Exegese do Novo Testamento



8.1 Histórico sobre a caminhada da Sagrada Escritura:



8.2 Fonte dos Evangelhos:


Fonte Q e Marcos: Lucas e Mateus surgem a partir de Marcos, mas há elementos comuns entre Lucas e Mateus, que não estão em Marcos, a partir disto surge a fonte Q, texto mais primitivo que Mateus e Lucas e bem provável que seja mais antigo que Marcos.


8.2.1 Marcos:


Surge no ano 60, quer provar que Jesus é o Filho de Deus; Criou a forma literária, Evangelho; o centro do Evangelho de Marcos é a Cristologia; sua forma de linguagem é de controvérsias, parábolas e exorcismos.


8.2.2 Mateus:


Surge no ano 85, em grego. Não se sabe ao certo se foi Mateus, ou um discípulo que escreveu. Desenvolve-se numa realidade próspera financeiramente e urbana. Controvérsia do judaísmo formativo: Mateus escreve aos judeus. A finalidade é provar aquilo que foi prometido ter sido cumprido em Jesus e por ele.

Ênfase: Sermão da Montanha, a Nova Lei de Cristo, caráter social do seguimento, e o Reino pertence aos pobres.


8.2.3 Lucas:


Culto e de origem grega. O seu Evangelho se dá em ambiente urbano e helenizado. Faz uma teologia da história. Situa o evento Jesus Cristo dentro da História da humanidade, sendo Ele o centro desta história.


8.2.4 João:


Fonte é a tradição oral catequética; o gnosticismo é muito forte; o Evangelho de João é uma contrariedade aos judeus.

Sua teologia, não quer mostrar quem é Jesus, mas afirmar que nele a ação salvífica acontece; a Igreja é o Cristo morto e ressuscitado que continua sua ação. Cristo personifica a Igreja; Na escatologia, a glória já é agora. O tempo não deve ser desmerecido.

O Evangelho de João é repleto de símbolos: luz e trevas, videira, água, pão, etc.



1) Prólogo(l,l-18);

2) Livro dos Sinais(l,19-12,50);

3) Livro da Glorificação (13,l-20,31);

4) Epílogo (21,1-25)


8.2.5Atos dos Apóstolos:


Escrito provavelmente em 80 a 90, talvez em Éfeso. O autor é Lucas. Apresenta três eixos fundamentais: a ação do E. Santo, a missão dos apóstolos e as pequenas comunidades domésticas.


8.3 Os Sinóticos


8.3.1 Tradição Sinótica: história da pesquisa:


a) Patrística - Se caracterizam pela interpretação alegórica. A analise exegética se baseava primordialmente sobre a Bíblia, tendo em vista a teologia sistemática ainda não estar totalmente desenvolvida.

b) Idade Média - A leitura da Bíblia permaneceu nos mosteiros. O povo tinha a "Bíblia Pauperum", ou seja, os vitrais das Igrejas. Não há fora dos mosteiros o estudo da Bíblia.

c) Idade Moderna (até o início do século XX) - Se caracterizou por uma racionalização do estudo dos textos da bíblia, sobretudo a cerca da vida de Cristo.

d) Idade Contemporânea - A partir daí dá-se início a uma pesquisa a cerca do Jesus histórico a partir dos Evangelhos com critérios de historicidade. Na década de 80 do século XX surge uma 3a onda do Jesus histórico, onde toma-se aspectos extra-bíblicos como os apócrifos.


8.3.2 Teoria das Fontes:


Muito se questiona a cerca da fonte dos Evangelhos. De maneira geral, sabe-se que os autores quiseram transmitir às suas comunidades os ensinamentos de Jesus Cristo, tendo como objetivo sempre o cunho catequético. Isto se caracteriza, sobretudo, em Mc, texto mais primitivo e mais simples que os demais sinóticos.

A grande dúvida que permanece ainda em aberto, apesar de grande concordância já se encontrar entre os exegetas é a fonte, visto que pelo menos Mc e Lc não terem sido discípulos diretos de Cristo e mesmo Mt, de quem alguns duvidam se o autor é o discípulo de Jesus.

De todas as maneiras a tradição oral teve grande importância na redação dos textos, ou ainda a companhia dos apóstolos, sobretudo, Mc com Pedro e Lucas com Paulo.

