Estudantes: Edmundo Jose Marcon

Oscar Roberto Chemello


ANTIGO TESTAMENTO



1 A formação do Antigo Testamento:


A formação do Antigo Testamento inicia com a promessa feita a Abraão por Deus, por volta do século XIX a.C. Mas foi Moisés quem no século XIII forjou uma nação libertando o povo da escravidão no Egito.

O Pentateuco traz a marca de Moisés, mas a obra como nós a conhecemos, recebeu sua forma final muitos séculos depois de Moisés, por volta do século VI/V antes de a.C. A literatura profética teve inicio com Amós e Oséias no século VIII e foi completada com Joel e Zacarias 9-14 no século IV a.C. Os livros históricos se estendem de Josué (baseado em tradições que remontam ao século XIII a.C.) a 1 Macabeus, escrito por volta do começo do século I a.C. O século VI a.C., que viu a forma final dos Provérbios e o aparecimento de Jô, foi a época áurea da literatura sapiencial, mas o movimento tinha começado sob Salomão no século X a.C., enquanto o livro da Sabedoria surgiu mal começa a metade do século antes de Cristo. Isso é suficiente para perceber que a formação do Antigo Testamento foi lenta e complexa.


2 Os livros do Antigo Testamento

Divisão hebraica:

A Lei (Torah) – o Pentateuco

Os Profetas (nebiim) – Anteriores = Josué a Reis

Posteriores = Isaías, Jeremias, Ezequiel e os 12 menores

Os Escritos (Kethubim) – 1) Salmos, Provérbios, Jô – os ‘grandes escritos’

2) Cântico dos Cânticos, Rute, Lamentações; Coélet

(Eclesiastes)

3) Daniel, Esdras, Neemias, 1 e 2 Crônicas.


Desde o século XIII, os católicos dividem o Antigo Testamento em livros: históricos, didáticos e proféticos.

  1. Históricos: O Pentateuco (Gênesis, Êxodo, Levítico, Número, Deuteronômio); Josué, Juízes, Rute, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis, 1 e 2 Crônicas, Esdras, Neemias, Tobias, Judite, Ester, 1 e 2 Macabeus.

  2. Didáticos ( e poéticos): Jô, Salmos, Provébios, Coélet (Eclesiates), Cântico dos Cânticos, Sabedoria, Sirácida (Eclesiástico).

  3. Proféticos: Quatro profetas maiores: Isaías, Jeremias (mais Lamentações e Baruc), Ezequiel, Daniel.

Doze profetas menores: Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias.






3 FORMAÇÃO DO POVO DE ISRAEL


Podemos dizer que o livro do Êxodo levou por volta de mil anos para ser redigido. A saída do Egito é um trecho de Miriam (Ex 15,22) escrito por volta do século XII a.C., como existem texto da época de Esdras (Ex 29-30), no século IV a.C.

O povo de Israel, podemos dizer, teve seu início com Moises, deixado por sua mãe hebréia, ele era por isso, hebreu, num rio e encontrado pela filha do Faraó (Ex 2,1-10) passa parte de sua vida no palácio. Moises vê a opressão que sofre o seu povo hebreu e aos poucos vai descobrindo sua vocação (Ex 3,1-12). É importante perceber que Deus permanece junto com Moises e o povo, “Deus-conosco”(Ex 3,15-16).

A história da formação do povo de Israel vai do Livro do Gênesis até o Livro de Josué. A narrativa começa com o chamado e a viagem de Abraão, saindo de Ur dos caldeus e migrando até o pais chamado Canaã. Depois, um neto de Abraão, chamado Jacó, migrou para o Egito, fugindo da seca e da fome. Muito tempo depois, os desentendes de Jacó, chamados de israelitas, fogem do Egito comandados por Moises. Peregrinam quarenta anos pelo deserto, conquistam Canaã e se instalam na terra que Deus prometera a Abraão e sua descendência.


3.1 Os grupos que formaram o povo

Israel surgiu numa época de grave crise social, política e econômica. Nesse processo de formação do povo pelo menos três grandes grupos tomaram parte:

  1. Os hebreus ou camponeses revoltados: era um grupo de endividados e marginalizados que fugiram para as montanhas levando para lá as técnicas agrícolas utilizadas na planície. Com esse povo nas montanhas surge o machado e o arado de ferro, para o preparo das plantações, devida a seca surge a cal para revestir as cisternas para armazenar água. Esse povo adota uma nova forma de religiosidade, passando a se chamar de Israel, que significa “O Senhor lutará por nós”. É esse povo, chamado cananeus, que são a base do povo da Bíblia. Textos que ajudam a compreender: Gn 4,1-17; 13;14;18;16; Jz 3,12-30;7; 1Sm 13,15 a 14,23;25;26,1-12;27;29,1-4;30,1-31.

  2. Os pastores seminômades: o Livro do Deuteronômio identifica o povo com um grupo de “arameus arrantes”(Dt 26,1). Eram famílias de pastores que vagavam pelas regiões planas entre os desertos e as terras agrícolas, também as chamadas de estepes. É nesse ambiente que encontramos as histórias de Abraão, Agar e Sara; de Isaac e Rebeca; de Jacó, Lia e Raquel. Viviam perambulando entre uma pastagem e outra conforme as estações do ano, criavam ovelhas e cabras e moviam-se conforme a necessidade de água para os animais. Para fugir da seca e da fome, Jacó viaja para o Egito levando tudo o que tem: a família e o rebanho (Gn 43,1-4; 46,1-7) Com o tempo esse grupo foi sedentarizando-se junto aos hebreus nas montanhas podemos identificar essa atitude em Abraão como um hebreu (Gn13,14). Outros textos bíblicos que descrevem esse grupo: Gn 12 a 50; Nm 25; Dt 6,20-26; 26,5-9.

  3. Os escravos fugitivos do Egito: a experiência fundante de Israel é a fuga, liderada por Moises, de um grupo de escravos, oprimidos pela política genocida do faraó do Egito. Caminharam pelo deserto durante quarenta anos para chegarem a terra de Canaã e juntarem-se ao povo que já estava lá. Com forte influência do grupo dos levitas (Ex 2,1;4,14;6,16-27), trazem consigo as leis e os mandamentos, ferramentas que muito auxiliaram na construção de uma sociedade nova. Mas, principalmente, trazem a fé no “Deus Libertador”, aquele que está presente nas lutas e na caminhada do grupo (Ex 6,26-27).

O Deus revelado no livro do Êxodo é um Deus diferente. É um Deus que escuta o grito, muitas vezes silencioso, do povo oprimido. Nele encontramos a revelação de Deus a Moises. No diálogo de Deus com Moises, Ele revela em nome de quem Moises deveria libertar o povo: “Eu estou contigo... Diga que EU ESTOU me enviou até vocês”(Ex 3,12-14). O importante é perceber que todos os povos que fizeram a experiência do Êxodo, embora diferentes expressaram numa mesma palavra: Javé, que significa em hebráico, (YHWH) “Certamente Estou”. Dessa forma a unidade entre os diferentes grupos era feita em nome de Javé, o Deus libertador do povo.


3.2 O período dos Juízes e da Monarquia

A primeira etapa da libertação do povo acontece com a historia dos patriarcas, o êxodo do Egito e a formação das tribos de Israel na terra prometida. No tempo da dominação egípcia, século XIII e XII, inicia a organização de grupos contra essa dominação. Com o enfraquecimento dos egípcios na terra da palestina, os camponeses começam a se organizar para saírem da situação de exclusão. Os hapirus (hebreus) iniciam uma organização independente dos egípcios. São vários grupos que tem em comum a luta contra a dominação dos egípcios. A formação de Israel acontece no século XIII quando chega o grupo do êxodo do Egito. Esse grupo unifica todos os grupos porque trouxe a experiência de escravidão e libertação do Egito com a ajuda de Deus. A formação da história de Israel reúne este contexto de libertação.

O grupo tem a experiência de igualdade e unidade de fé em Deus. Recusavam a instituição de um rei e um exército organizado permanentemente. É a formação das tribos de Israel.

