A SACRAMENTALIDADE NA IGREJA


1.Conceito de sacramento

A palavra Sacramento vem do latim Sacramentum que quer dizer juramento Sagrado (segundo tradição dos romanos). Tertuliano chama de “sacramento” a promessa de fidelidade feita pelo batizado. Na tradução da palavra Grega Mystérion dos textos originais no Novo Testamento, muitas vezes se empregou a palavra Sacramento.

Certo é que o conceito de Sacramento é muito amplo. O conceito teológico tradicional remonta a Santo Agostinho que, a partir de sua filosofia neoplatônica, distingue entre sacramentum (Sinal) e “virtude” ou res sacramenti (realidade invisível). Diz que o sinal sacramental indica duas coisas: a) Uma posição já realizada no homem, sem a qual não teria sentido a celebração do sacramento; b) a virtude salvífica (graça), que é comunicada por meio do mesmo. Em resumo para santo Agostinho, sacramento é “sinal de uma coisa sagrada”.

Segundo ele, os sacramento no Antigo Testamento prometiam a salvação. No Novo Testamento a comunicam, isto é, são eficazes. Mas, não insiste na instituição por Jesus Cristo. Segundo ele a palavra humana deve interpretar o elemento material do sacramento: “Tira a palavra, e que é a água senão água? Acrescenta a palavra ao elemento e faz-se o sacramento tão visível como a própria palavra”.

Para Tomás de Aquino, “o sacramento é sinal de uma coisa sagrada enquanto santifica os homens. Segundo ele, os sacramentos são meios que contém imediatamente em si a graça. A ele remonta a distinção aristotélica da matéria e forma dos sacramentos. A Forma é a palavra, enquanto a matéria é uma coisa material (um gesto, água, pão, vinho etc.)

O Concílio e Trento aceitou substancialmente a doutrina de Tomás de Aquino sobre os Sacramentos em geral. Mas não deu uma definição explicita. Definiu a instituição dos sacramentos por Cristo e o número de sete (DS 1601), suas diferenças qualitativas em relação aos sinais da antiga aliança (DS1602), a necessidade dos Sacramentos para a salvação, ou, pelo menos, do desejo de recebê-los (DS 1604), a causalidade sacramental (DS1606) como também o conceito de opus operatum (DS 1608) e a relação dos sacramentos com a Igreja, seja no que se refere a quem os ministra, como representante da hierarquia (DS 1610), seja pela intenção que este deve ter, de fazer o que faz a Igreja (DS 1611). Em resumo, segundo Trento, os sacramentos são sinais de salvação entregues a Igreja, instituídos por Cristo, constituídos por um elemento criado e pela palavra que a Igreja pronuncia.

Os sacramentos são acontecimentos de salvação pelos quais Deus intervém na vida dos homens, através de seu Filho Jesus Cristo e do Espírito Santo, na Igreja. São sinais experienciáveis de modo tangível (água que lava e purifica, óleo que unge, imposição das mãos que comunica um poder, pão e vinho que alimentam, etc.)- dimensão antropológica.

Todo sacramento se manifesta como Graça de Deus e exige de nós uma resposta.

Os sete sacramentos estão contidos, como em sua fonte na Encarnação, Vida, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, o Sacramento originário fundamental pois, Jesus Cristo é o Sacramento do Pai.

Toda existência do cristão é marcada por esta experiência da Graça dos Sacramentos. Através da sacramentalidade, toda a existência do cristão torna-se ‘sacramental’ (Fl. 1).


2-A Igreja como Sacramento de Salvação

O Concílio Vaticano II inseriu no texto conciliar a definição sacramental da Igreja para significar que sua constituição e missão estão a serviço de uma economia sacramental (DV 2), segundo o modelo da Encarnação.

A LG recorda que a Igreja está em Cristo como um sacramento. A Igreja é sacramento visível de unidade salvífica e Sacramento de Salvação. Assim, Cristo é o Sacramento original, por que Nele se faz visível o Deus invisível e a natureza humana de Cristo cumpre perfeitamente o que diz o Concílio de Trento sobre a natureza dos Sacramentos, por que contém a graça santificante.

A Igreja é sacramento original porque corpo místico de Cristo, templo do Espírito Santo, caminho para a salvação, de que Jesus se serve para fazer chegar aos homens os frutos da Redenção.

