Elsa R. J. Giugliani
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elaborado por M�ikel Lu�s Colli
O aleitamento materno, antes um ato natural, fisiol�gico, tornou-se uma op��o nos dias de hoje. Na d�cada de 70, quando as taxas de aleitamento materno alcan�aram os n�veis mais baixos da hist�ria da humanidade, come�ou a ocorrer um movimento internacional para resgatar a �cultura da amamenta��o�. Apesar de haver um aumento da pr�tica do aleitamento materno, ela est�, ainda, muito aqu�m da recomenda��o da Organiza��o Mundial de Sa�de, que preconiza amamenta��o exclusiva nos primeiros 4-6 meses e parcial at� pelo menos o final do primeiro ano de vida(1). No Brasil, praticamente 90% das crian�as s�o amamentadas inicialmente. No entanto, a dura��o m�dia da amamenta��o � curta, de apenas 90 dias, al�m de n�o ser exclusiva na maioria das vezes. Apenas 6% das crian�as s�o amamentadas exclusivamente at� os 2 meses de idade. Metade das crian�as nesta faixa et�ria recebe �gua, 42% outros l�quidos, 23% leite de vaca, 23% f�rmulas e 16% alimentos s�lidos ou semi-s�lidos(2). Como na maioria dos pa�ses em desenvolvimento, as mulheres brasileiras residentes em �reas rurais e as provenientes de classes menos privilegiadas amamentam mais que as mulheres de regi�es urbanas e de melhor n�vel s�cio-econ�mico. Entretanto, em �reas mais desenvolvidas do Pa�s, o padr�o de amamenta��o � semelhante ao dos pa�ses industrializados, ou seja, as mulheres mais educadas, de melhor n�vel s�cio-econ�mico, amamentam por mais tempo(3).
A
amamenta��o, segundo o Interagency Group for Action on Breastfeeding, deve
ser assim definida(4):
� Amamenta��o
exclusiva: quando a crian�a recebe apenas leite materno.
� Amamenta��o
quase exclusiva: quando a crian�a recebe, al�m do leite materno, vitaminas,
ch�s, sucos
e/ou �gua.
� Amamenta��o
parcial com predomin�ncia de leite materno: quando 80% ou mais da alimenta��o
da
crian�a (leite materno mais outros alimentos) � constitu�da de leite materno.
� Amamenta��o
parcial com ingest�o m�dia de leite materno: quando 20 a 80% da dieta da
crian�a �
constitu�da de leite materno.
� Amamenta��o
parcial com baixa ingest�o de leite materno: a dieta da crian�a � predominan-
temente
constitu�da de outros alimentos. O leite materno contribui com menos de
20%.
� Amamenta��o
�residual�: quando o seio � usado primariamente para consolo da crian�a
e n�o como
fonte de nutri��o. Nesta categoria, a crian�a suga menos de 15 minutos
por dia ou menos de
2-3 mamadas curtas num per�odo de 24 horas.
Atualmente,
somam-se as evid�ncias epidemiol�gicas das vantagens do aleitamento materno.
Entre elas, destacam-se:
� Redu��o
da mortalidade infantil: atribui-se ao aleitamento materno a preven��o
de mais de 6 milh�es
de mortes em crian�as menores de 12 meses a cada ano, no mundo inteiro.
Acredita-se que
mais 2 milh�es de mortes (de um total de 9 milh�es) poderiam ser evitadas
se todas as crian�as
fossem amamentadas de acordo com as recomenda��es da OMS(4). Quanto menor
a idade
da crian�a e maior o per�odo de amamenta��o, mais importante � a contribui��o
do leite materno
para a sua sobreviv�ncia. As crian�as de baixo n�vel s�cio-econ�mico s�o
as que mais se
beneficiam com o aleitamento materno, sobretudo se for exclusivo. No Rio
Grande do Sul, em um
estudo sobre mortalidade infantil nos munic�pios de Porto Alegre e Pelotas,
as crian�as n�o amamentadas
tiveram um risco 14,2 e 3,6 vezes maior de morrer por diarr�ia e doen�a
respirat�ria, respectivamente,
quando comparadas com crian�as em amamenta��o exclusiva. O risco foi m�ximo
nos 2 primeiros meses de vida. Para as crian�as alimentadas parcialmente
ao peito, esse risco
foi de 4,2 e 1,6 vezes(5).
� Redu��o
da morbidade por diarr�ia: h� fortes evid�ncias epidemiol�gicas da prote��o
do leite materno
contra diarr�ia, sobretudo em crian�as de baixo n�vel s�cio-econ�mico.
A maioria dos estudos
feitos em diversos pa�ses mostra esta prote��o, que � mais evidente nos
pa�ses em desenvolvimento.
� importante ressaltar que o efeito protetor do leite materno contra diarr�ia
pode
diminuir, ou mesmo desaparecer, quando qualquer l�quido ou s�lido, incluindo
�gua e ch�s, �
adicionado � alimenta��o da crian�a(6). Em um estudo caso-controle, as
crian�as n�o amamentadas
tiveram um risco 3,3 vezes maior de desidratar na vig�ncia de diarr�ia,
sugerindo que
o leite materno tem influ�ncia n�o s� no n�mero de epis�dios de diarr�ia,
como tamb�m na gravidade
dos mesmos(7).
� Redu��o
da morbidade por infec��o respirat�ria: os resultados de v�rios estudos
realizados em diferentes
partes do mundo, com diferentes graus de desenvolvimento, sugerem prote��o
do leite
materno contra infec��es respirat�rias. Tal prote��o � mais significativa
na amamenta��o exclusiva
e nos primeiros 6 meses, embora possa perdurar al�m deste per�odo. Assim
como na diarr�ia,
a amamenta��o parece diminuir a gravidade dos epis�dios de infec��o respirat�ria.
A associa��o
entre aleitamento materno e menor n�mero de epis�dios de otite m�dia j�
est� bem estabelecida.
� Redu��o
de hospitaliza��es: v�rios investigadores encontraram associa��o entre
aleitamento artificial
e maior risco de hospitaliza��o. Provavelmente este achado se deve � prote��o
do leite materno
em si, que diminui a incid�ncia e a gravidade das doen�as, e tamb�m � indica��o
mais restrita
de interna��es em crian�as amamentadas, pela dificuldade de separa��o da
dupla m�e-beb�.
