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FUGA PARA O INFINITO
Na primavera de 1968 no bairro de cidade Patriarca, numa bela manhã ensolarada, perto da casa de uma senhora idosa chamada Dona Ana, onde havia uma cerca de ripas de madeira, que terminavam em pontas, forrada por um espesso maracujazeiro, brincavam varias crianças numa clareira rodeadas de sebes, capim e outros tipos de plantas rasteiras, ali cavaram eles os boxes na terra para o jogo de bolinhas de gude, arrumaram tudo com a enchadinha que um dos meninos pegara emprestado do tio, num outro espaço ali mesmo naquela terra aplainada e lisa de tantos pisoteamentos destes mesmos traquinadores, prepararam o local para um outro tipo de jogo com bolinhas de gude, o jogo do triângulo. Numa algazarra espetacular, ali naquela arena de sonhos se desenrolava os primeiros passos daqueles meninos, rodeados de sonhos e de colibris, beija flores ,vinte e quatro horas, aranhas tarântulas de diversos tamanhos, cobras verdes, lagartixas pretas, vespas cabeludas, perfumes de damas da noite,de flor de maracujá, de dálias e sempre vivas, rosas e margaridas, lendas de saci e mula sem cabeça, primeira comunhão e anjos do senhor. Desconhecendo plenamente o peso da vida, numa realidade fantástica, viviam eles a margem de qualquer problema que estivesse acontecendo no mundo dos adultos, sejam com seus pais, na área do trabalho ou da economia, pelo que parecia os adultos da época se esforçavam ao máximo para esconderem os problemas não o levando para as crianças, procurando sempre demonstrar certa tranqüilidade e estabilidade, certos problemas vazavam por vezesem casos extremos de miséria ou falta de dinheiro, e e claro vindo a atingir os meninos e meninas sejam eles de qual família fossem acometidos por tal fato.Pelo que parecia as famílias paulistanas em geral, apresentavam aquele principio de união, de auxilio mutuo, principalmente nas épocas de festas como a Páscoa, o Natal, as Festas Juninas, e as crianças eram o motivo da alegria e união das famílias, procurando sempre um mundo alegre e cheio de perspectivas. E neste ambiente gostoso, familiar, amigo, foram crescendo aqueles meninos e meninas num mundo novo luminoso e cheio de vida. Serafim e Maab eram dois daqueles meninos que brincavam no terreno vizinho a casa da Dona Ana, entre abelhas zunindo, brincando de bolinhas de gude, estavam tambem o Julio, o Beto, o Caico, o Reinaldinho, o Rene e o Loro. E as meninas tambem traquinas, passavam pra lá e pra ca na rua, comentando algo entre elas, entre olhares e rizadinhas, a Sandrinha , a Vera , a Eliana, a Magali e a Yolanda irmä do Serafim. O Maab e o Serafim tinham ideias semelhantes, nasceram filosofos de berço, e por vezes se detinham por horas, por dias em seus pensamentos sobre a vida, sobre a criaçäo do mundo, e sobre a existencia de Deus. Sem saberem por que suas conversas giravam em torno dos misterios da vida e do universo. Para dois meninos fossem ou näo fossem adeptos da reencarnaçäo, algo havia vindo com eles fazendo serem inquiridores do conhecimento, de procurar as respostas sobre estes temas.Algumas de suas perguntas eram , Quem e Deus?, Quem seria o pai de Deus?, Como foi criado o universo? O que acontecera apos a morte? Chegaram mesmo a fazerem um acordo,que seria o seguinte, Quem morresse primeiro, viria contar como säo as coisas no outro lado da vida, e assim ficou combinado por aqueles dois meninos que contavam com uns dez anos de idade na epoca.