As tribos de Israel, como vimos, vieram de diversos lugares e ocuparam a terra de Canaã em épocas diferentes. Não tiveram desde o inicio um governo e uma organização unitária. A primeira fase das tribos israelitas estabelecidas em Canaã foi de auto-afirmação. Tratava-se de organizar forças para defender o território e resistir ao adversário. As tribos tiveram de organizar-se, surgindo então a necessidade de uma autoridade centralizada, mesmo que ocasionalmente. Neste contexto surgiram os juízes, para salvar as tribos e mobiliza-las para rechaçar o inimigo.

No quadro que segue encontramos os nomes dos juízes, sua classificação, citações bíblicas sobre eles, o nome da tribo à qual pertenciam, o número de anos de atuação e os inimigos que enfrentaram para defender as tribos:


NOME

CLASSIFICAÇÃO

CITAÇÃO

TRIBO

ANOS DE ATUAÇÃO

INIMIGOS

Otoniel

Maior

Jz 3,7-11

Judá

40

Arameus

Aod

Maior

Jz 3,12-30

Benjamim

80

Moabitas

Samgar

Menor

Jz 3, 31

-

-

Filisteus

Bébora

Maior

Jz 4-5

Efraim

40

Cananeus

Barac

Maior

Jz 4-5

Neftali

40

Cananeus

Gedeão

Maior

Jz 6-8

Manassés

40

Madianitas

Tola

Menor

Jz 10,1-2

Issacar

23

-

Jair

Menor

Jz 10,3-5

-

22

-

Jefté

Maior

Jz 10,6-12,7

Efraim

6

Filisteus e amonitas

Abesã

Menor

Jz 12,8-10

Judá

7

-

Elon

Menor

Jz 12,11-12

Zabulon

10

-

Abdon

Menor

Jz 12,13-15

Efraim

8

-

Sansão

Maior

Jz 13-16

20

Filisteus

Samuel

Maior

1Sm 1-25,1

1Sm 8,1

Efraim

Toda a vida”

(1Sm 7,15)

-


A experiência das tribos não durou muito tempo. Depois de Samuel, último dos juízes, o povo deixa sua organização sem um rei para iniciar o período da monarquia. Devido aos constantes ataques de seus inimigos e contradições internas, onde algumas tribos se sobressaem às demais, o povo decidiu se organizar como fez as outras nações.

O primeiro rei foi Saul. Ele emerge de uma classe de produção pecuarista gerando um conflito interno. Acontece o rompimento do sistema igualitário e a instalação da carga tributaria.

Seguido por Davi (1010-970 a.C.), o maior rei da história de Israel. Consegue solucionar a disputa interna entre o campo e a cidade. Refaz a unidade das tribos de Israel, constituindo um grande império. Vence nações vizinhas e determina Jerusalém como capital do império. Fixa a arca da aliança em Jerusalém e legitima sua forma de governo pela religião.

O terceiro rei foi Salomão (970-931 a.C.). A carga tributaria afeta a forma de organização antiga das tribos. O tributo passa a ser para a sustentação da realeza, organização do exército e das grandes construções Inicia a escrita das tradições orais que passavam de geração em geração.

Na monarquia já aparece a figura dos profetas que chamam a atenção dos reis para a conduta e fidelidade a aliança com Deus.

Livros: Juízes, Reis, 1 e 2 Samuel

3.3 OS REINOS


Reino dividido

Quando morre Salomão acontece a divisão do reino. O norte não aceita o filho de Salomão como herdeiro e divide-se formando o reino do norte ou Israel com o rei Jeroboão I. O reino do sul ou reino de Judá, fiel a Salomão, elege Roboão.

As tribos do norte não aceitaram mais a dominação vigente e fazem o cisma com as tribos do sul. Querem ter sua autonomia religiosa e econômica. Omri funda uma dinastia e deixa seu filho Acab. Este casa-se com Jezabel filho do rei de Tiro. Ela traz consigo 450 profetas de Baal para influenciar a dominação religiosa, ideológica e econômica no norte.

Inicia uma luta de Elias e Eliseu para a retomada da fé tradicional das tribos de Israel. A vinha de Nabot (1 Rs 21).

Na resistência contra a situação se destaca a figura de Jeú, porém, é criticado pelo profeta Oséias pela utilização militar e revolucionária para conquistar a libertação. Critica a idolatria de Jeú em usar Deus para legitimar sua dominação sobre o povo. Com a corrupção e o aparecimento da Assíria o reino do Norte começa o seu período de queda.

Livros: 1 e 2 Reis, Profetas (Oséias,Amós, Isaias, Miquéias).


Queda do reino do Norte (Israel)

Durante toda história, os dois reinos lutaram contra a invasão de povos vizinhos. No norte, a corrupção da corte levou uma serie de assassinatos entre os reis. Oséias, por fim, pagou o tributo ao rei assírio Teglat- Falasar III. Quando ele morreu, Oséias quis romper o acordo com a Assíria apoiado pelo Egito. Foi derrotado pelo novo rei assírio, Salmanasar V que não admitiu a traição. Em 722 a C. os assírios invadem o reino do norte e destroem a capital Samaria. Os moradores são deportados para o reino assírio.

Reino de Judá

O reino de Judá tem seu fundamento na cidade de Jerusalém e em torno da dinastia de Davi. Três acontecimentos mostram a tendência de fortalecer a religiosidade.

A dinastia de Josafá: começa um período de busca de identidade interna e nacionalista, reforço da importância do templo e da dinastia davídica.

Ezequias: o exemplo da destruição da Samaria pela decadência da fé e desunião nacional, fez Ezequias propõe a restauração nacional, fim das alianças com estrangeiros. Teve apoio de Miquéias e Isaias. Procurou a estabilidade em torno do trono e do templo para ter forças de resistir ao ataque assírio.

Josias: continua a política de Ezequias. Reforça a liberdade nacional, suprime cultos estrangeiros, tenta unificar o norte e o sul, revaloriza a festa da páscoa. A tradição deuteronomista retrata esta reforma.


Queda de Judá

Jerusalém é destruída em 587 a.C. pelos ataques babilônios. Em 586 a. C., o reino da Babilônia, com Nabucodonosor, após se tornar mais forte que os assírios vence o reino do sul e conquista Jerusalém. Boa parte da população é levada ao exílio da Babilônia. O povo fica dividido em três grupos: os que ficaram na Palestina, os camponeses pobres; os que foram deportados para a Babilônia e os que fugiram para o Egito. Mas o grupo de maior importância são os deportados para a Babilônia, ali que acontecem as grandes reflexões sobre a situação do povo (Sl 137).


Dominação persa

Em 539 a.C., a Pérsia vence a Babilônia (rei Ciro) e permite o povo de Israel voltar para sua terra. Começa a reconstrução do templo de Jerusalém.

A dominação persa se distingue das demais pela sua inteligência de dominação sobre o povo de Israel. Por um lado permitiam a liberdade religiosa e cultura, mas mantinham a dominação econômica e política.

Profetas Zacarias e Ageu.

Missão de Esdras e Neemias. Neemias tem a missão de organizar a autonomia da província de Judá dentro do sistema persa. Esdras é mais rigorista, edita a lei, organiza os sacerdotes e a liturgia. A vida do povo passa a ser compreendida como obediência da lei e da vida litúrgica chefiada pela autoridade sacerdotal.


Dominação helenista

Alexandre Magno (333 a.C.) conquista a Síria e inicia o império helênico. Influencia da cultura helênica na tradição judaica. Tradução da Bíblia para o grego ( LXX).

Judéia sob o domínio dos selêucidas. Surgem os grupos dos fariseus, saduceus e essênios de Qumrã. O livro do Eclesiastes reflete a crise religiosa pela influencia da filosofia helênica na tradição judaica.

No ano de 167, o rei Antíoco Epifanio IV inicia a perseguição aos judeus. Com o conflito surge uma revolta de camponeses em busca de liberdade para o povo, a luta dos Macabeus.

