SINTESE DE TEOLOGIA MORAL
Ética ou Moral? Os dois termos significam a mesma coisa “costume”. Ética deriva do grego-Ethos e Moral deriva do latim-Mos. Enquanto que a ética filosófica se fundamenta na razão buscando a felicidade humana a teologia moral se fundamenta na fé buscando a salvação eterna.
Moral teológica é a parte da teologia que estuda os atos humanos à luz da Revelação enquanto estão dirigidos a Deus, que é o fim último da pessoa humana. A conduta moral que se propõe a pessoa humana depende do conceito que se tenha de pessoa humana. Os princípios morais que expõe os diversos sistemas éticos dependem da conceituação que se tem de pessoa humana. Conseguintemente existe uma mútua relação entre antropologia e moral. A concepção de pessoa humana no cristianismo é superior a qualquer interpretação filosófica. Concretamente, a revelação acrescenta os seguintes dados enriquecedores: a alma humana é criada diretamente por Deus.
Corpo e alma pertencem por igual ao ser humano;
*A dualidade corpo e alma constituem uma unidade radical.
*O Cristão, mediante o batismo, participa de uma “vida nova” que exige uma conduta santa, a conduta própria de um filho de Deus. Uma vez que o cristão é filho de Deus, deve viver como tal. Portanto a revelação propõe ao cristão um programa moral novo que está representado fundamentalmente pelo espírito das bem-aventuranças. O homem é um ser social: a sociabilidade é parte integrante do ser humano.
A teologia moral baseia-se em três fontes: a Revelação, a Tradição e o Magistério da Igreja. Está atenta também as ciências humanas.
1. O Mundo Bíblico:
1.1 O Antigo Testamento
O povo hebraico é um povo como os outros: politeísta, com seus usos, costumes e tradições. A sua ética não é melhor da dos outros povos, mas, aos poucos, assistimos a tomada de consciência sempre mais viva de sua relação com o transcendente (um Deus único, criador do universo, libertador do povo) e com o empenho ético que tudo isso comporta. Tudo gira ao redor de duas grandes idéias:
*O pacto da aliança: Deus se torna parceiro do homem (Noé, Abraão, Moisés, Josué) e exige uma reposta digna por parte do homem;
*A formação do povo de Deus: reunido das dez palavras de ordem (decálogo). Deus liberta o povo da escravidão e exige que ele se comporte como pessoa livre, portanto não mate, não minta, não roube.
1.2 O Novo Testamento
Mais que dar normas o cristianismo oferece horizonte, ótica, sentido, cosmovisão, mística nova, em que predomina uma ética da pessoa, da gratuidade, da interioridade, da coerência, e da realização contra a mera intencionalidade. A antropologia cristã (ser novo, enxertado no Cristo) faz de fundamentos uma ética das bem-aventuranças e da solidariedade total ao ser humano.
Na linha evolutiva que o Antigo Testamento apresentou a respeito do conceito de vida, agora cabe ao Novo o desdobramento até as últimas conseqüências. De fato, já não é mais possível compreender a vida como conceito estático ou meramente biológico, como foi visto no início. O caráter dinâmico da reflexão passa a apresentar a vida como expressão da relação com o Deus vivo, sua fonte única e última. Deus criou o ser humano à própria imagem, porque o quis próximo de si, não somente amigo, mas filho. Deus fez os seres humanos “capazes de Deus”. Isto significa que o ser humano está aberto ao infinito, “capaz” de participar da vida divina. Paulo, em Atenas, citando um poeta grego, afirma: “Somos da raça do próprio Deus”. Somos seres feitos para Deus. (CNBB. Diretrizes da ação ev. da Ig.no Brasil.2003-2006,p.48).
2. PATRÍSTICA:
A grande questão com a qual esses autores da aurora do cristianismo tiveram que se debater foi a inculturação da mensagem do Evangelho. Como o anúncio de Cristo poderia se apresentar além das estruturas do pensamento e da cultura judaica em que surgiu? Como manter a fidelidade ao Messias e ao mesmo tempo expressar sua mensagem na linguagem do mundo greco-romano? Esse duplo desafio vai gerar também um duplo movimento dentro da patrística. Por um lado exigirá um maior aprofundamento sobre as próprias bases do cristianismo e, por outro, as implicações práticas daí decorrentes.
