Retrospectiva 2008
O
que poderíamos dizer sobre as atividades ultralevistas no Brasil neste findo
ano de 2008 ? – Por onde começar ?
Cabe-nos
levar á tona o que fizemos, o que visitamos, o que
concluimos, o que demos continuidade, o que inventamos, o que melhoramos, etc.
e, se possível, projetarmos novas idéias ou novos rumos para coisas que
entendemos não se portaram á contento segundo nosso modo de ver as coisas e
segundo os procedimentos regulamentares que regem a nossa atividade.
SEGURANÇA
– Continua sendo ainda o nosso maior desafio. Não temos estatísticas mas, pelo simples fato de perdermos um único amigo que
seja, já é o bastante para sentirmos nossa fraqueza perante o acontecido. Não
tendo estatísticas e respectivos inquéritos e ou
perícia sobre os acidentes e incidentes. Temos que nos fiar pelo que nos
contaram e que ouviram falar. Tudo de modo extra-oficial, não confiável portanto . Sem análise fica muito difícil dirigir ações e
metas. Há muito o que se discutir neste tópico e muito
para fazer para melhorar e reverter siginificativamente o quadro atual.
INSTRUÇÃO
– Aqui o ´bicho´ pega. É perfil do brasileiro não
apreciar a leitura e isto não foge ao candidato á piloto. Ao
nosso ver a parte teórica é aplicada de modo impróprio chegando ao
cúmulo, na maioria das escolas, de ser ministrada em ´apenas´ 5 dias/aulas para
todo o curso ground-scholl, composto de 5 matérias. As provas aplicadas pela
nossa Associação (ABUL) são de bom nível (20 questões por matéria á exceção da
matéria REGULAMENTOS composta por 50 questões) mas,
entendemos que todas deveriam ser com 50 questões e mediante uma AGENDA
NACIONAL e questões permanentemente recicladas. Como os candidatos superam os
exames teóricos ? Fazendo repetidamente as provas onde
não obtiveram sucesso, sem qualquer agendamento e já conhecedores do teor das
mesmas cuja reciclagem de questões é lentíssima, sequer uma vez por ano.
Acreditamos então, que Segurança ainda é um problema muito sério em virtude da
inadequada formação de pilotos. Aqui
muita coisa pode e deve ser feita. Não é difícil. Não depende dos orgãos
reguladores e sim de bom senso e, aprimoramentos podem ser implantados sem
grandes choques. Vai ser bom para todos e vai ´ombrear´
nossos pilotos (PR) com os demais de mesmo nível (PP) formados por outros
meios. A instrução prática tem sido satisfatória e em grande parte é realizada
nas aeronaves dos próprios alunos. Conta-se em dedos aquelas escolas que hoje
podem aportar recursos em aeronave (quiçá aeronaveS)
ultraleve avançada própria devido ao seu alto custo.
CONSTRUÇÃO
AMADORA – Aqui engatinhamos de fato. Salvo uma aeronave nova voando aqui outra
acolá, não vemos o empreendedorismo que gostaríamos de ver e muito menos o
espírito cooperativista tão necessário neste tipo de atividade. Procuramos provar,
e conseguimos com o término do ULTRA-BR-01/PU-SBX, que é possível construir no
país uma aeronave do tipo ´ultraleve avançado´ com
motorização e componentes todos nacionais para atender a massa ansiosa que não
vê a hora que isto aconteça. Saiu caro ? – É lógico
que sim ! – Como objeto de ensaio o ULTRA-BR-01 sofreu
a consequencia de todos os problemas previstos e principalmente (claro) os não
previstos: pintura (2), aeronautização em todos os níveis (decisão tomada no
meio do curso prático do projeto), desenvolvimento de carenagens (3) e toda a
periferia de motor refeita, etc. Foram ´gorduras´
indesejáveis que, somados aos gastos previstos, montaram em R$ 144.000,00 –
aeronave completa voando documentada, com todos os instrumentos, rádio
transceptor, exceto transponder. Demandou tres anos para ficar pronto ante os
problemas encontrados e necessidade de captação de mais recursos para o seu
término. Se canalizados e sintonizados todos os fornecedores e prestadores de
serviços do ramo, ante uma central montadora da aeronave, temos absoluta
certeza que o mesmo poderia ser produzido em série e por um preço final em
torno de R$ 80/90.000,00 com bom lucro á todos. Começaremos em 2009 os vôos de
longa extensão e tentaremos reportar passo-a-passo os mesmos através de nosso
site (www.sidebyxo.com.br) e através
de publicações. Esperamos extrair estatísticas do seu comportamento, e
principalmente, levantar o seu custo operacional (muito importante). Graças á
colaboração da ABUL, ELETROLEVE, ARIELTEK, ALLTOURS, YKOM e R G ALBRECHT já
estamos distribuindo o Boletim Informativo # 1 de ULTRA-BR-01. Solitações pelo
e-mail: [email protected]
O
ESPORTE – este infelizmente é o grande prejudicado. Não conseguimos ver o
esporte através do ultraleve avançado, para nós um avião leve. O vôo em
ultraleves de fato, os ditos ´BÁSICOS´, hoje são raros
e quando acontecem causam espécie. A navegação aérea de médios e longos trechos
realizadas pelos mesmos em condições rudimentares, caracterizavam
de fato a atividade como ESPORTE.
