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A REPRESENTAÇÃO DO ORGASMO EM MULHERES UNIVERSITÁRIAS MATRICULADAS EM CURSOS NA ÁREA DE HUMANIDADES |

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INTRODUÇÃO: |
COM A COLABORAÇÃO DE
Tatiane Cristina Nero
Andressa Z. Faleiros
"São neuróticas ou normais a inibição sexual e a concomitante rejeição da sexualidade, se desenvolvem no início de uma enfermidade crônica? Ninguém fala a respeito disso . Parece que a inibição sexual de uma garota bem educada da classe média era exatamente o que deveria ser. Eu também tinha a mesma opinião; quer dizer, eu simplesmente não pensava absolutamente nisso, naquele tempo. Se por causa de um casamento insatisfatório, uma mulher jovem e ardente desenvolvia uma neurose extasica por exemplo uma angustia cardíaca nervosa, não ocorria a ninguém indagar a respeito da inibição que a impedia de experimentar a satisfação sexual a despeito do seu casamento. Com o tempo, é mesmo possível que ela pudesse desenvolver uma histeria real ou uma neurose compulsiva. Nesse caso, a causa primeira teria sido a inibição moral, enquanto a sexualidade insatisfeita seria a sua força motriz." (Reich, 1975 p.88)
Buscou-se em Raich a abertura dessa introdução, não pelo fato de que o objetivo é a investigação das relações existentes entre as disfunções sexuais, particularmente as orgásticas, com formações patológicas, como as descritas em "A função do orgasmo", mas para determina-lo como um dos referenciais que nos leva a necessidade de investigar as representações do orgasmo entre mulheres (adultos jovens), brasileiras, universitárias, matriculadas em cursos na área de humanas, já que temos como hipótese que o desconhecimento dessas funções corporais são desencadeadoras de desconforto por todo o desenvolvimento do ciclo vital posterior.
Para justificar tal hipótese, primeiro descreveremos o que a produção científica nacional tem desenvolvido a respeito do tema, tomando como referência as influências Sócio- culturais, psicológicas e biológicas na qualidade da vida sexual da mulher brasileira. Em "Introdução ao estudo da sexualidade feminina"( Sílva. 1982), uma monagrafia desenvolvida pelo Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro podemos identificar a preocupação com o estudo da sexualidade feminina, devido a evidencia do pouco esclarecimento das mulheres, usuárias da instituição, a respeito de sua própria sexualidade. O estudo foi subdividido em três partes: Enfoque biológico, Enfoque Psicológico e Enfoque histórico.
Uma das grandes contribuições para a visão biológica da sexualidade feminina, identificada , é o trabalho de William H. Masters e Virginia H. Johnson, que é uma pesquisa a respeito e fisiologia do comportamento sexual, no sentido de revelar os caminhos pelos quais se resolvem a tensão sexual desencadeada e como os indivíduos respondem ao estimulo sexual. No que diz respeito a sexualidade afemina, Masters e Johnson, registraram que a estimulação sexual feminina não está restrita aos órgãos reprodutores, isto é, tensões sexuais envolvem muito mais do que órgãos reprodutores. Dividiram o ciclo de resposta sexual, em quatro fases: Fase de excitamento, fase de plateau, fase orgástica e fase de resolução, resultando num quadro onde estão envolvidas reações musculares, alterações da uretra taxa respiratória, cardíacas, entre outras. O aparelho sexual feminino é composto por uma genitália externa (grandes lábios e Clitóris) e por glândulas implantadas nesta que através de uma interdependência mútua respondem à estimulação; o clitóris é um órgão único que serve como receptor e transformador de estímulos sexuais, assim, a mulher com seu sistema orgânico tem função fisiológica de limitar-se a iniciar ou elevar os níveis de tensão sexual, é também importante ressaltar que a realização sexual feminina não é influenciada pelo tamanho do clitóris. Masters e Johnson propõem que " avaliar a anatomia e a fisiologia vaginal é compreender os fundamentos do principal meio de expressão sexual da mulher. Em essência, o canal vaginal responde a estimulação sexual efetiva pela preparação involuntária da penetração do pênis, assim como a ereção do pênis é uma expressão fisiológica direta do desejo psicológico de realizar o ato da posse, a expansão e a lubrificação do canal vaginal dão indicação fisiológica direta de um convite psicológico e evidente à posse."(citado por Sílva. 1982 p. 317).