O livro do eclesiástico faz uma síntese sobre a vida judaica nesta época de dominação. Florece a literatura apocalíptica. O livro de Daniel reflete a esperança do povo na vinda do Reino de Deus através da vinda do filho do homem que reinará sobre Israel. Fortalece a esperança na ressurreição dos mártires que lutam contra a idolatria de seus opressores.

Dominação romana

A dominação romana embora em andamento teve seu momento decisivo quando o general e cônsul romano Pompeu por volta do ano 67 a.C conquista Jerusalém. No ano 37 a.C Herodes se torna o rei de Jerusalém até ao ano 4 a.C. A mais importante obra de Herodes foi a reconstrução do Templo de Jerusalém destruído por Crasso no ano de 54 a.C. Existe, segundo estudos, a possibilidade de ter sido ele, Herodes Magno, o rei quando do nascimento de Jesus, por volta do ano 6 a.C, isto por causa de um possível recenseamento feito na região.


4 OS LIVROS QUE COMPÕEM O PENTATEUCO


Os cinco primeiros livros da Bíblia (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio) são conhecidos como Pentateuco. Os judeus de língua hebraica não usam essa terminologia, referem-se aos cinco primeiros livros da Bíblia como a “Lei” (Tora), “a lei de Moisés”, o livro da lei de Moisés” na qual sublinha a linha geral deste escrito principalmente o Deuteronômio. Tora nos dá a conhecer a constituição do povo de Deus e as condições da escolha divina. O plano divino é estabelecer o povo de Israel como nação teocrática, tendo como pátria a Palestina e como carta a Lei mosaica.


4.1 Característica das tradições

  1. Javista (por exemplo Gn 2,46-25): considera Iahweh como Deus nacional. Tornou-se seu Deus porque se revelou a Abraão, livrou da escravidão os herdeiros de Abraão e lhes deu sua lei. É um Deus próximo, que caminha com o povo (Gn 3,8;18,1ss). Não deixa de ser o Deus de todos os povos, porque o objetivo supremo visado na escolha desse povo é universalista: todas as nações da terra se proclamarão bem-aventuradas por Abraão.

  2. Eloísta (por exemplo Gn 20, 1-17): é muito próxima a tradição Javista da Eloista, podemos dizer que há um complemento, porém a tradição Eloista perde importância e brilho frente a Javista na medida que para os eloista Deus se apresenta um tanto distante, “fala do céu”(Gn 21,17) ou em “sonhos” (Gn 15,1; 20,3-6; 28,12). A tradição Eloista dá grande importância aos profetas, significa que tem influenciado muito desenvolvimento da profecia em Israel.

  3. Deuteronomista (por exemplo Dt, Js, Jz, 1 e 2Sm e 1 e 2 Rs): a tradição deuteronomista testemunha um estágio decisivo da história religiosa de Israel, onde a monarquia perde seu espaço e começa a surgir a igreja. Tem seu cerne o código legal (Dt 12,1-26,15). É entendido como um programa de reforma, não de inovação, isto é, um apelo pela renovação da Aliança, um envolver da presente geração de Israel na Aliança celebrada no Horeb.

  4. Sacerdotal (por exemplo Lv 8-10): no contexto do Exílio nasce a tradição sacerdotal, já quando não existiam as instituições que até então eram centrais, como no Templo, o sacerdócio, o culto, a terra, o rei. Os sacerdotes aparecem como animadores da comunidade e incentivam algumas práticas como a circuncisão e a importância do sábado, para indicarem a pertença ao povo de Israel, o povo escolhido por Deus.


4.2 Estrutura

O Pentateuco engloba desde o Gn 1 até a morte de Moisés Dt 34. Em grande linhas, conta as origens de Israel, desde seus remotos antecedentes patriarcais até sua conversão num povo numeroso que recebe de Deus os grandes dons da liberdade e da aliança, e está as portas da terra prometida. Podemos esquematizar o conteúdo da seguinte forma:

1. História da origens (Gn 1-11)

2. Os patriarcas (Gn 12-50)

3. Opressão e libertação (Ex 1,1-15,21)

4. Primeira etapa rumo à terra prometida (Ex 15,22-18,27)

5. Aos pés do Sinai (Ex 19 – Nm 10,10)

6. Da Sinai a estepe de Moab (Nm 10,11-21,35)

7. Na estepe de Moab (Nm 22 – Dt 34)


1. Gênesis

O Gênesis começa falando das origens do mundo e da humanidade. Ainda que a situação inicial seja paradisíaca, logo se desfaz este clima pelo pedado do primeiro casal, segue outras situações de injustiças e crimes que acabam provocando o dilúvio. Mas nem isso adianta a humanidade, comete um novo pecado de orgulho, “Torre de Babel”, e é dispersada por todo a terra (Gn 1-11). Mas Deus responde à cadeia do mal com a vocação de Abraão, começo da salvação para todos os homens.

O livro está dividido em duas parte:

1-11 – mostra a origem do mundo, da vida e o processo da história da humanidade com suas ambigüidades;

12-50 – conjunto de narrativas populares sobre as raízes distantes e obscuras da história do povo de Deus.

Os dois relatos da Criação (Gn 1-2)

Encontramos duas narrações sobre a origem da criação. Pertencem a épocas diferentes e problemas diferentes.

Gn 1,1-2,4atemos a humanidade como ponto alto da criação. Perícope que pertence ao tempo do Exílio da Babilônia (586-538 a.C), teve como importância manter a identidade do povo judeu frente aos deuses e costumes religiosos do povo babilônico. A Criação em forma crescente, em sete dias, no sexto o homem que é o ponto alto da criação, mas coroando a criação o descanso de Deus “descansou depois de toda a sua obra da criação”(Gn 2,3). Com o descanso de Deus no sétimo dia, marca para os judeus um dia divino, dedicado a Deus. Muda a concepção de Deus, passando a ser visto como o Deus supremo do universo, acima dos outros deuses, por outro lado quer mostrar que Deus criou tudo, inclusive os astros que para os babilônios eram divindade. Culmina com o ponto alto da criação que é o próprio homem. “Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus ele o criou homem e mulher”(Gn 1,27). Isso significa que, a imagem que podemos fazer de Deus é a própria humanidade. E a tarefa da humanidade, assim como Deus, é de preservar e criar mais vida.

Gn 2,4b-25temos a humanidade como o centro da criação. Este relata sobre a criação é anterior ao primeiro. Foi redigido no tempo de Salomão (971-931 a.C.) e tem outra concepção de criação. Como a primeira não visa ser um relato cientifico das origens. Do contrário da primeira que começa a ordenar a partir da água, esta começa com a terra seca ou o deserto. O tema é a fertilidade do solo. Certamente o homem instalado ou semi-nômade procura uma terra fértil para instalar-se e cultivar. E daqui brota a preocupação de que o homem deveria ser o colaborador de Deus na tarefa de fazer a terra produzir o alimento para a vida. Percebemos que o próprio homem é feito de terra, e nele e soprado o sopro de vida. Nos v. 18-24, percebemos que o homem estabelece uma relação importante com a criação pois é ele que dá os nomes aos animais. Em seguida percebemos que quem vai dar sentido ao homem e a mulher. O matrimônio tem pleno sentido pois tem a função procriativa, mas principalmente a mulher como auxiliar, companheira do homem.

Gn 3 – Problema da serpente: este trecho do Gênesis quer mostrar que na base do ser humano existe uma ambigüidade e que foge a plena compreensão. A serpente em primeiro lugar poderia significar a política absolutista utilizada pelo Faraó pois, no Egito tinha como significado ser símbolo da diplomacia e da cultura. Por outro lado a serpente simbolizava em Canaã a fertilidade ligada ao culto que orientava o regime das cidades-estados exploradas dos camponeses. Em outras palavras, a serpente é um resumo da pretensão de um discernimento que leva o homem à auto-suficiência, pretendendo ocupar o lugar de Deus, para dominar e explorar os outros.