A Igreja - Sacramento estende sua ação sobre toda a vida. Faz-se presente em momentos-chave da existência, lá onde a vida experimenta suas raízes mais profundas.


3- A Causalidade dos Sacramentos

A causalidade dos sacramentos não reside na eficácia paradoxal de um rito externo ou de um gesto sensível, mas na existência de uma comunidade, de uma estrutura tangível que, sendo perceptível, como instituição humana e terrena, oculta uma realidade divina, que lhe dá eficácia santificante: é esta realidade divina que a constitui corpo Místico de Cristo.

Nos símbolos e ritos se condensa transparentemente a vida dos Sacramentos: a presença do Transcendente, de Deus. Os ritos exteriores corporificam esta experiência profunda, quem sabe, até inconsciente. Onde se experimenta radicalmente a vida aí se experimenta Deus.

A causa da graça não é o homem e seus méritos. Mas unicamente Deus e Jesus Cristo. Daí dizer-se: o Sacramento age ex opere operato, quer dizer, uma vez realizado o rito sacramental, colocados os sagrados símbolos, Jesus Cristo age e se torna presente. Não em virtude dos ritos por eles mesmos. Eles não tem poder nenhum em si mesmos, apenas simbolizam, mas em virtude da promessa de Deus mesmo, caso contrário estaríamos em plena magia.

O encontro pessoal com Deus, que é fonte da Santidade, realiza-se no organismo social e sacramental da Igreja por meio de cada um dos sete sacramentos, que semeiam e desenvolvem no homem toda espécie de virtude cristã. O ex opere operato, quer revelar com toda ênfase esta verdade. Deus nos amou primeiro. Amor gratuito e total em Jesus Cristo, na Igreja e nos sete sacramentos.

A teologia do ex opere operato quer afirmar a pro-posta sempre presente de Deus e a res-posta do homem à pro-posta de Deus.

É Jesus Cristo que confere eficácia ao rito celebrado (aqui define a força salvífica do rito e não a instituição do rito). O sacramento visibiliza, comunica e realiza aquilo que ele significa. A presença da graça divina no Sacramento não depende da santidade seja daquele que administra o sacramento, seja daquele que o recebe.


4- Instituídos por Jesus Cristo

O Concílio de Trento definiu solenemente que os Sacramentos cristãos foram instituídos por Cristo.

Na Sagrada Escritura não encontramos uma palavra de Cristo que seja argumento da instituição de cada Sacramento. Mas enquanto o plano salvífico tem o Verbo Eterno e pré-existente como autor, podemos dizer que todos os sacramentos, em sua última referência, vem do Verbo Eterno.

O Batismo, a Eucaristia e a Penitência pertencem aos eixos fundamentais da vida humana, pelos quais o homem se sente, de modo especial, referido ao Transcendente, a Jesus Cristo. Os três estão na raiz da própria vida: o Batismo corporifica o nascer novo em Jesus Cristo; a Eucaristia, alimento da vida nova em Jesus Cristo; a Penitência, o renascimento da vida que foi ameaçada de morte fatal pelo pecado.

Inseridos em Jesus Cristo os sacramentos comunicam a vida de Jesus Cristo.

O Batismo, a Eucaristia/Ordem e a Reconciliação/Penitência são considerados de instituição imediata, ou seja pelo próprio Cristo. Já o Matrimônio, o Crisma e a Unção dos Enfermos diz-se, de instituição mediata, ou seja, mediatizada pela Igreja.

Do Cristo pendente no alto da cruz jorrando sangue e água, nasceram os Sacramentos da Igreja” (Santo Tomás de Aquino).


5- A Doutrina sobre os sete Sacramentos.

O número dos sacramentos foi definido na Igreja do Ocidente no século XII, nas várias sumas teológicas depois de grandes divergências e opiniões.

Os sete Sacramentos formam uma unidade orgânica cujo centro são o Batismo e a Eucaristia.

O Concílio de Trento estabelece que o número dos Sacramentos “não é mais e nem menos que sete” (DS 1601) isto é, Batismo, Confirmação, Eucaristia, Penitência, Unção dos Enfermos, Ordem e Matrimônio. Destes, os cinco primeiros são ordenados à perfeição espiritual de cada um em particular e os dois últimos ao governo e à multiplicação de toda a Igreja. De fato, pelo Batismo renascemos espiritualmente; pela Confirmação crescemos na graça e nos fortalecemos na Fé; renascidos e fortalecidos, somos nutridos com o alimento da divina Eucaristia. E se pelo pecado contraímos uma enfermidade da alma, pela Penitência somos espiritualmente curados; espiritualmente (e, se aproveita à alma, corporalmente também) somos curados pela Extrema-Unção; pelo sacramento da Ordem a Igreja é governada e multiplicada espiritualmente; pelo Matrimônio, cresce em seu corpo.

