ECLESIOLOGIA
Tema 8 da Síntese Teológica
A ORIGEM DA IGREJA
A reflexão em torno da Eclesiologia surge apenas em torno do segundo milênio, onde na relação com o Estado, começava a enfrentar problemas, não tendo uma reflexão explícita sobre a identidade e a missão da Igreja. Antes já havia uma compreensão implícita, mas não estava sitematizada, por dois fatores:
A situação histórica não o exigiu;
A Igreja sempre fez parte do edifício dogmático.
O início da sistematização se dá por 4 motivos:
A crise da fusão entre o império e a Igreja: além da oposição que havia, onde ora um e ora outro detinha o poder , começa a surgir um novo tipo de estado independente da Igreja;
A luta entre o Papa e o rei: Bonifácio VIII e Felipe, o Belo;
O laicado defende seus direitos: o monopólio do clero sofre agressões de movimentos anti-eclesiásticos de base espiritualista, integrados por leigos;
O individualismo e o subjetivismo contra a autoridade no conhecimento: surgem as universidades, uma via conciliadora entre a autoridade papal e o império.
Neste contexto vem a bula Unam Sanctam, que reivindica um poder ilimitado e direto sobre os reis por parte do papa e o poder temporal deve submissão. Neste contexto surgem as primeiras obras da Eclesiologia:
De eclesiastica sive Summi Pontificis potestate: de Egídio Romano (1216-1243). O Papa tem a plenitudo potestates, onde seu poder é derivado diretamente da onipotência de Deus;
De regime christiano: (1301-1302), escrita por Jacó de Viterbo, pai da eclesiologia. Primeira obra sistemática, e com ela se dá o nascimento do primeiro tratado De Ecclesia. O reino da Igreja representa a forma mais perfeita do Estado ou da res publica, cujo monarca supremo é o Papa.
Eclesiologia de Trento
O contexto é a quebra da unidade proporcionada pelas idéias de Lutero. Os elementos fundamentais de sua eclesiologia sao:
A auto-suficiência da Escritura (sola scriptura);
A acusação de que a Igreja católica é apostasia da Igreja primeira e a Reformada é a continuidade;
A Igreja é a communio sanctorum, ressaltando a incorporação pela fé (sola fides);
A existência de dois reinos, a Igreja e o mundo;
Valorização do sacerdócio dos fiéis, negação da hierarquia eclesiástica;
Contra o Primado, o concílio é superior ao Papa.
Trento e sua eclesiologia:
A Escritura e a Tradição são princípios e cristérios do conhecimento teológico na Igreja;
A existência da hierarquia na Igreja e nem todos os fiéis são sacerdotes (sacramento da ordem);
Esclarecimento da origem e do poder dos bispos;
O Primado do Papa é jurídico e não de honra.
Renovação da Eclesiologia
Século XIX, um sopro renovador, fruto do movimento romântico;
Substituição do método apologético pelo dogmático – dedução de argumentos bíblicos e da patrística;
Escolas de Roma e Tubinga: reação ao racionalismo e ao liberalismo. Os conceitos resgatados são o reino, vida unidade orgânica e Corpo de Cristo contrastando com os de sociedade, soberania, autoridade, monarquia.
Eclesiologia do Vaticano II
Novas perspectivas: Igreja = Corpo Místico, sacramento de Salvação, povo messiânico, comunidade de amor, pessoa mística e arca da aliança.
Lumen Gentium: traz uma nova visão de Igreja, agora unitária: o visível e o invisível numa simultaneidade. É a redescoberta do mistério da Igreja = a imagem do Corpo de Cristo e a analogia da encarnação do Verbo.