2. Êxodo

O Êxodo é chamado “Evangelho do Antigo Testamento”, ele anuncia a “boa nova” da intervenção de Deus na existência de um grupo de pessoas (Ex 4,31), a fim de faze-las nascer para a liberdade e consagra-las em uma nação santa (Ex 19, 4-6).

O livro do Êxodo relata a história de um povo que fez a experiência da libertação de Deus. Relata a saída da escravidão do Egito como marco fundante da história de Israel. O livro do Êxodo não é o livro de um povo a caminho, ele relata a intervenção de Deus na história dos homens e alimenta a esperança de novas intervenções. Nesta perspectiva os autores do Novo Testamento consideravam a salvação trazida por Jesus Cristo como um cumprimento do Êxodo de Israel.

O fato do livro do Êxodo ter sido escrito para exprimir a fé do povo de Israel não significa que ele seja baseado em fatos imaginários. Existe fundamento histórico, estudos que demonstram a ação de Deus na história do povo. Foi este o quadro humano em que Deus interveio para revelar a um povo de imigrante o desígnio de fazer deles a sua propriedade pessoal, um reino de sacerdotes e uma nação santa (Ex 19,5-6).

3. Levítico

O livro do Êxodo termina com a construção da Tenda do Encontro (Ex 40, 16-33), que o Senhor a legitima vindo a ela sobre as nuvens (Ex40,34-38). O início do livro do Levítico exprime esta realidade: há podemos dizer uma continuação entre o Êxodo e o Levítico. No Êxodo o Senhor fala a Moisés no cume do Sinai, enquanto que no Levítico Ele fala a Moisés da “Tenda da Reunião” (Lv 1,1). O livro do Levítico foi escrito grande parte durante o Exílio na Babilônia. É a busca para que o sacerdotes enquanto mediadores de Deus e os homens vivam a santidade, pois é por meio desta santidade que Deus age no mundo.

4. Números

A maior parte dos textos pertencente ao livro de Números referem-se efetivamente, ao período em que Israel permaneceu nos desertos que estão a margem da Palestina a sul e sudeste. A estada no deserto foi para Israel ocasião de uma experiência religiosa privilegiada, que conserva valor para todas as gerações seguintes. Sobre este tema o livro dos Números conserva sobretudo três aspectos: Israel era um povo em marcha, não estabelecido de modo permanente, era um povo isolado, subtraído a toda a influência estrangeira; era um povo em formação, no qual subsistiam ainda muitos problemas fundamentais a resolver.

5. Deuteronômio

O Deuteronômio é a vasta coletânea na qual se fixou por escrito a pregação levítica, cuja fonte era Moisés, e que acompanhou Israel desde o tempo de sua instalação em Canaã até a hora do exílio na Babilônia. Israel pode dizer nosso Deus. O Senhor é reconhecido como aquele que se manifestou na história de seu povo.

Do ponto de vista teológico o livro do Deuteronômio é composto como um extenso discurso de Moisés antes de morrer. Inicia recordando os anos que se passou desde que Deus ordenara ao povo, pôr-se em marcha no Sinai (Dt 1-4). À promulgação do decálogo e uma exortação sobre a lei (Dt 5-11) segue um comentário (Dt 12-26). Fecha o discurso uma extensa série de bênçãos e maldições (Dt 27-28). O estilo oratório cede lugar mais uma vez ao narrativo, para contar-nos a aliança em Moab (Dt 29-30). E a obra termina com as últimas disposições de Moisés, seu canto, sua bênção e sua morte (Dt 31-34).

5 LIVROS PROFÉTICOS


O movimento profético desenvolveu-se em etapas progressivas na sua compreensão. Ainda no início da monarquia evidenciam-se alguns estilos de profetas. São considerados videntes, doidos ou pessoas que entram em transe. Alguns interpretam sonhos ou consultam a Deus e transmitem sua vontade através de oráculos. Posteriormente, no chamado estilo profético clássico, percebe-se uma evolução do conceito de profeta. Como exemplo em Amós, Isaias e demais profetas que atuaram durante toda a história de Israel, possuem papel social e religioso bem especifico.

O ambiente profético não é exclusividade do povo de Israel, mas em nenhuma outra sociedade teve tanta importância social e política como na história do povo de Deus. No ambiente cultural da antiguidade, o profeta era um mensageiro da vontade divina a um rei. Os governantes procuravam os profetas para que legitimassem sua forma de governo. Ter o apoio do profeta significava ter o apoio da divindade.

A diferença básica em relação a Israel é que o profeta não tem a missão de legitimar formas de governo, mas de estar a serviço da aliança. Reúne em diversos momentos a fé no Deus vivo que vem. A fé em Deus faz acontecer a critica ao Estado idólatra. Vem em defesa dos pobres e contra a infidelidade à aliança com Deus. É um convite ao retorno da justiça querida por Deus.

A origem mais significativa para a palavra profeta vem do acádico: nabu, traduzido para o grego como profetés. Significa aquele que é chamado ou que fala em nome de alguém.

5.1 Temos 4 períodos das etapas do profetismo


Primitivo: profetas extáticos, em delírios.

Clássico ou pré-exilico: profetas anunciadores e denunciadores. São eles: No norte, Elias, Eliseu, Amós, Oséias. Em Judá, Isaias, Miquéias, Sofonias, Naum, Habacuc, Jeremias, Baruc.

Exílio: profetas de reflexão, consoladores e animadores: Jeremias, Ezequiel, deutero-Isaias

Pós-exilio: profetas restauradores e animadores do judaísmo: Esdras, Neemias, Ageu, Zacarias, Abdias, Malaquias, Joel, Trito-Isaias, apocalipse de Daniel.


Os títulos aplicados aos profetas


O vidente (ro’eh): aparece como personagem urbano e presta serviços pagos. Tem o dom da visão. Aquele que conhece as coisas ocultas e pode ser consultado mediante pagamento.

Homem de Deus (îs ‘elohîm): tem o dom de fazer milagres. Possui uma relação muito estreita com Deus.

Nabi e hozeh. Nabi está ligado a profecia do norte. É um porta-voz da aliança enquanto hozeh atua no sul, ligado ao aconselhamento divino.


Gênero literário


1 Oráculos: provavelmente correspondam com a proclamação oral do profeta. Existem vários tipos deste gênero.

1.1 Alguns indicam os erros ou pecados cometidos e anunciam um desastre. É típica da profecia pré-exílica. Existe uma terminologia de acusações, ameaça, sentença judicial. Exemplo são os “ais”, tem um tom de juízo, luto.

1.2Exortação: seu destino é mudar o comportamento do destinatário. Faz-se de forma positiva.

1.3 Oráculos de salvação: anuncia um futuro melhor. Encontra-se nos textos do exílio e posteriores. O paradoxo é que quando existe prosperidade e riqueza os profetas anunciam a destruição e o juízo de Deus pelas injustiças. Nos momentos de crise e exílio anunciam os oráculos de salvação.


2 Narrativos: podem ser formulados em primeira pessoa como em terceira.

2.1 narrações de visões como em Amós, Zacarias e Daniel

2.2 ações simbólicas: nestas revela a vontade de Deus e que a sua eficácia acontece na ação do profeta.

2.3 biográficas: não são biográficas no sentido moderno, narrando a psicologia, ambiente. O mais importante é a Palavra de Deus que é comunicada pelo profeta.


3 gêneros adotados de outros ambientes: usam as lamentações para expressar dor e morte ou a controvérsia, termo jurídico para resolver uma questão diante de um juiz.


6 PROFETAS


6.1 Elias e Eliseu

Elias é natural de Tishbe de Gilead, no reino do norte. Sua atividade profética realiza-se durante reinado de Acab (875-854) e de sua mulher Jezabel. De Elias faz-se um paralelo com Moisés:sobe para o monte Horeb, peregrinação de 40 dias. Moisés e Elias aparecem juntos na transfiguração do Senhor. Muito se fala da ascensão de Elias no carro com cavalo de fogo. Na medida em que não encontraram o túmulo de Elias aumenta o mistério sobre sua morte. A mensagem é que Deus prove grandes coisas aos que estão ao seu lado. Contra os baals que não tem poder diante do Deus de Israel.