A inculturação nesse meio exige não apenas um esforço de reflexão sobre o “acontecimento Jesus”, mas também uma reflexão sobre a práxis cristã nesse meio. Quer dizer, exige um esforço exegético e um esforço hermenêutica. Os Santos Padres empreenderam essa dúplice tarefa de maneira peculiar. Que a existência verdadeira é a participação na vida do próprio Deus Seguindo o esquema apresentado por J. Peinado, é possível distinguir quatro características fundamentais desse período: A primeira refere-se ao caráter não-acadêmico da ética dos Santos Padres, ou seja, é uma reflexão diretamente voltada à vida concreta da comunidade e seus problemas. A grande preocupação é manter uma identidade de vida que seja fiel ao Evangelho, mas, ao mesmo tempo, não se isole do mundo e dos desafios que a época propunha. É uma teologia exortativa. Chama para a grandeza da vida segundo a proposta de Cristo. Não está centrada no pecado enquanto tal, mas como impedimento dessa mesma vida. Os Padres da Igreja ensinam. Os Padres têm consciência de que a vocação à “vida eterna” (zoé diferente de bíos, vida no tempo) significa participar da vida divina, ser “divinizado”, “deificado”. Isto corresponde à lógica interna “da humanização” de Deus. (T.SPIDLIK. VIDA.IN.Dicionário de Patrística de Antiguidade Cristã).
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3. MODERNIDADE: CAUSUÍSTICA E MANUALÍSTICA:
Com o Concílio de Trento (1545-1563) surge o primeiro manual de Moral, elaborado pelo jesuíta Azor. Inaugura-se assim uma nova etapa na práxis moral que, infelizmente, assinala um distanciamento das fontes da Escritura e da própria teologia sistemática. Trata-se de um manual, todavia ainda desligado da Teologia Sistemática e da Sagrada Escritura. Irá ter grande influência nos séculos posteriores. Com este manual a Teologia Moral surge como disciplina autônoma. (Moser, A. teo. Moral: impasses e alternativas p.35).
Os sistemas morais que vão surgindo nessa época são, mais uma vez, a tentativa de encontrar respostas às problemáticas novas que se apresentam, principalmente com os grandes descobrimentos marítimos. De que modo à fé cristã deve-se comportar diante das novidades surgidas é o grande problema a resolver. Os sistemas morais são uma tentativa de adaptar a Moral às novas exigências do mundo, surgidas com as descobertas. Querem solucionar os problemas de consciências dos fiéis, completamente desnorteados pelas “novidades”: os índios têm alma? Devem ser respeitados seus direitos? Podem-se cobrar juros? São justificáveis as guerras de conquista? (Idem,35) De um modo geral poderia ser resumido em quatro características essenciais, como faz Peinado em seu livro: Em primeiro lugar é uma ética desvinculada da teologia. Suas formulações tomam tal autonomia a ponto de desvincular-se do próprio enraizamento na fé. Perde-se a clareza entre e fé cristã e suas conseqüências práticas, seu compromisso, enfim, sua identificável: falta de uma base escriturística. Com isso, se perde toda a tradição de fundamentação para o compromisso ético desde o Antigo até o Novo Testamento.
Assim, várias lacunas precisavam ser preenchidas, e várias tentativas de renovação foram tentadas. Desde o jansenismo que reagiu contra o minimalismo, passando por Santo Afonso de Ligório com uma “verdadeira teologia da práxis da fé”, pela escola de Tubinga com uma tentativa de retorno aos temas centrais da Escritura, até a renovação tomista que procurou resolver as deficiências da casuística sem chegar, no entanto, a deslocar o eixo centrado no pecado. Todas essas tentativas, com pontos positivos e negativos foram abrindo caminhos sempre maiores para uma renovação na vida da Igreja que levaria ao Concílio Vaticano II. Como eventos mais próximos que ajudaram na reflexão conciliar posterior, PEINADO destacam os movimentos renovadores na Igreja (litúrgico, bíblico, anúncio, ecumênico etc), a continuidade da escola de Tubinga com uma visão mais positiva da vida cristã.