A origem, a fundação da Igreja está em Jesus Cristo, que tomou algumas providências para tal:
Fundamentos na encarnação: a vida toda de Jesus forma o fundamento para a constituição total da Igreja;
Os acontecimentos salvíficos da encarnação, morte, ressureição e vinda do Espírito Santo se constituem como origem histórica da Igreja, ela é obra da Trindade;
A última ceia: foi o grande fato - “Fazei isto em memória de mim”;
O chamado dos discípulos e a escolha dos Doze: Ele os chamou e os vinculou a sua Pessoa e não a uma comunidade rabínica. Os 'Doze' são a prefiguração da nova comunidade messiânica de salvação;
Paulo como apóstolo: elementos do ser apóstolo: encontro com o ressucitado, o encargo pessoal recebido e a convivência com o Senhor durante sua vida terrena;
Plenitude do poder apostólico: os Doze teriam o tríplice poder: dizer se algo é proibido ou permitido, impor uma obrigação ou suspendê-la, excluir alguém da comunidade e readimiti-lo;
A missão de Pedro: Mt 16,13-19; Lc 22,27-32; Jo 21,15s;
A missão do Espírito Santo: em Pentecostes foi determinada e concretizada a estrutura da Igreja, o povo de Deus do Novo Testamento.
Jesus Cristo quis a Igreja, sendo ela fruto de sua intenção clara e opção segura. Jesus colocou os elementos que constituíram os alicerces da Igreja.
SIMULTANEIDADE DO HUMANO E DIVINO
Na Lumen Gentium, número 8, se fala que a Igreja é simultaneamente visível e espiritual. É a unidade indissolúvel entre a idéia da comunhão (koinonia) e a dimensão sacramental da Igreja, em analogia com o mistério da encarnação, que faz com que a Igreja exista em comunhão orgânica. Em outras palavras, na Igreja acontece a unidade orgânica entre as suas duas dimensões que lhe são, por natureza, inerentes: o humano e o divino.
A assembléia visível e a comunidade espiritual, a Igreja Terrestre e a Igreja enriquecida com dons celestes, a sociedade provida de orgãos hierárquicos e o Corpo Místico de Cristo, não devem ser considerados duas coisas, mas formam uma só realidade em que se funde o elemento humano e divino. Essa dimensão também é denominada de carismático-institucional. Esta visão quer apresentar uma nova visão de Igreja, mais unitária e orgânica, que, esquecida no pós-concílio, foi recuperada pelo Sínodo de 1985.
A HIERARQUIA
A Igreja como Povo de Deus se divide em leigos e clérigos. Convém lembrar que, em primeiro lugar, deve-se levar em conta a unidade e a igualdade fundamental de todos os batizados na Igreja. Unidade, porque a Igreja é uma comunhão, fruto da mesma fé e do mesmo batismo, recebido por todos igualmente. Em segundo lugar, vem a diferenciação, fruto da missão ou ministério diferente ocupado na comunidade eclesial.
A diferenciação tem sua origem nos tempos apostólicos, tornando-se mais clara no decorrer do século II. A estrutura da Igreja é determinada pelo fato de nela existir um “estado” de leigos e outro de clérigos. Estado significa um grupo determinado de batizados que exercem uma função ou um ministério determinado na Igreja. Contudo, os cristãos, em virtude do sacramento do Batismo, são chamados a mesma vocação à Santidade, mas exercendo diferentes funções e serviços.
SACERDÓCIO COMUM E MINISTERIAL
Sacerdócio comum: se dirige a todos os batizados. Na Lumen Gentiun 10, diz que Cristo Senhor fez do novo povo “um reino de sacerdotes para Deus, seu Pai”. Os batizados consagram-se para serem edifício espiritual e sacerdócio santo, a fim de que através de toda a sua atividade cristã, ofereçam sacrifícios espirituais e proclamem as grandezas de Deus. Assim, todos os discípulos de Cristo, persevarando na oração e no louvor de Deus, ofereçam-se como hóstia viva, santa, agradável a Deus, dêem testemunho de Cristo em toda a parte; e àqueles que por eles se interessam falem da esperança na vida eterna.