Eliseu (Deus ajuda) é filho de Shafat, em Jericó na Samaria. Sua mensagem tem dois pontos: rejeita os cultos pagãos de Baal e por outro lado, afirma que Iahweh não é um Deus nacionalista apenas para os judeus, mas para todos os povos. Naamã era um pagão sírio que experimentou a misericórdia e ser curado da lepra. Sua frase, no livro dos Reis resume sua posição: “agora eu sei que em toda a terra não há Deus senão em Israel” (2Rs 5,15). A vontade salvifica de Jave se estende para todas as nações. A eleição de Israel não exclui outros povos. Apenas que escolheu Israel para seu povo.


6.2 Amós

Amós é pastor em Técua, as margens do deserto de Judá. Foi enviado por Deus ao norte. Exerce sua pregação durante o reinado de Jeroboão, por volta do ano 760 a.C., século VIII. Época de expansão e riqueza, mas onde existe muita miséria para o povo e a riqueza dos santuários não condiz com a pobreza religiosa.


Ambiente

Após um período de crise pela divisão do império do norte e do sul, começa uma fase de prosperidade em Israel. Uma fase de esplendor, de conquistas, comércio, prosperidade e luxo, mas para o povo pobre resta a desigualdade social. A riqueza é acumulada nas mãos de poucos enquanto o povo não usufrui a riqueza. Religiosamente, também atravessam um período de sincretismo, construção de santuários e extremo ritualismo. Havia uma compreensão errada da eleição divina. O beneficio de Deus não gerava generosidade, mas auto-suficiência e superioridade. A aliança tornou-se letra morta.

Politicamente, a situação problematiza-se com a subida ao trono de Teglat- Falasar III (745 a. C.) com seus sucessores (Salmanasar V, Sargon II Senaquerib) que implantam uma politica imperialista de dominaçao de toda região do Oriente Médio. A Assíria transforma a região num grande campo de batalha.

Com o tempo, a Assíria ataca Damasco permitindo que Israel recupere parte do território perdido nas outras batalhas. Com o rei Jeroboão II, alcança-se uma riqueza e prosperidade. aumento da produção agrícola, têxtil e das tintas. O bem-estar oculta a decomposição social. Os ricos cometiam desonestidades com os agricultores: falsificavam os pesos e medidas, burlavam leis, subordinavam juizes para dar ganho de causa contra os interesses dos pobres.


Mensagem

O tema do castigo é preponderante na profecia de Amós. No livro das visões ( cc7-9), existe uma conversa entre Deus e o profeta sobre a intenção de castigo divino e a intercessão do profeta. Mas na quinta visão, Deus promete um terremoto que abre a porta para uma catástrofe militar. De fato, anos depois as tropas da assíria invadem Samaria e o reino do norte desaparece. Mas falar isto no tempo de domínio e soberania como era em Jeroboão foi considerada loucura. O profeta anuncia as causas do castigo de Deus: explica uma serie de pecados cometidos pelo povo que merecem a reparação de Deus- luxo, falso culto, injustiça, falsa segurança religiosa.

Injustiça social. A riqueza violenta o direito do pobre. A injustiça atenta contra o próprio Deus. O enriquecimento acontece às custas da exploração dos pobres. Os comerciantes mudam as medidas do peso, os juizes se corrompem contra o pobre.

Culto falso. O verdadeiro culto é aquele de reta intenção interior. Não deve ser o puro ritualismo enquanto se nega a justiça aos pobres. A intenção da religião era manipular a Deus fazendo eliminar a pratica ética com o agrado de sacrifícios e ofertas. O profeta reage severamente contra a falsificação da idéia de Deus. As peregrinações aos santuários de Betel e Guigal para oferecer sacrifícios não basta para agradar a Deus.

Falsa segurança. A falsa idéia de que a eleição divina do povo de Israel era garantia de salvação.O povo sente-se protegido por ser o povo eleito. A eleição não é um privilégio,mas antes um serviço ao outro. Existe a expectativa do “dia do Senhor” como sendo um dia de esplendor e triunfo que todos terão bem-estar. Amós critica toda esta situação. No capitulo 5, 4-6, mostra a esperança que a catástrofe não aconteça. Pede para procurar o Senhor, não apenas com ofertas, mas com a pratica da justiça. É a única maneira de escapar do castigo.


6.3 Oséias

Sobre o profeta não há muito conhecimento. Apenas de seu pai, Beeri e de sua mulher Gomer. Deste casamento tiveram 3 filhos, com seus nomes simbólicos: Deus semeia, Jezrael; aquela que não recebeu compaixão, lo’ ruhamâ; não-povo-meu, lo’ ammi. Sobre seu casamento, os estudiosos permanecem com muitas interrogações. Alguns dizem que sua história inicial é apenas ficção literária, outros que Oséias casou-se com uma prostituta e outros ainda que Gomer era uma moça que mais tarde abandonou Oséias. Ela era um benjaminita, no reino do norte. Sua história mostra que se casou com uma mulher que o abandona. Mas após recebeu-a de volta. Essa experiência se torna símbolo para a religião de Israel. Um povo que faz aliança com Deus, trai sua fidelidade com deuses cananeus e volta a fidelidade ao seu Deus libertador.

Ambiente:

Sua atividade profética inicia nos últimos anos do reinado de Jeroboão II (782- 753) pouco tempo depois de Amós ser expulso do norte. Nasceu e cresceu um pouco depois do esplendor de Israel. Após o reinado de Jeroboão, de 30 anos, tivemos na história da monarquia uma serie de assassinatos e traições dentro da corte. Foram 6 reis em 30 anos de história revelando a crise política e a busca de poder existente.

Aumento do poderio militar assírio. No ano de 745 sobe ao trono da Assíria Teglat-Falasar III e forma um exímio exército. Israel teve de pagar altos tributos a Assíria. Temos internamente a crise dentro do exercito de Israel, o pagamento de impostos aumentam a tensão no país. No governo de Faceias, Israel deixa a neutralidade política e faz união com Damasco contra Judá. A Assíria vem em socorro de Judá e arrasa com Damasco. Quando o rei Oséias assume no lugar de Faceias deixa de pagar o tributo provoca o cerco de Salmanasar V que destrói o reino de Israel em 722.

Na âmbito religioso, o povo estabelecido em Canaã tornou-se agricultor e fixo na terra. Sua compreensão passa a ser que o Deus nômade do deserto não mais atendia a necessidade de chuva que o agricultor necessita. A garantia viria de Baal, deus cananeu. O culto era prestado a deus Baal, o deus da fertilidade. Javé continuava a ser o deus de Israel, mas era Baal que atendia às suas necessidades.

Mensagem:

Oséias também tem uma mensagem de busca de justiça social, denuncia das injustiças, da corrupção da corte e do culto vazio. Sua critica é contra a idolatria, que se manifesta em duas correntes: a cultual e a política. O culto a Baal transgride o primeiro mandamento da lei de Deus. Na política, as alianças que Israel faz com povos vizinhos para buscar a segurança são criticadas. Não deve-se buscar a segurança fora de Deus, na força dos soldados, carros e cavalos. O povo esquece de Javé. Pela falta de confiança em Iahweh, fez alianças com nações estrangeiras em busca de segurança. Oséias também critica fortemente o passado de Israel, o fato da instauração da monarquia como algo contra a vontade de Deus. É como a história do matrimonio, onde a esposa abandona seu marido. Mas ao contrario de Amós, o amor triunfa sobre o juízo. Deus acolhe gratuitamente a volta do povo pecador. Acontece uma inversão da lógica até então. Normalmente acontece primeiro a conversão para depois o perdão; a novidade é que primeiro Deus perdoa para depois vir a conversão.