� Redu��o
de alergias: a alergia alimentar tem sido encontrada com menos freq��ncia
em crian�as amamentadas
exclusivamente. A dermatite at�pica pode ter o seu in�cio retardado com
a alimenta��o
natural.
� Redu��o
de doen�as cr�nicas: embora ainda n�o esteja bem estabelecida a prote��o
do leite materno
contra certas doen�as cr�nicas, come�am a aparecer relatos na literatura
sobre o papel do
aleitamento materno na redu��o do risco de certas doen�as auto-imunes,
doen�a cel�aca, doen�a
de Crohn, colite ulcerativa, diabetes mellitus e linfoma.
� Melhor
nutri��o: por ser da mesma esp�cie, o leite materno cont�m todos os nutrientes
essenciais
para o crescimento e o desenvolvimento �timos da crian�a pequena, al�m
de ser
melhor digerido, quando comparado com leites artificiais.
� Melhor
desenvolvimento: alguns estudos mostram vantagem das crian�as amamentadas
quanto ao
desenvolvimento neurol�gico (melhor desempenho em testes de intelig�ncia
e compreens�o, melhor
express�o verbal). No entanto, � dif�cil avaliar a contribui��o de outros
fatores como rela��o
m�e-filho, caracter�sticas maternas e ambiente familiar. Um estudo recente
sugere que o leite
materno, por si s�, possa influenciar positivamente na intelig�ncia dos
indiv�duos(8).
� Prote��o
contra c�ncer de mama: em geral, os estudos prospectivos mostram associa��es
fracas ou
n�o significativas entre amamenta��o e c�ncer de mama, enquanto que os
estudos de caso-controle
tendem a evidenciar um fator de prote��o do aleitamento materno contra
este tipo de
c�ncer. � luz dos conhecimentos atuais, � razo�vel afirmar que: a) o aleitamento
materno n�o previne
o c�ncer de mama, embora alguns estudos sugiram um papel protetor; b) para
as mulheres
em risco de desenvolver c�ncer de mama, a amamenta��o prolongada pode,
no m�nimo, retardar
a sua ocorr�ncia; c) quanto mais uma mulher amamentar, menor ser� a sua
chance de vir a
desenvolver c�ncer de mama antes da menopausa e d) depois da menopausa,
n�o h� diferen�a quanto
� incid�ncia de c�ncer de mama entre as mulheres com diferentes antecedentes
de amamenta��o(9).
� Mais
econ�mico: amamentar uma crian�a ao seio � mais barato que aliment�-la
com leite de vaca ou
f�rmulas, mesmo levando em considera��o os alimentos extras que a m�e deve
ingerir durante a
lacta��o. Esta vantagem n�o pode ser desconsiderada em fam�lias com dificuldades
financeiras. �
Melhor qualidade de vida: parece �bvio que a qualidade de vida das crian�as
amamentadas com sucesso
e de suas fam�lias tendem a ser melhor na medida em que h� menos doen�as,
menos hospitaliza��es,
menores gastos e maior prazer.
� Promove
v�nculo afetivo entre m�e e filho: o impacto do aleitamento materno no
desenvolvimento
emocional da crian�a e no relacionamento m�e-filho a longo prazo � dif�cil
de avaliar,
uma vez que existem in�meras vari�veis envolvidas. Empiricamente, acredita-se
que o ato de
amamentar traga benef�cios psicol�gicos para a crian�a e para a m�e. O
ato de amamentar e de ser
amamentado pode ser muito prazeroso para a m�e e para a crian�a, o que
favorece uma liga��o
afetiva mais forte entre elas. � uma oportunidade �mpar de intimidade,
de troca de afeto, gerando
sentimentos de seguran�a e de prote��o na crian�a e de autoconfian�a e
de realiza��o na
mulher.
� Proteje
contra novas gravidezes: no n�vel populacional, mulheres que amamentam
apresentam per�odos
de amenorr�ia, de anovula��o e de infecundidade mais prolongados, resultando
em intervalos
intergestacionais maiores e em taxas de crescimento populacional menores.
Na Am�rica
Latina, a lacta��o reduz a fertilidade em 16%, em m�dia(10). Sabe-se que
a amenorr�ia devido
� lacta��o depende da freq��ncia e da dura��o das mamadas, o que pode variar
significativamente,
dependendo dos h�bitos do desmame nas diferentes regi�es. Em 1988, um grupo
de peritos se reuniu na It�lia, chegando ao consenso de que as mulheres
amenorr�icas, amamentando
exclusiva ou predominantemente at� os 6 meses ap�s o parto t�m 98% de prote��o
contra
nova gravidez(11).
As
mamas das mulheres adultas s�o formadas pelo par�nquima e pelo estroma
mam�rios. O par�nquima inclui de 15 a 25 lobos mam�rios (gl�ndulas t�bulo-alveolares),
que s�o subdivididos, cada um, em 20 a 40 l�bulos. Cada l�bulo, por sua
vez, se subdivide em 10 a 100 alv�olos, local onde o leite � produzido.
A secre��o
l�ctea � excretada por interm�dio de uma rede de ductos que v�o convergindo,
at� formarem os seios lact�feros, local onde o leite � armazenado para
consumo da crian�a. Para cada lobo mam�rio h� um seio lact�fero, com uma
sa�da independente no mamilo. Portanto, existem de 15 a 25 orif�cios de
sa�da de leite no mamilo. Envolvendo os lobos mam�rios, encontram-se tecido
adiposo, tecido conjuntivo, vasos sang��neos, tecido nervoso e tecido linf�tico.
J�
no in�cio da gravidez, o tecido mam�rio se desenvolve sob a a��o de diferentes
horm�nios. O estrog�nio � respons�vel pela ramifica��o dos ductos e o progestog�nio,
pela forma��o dos l�bulos. Lactog�nio placent�rio, prolactina e gonadotrofina
cori�nica contribuem para a acelera��o do crescimento mam�rio. A secre��o
de prolactina aumenta de 10 a 20 vezes na gravidez. No entanto, a prolactina
� inibida pelo lactog�nio placent�rio, n�o permitindo que a mama secrete
leite durante a gravidez.