O elemento comum para todos os cristãos é o batismo, que torna a todos iguais. Nessa igualdade podemos destacar três aspectos:
O cristológico: a incorporação a Cristo por meio do Batismo;
O eclesial: integra todos os batizados no povo de Deus;
O missionário: exercido de acordo com a competência que lhe diz respeito. Índole secular:
Evangelizar dentro das estruturas da Igreja, mas também dentro da sociedade; múnus sacerdotal (oferenda espiritual de toda a vida; o protagonismo na participação da vida sacramental e no culto; exercício de diversos ministérios, dentro daquilo que é específico aos leigos), múnus profético (o sentido de fé, o testemunho de vida e a graça da palavra), múnus régio (co-responsabilidade dos fiéis no interior da Igreja).
Sacerdócio ministerial: se dirige aos que receberam o sacramento da Ordem. Agem in Persona Christi. Os ministérios ordenados foram instituídos por Cristo, para organizar e reger o povo de Deus, em nome de todo o povo. Exercem tríplice função: profética (evangelizar), sacerdotal (ministrar os sacramentos-eucaristia), e régia (governar o povo de Deus sob a autoridade do Bispo).
IGREJA POVO DE DEUS
Com o Vaticano II, Lumen Gentium, esta imagem tornou-se importante para a autocompreensão da Igreja. Esta imagem bíblica pode ser caracterizada sa seguinte forma:
Sinal no mundo: está presente neste mundo e para este mundo, mas não em definitivo;
Povo peregrino: que caminha entre a promessa e o cumprimento;
Todos os membros deste povo vivem em unidade, igualdade e comunitariamente;
A participação exige o Batismo;
Povo aberto a todos, universal.
A categoria Povo de Deus é a manifestação do Mistério da Igreja. É o povo eleito, chamado por Deus. A iniciativa é de Deus. O novo povo de Deus é um povo eleito e peregrino, no qual acontece a salvação escatológica, pois nele se cumpre as promessas feitas ao povo de Israel.
Ser povo de Deus, implica:
A unidade de todos que tem fé e receberam o Batismo – exclusão do clericalismo e laicismo;
Todos são Povo de Deus, por chamado de Deus – exclusão do individualismo;
Participar por decisão humana – exclusão da divinização e ativismo;
Reconhecimento prático de sua historicidade – exclusão da idealização.
Participar dos três múnus de Jesus Cristo: Régio, Profético e Sacerdotal.
IGREJA CORPO DE CRISTO
A expressão Corpo de Cristo é tipicamente paulina. A imagem quer superar a compreensão da Igreja apenas enquanto sociedade ou um grupo que se reúne para conservar a memória de Jesus Cristo e seguir seus ensinamentos. A Igreja é entendida como comunidade de fé, testemunhada no batismo. Por Cristo, na Igreja, o mistério da salvação se torna histórico e operativo. Há uma unidade entre cabeça e corpo. Pelo Espírito Santo, no batismo, formamos a unidade interna da Igreja, pela união com Cristo mostramos a unidade externa da Igreja. Esta imagem bíblica tem o seguinte significado:
Cristo é a cabeça, o princípio vital, motor e nutritivo da Igreja;
A multiplicidade de membros indica que a Igreja é constituída por todos os fiéis do mundo todo e de todos os tempos, com diversidade de funções;
A unidade na Igreja é constituída por Cristo, mediante o Espírito Santo;
A dimensão sacramental da união entre Jesus Cristo e as pessoas é a união da Cabeça com os membros;
O DE indica a quem a Igreja pertence, de quem ela recebe o nome. Ela é o instrumento visível com o qual pode continuar sua missão.
VOCAÇÃO E MISSÃO DO POVO DE DEUS
Lumen Gentium 13:
Todos os homens são chamados ao povo de Deus. É por isso que esse povo, permanecendo uno e único, deve dilatar-se até os confins do mundo inteiro e em todos os tempos, para se dar cumprimento ao desígnio de Deus que, no princípio, criou a natureza e decidiu congregar finalmente na unidade todos os filhos que andavam dispersos (Jo 11,52).