Século áureo da profecia


6.4 Miquéias

No sul, temos a critica social do profeta Miquéias. Miquéias e Isaias vivem no contexto conturbado na política internacional. Nasceu em Moreset-Gat, aldeia de Judá. É um ambiente próximo a uma pequena comunidade de agricultores que sofrem com as injustiças sociais. Sua atividade acontece Durant e o reinado de Joatão, Acaz e Ezequias, 740-698. Sua atividade inicia com a queda da Samaria em 722. A ameaça da Assíria é forte e o seu avanço contra Judá é inevitável. Em Judá temos a concentração de renda, o êxodo para a cidade, violência dos chefes contra o povo.


Mensagem

O profeta se apresenta como grande defensor da justiça. Parte do fato da apropriação de casas e campos por parte dos poderosos. O fenômeno é mais complexo, trata-se da terrível exploração que o povo sofria. Denuncia a divisão da classe social. De um lado os proprietários de terra, autoridades civis e militares, juizes e falsos profetas e de outro o povo pobre. O profeta chama atenção para a utilização de Deus para legitimar a situação de injustiça. Pensam que Deus esta do lado deles com o apoio dos falsos profetas. Temos uma falsa crença religiosa, os falsos profetas pacificam a consciência critica da população injustiçada. O Senhor não fica indiferente e essa situação. Miquéias anuncia o juízo de Jerusalém e Samaria pela idolatria e pela injustiça.


6.5 Isaias

O profeta Isaias deve ter nascido em torno do ano de 760 provavelmente em Jerusalém.

Divide-se em três grandes partes relatando 3 grandes momentos da situação histórica de Judá. Primeiro Isaias de 1 a 39. Temos uma teologia davídica; o messias, novo Davi virá glorioso reinar sobre o povo; a infidelidade do povo merece castigo. Segundo Isaias dos capítulos 40 a 55 destaca-se Deus criador e redentor. E o terceiro, os capítulos 56 a 66, temos maior interesse pelo culto. Sua profecia acontece no sul, tem destaque especial a cidade de Jerusalém pela teologia da eleição e pela dinastia davidica. Seus textos são parecidos aos de Amós que tinha pregado a tempos antes em Judá. A riqueza dos reinantes não condiz com a situação de pobreza dos seus moradores. Criticam a falsificação do culto que serve para legitimar a injustiça cometida pela monarquia.


Ambiente

A primeira etapa de sua profecia acontece durante o reinado de Joatão ( 740-734). Nota-se um período de crescimento econômico e de independência política. Mas Isaias, ao mesmo modo que Amós no norte, percebe numerosas injustiças e corrupção das autoridades. Jerusalém deixou de ser a esposa fiel para trair a fidelidade de Deus. Sua mensagem é de volta a fidelidade. Durante o reinado de Acaz (734-727): a situação de bem-estar começa a ficar ameaçada pela guerra siro-efraimita, a união de Damasco e Samaria contra Jerusalém. Isaias critica energicamente o medo de Judá com a situação de guerra. O medo revela a falta de confiança na promessa divina.

Durante o reinado de Ezequias: com a morte de Acaz, Ezequias assume o trono com apenas 5 anos de idade. Quem administra é um regente até a idade adulta do rei. Em 714, assume o trono e movido por desejo de reforma política e religiosa está propenso a fazer rebelião contra o tributo pago a Assíria.


Mensagem

Sua denuncia social recebe influência de Amós. Também denuncia a injustiça e a exploração do povo que não tem ninguém para defendê-lo. Sua postura política recebe influencia da tradição da eleição e da descendência de Davi. Deus é a maior segurança que Judá pode ter. A resposta a promessa de Deus é a fé. Ela não coloca sua esperança nas mãos humanas, mas conta com a ação de Deus. Critica o rei Acaz por não confiar na segurança de Deus contra as ameaças da Assíria. Sua necessidade de alianças com outros povos é considerada uma falta de fé na fidelidade e eleição de Israel.

Eleição divina de Jerusalém e da dinastia de Davi na qual se fundamenta a esperança do povo de Israel. Ainda que o povo se revolte contra seu Deus, restará um pequeno resto de Israel. A cidade de Jerusalém tem papel fundamental na teologia porque é o lugar da morada permanente da presença de Deus. O primeiro Isaias assume a eleição divina e a linhagem de Davi para falar da vinda do messias davídico. No primeiro Isaias temos o “livro do Emanuel”. Na seção 5, 26 a 9,6 acontece a dinâmica da promessa de uma messias libertador. Durante a invasão siro-efraimita oferece alguns sinais de libertação. A seção inicia com o momento de trevas provocado pela invasão e conclui com a paz messiânica instaurada pelo nascimento de um futuro rei. O filho nascerá de uma jovem virgem capaz de ter filhos (alma). Em tempos de crise, o nascimento do futuro rei é sinal de esperança para o povo.


Segundo Isaias

Autores indicam que nasceu durante o exílio da Babilônia. A característica, séc. VI, é de decadência do império babilônico e o aparecimento de uma nova potencia: a Pérsia. A mudança radical acontece em 539 quando Ciro vence a Babilônia.

No segundo Isaias temos a situação de esperança do povo durante o exílio. O sonho de voltar a Jerusalém era animado com os cânticos de Sião, recordações e saudades da cidade antiga. Com o tempo, a esperança se perdia. Quando o rei Ciro promete a volta, muitos se alegraram, mas poucos quiseram voltar. O tema central do segundo livro é a restauração de Israel, a volta do exílio. Trata da vitória de Deus sobre o deus babilônico. A quem deve-se atribuir a libertação do povo: a Javé ou a Marduk, deus do novo império? A mensagem do deutero-Isaias está responde a problemática religiosa.

No segundo livro temos a imagem do servo sofredor. O servo traz a salvação eterna. Até então tinha-se a idéia do sofrimento como pedagogia de Deus, mas nunca tinha-se pensado no caráter redentor do sofrimento. O deutero-Isaias proclama que o grão de trigo não morre, não produz fruto.


Trito-Isaias

Na terceira parte temos o esquecimento do tema do retorno e da reconstrução do Templo. A Babilônia não aparece mais como inimigo. A dificuldade provem do desanimo e do pervertido ambiente religioso. Esta parte do livro de Isaias tem ligação com o deutero-Isaias. No segundo livro anunciaram a salvação e a restauração do povo, mas a realização da promessa foi mais modesta que o profeta imaginava. A resposta do III Isaias não deixa duvidas: “Vê, a mão do Senhor não é tão curta que não possa salvar, nem seu ouvido é tão duro que não possa ouvir. São as nossas culpas que criam separação entre vós e o vosso Deus. São os nossos pecados que escondem a face dele para que não nos ouça” (Is 59, -2). Sua mensagem é que Deus quer salvar a todos, mas espera a conversão e colaboração do ser humano.


Apogeu da profecia


Após uma época áurea da profecia, temos um longo período de mais ou menos 75 anos de silencio da profecia. Provavelmente atribuímos esta causa ao reinado de Manasses, um terrível rei que derramou sangue de muitos inocentes. Não havia espaço para nenhum tipo de confronto contra esse rei. Apenas comenta-se poucas paginas sobre o profeta Naum. Sua mensagem prevê a destruição de Nínive, capital dos Assírios.

Mas é no final do século VII que voltamos a ter um grupo de profetas importantes: Sofonias, Habacuc e destaca-se Jeremias.

6.7 Jeremias

Nasceu em Anatot, povoado próximo de Jerusalém, pertencendo a tribo de Benjamim.

Ambiente

Jeremias vive num período bem distinto da historia do reino do sul. O acontecimento que divide os dois períodos é a morte do rei Josias, 609. Antes temos um período de otimismo, pela independência política em relação a Assíria. O segundo momento de decadência pela dominação do Egito e depois da Babilônia. Internamente, corrupção, injustiça social e falsa religiosidade. Estamos perto da queda do reinado do Sul: Judá desaparece definitivamente em 586 diante dos babilônicos.