Com o nascimento
da crian�a e a expuls�o da placenta, a mama passa a produzir leite sob
a a��o da prolactina. A ocitocina age na contra��o das c�lulas mioepiteliais
que envolvem os alv�olos, provocando a sa�da do leite. A prolactina e a
ocitocina s�o reguladas por dois importantes reflexos maternos: o da produ��o
do leite (prolactina) e o da eje��o do leite (ocitocina). Tais reflexos
s�o ativados pela estimula��o dos mamilos, sobretudo pela suc��o. O reflexo
de eje��o do leite tamb�m responde a est�mulos condicionados, tais como
vis�o, cheiro e choro da crian�a, e a fatores de ordem emocional como motiva��o,
autoconfian�a e tranq�ilidade. Por outro lado, a dor, o desconforto, o
estresse, a ansiedade, o medo e a falta de autoconfian�a podem inibir o
reflexo de eje��o do leite, prejudicando a lacta��o.
O leite
� produzido nos alv�olos, em c�lulas epiteliais altamente diferenciadas.
A maioria do leite � produzido durante a mamada, sob o est�mulo da prolactina.
A secre��o de leite aumenta de 50mL no segundo dia p�s-parto para 500mL
no quarto dia, em m�dia. O volume de leite produzido na lacta��o j� estabelecida
varia de acordo com a demanda da crian�a. Em m�dia, � de 850mL por dia
na amamenta��o exclusiva.
O leite dito �maduro� s� � secretado por volta do 10� dia p�s-parto. O colostro, produzido nos primeiros dias, cont�m mais prote�nas e menos gorduras e lactose que o leite maduro. � rico em imunoglobulinas, em especial IgA. A Tabela 1 apresenta os principais componentes do leite materno maduro e do colostro, bem como do leite de m�es de rec�m- nascidos pr�-termo, cuja composi��o � diferente do leite de m�es de beb�s a termo. O Quadro 1 lista os fatores anti-infectivos encontrados no leite.
Tabela 1. Composi��o do colostro, do leite materno
maduro e do leite de m�es de crian�as pr�-termo
Nutriente Colostro
Leite
maduro Leite
de m�es
(1-5
dias) (>30dias)
de crian�as
pr�-termo
(15 dias)
Calorias (Kcal) 58
70
67
Carboidratos (g) 5,3
7,3
6,4
Prote�nas (g) 2,3
0,9
1,9
Gorduras (g) 2,9
4,2
3,8
C�lcio (mg) 23
28
28
F�sforo (mg) 14
15
15
Magn�sio (mg) 3,4
3,0
3,0
S�dio (mg) 48
15
32
Pot�ssio (mg)
74 58
69
Cloro (mg) 91
40
54
Ferro (mg) 0,08
0,08
0,1
Zinco (mcg) 540
166
375
Cobre (mcg) 46
35
52
Vitamina A (mcg) 89
47
13
Vitamina C (mg) 4,4
4,0
4,2
Vitamina D (mcg) �
0,04
0,05
Vitamina K (mcg) 0,23
0,21
1,5
Tiamina (mcg) 15
16
16
Riboflavina (mcg) 25
35 36
Niacina (mcg) 75
200
147
Vitamina B6 (mcg) 12
28
10
Vitamina B12 (ng) 200
26
�cido f�lico (mcg) �
5,2
5,2
�cido pantot�nico (mg) 183
225
184
Fonte: Riordan e Auerbach.
Estudos
realizados em diferentes pa�ses industrializados mostram que, em geral,
o crescimento das crian�as amamentadas ao seio e das alimentadas artificialmente
� semelhante nos 2 a 3 primeiros meses de vida, passando, a partir de ent�o,
a ser mais lento no grupo de crian�as amamentadas ao seio (para maiores
detalhes, ver o Cap�tulo �Vigil�ncia do Estado Nutricional da Crian�a�).
Em pa�ses
em desenvolvimento, as crian�as amamentadas ao seio t�m, em geral, um melhor
estado nutricional nos primeiros 6 meses de vida, quando comparadas com
as alimentadas artificialmente. V�rios estudos demonstram que, nestes pa�ses,
a amamenta��o exclusiva ou quase exclusiva no primeiro semestre garante
um crescimento adequado (mesmo �s de baixo n�vel s�cio-econ�mico), semelhante
ao de crian�as amamentadas nos pa�ses industrializados. No entanto, � comum
que as crian�as amamentadas no peito em pa�ses pobres mostrem um crescimento
insuficiente a partir dos 3 meses de idade. Acredita-se que outros fatores,
al�m da amamenta��o, estejam envolvidos neste atraso de cresci-
mento, como baixo peso de nascimento, introdu��o precoce de alimentos
de baixo valor nutritivo na dieta da crian�a e uma maior exposi��o a infec��es.
H� uma controv�rsia quanto ao impacto da amamenta��o prolongada (mais de
1 ano) no estado nutricional da crian�a. De 13 estudos selecionados, 8
encontraram uma associa��o negativa entre aleitamento materno prolongado
e ganho de peso, 2 mostraram uma rela��o positiva e 3 obtiveram resultados
neutros(12). A associa��o entre aleitamento materno prolongado e estado
nutricional parece n�o ser uniforme, variando entre as popula��es. As crian�as
de baixo n�vel s�cio-econ�mico tendem a apresentar um melhor estado nutricional
quando amamentadas por um per�odo maior, ocorrendo o inverso em crian�as
mais privilegiadas. Mesmo ue a associa��o entre desnutri��o e amamenta��o
prolongada se confirme, a prote��o que o leite materno confere contra infec��es
justificaria esta pr�tica, sobretudo nas camadas mais pobres.
Quadro 1. Propriedades imunol�gicas do leite materno
Fator Imunidade
in vitro contra
IgA secret�ria Bact�rias:
E. coli, C. tetani, C. diphtheriae, K. pneumoniae, Salmonella, Shiguella,
Streptococus, S. mutans, S. sanguis, S. mitis, S. salivarius, S.
pneumoniae, C. burnetti, H. influenzae, enterotoxina do E. coli e do V.