Lumen Gentium 12:
O povo santo de Deus participa da missão profética de Cristo: dá testemunho vivo dele especialmente pela vida de fé e de caridade, e oferece a Deus o sacrifício de louvor. A totalidade dos fiéis não pode enganar-se na fé, pois possui a unção que vem do Espírito Santo. Graças a este sentido da fé, o povo de Deus, sob a orientação do magistério e na fiel obediência ao mesmo, recebe a Palavra de Deus, adere à fé, penetra-a mais profunda e convenientemente e a transpõe para a vida com toda a intesidade.
Este povo tem por lei o mandamento novo, de amar com Cristo nos amou; e tem por fim o Reino de Deus, começado já na terra pelo próprio Deus mas que deve ser continuamente desenvolvido para ser também por ele consumado no fim dos tempos. Assim este povo, ainda que atualmente não abranja os homens todos e muitas vezes seja mencionado como pequeno rebanho, é para toda a humanidade um germe fecundíssimo de unidade, de esperança (LG 9).
AS IMAGENS DA IGREJA
LG 6
Redil: cuja porta única e necessária é Cristo. É um rebanho, onde o próprio Deus anunciou haver se ser pastor e cujas ovelhas, governadas por pastores humanos, são conduzidas e alimentadas pelo mesmo Cristo, bom pastor que deu a vida pelas ovelhas.
Lavoura: ou o campo de Deus. Foi plantada pelo Agricultou celeste como vinha eleita. Ele comunica a vida e a fecundidade a nós, que pela Igreja permanecemos nele e sem o qual nada podemos fazer.
Construção: a Igreja como Construção de Deus. O próprio Senhor a si mesmo se comparou à pedra que os construtores que rejeitaram, mas que se tornou a pedra angular (Mt 21,42). Sobre tal fundamento a Igreja foi construida pelos apóstolos e dele recebe estabilidade e coesão. Este edifício toma vários nomes: casa de Deus, na qual habita sua família, morada de Deus pelo Espírito, tenda de Deus entre os homens, templo santo. Nela somos como pedras vivas, edificados na terra como templo espiritual.
Jerusalém Celeste e nossa Mãe: e descrita como esposa. Cristo amou-a e acalenta-a incessantemente; esposa que ele purificou e quis unida a si no amor e na fidelidade; que encheu para sempre de graça celeste, a fim de que nós possamos compreender a caridade de Deus e de Cristo para com os homens, amor que excede todo conhecimento.
IGREJA COMO SACRAMENTO UNIVERSAL DE SALVAÇÃO
Esta descoberta quer justamente ressaltar o lado espiritual da Igreja e não só o institucional. Em analogia à encarnação do Verbo e da imagem do Corpo de Cristo se quer mostrar uma nova visão de Igreja, agora formando uma unidade orgânica: o visível e o invisível numa simultaneidade.
LG 1: E porque a Igreja é em Cristo como que o sacramento ou o sinal e intrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o gênero humano.
Igreja como sacramento: indica uma realidade terrena, na qual, ao mesmo tempo, se esconde e se manifesta a realidade divina e a sua eficácia. O elemento mais importante na aplicação da sacramentalidade à Igreja é a dimensão do mistério. A palavra mysterium (grega) foi traduzida pela palavra latina sacramentum. Mistério é o plano da salvação estabelecido por Deus e revelado em Jesus Cristo. É dizer que a Igreja é uma realidade divina transcendente e salvífica visivelmente presente entre os homens.
Na Igreja está presente e atuando o mistério salvífico de Deus, que é designado com o conceito de sacramento.
Convêm frisar:
A sacramentalidade da Igreja diz a salvação em sua totalidade;
Assim como cada um dos sacramentos é sinal de Cristo, a Igreja também o é para o mundo;
É universal, pois se estende a todos (católica);
A Igreja se mostra como sacramento unitatis, pois realiza a unidade de todos os seres humanos, integrando o universo e o cosmos (realização da koinonia – comunhão).