Mensagem

A palavra que mais chama atenção nos escritos de Jeremias é a conversão. Estende isto como uma profunda mudança cultual, social e mentalidade e principalmente político. Aceitar o jugo de Nabucodonosor foi o sinal mais forte da necessidade de volta ao Senhor. O livro de Jeremias mantém viva a esperança do povo. No relato da sua vocação, o Senhor chama para arrancar e destruir, edificar e plantar. Oferece uma mudança de sorte, renovação da aliança de Deus com o seu povo.

Com a primeira deportação, Jeremias continua a anunciar o retorno do povo. É considerado blasfemo pelos seus. Na simbologia da compra de um terreno (Jr 32,1+), temos a imagem da confiança e esperança na promessa de Deus. Não cessa de anunciar a salvação, tanto para os desterrados como para os que ficaram em Judá, mas para ambos é necessária a conversão.


6.8 Ezequiel


Este profeta é contemporâneo de Jeremias. Sua atividade acontece totalmente na Babilônia. Vive os mesmos acontecimentos, mas com um ponto de visto diferente. Analisa a queda de Judá a partir da sua vida na Babilônia.Em 586, acontece a queda de Jerusalém e mais um grupo de exilados parte para Babilônia. O povo perdeu tudo: a terra prometida, a cidade santa, o templo. Nem mesmo a esperança da volta lhes resta ou a segurança da eleição divina. Ezequiel é um dos protagonistas da mensagem de esperança que surge neste tempo. Ainda existe espaço para a restauração de Israel.

Ambiente e mensagem

A maioria dos comentaristas divide em duas partes a mensagem de Ezequiel. Antes da queda de Jerusalém: os conflitos internos do reino babilônico aumentam a esperança dos exilados no fim do castigo de Deus. Esperam que seu rei Jeconias seja libertado e possam voltar para a Palestina. O que menos se espera é a destruição de Jerusalém. Mas a atitude do profeta surpreende porque pede para os exilados construírem casa e busquem a prosperidade do país. O profeta denuncia os diversos pecados que a capital de Judá comete contra o seu Deus. Critica toda a história de Israel, cheia de pecados contra a aliança de Deus. Ao contrário, o povo preferiu fazer alianças com potencias nacionais desconfiando da proteção prometida por Deus ao seu povo eleito. Ezequiel anuncia o castigo a Judá e Jerusalém. No primeiro período, evidencia-se a queda de Jerusalém e falsa esperança que o povo alimentava.

Depois da queda de Jerusalém: passada a queda, o profeta muda o enfoque de sua critica. Aparecem os responsáveis pela catástrofe: os príncipes, sacerdotes, nobres, profetas e latifundiários que acumulam crimes na cidade. Mas depois de mostrar os responsáveis, o profeta anuncia que o próprio Deus apascentará o seu rebanho (Ez 34). Abre-se um tempo de esperança, onde as cidade serão povoadas, renovação da natureza e o principal, o Senhor derramará o seu espírito e renovará o coração dos homens. A passagem da destruição para a salvação é bastante clara no livro do profeta Ezequiel.



Profetas da restauração (538-420)


A restauração de Israel acontece com a queda da Babilônia e o surgimento do império Persa. Ciro teve tolerância e permitiu a religiosidade da região conquistada, isso facilitou a reorganização da religião judaica. Os que voltavam da palestina encontraram a realidade bem diferente daquela deixada antes do exílio. Jerusalém era administrada pela Samaria, o que dificultou a realização sonho da reconstrução. Tiveram muitas dificuldades para reorganizar a comunidade judaica. Neste contexto são lidos os profetas: segundo Isaias, Ageu e Zacarias.

Mas a comunidade ainda sofre muitas dificuldades. A inauguração do Templo em 515 não solucionou todas as crises:casamentos mistos, busca urgente de identidade, fé sem sinais específicos, uma geração que não conhecia o Templo, cultura diversa com babilônicos, persas, samaritanos. Não era essa a situação esperada pelos que voltaram. Mas os profetas não deixaram morrer a esperança: reacende a mentalidade messiânica e escatológica.

A reconstrução da comunidade completa-se mais tarde no reinado de Artaxerxes I (465-424) com o trabalho de Neemias na ordem político-administrativo e Esdras na estrutura espiritual. Esdras organiza a comunidade em torno da lei.

Israel começa um período de semi-autonomia regida pelo Sumo-sacerdote. Tem-se a separação dos samaritanos, impostos para o Templo, o hebraico sendo substituído pelo aramaico. Na conquista do império grego, começa um período de helenização e as revoltas de caráter escatológico dos macabeus.


6.9 Esdras e Neemias

Neemias ( Deus consola)esteve duas vezes na província de Judá. Na primeira sua principal tarefa foi reconstruir e repovoar Jerusalém a fim de transferir para o monte de Sião a capital da província. A partir dela reorganizar o culto em torno da cidade santa. Reconstruindo as muralhas de Jerusalém temos a recuperação da identidade da comunidade judaica. Para a reconstrução da cidade, Neemias recrutou diaristas para trabalhar. Durante os trabalhos houve revoltas sócias que obrigaram-no a realizar reformas sociais para amenizar a pobreza. Neemias atendia aos interesses da Pérsia, ao mesmo tempo promoveu melhorias nas condições sociais. Os persas não admitiam revoltas exaltadas por parte dos dominados. E certamente sem o intermédio de Neemias, haveria mais lutas e dominação dos judeus.

Esdras ( Deus é auxilio) era sacerdote e especialista na lei judaica. Sua missão é ensinar a lei de Moisés e legitimar teologicamente as reformas políticas de Neemias. Ele deve recuperar a identidade do povo judeu enfraquecido pela destruição do Templo, exílio e mistura de raças. enfrentava pouca motivação e esperança pela recuperação de Israel. Para realizar a organização releram toda a lei de Moises e fizeram acréscimos para o funcionamento do culto.

A reflexão ao redor da lei ficou sendo a ponto de unidade da reconstrução da religião judaica. Evidente que a leitura dos Evangelhos e epistolas tornaram o sentido da lei negativa. Mas originalmente, a lei tinha sentido positivo. Era a instrução de Deus, promoção da vida.

Tivemos a valorização do sábado que juntamente com a circuncisão e a observância da lei eram sinais da aliança de Deus e distinção dos judeus em relação a outros povos. Foi proibido os casamentos mistos para garantir a pureza e identidade do povo. Causou fechamento do povo, sentimento de superioridade e desprezo das outras religiões, desprezo dos estrangeiros e expulsão das mulheres estrangeiras. As mulheres são o grupo que mais sofre com a busca de pureza. Foram expulsas do templo por gerarem vida e terem contato com sangue.

Com essas tendências, Esdras e Neemias lançam as bases para a formação do judaísmo que será mais tarde criticado por Jesus. Neste período surgem os escribas, especialistas na lei. Podemos falar de um judaísmo formado depois do exílio, restaurado que é diferente do judaísmo antes da queda de Judá. Como ponto positivo temos a formação da identidade da comunidade que se manteve viva apesar do exílio e destruição de toda a simbologia que unificava sua religião. Seu ponto negativo é o rigorismo da lei que causou exclusão de muitos.

6.10 Daniel (Deus é o meu juiz)

Parece ser um adolescente que foi chamado para o serviço da corte. Fiel a lei mereceu proteção de Deus. Interpretou sonhos, teve visões e ajudou a descobrir fraudes dos sacerdotes de Bel.

Encontra-se neste livro a aproximação da profecia com a linguagem apocalíptica. Ambos possuem a mesma base: a afirmação que Deus é o Senhor da história. o dia do Senhor será de terror e trevas. Afirma que durante o tempo de dominação de Satã no mundo, Deus vencerá e fará surgir um novo céu e nova Terra. O povo judeu que tanto sofreu com a invasão dos povos estrangeiros pede ao Senhor que triunfe sobre o mal. A linguagem apocalíptica encontra-se também nos livros de Zacarias e Joel, mas é centrado no livro de Daniel no tempo dos Macabeus, por volta de 167-163 a. C.