cholerae
V�rus:
poliov�rus tipos 1, 2 e 3, coxsackie tipos A9, B3 e B5, ecov�rus tipos
6 e 9, Semliki Forest, Ross River, rotav�rus, citomegalov�rus, retrov�rus
tipo A3, v�rus da rub�ola e da caxumba, herpes simples, influenza,
v�rus respirat�rio sincicial
Parasitas:
G. lamblia, E. histolytica, S. mansoni, Cryptosporidium
IgM, IgG Bact�rias:
V. cholerae, E. coli V�rus: v�rus da rub�ola, citomegalov�rus e
v�rus respirat�rio sincicial
IgD Bact�rias:
E. coli
Fator b�fidus Bact�rias:
enterobact�rias
Fatores de liga��o de prote�nas Bact�rias:
E. coli
(zinco, vitamina B12, folatos)
Complemento C1-C9 Efeito
desconhecido
Lactoferrina Bact�rias:
E. coli
Lactoperoxidase Bact�rias:
Streptococcus, Pseudomonas, E. coli, S. thyphimurium
Lisozima Bact�rias:
E. coli, Salmonella, Micrococcus lysodeikticus
Fatores n�o identificados Bact�rias:
S. aureus, toxina do C. difficile Parasitas: T. rhodesiense
Carboidrato Bact�rias:
Enterotoxina da E. coli
Lip�dios Bact�rias:
S. aureus V�rus: herpes simples, Semliki Forest, influenza, dengue,
Ross River, v�rus da encefalite japonesa B, Sindbis, West Nile
Parasitas: G. lamblia, E. histolytica, T. vaginalis
Ganglios�dios Bact�rias:
enterotoxinas da E. coli e do V. cholerae
Glicoprote�nas + oligossacar�dios Bact�rias:
V. cholerae
An�logos de receptores Bact�rias:
S. pneumoniae, H. influenzae
de c�lulas epiteliais
(oligossacar�dios)
C�lulas (macr�fagos, neutr�filos,
Bact�rias: E. coli, S. aureus, S. enteritidis
linf�citos B e T) Fungos:
C. albicans
V�rus:
herpes simples, citomegalov�rus, v�rus da reb�ola, da caxumba, do
sarampo, v�rus respirat�rio sincicial
Macromol�culas (n�o V�rus:
herpes simples, v�rus da estomatite vesicular, coxsackie tipo B4, imunoglobulinas)
Semlike
Forest, retrov�rus tipo 3, poliov�rus tipo 2, citomegalov�rus, v�rus
respirat�rio sincicial, rotav�rus
Alfa-2-macroglobulina V�rus:
influenza, parainfluenza
Ribonuclease V�rus:
v�rus da leucemia
Inibidores da hemaglutinina V�rus:
influenza e v�rus da caxumba
Fonte: Adaptado de Riordan e Auerbach.
QUANDO
N�O AMAMENTAR
Cabe
� m�e a op��o de amamentar ou n�o uma crian�a. Por�m, � dever do profissional
de sa�de inform�-la quanto �s vantagens da amamenta��o e �s desvantagens
da introdu��o precoce de leites artificiais. Muitas mulheres, embora biologicamene
aptas para a lacta��o, n�o conseguem amamentar os seus filhos por diversas
raz�es, conscientes ou inconscientes. Em tais casos, o m�dico deve evitar
julgamentos e ajudar essas m�es a diminuir o sentimento de culpa que com
freq��ncia acompanha as mulheres que n�o amamentam.
H�
poucas contra-indica��es � amamenta��o. A galactosemia e a fenilceton�ria,
doen�as metab�licas raras, s�o exemplos de contra-indica��o formal ao aleitamento
materno.
Outras
situa��es em que n�o se recomenda o aleitamento natural s�o: doen�a mental
severa da m�e, colocando em risco a vida da crian�a, doen�as graves que
debilitem a m�e, uso de drogas que contra-indiquem a amamenta��o e infe��o
materna pelo HIV em �reas onde a desnutri��o e as doen�as infecciosas n�o
s�o a principal causa de mortalidade infantil.
Muito
embora algumas doen�as sejam pass�veis de transmiss�o pelo leite materno,
na maioria das vezes a amamenta��o � permitida na vig�ncia de infec��o
materna. O Cap�tulo �Doen�as Transmiss�veis: Condutas Preventivas na Comunidade�
discute as condutas quanto � amamenta��o de crian�as cujas m�es s�o portadoras
de gonorr�ia, s�filis, tuberculose, citomegalov�rus, herpes simples, sarampo,
rub�ola, varicela, cachumba e hepatite B.
A
mastite, por si s�, n�o contra-indica a amamenta��o. Em casos de abscesso
mam�rio, pode ser necess�ria a suspens�o tempor�ria da amamenta��o no seio
afetado.
Aleitamento
Materno em M�es HIV-Positivas
Ainda
n�o est� bem-estabelecido o papel do leite materno na transmiss�o da S�ndrome
da Imunodefici�ncia Adquirida (AIDS).
O
HIV foi isolado no leite materno, antes mesmo do primeiro relato de crian�a
contaminada pelo HIV via (prov�vel) leite materno, em 1985.
Um
dos estudos mais importantes sobre a transmiss�o do HIV pelo leite materno
� o estudo multic�ntrico europeu, envolvendo, at� 1991, 721 crian�as de
m�es HIV-positivas de 19 centros em 7 pa�ses, com um acompanhamento m�nimo
de 18 meses. Neste estudo, a transmiss�o vertical do v�rus foi de 14% nas
crian�as n�o amamentadas e de 31% nas amamentadas. O risco de adquirir
o v�rus foi 2,25 vezes maior entre as crian�as amamentadas. N�o houve associa��o
com a dura��o da amamenta��o. Deve-se ressaltar que o pequeno n�mero de
crian�as alimentadas ao seio (apenas 36) limita as conclus�es deste estudo.
Atualmente,
as m�es HIV-positivas s�o desaconselhadas a amamentar, exceto em locais
onde a preval�ncia de doen�as infecciosas e de desnutri��o � elevada, contribuindo
para uma mortalidade infantil alta.
Amamenta��o
e Uso de Drogas
Como
regra geral, deve-se recomendar � m�e que est� amamentando evitar ao m�ximo
os medicamentos, porque muitos deles podem ser excretados no leite em quantidades
suficientes para causar efeitos (muitos ainda n�o bem estudados) no lactente.
No entanto, poucas drogas s�o comprovadamente contra-indicadas na lacta��o.
Segundo o Comit� de Drogas da Academia Americana de Pediatria, as drogas
contra-indicadas durante a amamenta��o s�o: anfetamina, bromocriptina,
coca�na, ciclofosfamida, ciclosporina, doxorubicina, ergotamina, fenciclidina,
fenindiona, hero�na, l�tio, maconha, metrotexate e nicotina(13). O uso
de subst�ncias radioativas para exames diagn�sticos requer a cessa��o tempor�ria
da amamenta��o.