4. VATICANO II:
“Ponha-se especial cuidado em aperfeiçoar a teologia moral, cuja exposição científica mais alimentada pela Sagrada Escritura, deve revelar a grandeza da vocação dos fiéis em Cristo e a sua obrigação de dar frutos na caridade para a vida do mundo” (Optatam totius 16).
Essa petição do Concílio sobre a teologia moral soa agora, após o conhecimento de todo o percurso histórico anterior, como um imperativo inadiável, um verdadeiro grito de socorro. Embora ainda aparecessem esquemas que pretendiam salvaguardar a casuística, foram definitivamente rejeitados. Agora se abria um novo tempo para a prática da Igreja, para a redescoberta do que passou desapercebido durante séculos: a finalidade da Igreja, a finalidade da moral, é a vida em abundância para todos, porque esta é a finalidade da Encarnação: “Eu vim para que todos tenham vida”(Jo 10,10).O Concílio faz novamente a ética teológica parte da teologia. A história mostrou o quanto pode ser nocivo para uma sadia reflexão e vivência cristã pensar a ética teológica fora da teologia. O império da casuística, a lei vista apenas em seu valor positivo e dominador, criou mais uma geração de escravos que de filhos e amigos (cf. Jo 15,15).
A ética teológica é parte da teologia. O Vaticano II procura evitar os perigos em que caiu a casuística ao tornar-se independente da teologia. A ética teológica é ciência, mas como parte da ciência de salvação, que é toda a teologia; dessa forma, mesmo que não se lhe possa negar peculiaridades de método e de conteúdo, a ética teológica compartilha com o resto dos tratados teológicos as mesmas fontes, o mesmo canal histórico, e as mesmas exigências metodológicas e temáticas.
Assim sendo, a Escritura deve estar entre as grandes fontes da teologia moral. Não apenas para justificar enunciados positivos já preparados, mas como realmente é: luz para o caminho (cf. Sl 118), ou seja, em seu apelo constante em favor da vida e de tudo o que lhe é estreitamente relacionado. A mensagem bíblica do Deus da Vida expressa em categorias espaços-temporais pelos autores sagrados, deve ser sempre o objeto de estudo primordial. Para isso, é imprescindível, em tempos de transdisciplinariedade, a colaboração entre biblistas e moralistas. [...] uma ética teológica penetrada de Escritura deve basear-se num conhecimento crítico do conteúdo ético nela expressado, tal como hoje se realiza nos modernos métodos exegéticos e hermenêuticos. Isso exige cooperação entre biblistas e moralistas.
Com tudo isso, novamente a vocação à santidade passa a ocupar o lugar central, e não mais o pecado. O que o Vaticano II pede, para a renovação da ética teológica, é que seja uma ética que proclame o chamado que Deus faz a todos e cada um dos homens para inserir-se na história da salvação, aproveitando a oportunidade desse chamado de Deus em Cristo, que se produz na história através da situação concreta, vivendo-a com um discernimento de caráter evangélico. Uma ética assim entendida não pode reduzir-se apenas aos “profissionais da confissão”, mas é dirigida a toda a comunidade eclesial. Sua missão precisa é iluminar a vida da mesma comunidade no seguimento do Senhor, é servidora e não apenas julgadora. Essa é a uma tarefa exigente, pois terá que falar ao ser humano de hoje, na linguagem de hoje. Como está centrada na vida, é nela que deverá ser relevante, e não apenas à nível meramente abstrato e acadêmico.Formulação da ética teológica tem a missão de acompanhar a comunidade dos fiéis. Por isso, não pode ser uma formulação abstrata, mas há de estar inserida e inculturada, aberta ao diálogo ecumênico em relação às outras confissões cristãs, e em relação às outras religiões, em meio às quais a comunidade eclesial se encontra.