O PRIMADO DO SUCESSOR DE PEDRO E A COLEGIALIDADE ESPISCOPAL
O dogma do primado foi definido pelos seguintes Concílios: Lião, em 6 de julho de 1274 (DS 861); Florença, em 6 de julho de 1439 (DS 1307-1308); Vaticano I, em 1870 (DS 3053-3075).
Podemos afirmar o seguinte:
Boaventura, no contexto do surgimento de novas Ordens (fransciscanos e dominicanos), disse o seguinte: o Papa é o ápice da realidade total hierarquicamente erigida, pois em todas as coisas há um primeiro e um sumo, ao qual todo o singular se reduz, mas que, inversamente, é a origem e fonte de todas elas. Ele é o vigário de Jesus Cristo e medida de todo o governo eclesiástico.
Na Igreja Ocidental, o primado é de direito divino – jurisdição, portanto – ao passo que na Igreja Oriental é apenas de honra.
O poder de ordem do Papa não é superior ao dos demais bispos embora esteja enraizado na sacramentalidade da Igreja (Jesus Cristo comunica a salvação por meio das pessoas humanas). Quando o Papa aceita a eleição feita pelos cardeais reunidos em conclave, torna-se papa e daí assume a plenitude do poder de jurisdição.
A primazia é de natureza jurídica, tendo, assim, direito de estabelecer exigências e tomar decisões que obrigam sob consciência toda a Igreja. Cabe a ele governar a Igreja, em virtude dos poderes recebidos de Cristo.
A autoridade do Papa diz respeito ao poder disciplinar (externo e jurídico) e ao poder doutrinal (interno e espiritual).
O Papa tem uma situação particular na sucessão apostólica pois é o único que sucede individualmente a um apóstolo que é Pedro. A base do papado é cristológica e não mero resultado de uma evolução histórica, porquanto ele é proveniente da vontade de Jesus Cristo.
Atualmente, o papa constitui o “ministério de unidade” (Mediador dos Cristãos); a partir da figura que representa pode exercer tarefas sociais em favor da humanidade; organizador, o iniciador e o juiz em questões controvertidas.
Colegialidade Episcopal: os bispos sucedem, como conjunto, como colégio, aos demais apóstolos. Os apóstolos foram mestres e pastores das Igrejas por eles fundadas e os bispos sucedem os apóstolos nesta função. Têm uma autoridade de ministério que visa a direção pastoral das Igrejas fundadas pelos apóstolos.
Múnus episcopal de ensinar: dever principal de pregar o Evangelho, são os mestres autênticos; à luz do Espírito Santo devem ilustrar a fé, fazendo frutificar a fé.
Múnus episcopal de santificar: é o administrador da graça do sacerdócio de Cristo mormente na Eucaristia; santificam os fiéis pelos sacramentos; regulam a administração do Batismo; são os ministros originários da Confirmação; os dispensadores das Ordens Sacras e moderadores da disciplina penitencial; e exortam e instruem os fiéis para a liturgia; e, com o exemplo de vida, edificam aos quais presidem.
Múnus episcopal de governar as Igreja Particulares, com conselhos, exortações e exemplos, mas também com autoridade e sacro poder de legislar sobre seus súditos, de julgar e de ordenar tudo o que se refere à organização do culto e do apostolado; lhes é confiado o múnus pastoral, o cuidado habitual e cotidiano das almas, a exemplo do Bom Pastor.
AS VOCAÇÕES PARADIGMÁTICAS
Vocação dos Leigos: indole secular, diz respeito à relação secular da Igreja com o mundo, ordenando-as para Deus.
Múnus sacerdotal: a oferenda espiritual de toda a vida; exercício do culto espiritual para que Deus seja glorificado e os homens salvos; exercício de diversos ministérios.