A
maioria das drogas j� estudadas � usualmente compat�vel com a amamenta��o,
embora possa exercer efeitos colaterais nas crian�as amamentadas, n�o suficientemente
importantes a ponto de orientar a suspens�o da amamenta��o.
Antes
de prescrever a uma nutriz qualquer droga cujo efeito para o lactente seja
desconhecido do m�dico, ou antes de recomendar a suspens�o da amamenta��o
por uso dessas drogas pela m�e, o m�dico deve consultar uma tabela de drogas
na amamenta��o e calcular os riscos e os benef�cios para a m�e e a crian�a.
� importante lembrar que, para a maioria dos medicamentos, o efeito das
drogas na crian�a � minimizado se a ingest�o for feita logo ap�s a amamenta��o.
A
maioria das gestantes recebe assist�ncia pr�-natal. O m�dico, nesta oportunidade,
deve conversar com elas sobre os seus planos quanto � alimenta��o do futuro
beb�. A promo��o do aleitamento materno deve fazer parte da rotina do atendimento
pr�-natal. Neste contexto, cabe ao m�dico no acompanhamento pr�-natal:
�
Examinar as mamas de todas as gestantes, a fim de diagnosticar precocemente
algum problema mam�rio
que possa interferir com a amamenta��o, como por exemplo mamilos planos
ou invertidos
e cirurgias pl�sticas.
�
Discutir as vantagens do aleitamento materno e as desvantagens da introdu��o
precoce de leites artificiais.
�
Explicar � gestante a fisiologia da lacta��o, enfatizando que a manuten��o
da produ��o do leite depende
do est�mulo da suc��o dos mamilos.
�
Alertar para as dificuldades que poder�o surgir e ensinar a preveni-las
ou a super�-las.
�
Desfazer certos tabus, explicando �s gestantes que todas as mulheres, salvo
raras exce��es, t�m condi��es
de amamentar, que n�o existe �leite fraco� e que a produ��o do leite independe
do tamanho
da mama. As mulheres que v�o ter o primeiro filho e as que n�o amamentaram
ou apresentaram
dificuldades na amamenta��o de filhos anteriores devem receber aten��o
especial.
Contr�rio
ao ditado popular, o aleitamento materno n�o � um ato puramente instintivo.
� uma arte feminina transmitida de gera��o a gera��o. Em fun��o das mudan�as
sociais e da migra��o para �reas urbanas, muitas mulheres se viram privadas
do apoio e dos conhecimentos das mulheres da fam�lia que j� amamentaram
e que tradicionalmente transmitiam a sua experi�ncia, ajudando as novas
m�es. Por isso, todas as m�es que amamentam, especialmente as que o fazem
pela primeira vez e as que amamentaram por pouco tempo filhos anteriores,
devem ser orientadas e ajudadas.
Recomenda-se
que as m�es amamentem os seus filhos imediatamente ap�s o parto se as suas
condi��es e as da crian�a o permitirem. O alojamento conjunto deve ser
instalado o mais cedo poss�vel. A amamenta��o deve ser em regime de livre
demanda, ou seja, sem hor�rios pre-estabelecidos.
O
uso de mamadeira, especialmente no in�cio da amamenta��o, al�m de confundir
o reflexo de suc��o do rec�m-nascido, pode retardar o estabelecimento da
lacta��o.
A
T�cnica da Amamenta��o
Uma
boa t�cnica de amamenta��o � indispens�vel para o seu sucesso, uma vez
que previne trauma nos mamilos e garante a retirada efetiva do leite pela
crian�a. O beb� deve ser amamentado numa posi��o que seja confort�vel para
ele e para a m�e, que n�o interfira com a sua capacidade de abocanhar o
tecido mam�rio suficiente, de retirar o leite efetivamente, assim como
de deglutir e respirar livremente. A m�e deve estar relaxada e segurar
o beb� completamente voltado para si. Estudos com cinerradiografias e ultra-som
mostram que � importante a crian�a abocanhar cerca de 2cm do tecido mam�rio
al�m do mamilo para que a amamenta��o seja eficiente. A crian�a que n�o
abocanha uma por��o adequada da ar�ola tende a causar trauma nos mamilos
e pode n�o ganhar peso adequadamente, apesar de permanecer longo tempo
no peito. As mamadas ineficazes dificultam a manuten��o da produ��o adequada
de leite e uma m� estimula��o do mamilo pode diminuir o reflexo de eje��o.
Muitas vezes, o beb� com pega incorreta � capaz de obter o chamado leite
anterior, mas tem dificuldade de retirar o leite posterior, mais nutritivo
e rico em gorduras. Numa pega �tima, os l�bios do beb� ficam levemente
voltados para fora. L�bios apertados s�o indica��o de que ele n�o conseguiu
pegar tecido suficiente. � importante enfatizar que quando a crian�a �
amamentada numa posi��o correta e tem uma pega boa, a m�e n�o sente dor.
O Quadro 2 pode servir de guia para os profissionais de sa�de e para as
m�es conferirem posicionamento e pega na amamenta��o.
Quando
a mama est� muito cheia ou ingurgitada, o beb� n�o consegue abocanhar adequadamente
a ar�ola. Em tais casos, recomenda-se, antes da mamada, a express�o manual
da ar�ola ingurgitada.
Preven��o
de Fissuras
As
fissuras de mamilo s�o muito comuns e bastante dolorosas, podendo culminar
com a interrup��o da amamenta��o. Todas as mulheres que amamentam devem
ser orientadas quanto � sua preven��o, que consiste de:
� T�cnica
correta de amamenta��o.
� Manter
os mamilos sempre secos, usando secador de cabelo ap�s as mamadas, banho
de sol ou banho
de luz.
� Introduzir
o dedo na boca do rec�m-nascido quando houver necessidade de interromper
a mamada.
� Evitar
o ingurgitamento mam�rio por meio de mamadas freq�entes e express�o manual
(ou por bomba
de suc��o) das mamas, quando necess�rio.
Quadro 2. Lista para conferir posicionamento e
pega na amamenta��o
1. Roupas da m�e e do
beb� adequadas, sem restringir movimentos.
2. M�e confortavelmente posicionada, bem apoiada,
n�o curvada para tr�s nem para frente.
3. Corpo do beb� todo voltado para a m�e. O
apoio do beb� deve ser feito nos ombros e n�o na cabe�a, que
deve permanecer livre para inclinar-se para tr�s.