Por último, mas não em último lugar, essa reflexão demonstra a missão do cristão como mensageiro e portador de vida para o mundo. Quando o centro deixa de ser o pecado e passa a ser a vocação à santidade, então é possível falar do amor que liberta e salva a todos: inaugura-se o Reinado da Caridade. Não uma caridade desencarnada, mas que seja de fato amor que dá a vida em todos os sentidos. É esse o distintivo do cristão, não a lei somente, mas a lei do Amor: “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros” (Jo 13, 35). Esse amor, capaz da abnegação própria, torna-se testemunho para o mundo. É para isso que existe a Igreja, é para isto que existem os cristãos.
Portanto, se a vida humana tem tanta importância para o plano da salvação de Deus, deve tornar-se também o objeto das maiores atenções da sua Igreja. É isso que pretendeu o Concílio: “As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração” (Gaudium et Spes 1). E com certeza, ainda serão necessárias igualmente outras décadas para a compreensão de seus efeitos e de suas provocações. O que não se pode esquecer é que nele, mais que nunca, a Igreja pôs-se novamente, à luz do evangelho, a serviço de Cristo e na parceria do homem: “Eis a razão por que o sagrado Concílio, proclamando a sublime vocação do homem, e afirmando que nele está depositado um germe divino, oferece ao gênero humano a sincera cooperação da Igreja, a fim de instaurar a fraternidade universal correspondente a esta vocação” (Gaudium et Spes 3).
5. OUTROS ASPECTOS DA TEOLOGIA MORAL:
5.1 O pecado original: Pecado é uma negação a Deus. Santo Tomás diz: ”pecado é desfazer-se de Deus e eleger as criaturas” Também é significativa esta outra que contempla a norma que manda fazer um ato ou omitir uma ação: “Pecado é a transgressão voluntária da lei de Deus”.(CIC, 1849-50). Na Bíblia designa pecar é: desviar-se, cair ou perder o caminho, quem peca se equivoca, comete uma infâmia, um crime, um delito, uma loucura. O pecador é mau, infame, um injusto e ímpio. Paulo na carta aos romanos, desenvolve o que se poderia chamar de doutrina do pecado original, nesta carta mostra a universalidade do pecado e o quanto todos temos que recorrer a Cristo para nos redimir, podemos ver isto nos três primeiros cap, onde diz que não há salvação fora da fé em Jesus Cristo. Paulo na carta aos romanos quer estabelecer uma antítese entre Adão e Cristo entre o pecado e o salvador, morte e vida, isto para ressaltar o paralelo entre o antigo e o novo o Adão. A carta é mais do que uma simples denuncia do pecado humano, é uma proclamação da salvação por intermédio de Cristo, pois o pecado em sua raiz já foi vencido por Cristo. (não se pode entender o pecado original fora do contexto da Revelação (Rm,3,23), desobediência-C. Vat. II. Catecismo Ig. Católica,n.374-409).
Para Santo Agostinho o pecado não é “coisa” ruim. O que caracteriza o pecado é uma atitude de resistência aos apelos de Deus, que num segundo momento, vai se traduzir em comportamentos concretos. Quem está no centro do pecado é uma pessoa que se perverte, e não simplesmente um ato mau. A definição de pecado como “afastamento de Deus e apego às criaturas” é extremamente rica e teologicamente densa, por apresentar tanto um sentido teocêntrico ao afirmar que o pecado é oposição a Deus e a seus planos, como antropológico ao apontar o pecado como deformação do ser humano em sua realidade social e cósmica. Para S. Agostinho o pecado não acontece de repente e por acaso. Ele faz todo um percurso, até chegar ao que emerge como o epílogo. Para perceber isto convém partir da sua célebre frase “Ama e faze o que queres.” Com efeito, nascidos para o amor, pouco a pouco, nós nos transformamos naquilo que amamos. Só que este amor pode ser ascendente, ou descendente. Tudo o que existe é vestígio do amor de Deus. E é fascinado por este vestígio que o ser humano se lança na busca da felicidade.