O que se sabe atualmente é que o texto mais antigo é o de Mc, de onde Mt e Lc se inspiram bastante. Contudo, segundo alguns estudos, Mc pode ter se inspirado num texto arcaico de Mt, visto que este indica que tenha sido redigido em duas épocas. O que é certo é que o texto de Mc. correu bastante por entre as pequenas comunidades se tornando conhecido dos primeiros batizados. Isto se percebe sobremaneira da dependência que Lc e Mt têm sobre o texto de Mc. O que não se sabe ainda ao certo é de onde pode ter vindo os relatos comuns a Mt e Lc, mas que não constam na narração de Mc.

A isto muitos afirmam na teoria da "Fonte Q" (inicial da palavra alemã quelle = fonte). Sendo estes historiadores, esta fonte Q seria um texto mais primitivo que Lc e Mt, e possivelmente contemporâneo a Mc, ou até mais velho. Isto se verifica, sobretudo, quando Mt e Lc se mostram mais primitivo que Mc; apesar de terem sido escritos posteriormente.

De qualquer forma, o motivo de se chamar "Teoria das Fontes" o estudo a cerca da fonte de inspiração histórica dos evangelhos não é mera questão de linguagem. Ainda hoje surgem inúmeras teorias tentando prová-las ou derrubá-las.


8.3.3 História ou crítica das formas:


Os textos bíblicos também possuem formas literárias. O Novo Testamento possuem pelo menos 4, evangelhos, atos, epístolas e apocalipse. Os Evangelhos Sinóticos possuem vários que são sistematizados em tradições que são duas:


a) Tradição da história:


  1. Relatos de milagres: cura, poder sobre a natureza, exorcismes e ressurreições;

  2. Relatos de vocação: vocação dos discípulos;

  3. Controvérsias: cf. Mc 2,1-3,6.


É interessante notar que nos sinóticos (e nisto inclui João), o texto parece ser uma narração da Paixão com uma grande introdução.


b) Tradição da Palavra:


  1. Comparações, parábolas (cf. Mc 4,3-9), alegorias (Mc 4,13-20) e fábulas;

  2. Ditos proféticos (cf. Lc 14,15);

  3. Ditos sobre o EU = Jesus (cf. Mc 8,31).


8.4 - Contexto Vital


O método histórico tem um pressuposto sociológico, cada texto tem uma origem numa situação concreta da vida. Este estudo visa determinar em que situação e com que finalidade foram repetidas e transmitidas os ditos e as histórias de Jesus. Neste sentido, na comunidade primitiva, vê-se o culto, a catequese e a missão dos primeiros cristãos.


8.4.1 MARCOS


O estudo da história das formas diz que Mc é o mais antigo, além de ter criado a forma literária "Evangelho”. Para os estudioso da história das redações, ele criou o título evangelho.

Mc começa se evangelho com a palavra "Princípio..." (Mc 1,1). Este começo não significa começo do livro, mas do evento Jesus, por ser uma boa notícia espalhada.

O Centro do seu Evangelho é a Cristologia. Mc ao longo do seu escrito busca responder a pergunta: "Quem é este homem?". A resposta foi sendo dada aos poucos. A resposta final está em 15,39, porém em 1,11; 8,27-30; 9,2ss já tem-se indícios.

É interessante que logo depois de cada afirmação de que Jesus é o Cristo, segue-se uma censura. Mc pensa com isto evitar os triunfalismos e pregar um discipulado a partir do seguimento de Cristo.

Além disso, é um texto dirigido a comunidades simples, por isso possui pouca dramacidade e muitos detalhes. O Reino de Deus também é um tema importante de Mc.

Mc usa uma forma de linguagem sobre tudo em três aspectos controvérsias parábolas, exorcismos.


8.4.2 MATEUS


Foi escrito por volta do ano 85, possivelmente em Antioquia em grego. Acredita-se não ser o apóstolo Mateus o autor, mas possivelmente um discípulo, numa realidade urbana e de vida próspera financeiramente.

O contexto da época quando foi escrito é a controvérsia do judaísmo formativo, dos fariseus que formavam as comunidades para ouvir a Palavra. Assim Mt escreve primordialmente aos judeus convertidos, sendo a finalidade a de provar aquilo que foi prometido ter sido cumprido em Jesus.