4. Bra�o inferior do beb� ao redor da cintura
da m�e, corpo fletido sobre ela, quadris firmes, pesco�o levemente
estendido.
5. Beb� no mesmo n�vel da mama, sustentada
por fralda se necess�rio, boca centrada em frente ao mamilo.
6. Comprimir a mama suavemente enquanto o beb�
abocanha, entre polegar e indicador, atr�s da ar�ola, n�o
entre indicador e dedo m�dio.
7. Encorajar abertura grande da boca, l�ngua
bem abaixada, estimulando o l�bio inferior com o mamilo; repetir
at� conseguir boa abertura da boca.
8. Levar o beb� ao peito, n�o o peito ao beb�;
t�rax com t�rax.
9. O beb� deve abocanhar boa por��o da mama
al�m do mamilo.
10. Checar se o queixo est� bem de encontro � mama.
11. O beb� mant�m a boca ampla colada na mama, l�bios n�o
apertados.
12. L�bios do beb� curvados para fora, n�o enrolados criando
um lacre.
13. L�ngua do beb� sobre a gengiva inferior, algumas vezes
vis�vel. Checar voltando-se suavemente o l�bio
inferior para baixo.
14. O beb� deve manter-se fixado sem escorregar ou largar
o mamilo.
15. A mama n�o deve parecer esticada ou deformada.
16. Freq��ncia r�pida de suc��o (>2 por segundo), caindo
para cerca de 1 por segundo, pois o volume de
leite por suc��o aumenta ap�s o reflexo de eje��o; pausas ocasionais; maior
irregularidade no final
da mamada.
17. Bochechas do beb� n�o se encovam a cada suc��o; n�o
deve haver ru�dos da l�ngua; a degluti��o, entretanto,
pode ser barulhenta.
18. Beb� mamando ativamente trabalha pesadamente; mand�bulas
e freq�entemente toda a cabe�a se move;
orelhas podem se mexer.
19. Logo depois que o beb� larga a mama, o mamilo parecer�
alongado; o trauma � indicado por mamilo com
estrias vermelhas ou �reas esbranqui�adas ou achatadas.
20. Amamenta��o com posicionamento e pega bons n�o d�i.
Fonte: Material distribu�do no Curso de Treinamento
em Amamanta��o Para Equipes Multidisciplinares de Sa�de. Centro de Lacta��o
de Santos, S�o Paulo.
Idealmente,
todas as m�es que saem da maternidade amamentando deveriam ter acesso �
assist�ncia, a qualquer hora, em casos de d�vidas e dificuldades relacionadas
ao aleitamento materno.
Ao
sair da maternidade, as m�es devem ser orientadas a comparecer com o rec�m-nascido
para reavalia��o m�dica quando este tiver n�o mais do que 7 a 10 dias,
pois � nos primeiros dias, em casa, que surgem problemas e d�vidas que
podem dificultar a amamenta��o. Em todas as visitas de reavalia��o � importante
que o profissional de sa�de promova e proteja a amamenta��o e oriente o
desmame na �poca oportuna (ver o Cap�tulo �Alimenta��o do Lactente: Desmame�).
A complementa��o do leite materno com �gua ou ch�s nos primeiros 6 meses
de vida � desnecess�ria sob o ponto de vista biol�gico, e pode ser prejudicial,
diminuindo o efeito protetor do leite materno contra diarr�ias. A Organiza��o
Mundial de Sa�de preconiza a amamenta��o natural e exclusiva como a forma
ideal de alimenta��o nos primeiros 4-6 meses de vida.
A
sa�de f�sica e mental da m�e deve sempre ser checada tanto nas revis�es
da m�e como nas da crian�a. Sabe-se que fatores de ordem emocional como
motiva��o, autoconfian�a e tranq�ilidade s�o fundamentais para uma amamenta��o
bem sucedida. Por outro lado, a dor, o desconforto, o estresse, a ansiedade,
o medo e a falta de autoconfian�a podem inibir o reflexo de eje��o do leite,
prejudicando a lacta��o.
O Quadro 3 apresenta alguns dos fatores que podem dificultar a amamenta��o, devendo o profissional de sa�de chec�-los sempre que a m�e referir ter pouco leite ou se a crian�a n�o estiver ganhando peso adequadamente.
Quadro 3. Fatores que podem interferir com o sucesso
da amamenta��o
1. M� t�cnica de amamenta��o
(posicionamento e pega).
2. Suplementa��o l�quida (leite, suco, ch�s),
saciando a crian�a, fazendo-a espa�ar mais as mamadas, com
conseq�ente diminui��o da suc��o dos mamilos.
3. Uso de chupetas (bico) que podem funcionar
como um substituto para as mamadas freq�entes.
4. Uso de protetores de mamilos, interferindo
nos reflexos produzidos pela suc��o.
5. Hor�rios fixos de mamadas, dificultando
o ajuste da produ��o do leite � demanda da crian�a.
6. Mamadas infreq�entes, muito curtas ou num
s� seio, estimulando pouco os mamilos.
7. Fadiga ou tens�o materna, interferindo no
reflexo de descida do leite.
8. Uso de drogas que interferem na produ��o
do leite (anticocepcionais orais, nicotina em excesso, bromocriptina).
As seguintes
situa��es s�o bastante comuns. O m�dico deve estar preparado para diagnostic�-las
e manej�-las precocemente.
Ingurgitamento
Mam�rio
O
ingurgitamento mam�rio � mais comum em prim�paras e costuma aparecer no
segundo dia p�s-parto. Resulta do aumento da vasculariza��o e congest�o
vascular das mamas e do ac�mulo de leite. Pode atingir apenas a ar�ola,
o corpo da mama ou ambos.
Quando
a ar�ola est� ingurgitada, a crian�a n�o consegue uma boa pega, o que pode
ser doloroso para a m�e e frustrante para a crian�a, pois, nestas condi��es,
h� dificuldade para a sa�da do leite.
No tratamento
do ingurgitamento mam�rio, s�o �teis as seguintes medidas:
� Manter
as mamas elevadas; usar suti� apertado.
� Compressas
frias entre as mamadas pode reduzir a vasculariza��o. Compressas quentes
(ou ducha
de �gua morna) antes das mamadas facilitam a sa�da do leite.