Segundo Masters e Jonhson, orgasmo é experiência psicofisiológica que ocorre e é obtida sobre um contexto de influência psicossocial e influenciado por fatores fisiológicos: "condições e reações físicas e características durante a fase máxima do incremento da tensão sexual"; psicológicos: "orientação psicosexual e receptividade à aquisição orgástica"; sociológicos: "cultural, de ambiente e fatores sociais que influenciam a incidência ou capacidade orgástica". (citado por Sílvia AMC. 1982 p. 317)
Inserido no aspecto fisiológico acontece uma série de rações desencadeadas; tais como contrações dos órgãos eréteis, batimentos cardíacos, contrações uterinas, ou seja todas as manifestações reativas do organismo; a mulher é possível, que volte rapidamente ao orgasmo após uma experiência orgástica, se reestimuladas antes que as tensões tenham caído abaixo dos níveis da fase plateau. Já nos aspectos psicológicos é sistematizado três fases: O orgasmo se inicia com uma sensação de suspenção ou interrupção, uma sensação de abandono e expulsão; sensação de calor espalhado por todo o corpo; Sensação descrita como latejamento pélvico, fruto de contrações involuntárias com foco específico na vagina ou na pelve inferior.
Os pesquisadores da UFRJ, também identificaram aspectos psicológicos como determinantes da sexualidade feminina tendo como base os autores: Freud, Karen Horney, Helene Deeutsch e Melanie Klein. Para Freud a sexualidade feminina é entendida a partir da masculina, porem no desenvolvimento de sua teoria passa a descrever apenas uma libido, que se apresenta tanto a serviço da função masculina quanto da feminina. Até a fase fálica o desenvolvimento psicosexual dos dois sexos se dá da mesma maneira, até que nessa fase a libido da menina está dirigida para o clitóris, órgão de satisfação sexual na masturbação, do mesmo modo que nos meninos é dirigida ao pênis. A menina se sente inferiorizada por não possuir o pênis e tem um reconhecimento de castração e assim o seu desenvolvimento sexual poderá tomar três caminhos: Total aversão a sexualidade; apego demasiado à masculinidade ameaçada (escolha homossexual) e atitude feminina normal. Os pesquisadores acham necessário que aceitar a opinião sobre a sexualidade feminina de outros autores já que Freud é obscuro em relação a esta, por achar que tudo é a partir do masculino.
Karen Horney compara a inveja do pênis na mulher ao desejo dos meninos de terem seios, atribuindo estas atitudes à manifestação inata da bissexualidade humana. Coloca uma crítica no fato de haver uma posição patriarcal de ver a mulher sempre compreendida por uma psicologia de homens e de ser todo o ato feminino visto como um substituto de algo varonil.
Helen Deutsch, ao contrário de Freud interpreta como exagero o fato de a maioria das dificuldades neuróticas das mulheres estar relacionada a inveja de um pênis apesar de a menina achar que seu clitóris não é um órgão suficiente para servir aos seus desejos.
Melanie Klein, acredita que desde o início a menina tem uma atitude feminina, percebendo sua vagina e o que na verdade ela quer é abrigar o pênis paterno frustrando-se neste sentido. Portanto, afirma que a menina está mais exposta em seu desenvolvimento precoce, à angústia, pelo fato de não poder comprovar a integridade de seus órgãos genitais e também por ver a maternidade como algo distante.