5.2 O pecado Venial: distingue-se do mortal porque não priva da graça santificante, nem, por conseguinte, da bem-aventurança. Sua configuração se dá tanto pela desobediência à lei moral em matéria leve, quando pela desobediência em matéria grave, mas sem o pleno consentimento. Contudo, “ele enfraquece a caridade, traduz uma afeição desordenada pelos bens criados, impede o progresso da alma no exercício das virtudes e a prática do bem moral”.
5.3 O pecado Mortal: leva à morte, destruindo a caridade. Mas, justamente pela dimensão globalizante e de profundidade que comporta ele só se concretiza por três condições básicas, no que se refere à matéria grave, no que se refere ao conhecimento e ao consentimento. O foco da matéria fica claro, antes de tudo, quando confrontado com os mandamentos, sobretudo aqueles expressos na forma negativa. Mas ele também pode ser percebido mediante “atos que por si mesmos, independente das circunstâncias e intenções, são sempre puramente ilícitos em virtude de seu objeto”: a blasfêmia, o prejuízo, o homicídio e o adultério... Já no que se refere ao conhecimento e o consentimento, é preciso ter presente os atenuantes provindos da ignorância involuntária do impulso das paixões, das perturbações psicológicas e mesmo de pressões externas.
6. EXIGÊNCIAS BASICAS DA MORAL SEXUAL:
6.1 O nível pessoal
*Humanizar esta dimensão é tarefa pessoal. Descobrir a superficialidade, desmascarar enganos, impedir a comercialização, evitar estancamentos, estar a tentos a perigos...
*Esta integração é difícil e tarefa nunca completa.
*Dominar a pulsão, que é diferente do instinto animal.
* “Não é o sexo que se educa, mas a personalidade inteira” (Azpitarte, 135).
6.2 O nível interpessoal
*É o nível que capacita para o dialogo com o outro sexo.
*Não se pode negar que há elementos instintivos e biológicos que fazem parte deste apelo do outro sexo.
*Existe diferença entre erotismo e pornografia. O pornográfico faz parte da natureza humana e desempenha importantes funções positivas.
6.3 O erotismo: “É poderoso, indomável, fecundo, forte e empreendedor, mas experimenta ao mesmo tempo a necessidade, sente-se pobre e indigente, à busca constante de uma plenitude que lhe falta, de um complemento por que anela para sua satisfação”. No fundo de sua nostalgia há um desejo ardente da Beleza suma e transcendente. É, portanto, dinamismo que nos leva a transcender o material e visível para nos soerguer ao Bem supremo. O erotismo encaminha rumo à plenitude do Amor.
ERÓTICO: É todo esse mundo de sinais e mediações que, com gestos, imagens e palavras, mobiliza a psicologia para se abrir a esse tipo de amor. O corpo é o grande mediador. O erotismo apóia-se nele, não o instrumentaliza, mas o faz portador da mensagem. O autêntico erotismo busca impedir a vulgaridade, o aborrecimento, a rotina, a mera instintividade, criando atmosfera de mistério, encanto, respeito buscando a admiração (Azpitarte,138).
EROTISMO E AGRESSIVIDADE: O “ESQUEMA PERVERSO” (Freud). O deslocamento age em duplo sentido: ou para o erotismo genital ou periférico ou para vitimas substitutivas. Erotismo Oral, Erotismo Anal, Erotismo Visual e Erotismo Muscular. Toada excitação inibida gera agressividade. Sexualidade e agressividade estão muito próximas. Bloqueado no erotismo periférico, temendo o revide do parceiro potencial abordado neste nível, impossibilitando de fugir, resta outra saída: descarregar a agressividade em vitimas ou na forma de sadismo e masoquismo.
A PORNOGRAFIA: poder-se-ia definir, então, como degradação do erotismo ou como uma erotografia de baixa qualidade. Elimina toda dimensão humana do Eros e a preocupação se centra no físico, no prazer egoísta, para conseguir, com a técnica mais eficaz, a maior satisfação possível. O corpo não é lugar de encontro nem vereda de comunhão, mas simples pedaço de carne que alimenta e sacia a solidão e o vazio interno. E o próprio sujeito, que assim se oferece, destroça-se como pessoa, pois o entrega como vulgar mercadoria a quem pagou mais. A própria etimologia já põe a descoberta seu trágico significado. Pornein (grego)=prostituição. Oferecer o corpo como mercadoria, dá-lo para que outro o utilize em troca de algumas moedas. (Azpitarte,139).