O livro retoma os elementos fundamentais da fé judaica para enfrentar as civilizações pagãs, onde seus reis são divinizados. Tem a intenção de firmar o monoteísmo judaico. O livro insiste na fidelidade a Deus para enfrentar o sincretismo da época. O profeta anuncia através da linguagem apocalíptica, a vinda do Senhor que julgará e condenará a situação de pecado da humanidade. Mas no final o mal será vencido mostrado nas imagens da estatua que cai, do animal que morre, na morte do bode e na morte de Belshasar. Valoriza a eleição de Deus para Israel. É a nação depositaria da promessa do reino de Deus. O profeta Daniel trata pela primeira vez na Bíblia da ressurreição individual.

No livro de Daniel temos a significativa expressão “Filho do Homem”. Percebe-se que no Antigo Testamento vai avançando a idéia do messias e redentor. Não se trata apenas do filho do rei Davi, mas transcende a imagem. É na forma de Filho do Homem que vem sobre as nuvens que vem realizar o reino de Deus na Terra.




6.11 Livro dos Macabeus


Os livros dos macabeus foi escrito no ultimo século antes de Cristo. No primeiro descreve a revolta dos judeus fieis a lei contra o rei seleucida sírio Antíoco IV, entre 175- 135 a. C. O segundo livro parte um pouco adiante até a vitória de Judas Macabeu contra o general sírio Nicanor em 163.

O livro quer mostrar a fidelidade absoluta em relação a lei. No ambiente pagão, fazer sincretismo com outras religiões significa negar a fé dos primeiros pais. O judeu que vive no ambiente pagão deve estar pronto para o martírio. Depois de séculos de dominação, os judeus puderam sentir realizar o sonho de independência política, o que não acontecia desde a destruição do Templo em 586. Sabemos que logo a independência cai na dominação romana ainda no último século antes de Cristo.



7 SALMOS


A palavra salmo vem do grego psalmói, que significa canções para instrumento de cordas. Em hebraico, língua original dos salmos se diz sefer tebillim, que quer dizer simplesmente “livro de cânticos”.

Os salmos são atribuídos 73 ao rei Davi, 12 a Asaf, 11 aos filhos de Core, 2 a Salomão, 1 a Moisés, 1 a Hemã e 1 a Etã. Os outros são anônimos.

Os salmos são divididos em três grandes grupos

- Os de louvores;

- As orações de pedido de socorro, de confiança e de ação de graças;

- Os salmos de instrução.

Os gêneros literários dos salmos

  1. Os Salmos de Súplica: estão presente diante de situações limites da vida e que necessita de intervenção de Deus, são os mais numerosos, 32 salmos;

  2. Os Salmos em forma de Hino: são cânticos de louvor, 14 salmos;

  3. Os Salmos de Ação de Graças: são agradecimentos a Deus pelos benefícios Dele recebido, 12 salmos;

  4. Os Salmos de Liturgia centralizadas num oráculo: são equiparados aos de súplica por terem a primeira parte em forma de pedido, 08 salmos;

  5. Os Salmos Régios: colocam em cena uma entronização de um rei; 07 salmos;

  6. Os Salmos do Reino: semelhante aos régios, mas sendo uma entronização simbólica, a de Yahweh – Rei, 09 salmos;

  7. OS Salmos Cânticos de Sião: tem estrutura de um hino, porém iniciam imediatamente com o louvor sem um invitatório hínico, 05 salmos;

  8. Os Salmos de peregrinação: cantam a alegria dos peregrinos que chegam às portas do Templo, 04 salmos;

  9. Os Salmos graduais ou “cântico das subidas”: levam em conta a reconstrução do Templo após o retorno do exílio, 15 salmos;

  10. Os Salmos de pedido de benção: invocam o nome de Deus sobre os filhos de Israel para que os abençoe, 02 salmos;

  11. Os Salmos do ritual da Aliança: devem ser compreendidos na perspectiva da renovação da Aliança, 16 salmos;

  12. Os Salmos de ensinamento profético contra os ímpios: o profeta combate ou previne o povo das tentações oferecidas pelos ímpios, 15 salmos;

  13. Os Salmos do hóspede de Yahweh: Yahweh armou sua tenda no meio do seu povo, 12 salmos.

Alguns salmos refletem o ambiente da cidade: o salmo que fala do vigia noturno (Sl 130,6-7). Outros são do campo: o salmo em que o sofrimento do povo e descrito com a imagem do arado que passa pelas costas do torturado (Sl 129,3). Alguns foram feitos na Palestina (SL 122), outros na Babilônia, durante o exílio (Sl 137). Eles vêm de todo o canto e lugar.

8 OS LIVROS SAPIENSIAIS E POÉTICOS

Assim como o Pentateuco foi atribuído a Moisés e os Salmos a Davi, assim também grande parte da literatura sapiencial foi atribuída a Salomão. Tradicionalmente é ele o autor dos livros: Provérbios, Coélet, Sabedoria e Cântico dos Cânticos. Com exceção do livro dos Provérbios foram atribuídos a ele pelo fato dele ter um indiscutível interesse pela sabedoria.

Livro dos provérbios: como o conhecemos, é o resultado de um longo processo de crescimento. A atividade cultural e literária que produziu a obra começou na era de Salomão e o livro parece ter recebido sua forma final no século V ou IV a.C. No livro dos Provérbios concebemos um mundo dividido entre os sábios e os insensatos e que os sábios só pode encontrar a sabedoria quando se voltar a Deus e o escutar (Pr 15,33).

Livro de Jó: é difícil determinar a data e o autor do livro, provavelmente seja um xeque edomita e o lugar do cenário é Edom, pertence ao período pós-exílio, a data provável seja no fim do século V a. C. O livro combate a compreensão tradicional de retribuição e ajuda a compreender o problema do mal neste mundo e do sofrimento humano. Jó foi capaz de mostrar que o sofrimento não pressupõe pecado naquele que sofre e pode ser totalmente independente de culpa.

Livro de Coélet (Eclesiastes): este livro é atribuído a Salomão pelo que identifica o inicio do livro (Ecl 1,1), mas muitos exegetas dizem que pela sua linguagem ele se encontra entre o livro de Jó e Sirac e que mais provavelmente tenha sido escrito no século III a. C. Seguem em parte o pensamento de Jó porém, acrescenta que a felicidade nunca é direito do homem, seu dever é aceitar o que quer que venha das mãos de Deus (Ecl 7-14).

Livro de Sirac (Eclesiástico): seu autor é um chamado Jesus, que no final se denomina de Sirac (Eclo 50,27). A espiritualidade do livro se baseia na fé no Deus da Aliança, fé que se mostra em obras de culto e na prática da justiça e da misericórdia para com o próximo.

Livro da Sabedoria: é atribuído a Salomão (Sb 7-9), é possivelmente o ultimo livro do Antigo Testamento, escrito por volta da primeira metade do século I a. C. De certa forma ajuda a compreender as inquietações de Jó, pois procura responder dois problemas: a imortalidade da alma, e a personificação da sabedoria.

Livro do Cântico dos Cânticos: é atribuído a Salomão (Ct 1,1), mas ele não é o seu autor, como tampou ele o é do Eclesiastes. Sua linguagem é muito posterior a Salomão. O Cântico dos Cânticos toma seu lugar na Bíblia como a exaltação do amor humano. Porém, sua linguagem, a do amor, parece ousada aos ouvidos dos ocidentais, mas é preciso observar que no Antigo Testamento se usa o mesmo verbo e o mesmo substantivo para designar o amor humano e o amor divino.


BIBLIOGRAFIA


FLORA ANDERSON, A. [et al.]. A história da palavra I. São Paulo: paulinas; Valencia: Siquém, 2003, coleção livros básicos de teologia, vol II.

SICRE, Jose Luis. Profetismo em Israel. Petrópolis: vozes, 1996.

______. Introdução ao Antigo Testamento. Petrópolis: vozes, 1995.

Coleção “Uma introdução à Bíblia. Ildo Bohn Gass. CEBI.

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