Para isto ele faz uma comparação:



O que mais chama a atenção em Mt é a sua narração a cerca do Sermão da Montanha, onde expressa a nova lei de Cristo, dando grande realce ao cárter social do seguimento, pois o Reino de Deus pertence aos pobres, sedentos, famintos, que choram.

Também sobre o primado de Pedro, Mt elucida bastante a figura de destaque o Apóstolo (cf. Mt 16,13-20).


8.4.3 LUCAS


Tem um estilo bastante culto e requintado do grego. É bastante fiel às fontes. O ambiente sócio-político é urbano e bastante helenizado.

Lc faz uma teologia da história (cf. 2,1). Busca citar fatos históricos para elucidar um mundo bastante globalizado (3,1). O grande objetivo disto é para situar o evento Jesus Cristo dentro da história da humanidade, sendo Ele o centro da história. Para ele, antes de Cristo há o período de preparação: a experiência de Israel, dos profetas. Após é o tempo da Igreja, do Espírito Santo e impulso da Palavra de Deus.

O tema principal de Lc está contido em 4,16-30, quando Jesus apresenta o seu programa. Que culmina no envio do Espírito Santo.


8.4.4 JOÃO


Último Evangelho a ser escrito, possivelmente no final da década de 80 e início de 90.


8.4.4.1 Estrutura:


Muitas sãO as teorias a cerca da estrutura, mas como caráter de estudo tomaremos Brown. Este divide o quarto evangelho da seguinte forma:



1) Prólogo (1,1-18) - serve de abertura ao Evangelho.

2) Livro dos sinais (l,19-12,50) - subdividido em:



3) Livro da glorificação (l 3,l-20,31)

4) Epílogo (21,l-25)


De modo geral, Jo conduz seu evangelho para uma progressiva auto-revelação de Jesus que exige fé ou incredulidade.


8.4.4.2 - Origem, formação e autoria do 4º Evangelho:


A fonte mais aceira é própria tradição oral catequética e que devido à personalidade do evangelista tomou uma forma toda especial.

Alguns estudiosos chegaram a afirmar numa coletânea de textos compilados num só, no entanto, o fio condutor é o mesmo.


8.4.4.3 Ambiente Cultural e Religioso:


O ambiente de João era bastante multifacetado. Grandes questões lhe eram forte na época como o gnosticismo. Também a contrariedade ao judaísmo oficial em relação ao cristianismo contraporá a Tora a Cristo. Jo tem a grandeza de conseguir voltar-se para vários aspectos contemporâneos, abrangendo um grande número de culturas.


8.4.4.4 – Teologia:


a) O Logos se fez carne - Jo não está preocupado em apresentar quem é Jesus, mas afirmar que nele a ação salvífica de Deus acontece Ele liga Jesus e a Igreja, ao falar de Igreja, fala de Jesus. È a encarnação dele no tempo pós-pascais. O evangelho de Jo é uma epifania da glória de Deus que se manifesta no acontecimento real e humano de Jesus.


b) A Igreja - Para Jo a Igreja é o Cristo morto e ressuscitado que continua a sua ação. Cristo personifica a Igreja. Para o evangelista a Igreja está toda incluída em Cristo (c. 15), nasce da cruz de Cristo (12,32ss), nela, por Cristo prolonga-se o diálogo Trinitário (17,20ss). Além disso, ele busca estabelecer uma relação entre o culto cristão e os acontecimentos da vida de Jesus.


c) Escatologia - Para Jo a glória escatológica é já agora e assim também a vida, a ressurreição o juízo. O tempo da Igreja não deve ser desmerecido em comparação com o tempo de Jesus ou a parusia. Tem a sua concretude bem precisa.




8.4.5 Aspectos peculiares do Evangelho de João




8.4.5.1 - O substrato histórico religioso do conceito de Logos:


Ao utilizar o termo Logos num primeiro momento, Jo quer contrapô-lo ao conceito gnóstico. Ele quer na verdade unir o conceito logos à pessoa de Cristo. Além do prólogo, vê-se isto em 17,14,17, quando ele diz que ele deu a palavra de verdade aos discípulos e em 14,6, quando afirma que ele é a verdade.

A concepção que toma Jo tem um pressuposto no Antigo Testamento, quando a Palavra de Deus é entendida como força, mandamento, ação criadora e dinâmica, muito mais complexa que nossa compreensão a cerca de palavra. Está profundamente ligada a idéia de sabedoria. João consegue com isto abrange tanto uma cultura judaica como helênica.