O SIGNIFICADO DO PUDOR: A educação do pudor parece ser passo prévio para essa humanização. Santo Tomás considera-o como a paixão que provoca certa vergonha e mal-estar quando se penetra nesse terreno. É mecanismo psicológico e instintivo de defesa, reação espontânea que age como freio perante impressões e posturas que poderiam ferir a sensibilidade. (Azpitarte,142...).
O PECADO SEXUAL: Considera-se pecado todo busca desumanizaste, egoísta e privada da sexualidade. Fechar-se ao amor e à fecundidade. Não harmonizar o instinto, as relações com os outros. Qualquer comportamento isolado e solitário (masturbação), ou com pessoas do mesmo sexo (homossexualismo), sem amor (prostituição), ou sem estar já institucionalizado (relações pré-matrimoniais), que negam a procriação (anticonceptivos), é sempre pecado.
PASTORAL: muitas vezes o ambiente é carregado de hostilidade e incompreensões. Acolhimento da pessoa com a sua diferença. Nem todos podem acompanhar pessoas homossexuais. O pastor deve superar suas apreensões. As comunidades devem abster-se de toda expressão depreciativa em relação a estas pessoas. Acolher o outro significa acolhê-lo totalmente, como ele é, portanto, com sua orientação afetiva. (Past.p/as pessoas homossexuais:L’Osservatore Romano 08/11/97).
ÉTICA PÚBLICA: Diz respeito à conduta da ”coisa pública”, ou seja, à responsabilidade do cidadão, dos grupos ou instituições da sociedade pelo bem comum. Só assim a sociedade terá condições de lutar contra os seus males mais evidentes, tais como a violência e o desprezo pela vida, à tortura, a droga, os seqüestros, o excessos do poder policial, a corrupção e a sonegação fiscal, o desvio do dinheiro e a má versão dos bens públicos, o abuso do poder econômico e político, o poder discriminatório dos meios de comunicação social. O debate político e a vida pública devem reencontrar a dignidade da política como edificação da “polis”,ou seja, da cidade humana, onde todos encontram oportunidade de realização pessoal e de comunhão solidária. A política é, por essência, ética, pois se refere sempre à liberdade e, essencialmente, à justiça. Não é mera arte ou técnica de exercer o poder, mas o exercício da justiça pública. Na política, duas forças devem ser unidas e, quando possível, conciliadas: a força do poder e a força da razão e da justiça. Ambas são necessárias. Mas a força ideal da justiça deve guiar a força bruta do poder. Como dizia pascal: “A justiça sem a força é importante; a força sem a justiça é tirânica. É preciso juntar a justiça e a força; para consegui-lo, é preciso fazer com que o que é justo seja forte e o que forte seja justo”.
ÉTICA PESSOAL: Não se pode separar ética pessoal da pública profissional e familiar. A ética pessoal em alguns aspectos na sociedade é mais exigida como: a pessoa humana se descobre um ser sexuado isto, é, portador de uma energia que aponta para comunicação com o outro. Por esta razão a sexualidade humana se revela, em primeiro lugar, como um símbolo que torna possível o encontro entre seres conscientes e livres e, assim, é o espaço para a conquista da personalização e da integração entre as pessoas, quer em nível afetivo, quer em nível social. A sexualidade humana é uma realidade muito rica, dotada de muitas dimensões: genética, hormonal, biológica, afetiva, social, cultural religiosa, política. Neste sentido, a sexualidade como fato humano não pode ser reduzida à genitalidade nem desligada quer do prazer de viver quer da sociedade. Ela diz respeito à globalidade da vida pessoal e social. Somos individual e socialmente seres sexuados. O corpo não é mero objeto da natureza biológica; ele é o lugar de relações humanas e sócias. O reconhecimento do sentido humano do corpo e da sexualidade deverá, portanto, vir acompanhado da exigência do corrigir e superar atitudes eticamente redutivas, ligadas ao subjetivismo, pelo qual se pretende dispor do próprio corpo segundo critérios individualistas, ou ligadas ao egoísmo, que pretende dispor do outro como mero instrumento de prazer próprio.