O significado do número sete se refere a situações fundamentais da vida humana- “nó” existencial – no qual se densificam as linhas decisivas do seu sentido Transcendente.

Os Sacramentos são sinais de que Deus nos acompanha ao longo de toda a vida. Qualificam sete situações fundamentais de nossa vida com a graça de Deus. Por isso, o número dos sacramentos cristãos é sete. Mas o essencial, na definição de Trento, não é o número sete. Com esse número, do ponto de vista antropológico, diz que a totalidade da vida humana, na dimensão espiritual e material, é santificada pela graça de Deus, nas situações fundamentais ou nos momentos-chave.

O essencial não é o número sete, mas os ritos contidos nesta enumeração. O número sete deve ser entendido simbolicamente. Sete é o resultado de três mais quatro. Três mais quatro somados formam o símbolo específico da totalidade de uma pluralidade ordenada. Quatro é símbolo do cosmos, do movimento e da imanência. Três é o símbolo do Absoluto (Santíssima Trindade), da transcendência. A soma de ambos, o número sete significa a união do imanente com o transcendente, o encontro entre Deus e o Homem.

A totalidade da salvação se comunica à totalidade da vida humana e se manifesta de forma e significativamente palpável nos eixos fontais da existência.


6- Iniciação cristã

O Batismo, a Eucaristia e a Confirmação são chamados sacramentos da Iniciação cristã. Na palavra iniciação ressoa o sentido mistérico, sobrenatural da participação na salvação cristã na Igreja. O cristão é um “iniciado”, alguém que foi “introduzido” pela graça no mistério de Cristo, sendo-lhe revelados e comunicados os mistérios sublimes do cristianismo. Mas é também uma pessoa que, mediante a iniciação, é chamada a exprimir na vida, como alguém que “já conhece”, o compromisso de uma existência plena.

Nesta progressividade dos três sacramentos, a Eucaristia constitui o cume, em nível pastoral e comunitário. Com efeito, o Batismo introduz no mistério da salvação, mediante a profissão de fé e o banho da regeneração, através do qual o cristão é configurado ao Cristo Crucificado e Ressuscitado. Na Crisma participa da unção com a qual o Espírito Santo Consagrou Jesus no Batismo e marcou os discípulos com o fogo de Pentecostes. A Eucaristia, que é memorial do sacrifício Pascal do Senhor, é o convite-sacrifício no qual Jesus se faz presente e se oferece à Igreja para torná-la seu Corpo.

Se a Eucaristia deve ser normalmente o termo (cume, ápice) da iniciação, ela é também a perene renovação da graça do Batismo e da Crisma, que se recebem uma vez para sempre, porém são renovados no contato vivo com Cristo no seu Mistério Pascal e no Dom inefável do seu Espírito Santo derramado em cada Eucaristia, comunicando em cada comunhão eucarística, como Dom do Ressuscitado e todos aqueles que entram em comunhão com Ele.


6.1- Batismo

O Batismo é o fundamento de toda a vida cristã, o pórtico da vida espiritual e a porta que abre o acesso aos demais sacramentos. Por ele somos libertados do pecado (original e demais pecados pessoais cometido) e regenerados como filhos/filhas de Deus, tornando-nos membros de Cristo, somos incorporados à Igreja e feitos participantes de sua missão (Cat. 1213)

O Batismo é o sacramento da fé (Cf. Mc 16, 16) e a fonte da vida nova em Cristo, fonte esta da qual nasce, se desenvolve e depende toda a vida cristã.

O batizado é marcado pelo caráter sacramental, sinal indelével de pertença a Deus, de indestrutível configuração ontológica (no ser) com Cristo, de relação incancelável com a Igreja.

Pelo Batismo nos tornamos filhos/filhas no Filho.

BATISMO: é o Ressuscitado que diz: “Ide, batizai a todos em nome do Pai, do Filho e do ES”. (Mt 28,19) Em Marcos lemos: “Quem crer e for batizado, será salvo, mas quem não crer será condenado”. (Mc 16,16).