Na epoca havia sido lançada aqui no Brasil, uma enciclopedia italiana, toda em portugues, chamada Conhecer serie verde, esta enciclopedia, tinha a particularidade de ser colecionada aos poucos, em fasciculos comprados nas bancas de jornais, foi um lançamento da editora Abril, a mesma era de uma editoraçäo riquissima para a epoca, cheia de telefotos e gravuras, muito bem colorida por sinal. E este eram um dos alimentos culturais do Maab e do Serafim, que a cada fasciculo novo, devoravam na toda, entre leituras e discussoës sobre os conteudos das mesmas. Devaniando entre gravuras da via lactea, gravuras do sistema solar a que pertence a Terra nosso querido planeta, fotos de astronautas e dos foguetes Apolos.
O HOMEM PISA NA LUA
E por falar em Apolo, decorria-se o ano de 1969, e depois de tantas e tantas pesquisas e estudos, falhas, testes, sucessos, o homem finalmente conseguira empreender a täo almejada Viagem a Lua, como Julio Verne havia já antecipado em seu livro. Maab estava com seu irmäo Julio na sala de sua casa acompanhado tambem de sua mäe e de sua irmä Eliana, quando pela tv apareceu o reporter Esso que apresentava entäo, as primeiras galgadas do homem na lua, Yuri Gagarin, um norte americano. Foi um bom assunto para Maab e Serafim, que ficavam olhando pra as gravuras de naves nos fasciculos, e se imaginava seriamente construindo uma delas para empreender sua viagem pelo espaço sideral, no quintal dos fundos em caixotes velhos, uma tampa de lata como volante, e outros instrumentos e em suas imaginaçöes eram os novos homens do espaço.
Maab estava morando entäo naquele bairro da zona leste de Säo Paulo, já se faziam uns dois anos, antes disso morara na Vila Formosa, e lá principiou a estudar numa escola municipal, conheceu um coleguinha, o Carlos, que tinha na sua casa uma coleçäo de insetos, guardados em vidrinhos, vivos no meio de folhas de mato. E tambem na escola havia visto uma exposiçao com cobras conservadas em vidros com alcool, aranhas , etc... Trazia tudo aquilo armazenado em sua mente, e näo saia da cabeça a ideia de montar um laboratorio. E quando começou a estudar ciencias biologicas , foi destaque entre os alunos de sua escola em varios trabalhos sobre a materia, principalmente quando o assunto eram as diferentes especies de seres vivos presentes na natureza. Pois em se tratando de bichos, cobras, lagartos, aranhas era falar com ele. Ele tinha um otimo dicionario que pertencia a seu pai, que por sorte trazia a origem das palavras, os nomes cientificos de muitas especies, os ramos e as ordens a que pertenciam, um processo de nomear os seres vivos criados por um cientista chamado Lineu se naö falha a memoria. Simplesmente ele extraiu tudo que pertencia ao ramo da zoologia daqueles dicionarios, de A a Z , e isto näo era um trabalho escolar pedido por algum professor, simplesmente era um trabalho particular daquele menino, que trazia dentro de si , um outro mundo, a parte de muitas mentes de outras crianças. Novamente poderia ser atribuido a tudo isto a ideia de rencarnaçäo, pois havia uma marca muito forte nestas atitudes, que atestavam a consciencia de um naturalista a procura de novas especies naquele menino que traria o frescor ainda de uma vida anterior, em canoas, em navios a percorrer o mundo com o único objetivo de expandir as Ciencias Naturais de entäo.Certa vez sua mäe havia perguntado a uma medium num centro espirita, por que seu filho gostava de juntar aqueles bichos em vidros, e a medium em transe havia-lhe dito que aquelas atitudes vinham de uma vida anterior a esta. E numa outra fase de sua vida Maab haveria de Ter outras comprovaçöes de que isto era um fato verdadeiro. A parte da zoologia que ele mais gostava de estudar era a entomologia, ou o estudos dos insetos em geral, dada a grande variedade de especies. Começou entäo por montar uma partileira no quintal de sua casa, lá seria o laboratorio, e nesta foi colocando vidrinhos transparentes, onde começou a amarzenar e a catalogar especies de insetos. Arrumou um caderno de desenho , onde desenhava manualmente as especies. Nos vidros colocava uma etiqueta com o nome vulgar e o nome cientifico dos insetos, colocava outras particularidades tambem como familia , especie , subespecie, etc...Pediu a sua mäe que conhecia o farmaceutico local para que o mesmo guardasse os vidrinhos de injeçöes vazios, uma seringa sem a agulha, e comprou eter para imopbilizar os insetos que parecessem perigosos quando de sua captura. E desde a hora em que se levantava pela manha, o assunto era entäo a coleta de especies. E assim varios coleguinhas vinham ao seu encontro para sairem pelos campos e matos a procura de novas especies.