� Amamentar
com freq��ncia. Se necess�rio, extrair o leite manualmente ou com bomba
de suc��o. As
bombas manuais n�o s�o eficientes.
� Usar
analg�sicos, se necess�rio.
Hipogalactia
Uma
queixa comum durante a amamenta��o � �pouco leite�ou �leite fraco�. Essa
queixa, com freq��ncia, est� relacionada � inseguran�a materna quanto a
sua capacidade de nutrir seu filho, fazendo com que interprete o choro
da crian�a e as mamadas freq�entes (normal no beb� pequeno) como sinais
de fome. A ansiedade que tal situa��o gera na m�e e na fam�lia pode ser
transmitida � crian�a, que responde com mais choro. A complementa��o com
leites artificiais muitas vezes alivia a tens�o materna e essa tranq�ilidade
vai repercutir no comportamento da crian�a, que passa a chorar menos, refor�ando
a id�ia de que ela realmente estava passando fome. � muito comum a seguinte
cadeia de eventos: choro do beb� => ansiedade materna => mais
choro => introdu��o da mamadeira => menor estimula��o dos mamilos
=> menor produ��o de leite =>mamadas reduzidas =>rejei��o
do peito (ou frustra��o da crian�a quando vai ao seio) =>interrup��o
da amamenta��o.
O melhor
indicativo da sufici�ncia do leite materno � o ganho ponderal da crian�a
e o n�mero de mic��es por dia (no m�nimo 6 a 8). Se a produ��o do leite
parecer insuficiente para a crian�a, pelo baixo ganho ponderal na aus�ncia
de patologias org�nicas, cabe ao m�dico conversar com a m�e e tentar determinar
o que est� interferindo com a produ��o do leite. Quase sempre s�o detectados
um ou mais dos fatores apresentados no Quadro 3.
Se nenhum
desses fatores for detectado e a crian�a continuar ganhando pouco peso,
a introdu��o de leite artificial � inevit�vel. Nesse caso, � importante
orientar a m�e a complementar a mamada ao inv�s de substitu�-la pelo leite
artificial, mantendo assim o est�mulo da suc��o, indispens�vel para a produ��o
do leite.
Al�m da
suc��o dos mamilos, alguns fatores est�o relacionados com o aumento dos
n�veis s�ricos de prolactina, tais como o sono e o exerc�cio f�sico. Estudos
duplo-cegos t�m demonstrado que a metoclopramida, na dosagem de 10mg, 3
vezes ao dia, via oral, aumenta os n�veis s�ricos maternos de prolactina,
bem como o volume de leite produzido. Alguns autores tem relatado aumento
da produ��o de leite em mulheres com hipogalactia quando tratadas com esta
droga por 10 dias, que se mant�m ap�s a retirada do medicamento.
Traumas
Mamilares
As
m�es devem ser orientadas a procurar assist�ncia m�dica quando surgirem
traumas dos mamilos. A amamenta��o n�o deve ser dolorosa.
Na presen�a
de queixa de mamilos dolorosos ou fissurados, o cl�nico deve examinar as
mamas e os mamilos, observar a mamada, checando pega e posicionamento e
fazer as seguintes recomenda��es:
� Manter
os mamilos sempre secos.
� Ap�s
as mamadas, expressar algumas gotas de leite e passar nos mamilos. Secar
os mamilos com secador
de cabelo (por 2 minutos a uma dist�ncia de 15 a 20cm, na temperatura mais
baixa).
� Banhos
de sol ou de luz nas mamas.
� Express�o
manual da ar�ola antes das mamadas.
� Iniciar
a amamenta��o pelo lado menos comprometido.
� Variar
o posicionamento do beb� nas mamadas, evitando que ele precione as �reas
traumatizadas.
� O uso
de cremes com vitamina A e D ocasionalmente pode ajudar. N�o precisa ser
retirado antes de
a crian�a mamar. Em casos de fissuras graves, recomenda-se creme com cortic�ide
ap�s as mamadas,
desde que n�o haja suspeita de presen�a de fungos.
� Analg�sicos,
se necess�rio.
� Enfatizar
a preven��o de novas fissuras.
Se o tratamento
n�o surtir efeito e as fissuras forem suficientemente dolorosas a ponto
de p�r em risco a amamenta��o, recomenda-se a suspens�o da amamenta��o
no seio mais comprometido por 24 a 48 horas. Em tal situa��o, deve-se efetuar
o esvaziamento (manual ou com bomba de su��o) da mama comprometida, ap�s
cada mamada no outro seio. Ap�s esse per�odo, proceder da mesma forma com
a outra mama.
Mastite
S�o
as fissuras, na maioria das vezes, a porta de entrada para os germes (especialmente
o Staphylococcus aureus) que provocam a mastite. Tal patologia deve ser
precocemente diagnosticada e tratada. A mastite, em geral, compromete o
estado geral da nutriz, provocando dor local intensa, febre e mal-estar.
A mama apresenta-se com edema, hiperemia e calor no setor comprometido.
O tratamento � conduzido com antibi�ticos antiestafiloc�cicos (como, por
exemplo, oxacilina e dicloxacilina) e esvaziamento suave e completo da
mama comprometida, prevenindo, assim, o ingurgitamento e mantendo o suprimento
do leite. A amamenta��o n�o deve ser interrompida. Naqueles casos em que
n�o ocorrer melhora ap�s 48 horas de tratamento, pode estar havendo a forma��o
de abcesso, que pode ser palpado e identificado pela sensa��o de flutua��o.
Em tais casos est� indicada a drenagem cir�rgica e, freq�entemente, a interrup��o
tempor�ria da amamenta��o no seio afetado.
Uma
m�e saud�vel, bem nutrida, tem mais chances de amamamentar plenamente,
com sucesso. Estima-se que para a produ��o do leite uma nutriz necessite
ingerir um acr�scimo de, no m�nimo, 500 calorias e 15g de prote�nas por
dia. Isto pode ser conseguido atrav�s de uma dieta variada que forne�a
todos os nutrientes essenciais. A alimenta��o ideal de uma nutriz pode
ser inacess�vel para muitas m�es de baixo poder aquisitivo, o que pode
desencoraj�-las a amamentar seus filhos. Por isto, � preciso orientar a
alimenta��o de cada nutriz de acordo com as suas possibilidades econ�micas.
Estudos demonstram que mulheres sem alimenta��o adequada, e mesmo desnutridas,
t�m condi��es de amamentar seus filhos plenamente, pelo menos nos primeiros
meses de vida, devendo, pois, serem encorajadas para tal.