Ele nos traz duas conseqüências imediatas:

- A graça habitual ou santificante que nos torna

1. Filhos de Deus.

2. Membros da Igreja.

3. Residência do Espírito Santo

4. Dá-nos a vida nova, que supera o pecado original.

O caráter batismal que nos faz ser para sempre:

- PROFETAS: fala em nome de

- SACERDOTES: oferece dons sagrados

- REIS: rege uma parcela do reino

O celebrante do batismo é o sacerdote ou diácono. Em caso de necessidade, qualquer pessoa (matéria e forma).

A Igreja Católica considera valido o batismo ministrado nas seguintes Igrejas cristãs não-católicas, entre nós: Igrejas orientais separadas (ortodoxos); Igreja Episcopal do Brasil (anglicanos); Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil; Igreja Evangélica Luterana do Brasil; Igreja Metodista do Brasil; Igreja Apostólica do Brasil (veterocatólica). (cf. ZILLES, 2001)


6.2- Confirmação

Pelo sacramento da Confirmação (os batizados) são vinculados mais perfeitamente à Igreja, enriquecidos de especial força do Espírito Santo, e assim mais estritamente obrigados à fé que como verdadeiras testemunhas de Cristo, devem difundir e defender tanto por palavras como por obras” (LG 11). O específico da Confirmação consiste, pois, em levar à plenitude a nova vida recebida por ocasião do Batismo.

Instituído pelo Cristo Ressuscitado, que disse:

“Recebei o Espírito Santo” (Jo 20,22). “E tu, uma vez confirmado, vai e confirma os meus irmãos”.

Conforme At. 8,14-17: Pela imposição das mãos o discípulo vinculado a Igreja e é-lhe conferido o dom do Espírito Santo.

Gesto Sacramental:

- Imposição das mãos do Bispo

- Unção com o crisma

Efeitos do Crisma:

- Ele nos torna cristãos conscientes, adultos.

- Ele nos dá maior compromisso na Igreja.

- Torna-nos testemunhas de Jesus Cristo.

- Dá-nos posse plena ao Espírito Santo em nós.

O celebrante da crisma é o Bispo, ou um padre por ele delegado especialmente

Pelo Batismo, o Espirito configura a Cristo no seu Mistério Pascal; pela Confirmação, Cristo ressuscitado infunde o Dom do seu Espírito para a edificação da Igreja, enquanto comunidade missionária e de testemunho. No Batismo o Espirito é dado como vida, na Confirmação é dado como força.


6.3- Eucaristia

Última Ceia: Mc 14,22-25; Mt 26,26-29; Lc 22,15-20; 1 Cor. 11,23-25. A exegese costuma distinguir duas tradições: a tradição de Pedro (Mc e Mt) e tradição de Paulo (Lc e 1 Cor).

A Eucaristia é o “mistério da fé” e a síntese dos mistérios da nossa fé. A finalidade da Eucaristia é fazer a Igreja, construir a Igreja, realizar a comunhão com a Trindade e a humanidade. É o Sacramento da presença de Cristo e é o que destingue dos outros sacramentos; com isso, ela não é uma mera e devota recordação, mas a presença efetiva e eficaz do Senhor morto e ressuscitado, que quer atingir todos os homens.

Este sacramento tem um tríplice significado: o primeiro, diz respeito ao passado, enquanto comemora a paixão do Senhor, que foi um verdadeiro sacrifício (corpo imolado, sangue derramado); o segundo, diz respeito ao efeito presente , ou seja, à unidade da Igreja, no qual os homens são e estão reunidos por meio desse Sacramento; o terceiro, diz respeito ao futuro, pois esse sacramento é prefigurativo da bem-aventurança divina, que se realizará na vida eterna; e por isso se reza após as palavras da consagração : “Anunciamos Senhor a vossa morte e proclamamos a vossa Ressurreição. Vinde Senhor Jesus!


7- A presença Eucarística

As afirmações dogmáticas a respeito da Presença Real propostas pelo Concílio de Trento e reafirmadas por outros textos do Magistério da Igreja referem-se à presença verdadeira, real e substancial de Cristo, o modo da presença através da transubstanciação.

A partir das definições dogmáticas relativas à presença real de Cristo na Eucaristia, surgem também dimensões Teológicas e espirituais.


8- A natureza sacrifical da celebração Eucarística

A Eucaristia é, antes de tudo, um sacrifício: Sacrifício da Redenção e, ao mesmo tempo, Sacrifício da Nova Aliança.