Múnus profético: vem do Batismo e acontece por meio de três funções: o sentido da fé; o testemunho de vida e a graça da palavra.
Múnus régio: co-responsabilidade dos fiéis no interior da Igreja.
Vocação Sacerdotal: o sacramento da Ordem, é o sacramento da diferenciação pois distingue os fiéis dentro do único Povo de Deus.
Múnus de ensinar: (PO 4) tem como tarefa o anúncio do Evangelho, alimentando a fé dos fiéis, aplicando as verdades do Evangelho às circuntâncias concretas da vida e convidando a todos com insistência para a conversão e a santidade.
Múnus de santificar: (PO 5) é exercido por meio dos sacramentos, em especial a Eucaristia.
Múnus de governar: (PO 6) exerce um poder espiritual, a exemplo de Cristo Bom Pastor, tratando as pessoas segundo as exigências da doutrina e da vida crsitã e na mais nobre humanidade; cuidar para que cada fiel cultive a própria vocação pessoal segundo o Evangelho e treinar os cristãos a viver de acordo com a caridade e a servir uns aos outros.
Vocação dos religiosos: é a consagração total da pessoa a Deus. A Perfectae Caritatis estabelece cinco princípios:
A regra suprema é o seguimento de Cristo pelo Evangelho;
Índole e função próprias de cada instituto;
Participar e favorecer as iniciativas e as inteções da Igreja, de acordo com a índole de cada instituto;
Conhecimento do mundo, das pessoas e das necessidades da Igreja, e condições para julgá-las com sabedoria e à luz da fé;
Dar primazia à renovação espiritual, mesma que se trate de promover obras externas.
A COMUNHÃO DOS SANTOS
Lumen Gentium 49
Até que o Senhor venha na sua majestade, e todos os anjos com ele e até que lhe sejam submetidas, com a destruição da morte, todas as coisas, alguns dos seus discípulos peregrinam na terra, outros, já passados desta vida, estão se purificando e outros vivem já glorificados. Mas todos, porém, ainda que em grau e de modo diversos, comungamos na mesma caridade para com Deus e para com o próximo, e cantamos o mesmo hino de glória ao nosso Deus.
Pois, todos que são de Cristo, tendo o seu Espírito, formam uma só Igreja e nele estão unidos enre si. Por isso, a união dos que estão na terra com os irmãos que já adormeceram na paz de Cristo de maneira nenhuma se interrompe; pelo contrário, segundo a fé constante da Igreja, reforça-se pela comunicação dos bens espirituais.
Os bem-aventurados, em virtude de sua união com Cristo:
Confirmam mais solidamente toda a Igreja na santidade;
Enobrecem o culto que a Igreja presta a Deus e muito contribuem para que ela se edifique em maior amplitude;
Não cessam de interceder em nosso favor junto ao Pai, apresentando os méritos que – por meio do único Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus – adquiriram na terra, servindo ao Senhor em todas as coisas e completando na sua carne o que falta à Paixão de Cristo em benefício do seu corpo que é a Igreja;
A solicitude fraterna dos bem aventurados ajuda imensamente a nossa fraqueza.
Lumen Gentium 50
A Igreja desde os primeiros tempos, venerou com grande piedade a memória dos defuntos, ofereceu também sufrágios por eles, porque “é santo e salutar o pensamento de orar pelos defuntos para serem libertos de seus pecados” (Mc 12,46).
Os apóstolos e os mártires de Cristo, que deram com o próprio sangue o maior testemunho de fé e de amor, sempre a Igreja acreditou que nos estão mais estreitamente unidos em Cristo; a eles, e também à Virgem Maria e aos santos anjos, venerou e implorou devotamente o auxílio da sua intercessão. A igreja também venera todos os que imitaram mais de perto a virgindade e a pobreza de Cristo, e todos os outros que se tornaram recomendados à pia devoção e imitação dos fiéis pelo exercício das virtudes cristãs e pelos divinos carismas.