Incrivelmente prejudicadas por uma ICA-100 assassina, que cravou estas
interessantes aeronaves no âmbito exclusivo de suas bases (proibido navegar –
somente com piloto habilitado CPR), o ESPORTE morre á míngua e assiste aos vôos
de TURISMO (ou Vôos de Recreio, daí o título Piloto de Recreio) dos seus primos
avançados e com lágrimas nos olhos. As fábricas de ultraleve já não existem
mais no Brasil, dedicando-se quase que integralmente á montagem de KITs importados e na sua totalidade somente do tipo
´avançado´. Os preços dispararam e com eles o custo de manutenção e gastos com
treinamento, hangaragem, etc. passando todos a viver e respirar o mesmo ar da
aviação geral não experimental, como todas as suas exigências e trâmites. A
atividade como esporte praticamente hoje inexiste, infelizmente. Há algo de
errado no reino da Dinamarca, sem dúvida, pois entendemos que, uma aeronave
asa-baixa, com motor de mais de 100 HP, trem retrátil, piloto automático,
semi-acrobática e atingindo cerca de 300 Kmh definitivamente não é um
ultraleve. Mas a legislação e sua normatização atual assim a entende devido á
exígua exigencia contida em seus têrmos. Diante desta visão, pelo ângulo dos
regulamentos, é óbvia a exigencia contida nos mesmos e relativa aos requisitos
para sua pilotagem. Daí o CPR (Certificado de Piloto de Recreio) que é uma
regulamentação avançada e muito moderna. Mas, o antigo e desvalorizado (ainda
vigente) CPD – Certificado de Piloto DESPORTIVO, de nome coerente com o ´ESPORTE´, ficou, com a ´atualização mal feita´ dos
regulamentos da época impedido de ´NAVEGAR´, isto é: Ficou impedido de praticar
o ´ESPORTE´. Incoerente também. Por que ? – O CPR é exigido para navegar e sua obtenção
autoriza o seu portador a contactar os Orgãos de Controle Aéreo. Mas, sua
aeronave (básica ou avançada) deve estar munida de rádio para comunicação
bilateral e equipada também com transponder. Equipar e operar um ultraleve
básico com estes requisitos não é fácil, além de muito caro. Mesmo assim
equipados, estas aeronaves não têm como operar (apesar de serem autorizadas – e
aí o grande e perigoso engano do regulamento) nas áreas controladas (REA(s) –
antigos Corredores, AWY – aerovias, ATZ(s) e CTR(s)) devido á sua baixíssima
velocidade operacional, autonomia e teto de serviço. O ultraleve básico é uma
grande escola e reinvidicará sempre o reconhecimento do CPD livre para navegar
(Espaço tipo ´GOLF´) para reavivamento deste ESPORTE que, absurdamente, na
terra de Santos Dumont – inventor, construtor e grande praticante do
ultralevismo – está MORRENDO !
RECURSOS
– Aprimoramos e atualizamos os recursos de software aplicados á aviação da
seguinte forma: O Software INTERACTOR-AIR para instrução de navegação aérea
visual e planejamento de vôos, que conta com um banco de dados de 12.500
waypoints do Brasil, pode ser agora carregado em pen drivers e, caso o
computador em uso esteja conectado á INTERNET, é possível obter mapas e fotos
de satélites dos locais e pontos da navegação. O Software para PÊSO &
BALANCEAMENTO foi aprimorado substancialmente após a pesagem e balanceamento do
ULTRA-BR-01/PU-SBX em paralelo com os recursos e trabalhos do Eng. Eduardo Hilton aplicados ao mesmo.
SITE
– Ao site da Side-by-Xo foi incorporado o BLOG ´A Palavra do Comandante´
e o Grupo ULTRA-BR para discussão sobre o ULTRALEVE BRASILEIRO que
enseja motivar empreendedores na construção de ultraleves com recursos
disponíveis no país. Conseguimos também efetivar o domínio Side-by-Xo na WEB e
agora o acesso ao site é realizado pelo acionamento de www.sidebyxo.com.br
INSTRUÇÃO
– A Side-by-Xo iniciou em
A
Side-by-Xo deseja a todos os ultralevistas um ótimo ano de 2009.
Paulo
D´Amore