H� muitas
cren�as com rela��o � dieta da m�e durante a amamenta��o. C�licas e �assaduras�
s�o muitas vezes atribu�das a certos alimentos ingeridos pela lactante.
Um dos poucos estudos duplo-cegos testando a associa��o de determinados
alimentos com sintomas na crian�a evidenciou uma associa��o positiva entre
c�licas e ingest�o materna de leite de vaca(14). H� autores que sugerem
a retirada, por duas semanas, do leite de vaca e de ovos da dieta de m�es
que estejam amamentando crian�as com eczema ou sintomas gastrintestinais,
como prova terap�utica(15). Estaria indicada a retirada desses alimentos
da dieta da m�e somente se os sintomas da crian�a, ap�s uma melhora substancial
com a retirada dos alimentos, piorassem com a reintrodu��o dos mesmos.
Na
fam�lia moderna, nuclear, surge a necessidade de os pais darem apoio psicol�gico
e assist�ncia �s m�es. Alguns estudos mostram evid�ncias de que o pai,
atualmente, � uma figura importante para a pr�tica do aleitamento materno.
No entanto, muitos pais n�o sabem de que maneira podem apoiar as m�es,
provavelmente por falta de preparo. Acreditamos que alguns sentimentos
negativos dos pais, comuns ap�s o nascimento de um filho, poderiam ser
aliviados se eles estivessem conscientes da import�ncia do seu papel, n�o
apenas nos cuidados com o beb�, mas tamb�m nos cuidados com a m�e (ver
o Cap�tulo �Promo��o da Sa�de Mental da Crian�a�). Portanto, cabe ao profissinal
de sa�de dar aten��o ao novo pai e estimul�-lo a participar deste per�odo
vital para a fam�lia.
Al�m dos
pais, os profissionais de sa�de devem tentar envolver as pessoas que t�m
uma participa��o importante no dia-a-dia das m�es e das crian�as, como
av�s, parentes, etc.
COMO CONCILIAR AMAMENTA��O E TRABALHO FORA DO LAR
O trabalho materno fora do lar � um obst�culo � amamenta��o. Apesar disso, as taxas de aleitamento materno entre as m�es que trabalham fora do lar mostram que � poss�vel conciliar trabalho e amamenta��o. Para tanto, as recomenda��es contidas no Quadro 4 s�o bastante �teis para as m�es que queiram continuar amamentando ap�s retornarem ao trabalho.
Quadro 4. Orienta��es �teis para as m�es que trabalham
fora do lar
Antes do retorno ao trabalho
1. Praticar o aleitamento
materno exclusivo (n�o oferecer mamadeiras de esp�cie alguma) para que
a lacta��o
esteja bem estabelecida.
2. Fazer reconhecimento no local de trabalho
das facilidades para a retirada e armazenamento do leite
(privacidade, geladeira,
hor�rios).
3. Familiarizar a crian�a com anteced�ncia
(10 a 14 dias) com a pessoa que vai cuidar dela e o alimento que
vai receber na aus�ncia da m�e. A crian�a tende a aceitar melhor o alimento
se este for inicialmente
oferecido por algu�m que n�o seja a m�e e na metade do dia.
4. Praticar a retirada do leite (manualmente
ou com bomba) e congelar o leite (quando poss�vel) para uso
no futuro.
Ap�s o retorno ao trabalho
5. Amamentar o m�ximo
n�mero de vezes que puder quando estiver em casa, inclusive � noite.
6. Amamentar logo antes de sair de casa e assim
que chegar.
7. N�o alimentar o beb� pr�ximo do hor�rio
de chegada da m�e para que o seio seja esgotado na mamada.
8. Evitar ao m�ximo o uso de mamadeira no per�odo
em que a m�e estiver fora de casa. Se a crian�a n�o for
muito pequena, aliment�-la com papa ou sucos, usando colher ou copinho.
9. Durante as horas do trabalho esgotar o seio
manualmente ou com bomba e guardar o leite na geladeira
por no m�ximo 24-48 horas. Oferecer o leite � crian�a na aus�ncia da m�e
ou congel�-lo por at� 6
meses. Retiradas freq�entes do leite s�o mais efetivas do que retiradas
espa�adas.
10. O leite estocado nunca deve ser fervido ou colocado
no micro-ondas. Deixar descongelar naturalmente
e ap�s aquecer em banho-maria.
Fonte: Giugliani(16).
Al�m da orienta��o, o profissional de sa�de tem o dever de informar �s m�es os seus direitos legais de nutriz. A legisla��o brasileira prev� uma dispensa de at� 4 meses para a lacta��o e dois descansos di�rios de meia hora cada um durante a jornada de trabalho para que a m�e possa amamentar o seu filho, at� ele completar 6 meses. Quando n�o existir creche na empresa, ou ela ficar distante do local de trabalho, o descanso de meia hora ter� que ser aumentado, a fim de que a m�e possa sair da empresa para amamentar o seu filho. Nestes casos, a mulher tem o direito de receber indeniza��o pelas despesas que tiver.
Ver o Cap�tulo �Planejamento Familiar�.
Desmame
� definido como o processo que se inicia com a introdu��o de alimentos
diferentes do leite materno. Ele deve ser gradual, com in�cio entre 4 e
6 meses de idade. Nas comunidades onde o saneamento � prec�rio, recomenda-se
postergar o desmame, caso a crian�a esteja se desenvolvendo adequadamente.
Alimentos
complementares n�o s�o necess�rios nem recomend�veis antes dos 4 meses,
idade em que a crian�a desenvolve o mecanismo de secre��o salivar e a capacidade
de mastiga��o, podendo deglutir alimentos semi-s�lidos.
A
partir do 6� m�s o aleitamento materno exclusivo pode se tornar inadequado,
uma vez que ap�s essa idade um n�mero crescente de crian�as necessita tamb�m
de outros nutrientes para manter um crescimento adequado.
A
�poca da retirada completa do seio depende muito de fatores sociais, econ�micos
e culturais. A Organiza��o Mundial de Sa�de preconiza o aleitamento materno
exclusivo nos primeiros 4-6 meses de vida e parcial at� os 2 anos, especialmente
nas popula��es de baixa renda, uma vez que o leite materno pode ser uma
importante fonte de calorias e de prote�n