Era uma grande aventura para aqueles garotos, a cada pedaço de pau podre que era retirado de onde estava, a cada rocha removida, a cada galho de arvore analizado, especies diferentes se apresentavam ante aos olhares daqueles investigadores da natureza, por exemplo ao se depararem com uma aranha em meio a rochedos, Maab falava aos seus companheiros entusiasmado , e um aracnideo, da familia dos aranideos , se soubesse o nome da especie tambem a citava, e dizia, vamos coleta-lá, e a coleta de aranhas grandes se apresentava como uma aventura de alto risco, para näo ser picado pela mesma, o que poderia ser grave, dependendo da especie. Rodeavam a aranha, esta corria daqui pra lá, como quem pensasse estou em serios apuros com esse bando de meninos humanos, ela entrava debaixo de algum objeto, os meninos retiravam-no rapidamente, Maab queria a especie viva que a colocaria em um grande vidro de azeitonas vazio e previamente limpo, ali ele a criava, dando mosquitos que catava vivos habilmente com as mäos, numa tecnica ensinada pelo seu primo Vagner. O caico era habil na captura das lagartichas pretas, que na verdade näo eram lagartichas, e sim pequenas especies de lagartinhos que se apresentavam ou todo marrom com listras pretas, ou pretas com listras marrons, o Caico tinha uma que ele havia criado por bastante tempo, ele a chamava de pretinha.Realmente esse lagartinhos eram bonitos e seu couro eram liso, näo como os das largatixas que aparecem nas paredes das casas. Conforme os garotos caminhavam, ouviam o deslizar no mato rasteiro, ou era um destes lagartos ou seria alguma especie de cobra, havia uma especie de cobra de tamanho pequeno que tambem eram adotadas como animaizinhos de estimaçäo pelos meninos, era uma cobra verde claro, muito brilhante o seu couro tambem. Estes pequenos repteis fizeram parte de muitos trabalhos escolares, eles eram levados para as salas de aula vivos nas aulas de Ciencias Biologicas. Certa vez Maab e seu assistente chamado Babäo, levava ele esse apelido pois ele quando falava babava como um bebe, fizeram uma aula de anatomia usando um sapo, e uma gravura que tinha num livro de ciencias que tinha um sapo aberto e assinalava todos os orgäos do anfibio, Maab comprara na faemacia um vidro de formol para embalssama-lo, com o sapo aberto vivo, e seu coraçäo batendo, foram comparando com a figura do livro e reconhecendo os orgäos daquela criatura, depois colocaram algodäo com formol dentro do mesmo, isto depois de retirarem todos os orgäos, e o costuraram. No dia seguinte foi para a aula e levou o sapo embalsamado para a escola, sua ideia era apresenta-lo para a professora de ciencias, so que um de seus coleguinha de classe teve a ideia de pegar o sapo e coloca-lo na bolsa de uma menina, quando esta chegou do intervalo deparou-se com o sapo em sua bolsa, foi um berro formidavel de horror. Logo veio a diretora e perguntou, de quem seria o sapo, e todos apontaram Maab, que foi para a diretoria receber uma bronca, e lá explicara que havia trazido o sapo oara a aula de ciencias e näo com a finalidade de assustar a menina.