Por fim a monografia apresenta os referenciais do enfoque histórico na análise da sexualidade feminina. Ao longo da história é possível observar uma soberania do sexo masculino sobre o feminino, pois era concebido a mulher o papel da reprodução e o papel doméstico, que passa a não ser valorizado o homem então torna-se proprietário da mulher. Foi apenas a partir da revolução francesa que alguma coisa mudou, a mulher poderia agora se inserir no processo de produção caseira alem de criar os filhos e se dedicar a família com a revolução industrial, por pura necessidade, a mulher abandona a produção caseira, e se insere na fábrica, mesmo que sendo explorada e considerada mão de obra barata ( mais que a dos homens ), alem de não poder abandonar as atividades domésticas. Com a revolução da história, não por uma valorização da mulher, mas por falta de mão de obra masculina, aos poucos, a mulher vem conseguindo se tornar independente, mesmo economicamente, tratando-se de um processo lento que precisa vencer um rigidez de valores transmitida culturalmente.
Contudo, a mulher mesmo adquirindo o seu espaço no meio do trabalho não deve abandonar os seus valores antigos (tomar conta do lar e da família) e, os papéis que ela deve assumir estão de acordo com a tradição da sociedade em que está inserida .
Antes da conclusão da monografia os pesquisadores apresentam diversos casos clínicos que justificam a preocupação com os diversos fatores que influenciariam na saúde da vida social das mulheres. Como o enfoque de nossas pretensões recaem na representação do orgasmos em adultos jovens universitárias separamos, aqui apenas um exemplo que trata da frigidez: "A frigidez dentro da sexualidade feminina é um dos aspectos mais preponderantes. Observamos que muitas vezes ela não aparece de maneira explicita nas queixas das pacientes. Pensamos que talvez seja porque a mulher na maioria das vezes, nem se da conta das possibilidades de prazer, que faz parte da sua condição de mulher. Concordamos em que a frigidez seja a ausência total de prazer durante a relação sexual, e não como muitos autores a definem, como ausência do orgasmo vaginal durante o coito. Isso é uma visão preconceituosa, na medida em que restringe as possibilidades de prazer da mulher ao desconsiderar sua dinâmica própria, seja biológica ou psicológica". (Sílva. 1982 p. 323).
Se partir da necessidade da compreensão o orgasmo e, se considerarmos que tal compreensão deva ser determinante no desenvolvimento do ciclo vital das mulheres, devemos, além do já citado, nos remeter a noção de um modelo orgástico. Mabel Cavalcante em seu artigo: "Orgasmo feminino: Meta terapêutica e realização pessoal"(1984) cita Margareth Mead "a potencialidade orgástica pode ser ou não desenvolvida numa determinada cultura. Tudo naturalmente dependerá do tipo básico de personalidade. " em nesse sentido emprega a noção de modelo orgástico demostrada por Abraham Kardiner: " Existe uma configuração comum de personalidade uma espécie de personalidade - tipo, que é compartilhada pela maioria dos membros de um grupo social. É esta personalidade tipo adquirida na vida social, tem, numa perspectiva histórica, modelado o orgasmo feminino. "cada sociedade tem sua personalidade tipo; cada sociedade tem seu tipo de orgasmo." (citado por Cavalcanti,1984).
Assim se pudemos identificar a influência das diversas instâncias, no comportamento sexual feminino, podemos concluir que a representações do orgasmo, necessariamente é constituída com base nessas influência, o que nos leva a uma ampla possibilidade de tipos principalmente se considerarmos a noção apresentada por Kardiner. Importante salientar, ainda, que para que possamos chegar a tais representação devemos considerar a existência de uma tipologia estabelecida, que nos possibilite a categorização comparativa. Nesse sentido nos remeteremos ao que Wilhelm Reich (1975) propõe como potência orgástica: "capacidade de abandonar-se, livre de quaisquer inibição, ao fluxo de energia biológica; a capacidade de descarregar completamente a excitação sexual reprimida, por meio de involuntárias e agradáveis convulsões do corpo."(p.94). Reich determina ainda um quadro de características que poderá nos ser útil, não no sentido de reafirmá-lo, mas como subsídio a elaboração dos questionários a serem aplicados. Outra contribuição, nesse sentido, é o trabalho compilado por Harold I. Lief (1979). Que traz em forma de perguntas e respostas, grande quantidade de pistas para o entendimento das ditas representações. Esse trabalho estará na base de nossa justificativa e metodologia.