O celebrante enquanto ministro daquele Sacrifício, é o verdadeiro Sacerdote, que opera um ato sacrifical, que reconduz os homens a Deus. Todos aqueles porém, que participam da Eucaristia, embora não sacrifiquem com o celebrante, oferecem com ele, em virtude do sacerdócio comum, os seus sacrifícios espirituais representados no pão e no vinho, desde o momento em que eles são apresentados no altar.

O pão e o vinho, apresentados no altar são consagrados para que se tornem verdadeiramente, realmente e substancialmente o Corpo entregue e o Sangue derramado do próprio Cristo. Assim, em virtude da consagração as espécies do pão e do vinho apresentam, na verdade, de modo sacramental e incruento, o próprio sacrifício cruento e propiciatório que Cristo ofereceu na Cruz ao Pai pela salvação do mundo. Só Ele, portanto, entregando-se como Vítima propiciatória, num ato de suprema doação e imolação, reconciliou a humanidade com o Pai.


9- Os sacramentos medicinais.

Reconciliação/Penitência e Unção dos Enfermos, são sacramentos chamados medicinais ou de cura, segundo uma antiga terminologia em sua concepção ao mesmo tempo teológica e pastoral. Sacramentos do encontro com Cristo Redentor, eles supõe a situação do homem na fraqueza do pecado e da doença e são remédio e medicina, cura interior e também, no que tange à Unção dos Enfermos, possível e desejável “cura” da doença.


9.1 – A Reconciliação/Penitência

Através do sacramento da Reconciliação o homem recompõe, restabelece, através da penitência, da confissão dos pecados e da absolvição da Igreja, pelo ministério dos sacerdotes ordenados, a comunhão rompida pelo pecado. Esta comunhão tem uma dimensão Teologal nas relações com Deus, uma dimensão Eclesial, já que todo pecado fere também à Igreja e uma dimensão Pessoal e social, dado que a transgressão do pecado rompe a harmonia da pessoa consigo mesma e com os outros. O remédio deste sacramento é a misericórdia de Deus, que perdoa e reconcilia pelo ministério da Igreja, desde que o homem se aproxime deste sacramento com verdade e sinceridade.

O Senhor instituiu o sacramento da penitência quando, ressuscitado dentre os mortos, soprou sobre os Seus discípulos dizendo: “Recebei o Espírito Santo; àqueles a quem perdoardes os pecados lhes serão perdoados e àqueles a quem os retiverdes lhes serão retidos” (Jo 20, 22-23). O texto de Mt 16, 18-19 apresenta o poder de ligar e desligar. Ou seja, ligar a pessoa ao processo de conversão para depois desligá-la já restituída.


9.2- Unção dos enfermos

A Unção dos Enfermos é a realização do Dom da Fortaleza. Este Sacramento é conhecido também como extrema Unção, mas isso em função de sua prática. Numa dimensão antropológica podemos dizer que este Sacramento sempre é recebido em uma situação limite da vida: Doença e Velhice.

A Instituição deste Sacramento está sugerida em Mt 6, 13 e promulgada em Tg 5, 14-15. Ao ungir as mãos e a fronte, movimento e pensamento, unge a pessoa toda.

A Graça Sacramental deriva da morte e Ressurreição de Cristo (I Pd 2, 24).

Reconciliação/Penitência e Unção dos Enfermos são dois Sacramentos para a vida sobrenatural do cristão, duas típicas celebrações da presença de Cristo na sua Igreja, que vem ao encontro do homem na sua fraqueza – doenças e pecado -, a fim de que lhes sejam perdoados os pecados e ele possa enfrentar, confiante e esperançoso a fraqueza que traz consigo o pecado e a doença e aquele enigma que é sempre para todos o mistério da morte. Nestes Sacramentos celebra-se a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte, pois “por suas feridas fostes curados” (I Pd 2, 24).


11- Os Sacramentos da Comunhão e do Serviço Eclesial

Nos Sacramentos da Ordem e do Matrimônio podemos identificar uma graça particular de serviço, um Dom especial permanente que orienta o ministério ordenado e o amor conjugal consagrado pela graça do sacramento, para um fecundo Dom de si para o outro e com os outros. Dom que se manifesta sob formas diferentes, mas numa necessária complementaridade, o amor de Cristo pela sua Igreja (cf. Ef 5, 24-32)


11.1- O Sacramento da Ordem

Mc 3,13-15 Jesus chama os doze. Jo 20,21 “Assim como o Pai me enviou eu vos envio”.