Mas interessante mesmo , naquelas tardes ensolaradas quando em suas caminhadas se depararem com um vinte e quatro horas, que e uma especie de vespa negra, muito agil, uma especie de hemnoptero, ou seja da mesma familia das abelhas e marimbondos, so que sua refeiçäo principal säo as aranhas, seja de que tamanho fossem, engraçado que o tamanho deste inseto e proporcional ao tamanho da aranha que se encontra nas imediaçöes em que ele estiver sobrevoando. Ele apresenta duas anteninhas amarelas por vezes ou pretas em outras, estas antenas ficam vibrando parece que a procura de aranhas, quando este as acha, instantaneamente da uma ferroada na aranha, ou se engalfinha numa luta derrocada, rolando os dois levantando ate poeira do chäo quando encontra oponente a altura, mas na maioria das vezes a aranha e quem sai perdendo, e fica paralisada com a ferroada deste poderoso inseto, que ganhou o apelido de vinte e quatro horas, pois dizem as pessoas que se alguem levar uma ferroada do mesmo, durara entäo somente mais vinte e quatro horas. Primeiro avistava-se o vinte e quatro horas com suas anteninhas espertas e seu voo ligeiro, como se fosse um guardiäo dos meninos que caminhavam descalços na maioria das vezes pelas campinas. Em muitas vezes testemunharam confrontos deste inseto com enormes aranhas, quando ganhava, na mairoria das vezes, arrastava a presa para sua toca em alguma rocha, tal qual um zorro de capas negras saia sempre vencedor, e as aranhas desfalecidas pelas ferroadas do mesmo. De certo as aranhas eram de maior risco para aqueles garotos do que o vinte e quatro horas, Maab nunca havia conhecido alguem que tivesse levado uma ferroada da vespa, mas muito pelo contrario de aranhas. A maior aranha e a maior vespa negra que Maab havia presenciado, fora numa chacara em Itaquera, o japones estava colhendo alguns pes de alface para sua mäe e sua tia quando Maab avistou um enorme vinte e quatro horas sobrevoando os canteiros, logo viu que por ali deveria haver uma aranha e das grandes, e näo falha derepente a vespa pulou em cima e uma enorme briga com uma aranha caranguejeira amarela da cor do mel, que tambem Maab nunca havia visto, so que no momento estava com sua mäe e sem seus equipamentos, mas näo ia dar tempo mesmo pois o japones verdureiro näo exitou em dar uma violenta enxadada na aranha matando-a . A vespa negra ainda ficou sobrevoando o local, e logo foi embora pois talvez quisesse a aranha inteira e näo em pedaços.
Certa vez os garotos assistiram na tv, aquele classico de Julio Verne, Viagem ao Centro da Terra. Foi o que bastou para que aquelas cabecinhas idealistas, imaginassem uma entrada para o centro da terra como no filme, isto lá no morräo, que era uns morros que ainda näo estavam devastados pelo progresso humano. Haviam enormes barrancos em terra descoberta que a chuvarada escavava algumas enormes fendas, numas destas fendas fora o local escolhido por Maab para atingir o centro da terra. Ele o Caico o Julio e o Babäo principiaram a cavar um tunel que ficou famoso ate entre as meninas que vinham visita-lo, a Sandra , a Vera Lucia irmä do Caico,a Dag e a Eliana irmä do Julio e do Maab, pois em suas conversas na pracinha nas tardezinhas depois do banho, os garotos ficaram falando que estavam escavando um tunel que daria no centro da terra, as meninas ficaram loucas para conhecerem o famoso tunel. Em suas imaginaçöes na mais plena inocencia, e no profundo de suas mentes de deuses eles atingiram a magia e a aventura.