8.4.5.2 Linguagem, dualismo e simbolismo:


Jo usa freqüentemente e repetidamente expressões de natureza dualista; luz e trevas, verdade e mentira, justiça e pecado, escravidão, vida e morte. É possível acrescentar outros: de cima e de baixo, celeste e terreno, espírito e carne, enfocamos assim o problema em toda a sua amplitude. Mas Jo não se refere ao ponto de vista gnóstico do dualismo, mas hebraico, dentro da perspectiva histórica e ética.


8.4.5.3 Simbolismo:


O evangelho de Jo está cheio de símbolos: luz e trevas, videira, água, pão, etc. e, ainda que não pareça à primeira vista, também o vocabulário é simbólico: ver, buscar, permanecer etc. Ele usa estas expressões por serem uma exigência da linguagem religiosa, pois não é possível falar diretamente de Deus, somente tendo em consideração a própria experiência.


8.4.5.6 Discursos e Sinais:


Existem 2 tipos de discursos: os públicos (c. 2-12) e os de despedida (c. 13-17). Os discursos em Jo são longos, mas unitários dentro sempre de uma perspectiva única. Usa para isto às vezes um tom abstrato, monótono e complicado, diferente dos sinóticos. Isto certamente, porque Jo dá a Cristo o seu discurso pós-pascal. Outro ponto são os sinais, que Jo prefere em contrapartida à dos milagres, pois estes são sinais da glória de Cristo. Por isso nem sempre o sinal é uma ação milagrosa. Em si, toda a vida de Cristo é sinal da cruz de Cristo.

É a partir desta concepção que percebemos o seguinte: o sinal sem o discurso é vazio. O sinal é palavra, somente pode ser interpretado à luz da palavra de Jesus. Isto para evitar a incredulidade.


8.4.6 Atos dos Apóstolos e Cartas


8.4.6.1 Atos dos Apóstolos:


Escrito entre os anos 80 e 90, talvez em Éfeso. O autor é Lucas, que escreveu uma obra em dois volumes, o evangelho e os atos dos apóstolos, principalmente os de Paulo. Sua intenção, no segundo volume, é apresentar como a Igreja se organizou, depois da ascensão de Jesus, a partir de três eixos fundamentais: a ação do Espírito Santo, a missão dos apóstolos e as pequenas comunidades domésticas.

Lucas quer fazer a história da Palavra e do Espírito. Para ele, a história está dividida em três etapas: a primeira, das promessas, presente no AT; a segunda, do cumprimento das mesmas, com Jesus Cristo; e a terceira e última é a do Espírito Santo e da Igreja, que levará o Evangelho até os confins do mundo. De acordo com sua visão, o cristianismo nasceu como uma seita dentro do judaísmo, sendo logo rejeitado pelos chefes dos judeus. Os cristãos acabaram formando um novo grupo religioso que se adaptou ao mundo e desenvolveu um sistema de meios objetivos de salvação (dogmas, sacramentos, normas morais e institucionais). Os pagãos foram acolhidos entre os cristãos de origem judaica, e nas comunidades era ensinada a doutrina dos apóstolos, vivia-se em comunhão fraterna, celebrava-se a Eucaristia e se partilhavam os bens (cf. At 2,42).


8.4.6.2 Cartas de Paulo:


Núcleo do seu evangelho: Jesus Cristo, crucificado e ressuscitado, é a revelação do amor gratuito e salvador de Deus, para a salvação de cada homem, mediante o perdão e o dom da justiça, acolhidos na fé e atuados na caridade, na esperança do seu cumprimento através da ressurreição dos mortos.

O escrito endereçado aos romanos pretende afirmar a solidariedade de todos os crentes na salvação, tanto judeus quanto pagãos, pela unidade derivada do plano salvífico de Deus. De fato, todos eram pecadores: os judeus, por não observarem a Lei, e os pagãos, por não descobrirem Deus na criação, sendo culpados pelas faltas contra a lei natural. Deus não faz acepção de pessoas, e por isso todos são justificados pela fé em Jesus Cristo. Paulo ensina que Deus tem paciência com o ser humano: liberta-o da Lei que o escraviza, do pecado que o domina e da morte que é sua conseqüência. Em seguida, eleva-o com sua graça, vivifica-o com seu espírito e o enxerta numa nova comunidade, formada por judeus e pagãos e fundada sobre Cristo morto e ressuscitado.