O ministro ordenado participa ministerialmente do sacerdócio de Cristo naquela dimensão de mediação pela qual Ele é o único Mediador entre Deus e os homens e Cabeça da Igreja e da humanidade. Pela configuração com Cristo mediante o Dom do Espírito Santo recebido pela imposição das mão, os bispos, os presbíteros (e os diáconos) participam no ministério de Cristo Senhor: o ministério da Palavra autêntica da fé (múnus profético), o serviço da santificação e do culto (múnus sacerdotal), a graça e o poder da jurisdição para reunir a família de Deus na comunhão e na unidade (múnus régio/pastoral).

O Sacramento da Ordem está na Origem de todos os Sacramentos. Na Ceia é o próprio Cristo que preside. Ele é o altar, a vítima e o sacerdote.

O Sacramento da Ordem deve ser compreendido a partir da realidade da ministerialidade da Igreja e na Igreja. A Ordem quer dizer, ministério, serviço. (cf. LG 24); e refere-se inteiramente a Cristo e à humanidade e como tal, depende inteiramente de Cristo e de seu sacerdócio único, e foi instituído em favor dos homens e da comunidade da Igreja.


11.2- O Matrimônio

Ef 5, 24-32

Os cônjuges cristãos, pela virtude do Sacramento do Matrimônio, pelo que significam e participam do mistério de unidade e fecundo amor entre Cristo e a Igreja, ajudam a santificar-se um ao outro na vida conjugal bem como na aceitação e educação dos filhos, e tem por isso no seu estado e função um Dom especial dentro do povo de Deus” (LG 11). Portanto, o Matrimônio de dois batizados é Sacramento, isto é, um acontecimento santificado pela graça de Deus, como sinal-sacramento e como acontecimento de salvação.

O consentimento pelo qual os esposos se entregam e se acolhem mutuamente é selado pelo próprio Deus (cf. Mc 10, 9). De sua aliança se origina também, diante da sociedade, uma instituição firmada por uma ordenação divina, a família. A aliança (o vínculo) dos esposos é integrada na aliança de Deus com os homens pois, no dizer do Concílio Vaticano II, o “autêntico amor conjugal é assumido no amor divino” (GS 48)

Os cônjuges participam no mistério da paternidade de Deus e na maternidade da Igreja, a saber, no amor esponsal de Cristo pela sua Igreja.


12- Os Sacramentais

São realidades instituídos pela Igreja e cuja eficácia depende da oração e do uso que delas faz a Igreja. “Pelos sacramentais os homens se dispõe a receber o efeito principal dos sacramentos e são santificadas as diversas circunstâncias da vida” (SC 60). Assim, “a liturgia nos Sacramentos e Sacramentais consegue para os fiéis bem dispostos que quase todo acontecimento da vida seja santificado pela graça divina que flui do Mistério Pascal da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo, do Qual todos os Sacramentos e Sacramentais adquirem sua eficácia” (SC 61).

Essas podem ser coisas, como água benta, ou então ações celebrativas solenes- como as exéquias de um cristão ou simples gesto de benção ou de oração que pretendem evidenciar que toda a realidade do homem, que toda a vida do cristão pode ser dedicada a Deus, pode ser sinal do Amor de Deus pelo homem, como auxílio no seu caminho para a plenitude da vida.

Os sacramentais expressam a totalidade do homem na salvação, a dimensão cósmica da graça, a realidade da comunhão dos santos, a força do Reino de Deus sobre o mal.

Os sacramentais também conferem frutos espirituais, mediante a intercessão da Igreja e a colaboração de quem o recebe. Através desses meios são santificadas as diversas situações da vida. Os sacramentais têm o sentido de conduzir-nos aos sacramentos, de modo especial à Eucaristia.



BIBLIOGRAFIA


ZILLES, Urbano.Os Sacramentos da Igreja. 2ª ed. Porto Alegre: Edipucrs, 2001.

BÍBLIA DE JERUSALÉM.

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA.

CONCÍLIO VATICANO II. Documentos do Concílio Ecumênico Vaticano II. São Paulo: Paulus, 2001.

BOFF, Leonardo. Sacramentos da Vida e vida dos Sacramentos.





Acadêmicos: Vanderlei Barcelos

Elson Selch

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