Eu näo sei se e porque crescemos e nos tornamos adultos e descobrimos outras coisas e ficamos sabendo demais, ou se o tempo e outro, ou as crianças näo tem mais a oportunidade de brincar täo deliciosamente como aquelas, ou se nossa geraçäo estragou o mundo com a violencia, a ignorancia, os armamentos, so sei que na atualidade, as escolas, näo so aqui em S.Paulo ou no Brasil, mas em diversas outras partes do mundo estäo sendo o ponto principal de ataques de uma força que nos parece querer implantar o cals no mundo, pois disceminar o uso de drogas entre as crianças, implantar a lei do mais forte, do uso de armas logo na raiz, na tenra idade, e querer que a sociedade seja disceminada por ela mesma. Vejam a atençäo que deve ser dada a educaçäo destes pequeninos que despontam para o mundo. O duro e pensar que os adultos do presente säo os principais responsaveis por as coisas estarem assim, por uma analise da infancia daqueles garotos, suas infancias foram ricas de paz e de conhecimento adquiridos, mas o problema que gerou a verdadeira instabilidade que nos deparamos hoje entre as crianças e os jovens foi implantado realmente na adolscencia daqueles meninos que hoje säo adultos, e deve Ter começado entre aqueles que eram adolescentes em sua epoca. A liberaçäo, o rock and roll , as drogas leves em seu principio, depois o lsd, e finalmente para arrasar já nos tempos atuais a cocaina. Quando aqueles garotos vindo de um mundo inocente de infancia foram se deparando com todo esse novo movimento em suas adolescencia, ficaram perdidos, e uma grande parte aderiu aos pensamentos dos já adolescentes de sua epoca. Mas outros näo, de familias mais sistematicas e conservadoras, e com um poder aquisitivo melhor criaram pessoas que so lhe trouxeram orgulho dado a suas boas indoles, e claro que na escola da vida ninguem pode estar isento de cometer algum erro, mas uns cometem todos os erros , outros cometem apenas alguns erros. Estes ultimos sempre podem contar com a ajuda dos homens de bem.
Naquela incrivel comunidade de crianças sadias aqueles garotos cresceram, num mundo de sonhos alegres, e seus pais näo eram ricos, nem patröes, mas reinava algo ali que esta faltando na atualidade, talvez sonho, talvez alegria, esperança , amor, companheirismo, lealdade. Na faixa dos onze anos de idade mais ou menos , meninos e meninas começavam a se descobrir, Maab tinha uma vizinha que se chamava Soraia de nove anos, mas muito inteligente, todas as noites lá na rua Inocencio Correia eles brincavam de pega -pega, esconde-esconde e outras brincadeiras como beijo-abraço-aperto de mäo, numa certa noite faltou luz no bairro, eram umas sete horas, estava escuro, eles estavam brincando de pega-pega, quando Soraia deu de encontro com Maab no escuro, ela deu lhe um beijo na boca no mesmo instante, Maab nunca havia experimentado aquilo, foi a melhor sensaçäo que ate entäo sentira em seu principio de vida, um sentimento täo grande como se toda a energia do universo aguardasse aquele sublime momento. A partir daí eles se encontravam todas as manhas nos fundos de suas casas que eram separados por um muro alto, subiam no muro e ficavam se beijando na boca longamente.Havia na casa de Maab varios discos de vinil, que seu pai o Sr. Joäo trazia da gravadora Chantecler que era cliente dele, e no meio destes havia um chamado Os Mais Lindos Sambas Cançöes, num destes sambas cançöes tinha um em que a letra dizia, Foi assim a lampada apagou, a vista escureceu, e um beijo entäo se deu, e veio a ancia louca , incontida do amor... E este era um dos sambas que Maab mais ouvia daí por diante.