8.4.6.3 Carta aos Hebreus:


É mais um pequeno tratado ou homilia do que uma carta. Apresenta a Cristo como Sumo Sacerdote, novo e definitivo, segundo a ordem de Melquisedec, e não da descendência de Aarão. Também Cristo realiza um sacrifício, porém não novos, pois têm a ver com sua própria pessoa. Da mesma maneira, com ele se dá o novo repouso, a Nova Aliança e se renovam as promessas. Ò autor afirma claramente que, de agora em diante, já não é a execução de ritos sangrentos, repetidos continuamente, o sinal do perdão, mas a morte e ressurreição de Cristo, consideradas como o evento sacrifical por excelência, realizado por um novo sacerdócio, do qual participam todos os crentes.


8.4.6.4 Carta de Tiago:


Neste escrito de caráter sapiencial, o autor coloca que a fé se evidencia em ações. Portanto, quem se diz crente deve demonstrar sua fé em ações concretas, nas diversas circunstâncias da vida, tomando por critério fundamental o amor ao próximo.


8.4.6.5 Carta de Judas:


Apresenta uma comunidade angustiada, dividida, sem direção precisa, à disposição de pequenos grupos heréticos, possivelmente gnósticos, que ameaçam destruí-la por completo. O autor exorta a comunidade a cortar o mal pela raiz, rompendo relações com eles, e a permanecer fiel à fé verdadeira.




8.4.6.6 Primeira Carta de Pedro:


O autor convida a romper totalmente com o paganismo, vivendo como convém a crentes que se deixam guiar pela esperança, e a refletir, em uma conduta comprometida, o evangelho de Cristo. Insiste-se na humildade e vigilância diante das perseguições.


8.4.6.7 Primeira Carta de Pedro:


Esta carta reflete um problema de fundo: a comunidade está em perigo por causa dos hereges e apóstatas que surgem no meio dela. Partindo das profecias e dos ensinamentos dos apóstolos, o autor contradiz o ensinamento dos hereges sobre o atraso do dia do Senhor, colocando que isto é devido à paciência de Deus, esperando e assim dando mais uma chance à conversão dos pecadores.


8.4.6.8 Cartas de João:


Nesta carta, percebe-se uma grande mudança do ponto de conflito que vê-se no evangelho de João. Enquanto no Evangelho o combate era contra os judeus, agora se dá no interior da comunidade, onde muitos haviam abandonado a fé (cf. Jo 2,19).

Isto se deu sobremaneira em relação às concepções gnósticas das primeiras comunidades, que negavam o evento da encarnação de Jesus. É por isso que na Primeira Carta, o autor deixa bem claro quem é verdadeiramente Cristo ("Jesus é o Messias", "Jesus é o Filho de Deus",...). No fundo ele visa combater a idéia de um amor a Deus sem comprometimento. O autor quer provar a realidade da encarnação de Cristo, para fundamentar a necessidade do amor aos irmãos, pois eles são o que de mais real temos no momento.

A terceira carta de João, é a que parece ser a mais distante das duas primeiras, o que pode se provar que pertencem a uma comunidade joanina e não a uma autor específico. Ali elas demonstram uma comunidade já bastante organizada governada (ou pelo menos os seus dirigente o eram), por missionários gregos, o que indica um cristianismo além dos limites do judaísmo.


8.4.6.9 Apocalipse:


Logo após a saudação, o vidente narra a visão primeira que está na base de seu escrito: ele viu Cristo glorioso (o Primeiro, o Último, o Vivente) e lhe foi ordenado escrever o que é (as cartas às sete Igrejas) e o que vai acontecer (o restante do livro). A salvação é apresentada como um drama histórico e cósmico, onde Miguel e seus anjos lutam contra Satanás e seus demônios, vencendo-os e condenando-os ao inferno para sempre.

O autor do Apocalipse anuncia que a Igreja está continuamente submetida à prova, já que a sua mensagem não é de acomodação ao mundo nem aos seus poderes. Isto supõe sofrimento e perseguição. Contudo, Deus intervirá sempre em favor de seu povo, até o último dia, quando mostrar seu poder e glória, e houverem novos céus e nova terra.




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