Por meio destes podemos descobrir o caminho mais seguro para chegarmos à santidade. Não veneramos, porém, a memória dos santos apenas pelo exemplo que nos dão; fazemo-lo mais ainda para que a união de toda a Igreja se consolide pelo exercício da caridade fraterna. Por isso devemos amar estes amigos e co-herdeiros de Cristo, invocando-os humildemente e recorrendo às suas orações, à sua intercessão e ao seu auxílio para impetrarmos as graças necessárias, por meio de seu Filho Jesus Cristo Nosso Senhor.
Essa união com a Igreja celeste acontece mais eminentemente na sagrada liturgia, onde celebramos juntos, em fraterna alegria, os louvores a Deus uno e trino com o mesmo cântico de louvor.
NOTAS DA IGREJA
Una: O Espírito Santo é a causa eficiente da unidade da Igreja.
Formas de unidade:
unidade pela fé;
unidade mediante os sacramentos;
unidade sob o plano da vida social ou da comunidade fraterna.
Conforme o Direito Canônico, permanecem em plena comunhão:
pela profissão da mesma fé;
a frequência nos sacramentos;
sob o governo eclesiástico.
Temos a chamada ruptura da unidade da seguinte forma:
através do cisma;
através da heresia.
Santa: A origem da expressão é Bíblica. “Santa” quer dizer “casa de Deus”, “lugar dos santos” (homens que se esforçam).
A Igreja é santa naquilo que recebe de Deus que são:
o depósito da fé;
os sacramentos;
a fé;
o Evangelho;
os ministérios.
A santidade é serviço e meio de santificação.
Católica: este conceito é tirado d filosofia grega, sendo aplicado a todas as proposições universais, é, portanto, um termo que esta ausente na Sagrada escritura. Inácio de Antioquia, por volta do ano 110, foi o primeiro a usar o termo católica para a Igreja. Seu significado representa a Igreja na sua totalidade, enquanto unida a Cristo (se assim for a Igreja é verdadeiramente única e verdadeira). A Igreja, embora suas imperfeições, mudanças e fragilidades é, deve ser e querer ser sempre, essencialmente, identificada a si em todas as partes.
Apostólica: a Igreja é Igreja relacionada com os 12 apóstolos, não de qualquer forma. Este princípio, apostólico, já existia desde o início e identificava a concepção de uma Igreja como comunidade iniciada com os 12 e destinada a uma extensão e uma duração. A Igreja, deste modo, é um prolongamento e uma dilatação do primeiro núcleo apostólico. A Igreja é Apostólica porque:
foi
e continua sendo construída sobre o fundamento dos 12;
a
Igreja conserva e transmite o depósito e as palavras ouvidas
dos apóstolos;
a
Igreja é ensinada, santificada e dirigida pelos apóstolos
até a volta de Cristo.
Num sentido teológico: apostolicidade é conservar pelo tempo e espaço a identidade da missão dos apóstolos. Aqui esta presente o sentido da sucessão apostólica.
BIBLIOGRAFIA PARA ESTUDO
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. Editora Vozes/Loyola, 2000. Verbete Atributos da Igreja, nºs 831-865.
CONCÍLIO VATICANO II. Constituição Dogmática sobre a Igreja: Lumen Gentium. In: Compêndio do Concílio Vaticano II. Editora Vozes, Petrópolis, 2000, 29ª edição.
HACKMANN, Geraldo Luiz B. A Amada Igreja de Jesus Cristo. Editora Edipucrs, Porto Alegre, 2003.
PIÉ-NINOT, Salvador. Crer na Igreja. Editora Paulinas, São Paulo, 2006, pgs. 17-27 e 35-49.
RATZINGER, Joseph. Compreender a Igreja hoje. Vocação para a comunhão. Editora vozes, Petrópolis, 1992.
SCHNEIDER, Theodor (org.). Manual de Dogmática. Editora Vozes, Petrópolis, 2002, pgs. 61-70 e 84-85.
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