Certo dia a mäe de Maab, a Dona Maria, levou ele no barbeiro lá na av. Alto Garças, e lá fez com que lhe cortassem o cabelo naquele estilo muito usado pelos garotos da epoca, tinha o americano alto e o americano baixo, seu cabelo fora cortado no americano alto, obarbeiro para agradar dava uns pentinhos em miniatura para a garotada. Mas Maab saiu do barbeiro, fazendo birra, pois o sue maior medo era o de que Soraia näo fosse mais gostar dele com o cabelo cortado daquele jeito. Chegou em casa triste pois já faziam uns dois dias que näo via Soraia, e na sua mente de criança achava que estava sendo rejeitado por causa de sua carequinha, mas o que Maab näo sabia e que näo tinha olhos nem inteligencia ainda para ver a si mesmo e se avaliar, suas caracteristicas iam de encontro a um garoto saudavel, de bochechas levemente avermelhadas de saude, dois dentöes brancos bonitos a frente, com aquele corte de cabelo mais parecia um marinheiro americano nos filmes de Holliwood. Na tarde seguinte sentou-se em frente a sua casa triste pensando em sua amada Soraia, perto da mureta de mais ou menos um metro, nisso quem chegou de carro com sua mäe, era Soraia, ela desceu do carro e veio na direçäo de Maab, este estava cabisbaixo, ela se achegou lentamente e com um jeito mais doce que o mais puro mel, com seus cabelos avermelhados, ela era de caracteristicas branca e näo tinha sardas pelo rosto, mas os cabelos denotava ser igual as das pessoas que tem sardas pelo rosto, e perguntou, ---Porque voce esta triste, enquanto que com suas belas mäos de menina afagava a cabeça de Maab, ---Eu achei que voce näo iria mais gostar de mim, por causa que cortei o cabelo deste jeito, respondeu Maab,---Que e isso seu bobo, voce esta ate mais bonito, disse Soraia,--- Sendo assim , voce ainda gosta de mim, perguntou segurando uma de suas mäos, ---Claro que gosto, respondeu ela,--- e Maab beijou a mäo dela docemente, e no dia seguinte lá estavam os dois se namorando em cima do muro novamente.
Nada como o primeiro amor da vida, como e doce, como e belo, que ternura, mas infelizmente um dia Soraia teve que ir embora, e Maab viu o primeiro amor de sua vida desaparecer num caminhäo de mudanças, talvez uma das primeiras grandes dores que ele sentira, e uma dor diferente do que martelar um dedo, cortar o pe num caco de vidro em meio as correria pelos matos, esta esta lá dentro do coraçäo, e a chamada dor da saudade, e pior que esta näo tinha retorno, pois so havia uma pista , alguns coleguinhas da mesma rua haviam lhe dito que talvez ela estivesse voltando para o estado do Parana, e assim ela sumira como aparecera, de repente. Os primeiros dias com aquela ideia na cabeça de que näo mais a veria, foi uma tormenta, chegou a sonhar com ela, seu peito ardia em chamas, mas näo houve se quer algum consolo, näo houve remedio para esta ferimento, näo e como um machucado em que a mäe vem e coloca um mercurio e da um beijo e sarou, o único remedio que houve foi o tempo, sim a ferida se feichou na marra, a vida tem que continuar, outros afazeres, alguma diversäo se incubiram de abrandar a dor , esta ficou guardada em seu interior, imperceptivel, porem ativa, começando por forma-lo neste aprendizado intrinseco que e viver.
