrada do dever e da honradez. Seus pais,
n�o lhes deixar�o bens de fortuna, por�m, sim, um nome que, jamais ter�o
constrangimento de pronunciar. Pe�o a todos os meus bons filhos, que nunca se afastem da
linha reta, para que sua prole tome a mesma vereda de brio e honradez.
Finalizo, com solene
declara��o, de que as elogiosas referencias que fa�o a nossos parentes que se
salientaram n�o � fantasia nem vaidade minha, s�o reaes e verdadeiras; fa�o referencia
a elles, para que, meus filhos e netos, fiquem sabendo que descendem de uma origem que
n�o os deprime, mas os eleva no conceito p�blico. Para prova do valor de alguns de
nossos parentes, vou citar um fato que est� nos anaes da hist�ria de nossa Patria;
relatado pelo insigne escriptor Jos� Arthur Montenegro, no Diario do Rio Grande de 4 de
Setembro do anno de 1893 e transcripto no almanaque do Rio Grande do Sul do anno de 1915,
pagina 208; sobre a epigrafe BANDEIRA GLORIOSA: Dita bandeira foi oferecida pelos
portugueses, residentes em Pelotas, ao primeiro corpo de voluntarios da Patria, organisado
pelo Coronel Manoel Lucas de Oliveira, para a guerra do Paraguay, em 1865; cuja bandeira
foi oferecida ao Instituto Historico Brasileiro, pelo Coronel Maximiano Jos� do Monte,
que a conservava em seu poder, como rel�quia desde a termina��o da guerra.
Diz, Montenegro: Essa reliquia
historica, hoje guardada no Templo Augusto dos Setros Patrias, tremulou em 29 combates.
Esse glorioso trapo de seda, desbotado pelos ardentes raios de s�l, roto pela metralha e
lan�as do inimigo, foi alvo muitas vezes do �ltimo olhar do moribundo que viu para
sempre afastar-se no turbilh�o da refrega, lembrando nesse instante derradeiro, os afagos
da esposa, ou as cans veneranda de sua m�i.
Sobre essa reliquia querida,
pousou esperan�oso o olhar dos nossos cabos de guerra, quando, no frag�r das batalhas,
em vertiginoso galope guiavam a carga esses temer�rios gauchos immortalisados pelo heroi
GARIBALDI e os nomes de OSORIO, ANDRADE NEVES, VICTORINO MONTEIRO, JO�O MANOEL C. CAMARA,
ASTROGILDO e outros, podem ser evocados ao comtemplar essas cores desbotadas pelo firmo de
29 combates.
Em seguida, diz MONTENEGRO:
Esse corpo tomou o numero de 13, sob o commando do Major Vasco Pereira da Costa, morto
como heroi no combate do Estero Rojas, a 24 de Setembro de 1867, a frente desse valente
corpo de cavalaria que fasia parte da celebre brigada ligeira, comandada pelo Coronel
Astrogildo Pereira da Costa, mais tarde Bar�o do Assegu�.
Rio Negro, Junho de 1936
Laudelino
da Costa Medeiros

Laudelino da Costa Medeiros
e fam�lia. 1) Pradelino da Costa Medeiros; 2) Laudelino da Costa Medeiros; 3) Alcides
Franklin da Costa Medeiros; 4) Valdomiro da Costa Medeiros; 5) Florduardo da Costa
Medeiros; 6) Eul�lia da Costa Medeiros; 7) T�dio da Costa Medeiros; 8) M�rio da Costa
Medeiros; 9) Ata�de da Costa Medeiros; 10) Maria Auta SAlles Medeiros; 11) Auta Medeiros;
12) Laudelino da Costa Medeiros; 13) Rosaura da Costa Medeiros; 14) Chininha da Costa
Medeiros; 15) Ol�via Medeiros. Foto cedida por Nelson Medeiros Franke.

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