PROMOÇÂO DA VIDA E DA FAMILIA: A vida humana deve ser respeitada e protegida, de maneira absoluta, desde a sua concepção, e ao ser humano que ai se gesta devem ser reconhecidos os direitos da pessoa, entre os quais o fundamental é o direito inviolável à vida (Donum Vitae,I,1). Promover a família, hoje, significa também urgir as exigências humanas e evangélicas do amor conjugal, contra os fermentos de dissolução dos laços de fidelidade e indissolubilidade do matrimônio, em contradição com o desígnio do Criador. Na verdade “o amor conjugal comporta uma totalidade onde entram todos os componentes da pessoa-apelo do corpo e do instinto, força do sentimento e da efetividade, aspiração do espírito e da vontade-; ele visa uma unidade profundamente pessoal, que, para além da união numa só carne, conduz a formar um só coração e uma só alma; ele exige a indissolubilidade e a fidelidade na doação recíproca definitiva; e se abre para a fecundidade”(Familiares Consortio,13.cf. Catecismo da Igreja Católica,1643).
PERSPECTIVA PARA A IGREJA: A Igreja, por sua vez, no seu papel de formadora da consciência pessoal e social de seus membros, levará adiante sua missão também no diálogo fraternos entre pastores e fiéis, fazendo valer o “protagonismo dos leigos”.
A Igreja deve constantemente se perguntar o que ela é, o que ela significa, e para que existe. Ora, ela só tem sentido se torna transparência de Cristo e serviço total ao homem. À Igreja não compete fazer códigos, tanto menos julgar e condenar. P próprio Jesus recusou resolutamente esta tarefa: “Eu não vim para condenar o mundo, mas para salvar o mundo” (Jo 12,47). A Igreja, portanto, tem a tarefa, como Pedro (cf.Lc22, 32), de se converter, de voltar constantemente a Jesus e de fortalecer os irmãos, dando a eles fé, coragem. Papel próprio da Igreja é ajudar o ser humano a se colocar no mesmo caminho de Cristo. Ora Jesus, que se auto-definiu “o caminho”, é aquele que nos mostra a maneira concreta como chegar ao Pai se tornando seus filhos amados. Não serão leis novas a indicar o percurso. As leis são feitas pelos escravos, não pelos filhos (cf.1Tm 1,9). Os filhos se relacionam com o pai em amor e liberdade: “Fomos libertos da lei, a fim de servirmos sob o regime novo do espírito, e não mais sob o velho regime da terra” (Rm7, 6). A estrada mestra que nos mostra como é que a gente se torna filho é fazer reviver em nós mesmos o próprio Jesus. Agora Jesus não tinha regras. A única regra de Jesus era fazer a vontade do Pai para realizar o Reino, ou seja, a comunhão total, desde já, entre Deus e o homem e de todos os homens entre si. Este amor total, que se manifesta na procura constante da vontade do pai e na obediência a essa vontade, mesmos nos momentos mais difíceis como na morte de cruz, no abandono dos discípulos, no “fracasso” da sua missão, revela em Jesus uma confiança única, total em Deus, que só pode ser de um filho apaixonado. Este amor do Pai pelo filho Jesus nos mostra a medida do amor total e universal que o Pai tem por todos e cada um dos seus filhos. Ser fiel ao Pai e ao seu amor e ser fiel ao homem, verdadeiro filho de Deus, é a única maneira de repeti-la em nós a mesma conduta (ou ética, ou moral) de Jesus. O que determina o que devemos fazer mais do que normas codificadas, serão as circunstanciais, as necessidades, as pessoas concretas que desafiarão aquele que quer,seguindo o caminho de Jesus, se tornar filho do Pai. A moral cristã, portanto, é a maneira concreta de o homem trilhar o caminho da filiação divina. Isso comporta a paixão por Deus e a paixão pelo homem, enfim a paixão pela vida e por todas as suas manifestações.