Quanta falta faz ao jovem, uma orientaçäo, para que näo tropesse ou erre no camhinho, mas veja bem ninguem estara isento de sofrer e errar, parece que isto sem duvida faz parte do aprendizado, como o bebe que quando começa ase levantar e caminhar, e cair e levantar, a mäe sabe que ele vai sofrer uma queda por vezes, mas deixa para que ele se levante de novo, e faça nova tentativa, mas por vezes ele fica no mesmo lugar a chorar, e ai entäo que a mäe vem em seu auxilio para levanta-lo e consola-lo com beijinhos. Mas quando este já pode caminhar sozinho, muitas vezes a mäe näo esta por perto, chegou o momento de aprender a se levantar sozinho, näo podera chorar, tera que engolir, e caminhar. Mas sem duvida o ser-humano näo nasceu para se virar sozinho, vivemos por que temos outras pessoas ao nosso redor, um depende do outro, como um bebe depende de uma mäe, por mais auto-suficiente que seja uma pessoa, nada fizemos sozinhos, estamos todos interligados, estamos aqui pelos nossos pais, e estes pelos seus pais, e se temos varios tipos de avanços tecnologicos e de conforto na vida, a todas estas coisas foram atribuidas aos conhecimentos adquiridos de outros tantos milhöes de pessoas, se ficarmos doentes dependeremos de outras tantas pessoas, näo adianta voce se trancar nesta sala e dizer eu sou auto suficiente e vou viver aqui em frente a este computador, e tudo que quiser a internet pode me trazer em mäos, e assim pode ser na atualidade, mas ate chegar a este ponto voce já utilizou o serviço e a colaboraçäo de milhöes de pessoas. Para a criança, para o adolescente mais ainda, a mäo do mestre a lhe apontar os caminhos mais certos do aprendizado. Testemunhamos jovens que se fizeram bem na vida adulta, ancorados no determinio de pais, mestres e orientadores de pulso firme, e vemos tambem uma grande parte cair e se desvanescer no caminho sendo tragados pelas fatalidades materiais e sociais. A criança, o menino, o adolescente e mesmo o adulto, devem aprender a gostar do que e correto em suas açöes, da conduta certa, do caminho do sucesso, a vitoria, reconhecer que no fim do esforço pelo bem há uma grande recompensa, a recompensa do dever cumprido, a medalha de honra ao merito. Sim que falta faz uma medalha de honra ao merito, lá nos primordios escolares.
Na Vila Guilhermina na capital de Säo Paulo, havia uma escola municipal, onde Maab fizera seu curso primario, o primario correspondia aos quatro primeiros anos escolares, havia um diploma na conclusäo com direito a formatura e festa, era dado muito valor a esta formaçäo na epoca, e este e um ponto em que as autoridades educacionais deveriam se deter e avaliar novamente as mudanças que foram feitas desde entäo, o maior erro da escola atual foi criar uma miscelania completa, de primeira a oitava serie, misturando a infancia com a puberdade. Sim uma mistura, pois o primario era o retrato da infancia, uma base solida que iria formar pessoas competentes, devemos procurar evoluir e claro, mas há coisas que devemos manter, a palavra seria conservadorismo, seria o mesmo que querer que uma roda fosse quadrada, começou por um carrinho puxado por mäos,, as rodas já eram redondas, depoi vieram os cavalos para puxar, e continuaram redondas, de pois um motor a vapor, depois o motor a combustäo, e ate num trem de pouso de um aviäo elas seräo redondas. Portanto, existem coisas que devem ser conservadas, pois sua utilidade e de valor indiscutivel atraves dos tempos. E assim eram as escolas puxadas por um sistema redondo. Já era dado a mesma uma importancia tal, que cada aluno era muito importante, nenhuma criança passava despercebida, mas isto foi se acabando devido a mentes corrompidas que ocuparam cargos que näo deveriam ocupar, vindo a terem ideias que infelizmente corromperam o ensino no Brasil. Por fim perderam o controle, aluno bate em professor, atira com arma de fogo em professor, näo respeitam, basta passarmos em frente a uma escola estadual ou municipal e vemos alunos em cima de carteiras, os predios todos pixados, traficantes em suas portas, aqueles que querem estudar e seguir um caminho bom, näo o podem pois säo ameaçados por colegas marginalizados.
Maab adorava estudar como já dissemos, principalmente ciencias biologicas, havia nesta escola municipal um professor que formou centenas de crianças de primeira a Quarta serie, seu nome era Professor Ivo Bandoni, este professor era um homem de uma competencia e integridade social indiscutivel, e de uma rigidez ferrea com os alunos no que concerne a ensinar as materias do curriculo escolar, bem como ensinar o respeito a si e aos outros. Certa vez Maab estava brigando com um colega de classe no patio da escola, o professor saiu da sala de aula acabou com a briga e ainda deu uns belos puxöes de orelha nos dois. Um outro aluno, chegou na sala de aula ferdendo a pinga , o professor viu que os olhos do garoto estavam vermelhos, e chegou mais perto e sentiu o cheiro da cachaça, pediu para que o aluno bafejasse contra o seu nariz, e falou ---Ah voce andou bebendo, e depois ainda tem a ousadia de vir para a sala de aula. E disse eu vou querer falar com os seus pais sem falta, dando-lhe uns puxöes de orelha bem forte, dizendo, --- Seu semvergonha, se eute pegar de novo cheirando a cachaça, näo mais entrara na sala de aula, eu vou querer falar com os seus pais e deu-lhe umas bofetadas na orelha de mäos abertas. Mas o professor batia de tal modo que näo machucava, seria apenas uma repreensäo de modo que o garoto näo mais viesse repetir aquele ato.Quantas vezes em que ele passava as provas de matematica ou de lingua portuguesa, os alunos que tiravam abaixo de cinquenta eram chamados a frente da classe de aula, ele mandava todos encostarem no quadro negro, e naquela fila ia submetendo um a um aos puxöes de orelha, ou entäo um puxäo de cabelos, os alunos se entreolhavam e davam risadas, mas depois que começava o festival de castigos fisicos, alguns saiam com os olhos vermelhos, quase chorando, mas no fim acabava tudo bem, e o professor Ivo Bandoni compensava muito aqueles em que ele via recuperaçäo e que se esforçavam nos estudos. E Maab certa vez sem esperar, foi na passagem do terceiro para o quarto ano primario, recebeu uma medalha de honra ao merito , o menino chorou, pois uma emoçäo incontida tomou lhe conta do espirito, vendo aquele pedaço de bronze com fita verde e amarela, que aprendera a respeitar, sendo as cores da sua patria. Pois alem de tudo pregavam nas escolas um patritismo lindo, o sete de setembro era uma festa de grande cunho.
Foi numa festa da independencia, que Maab foi desfilar no Anhangabau com sua escola, estavam os alunos a espera do onibus que os levariam para o desfile, o mesmo desfile em que se desfilam as tres armas do pais, a marinha , o exercito, e a aeronautica, Maab estava bem vestido de calça pantalona azul marinho, camisa branca de manga comprida e gravata azul marinho, alem de sapatos pretos, em alto estilo escolar da epoca, eram seis horas da manhä e no patio da Escola Municipal de V. Guilhermina, todos os alunos já se enfileiravam, Monica a menina de mini saia branca, olhou entre todos e veio ate Maab e pediu-lhe que ajudasse a colocar as finissimas luvas de seda branca em suas mäos, o garoto pegou aquelas lindas maozinhas, mais macias que o mais qualificado algodäo, enfiou as luvas e fez os laçinhos que a serviriam para prender as luvas as mäos, ela lhe agradeceu com um sorriso , e retornou ao seu lugar, era a menina da balisa, a que ia fazendo graças com o bastäo a frente do desfile. Esta ainda estudou o quarto ano primario com Maab, vindo os dois a namorar, um namoro de uns dois beijos no rosto, mas cheio de uma ternura que so a inocencia das crianças pode revelar. E assim terminado o quarto ano primario, a formatura na igrja da V. Gulilhermina culminando com a entrega dos canudos com os diplomas de mais uma infancia vivida.
Voltando a falar das caracteristicas do lugar na epoca, entäo 1968, 1969, 1970, por estes anos mais ou menos, um bairro como Cidade Patriarca, tinha como principal via de ascesso a avenida Antonio Esteväo de Carvalho, que era de mäo dupla, e era muito estreita, uma via sem acostamento, muitos buracos com poças d agua e mato alto as suas margens, lá passava um onibus que conduzia as pessoas ao Parque D. Pedro II , e tinha a estação ferroviaria, que fazia a linha da estação Roosevelt ate Mogi das Cruzes