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DESENVOLVIMENTO: |
Para justificar a transferência Freud se remete a duas porções da energia libidinal uma consciente e outra inconsciente(1912). Argumenta que todo indivíduo, pelo que trás de inato ou que adquire no transcurso do desenvolvimento de sua personalidade apresentam "métodos próprios de condução de sua vida erótica". E que somente parte do impulso libidinal, que serve a esse fim, passou por todo o processo da vida psíquica. Assim podemos entender que Freud argumenta que a parti consciente desse impulso tende a busca de objetos para o seu amor, que são oferecidos pela realidade, porem outra parte estaria afastada da realidade, impedida de expansão ulterior, podendo-se realizar na fantasia ou ficando profundamente inconsciente: "Se a necessidade que alguém tem de amar não é inteiramente satisfeita pela realidade, ele está fadado a aproximar-se de cada nova pessoa que encontra com idéias libidinais antecipadas; e é bastante provável que ambas as partes de sua libido, tanto a parte que é capaz de se tornar consciente quanto a inconsciente, tenham sua cota na formação dessa atitude." (1942 p.134).
Nesse caminho Freud justifica, a tendência ao amor pela figura do médico. Se a catexia procura protótipos, e se o referido médico apresenta tais estereótipos, este estaria sujeito aos caprichos da imago paterna, ou até fraterna de seu cliente. A transferência estaria justificada dessa forma, por idéias antecipadas tanto de instâncias conscientes como de instância inconscientes.
Porem mesmo Freud propõe que tal apresentação parece simplista frente a complexidade do problema e argumenta: "Nada mais haveria a examinar ou com que se preocupar a respeito deste comportamento da transferência, não fosse permanecerem inexplicados nela dois pontos que são de interesse específico para os psicanalistas. Em primeiro lugar, não compreendemos por que a transferência é tão mais intensa nos indivíduos neuróticos em análise que em outras pessoas desse tipo que não estão sendo analisadas. Em segundo, permanece sendo um enigma a razão por que, na análise, a transferência surge como a resistência mais poderosa ao tratamento, enquanto que, fora dela, deve ser encarada como veículo de cura e condição de sucesso."(1942 p.135). É nesse caminho que discorreremos a problemática; pode a transferência ser condição de cura, ao mesmo tempo que representa a mais forte expressão de resistência?
Para tanto partiremos para a conceitualização do termo transferência.
No dicionário de termos de psicanálise de Freud (Cunha,1978 p.215) encontramos a definição de transferência na análise: "O paciente vê no seu analista o retorno - a reencarnação - de algumas figuras importantes de sua infância ou de seu passado e, consequentemente, a ele transfere sentimentos e reações que, sem dúvida, se aplicavam a esse modelo. Logo se evidencia que este fato da transferência é um fator de um importância não imaginada - por um lado, um instrumento de valor insubstituível e, por outro, uma fonte de sérios perigos. Esta transferência é ambivalente; compreende tanto atitudes positivas e afetuosas, quanto negativas e hostis em relação ao analista que, via de regra, é posto no lugar de um dos pais do paciente - pai ou mãe. Na medida em que é positiva, nos serve admiravelmente. Altera todas a situações analíticas e desvia o propósito racional do paciente de se tornar bom e livre de seus problemas. Em vez disso, emerge o propósito, de agradar o analista, de merecer o seu aplauso e o seu amor. Isto se torna a verdadeira força motriz para a colaboração do paciente; o ego fraco se torna forte; sob a influência deste propósito, o paciente atinge coisas que, de outro modo, estariam além do seu alcance; seus sintomas desaparecem e ele parece Ter se recuperado - tudo isso simplesmente a partir do amor pelo analista... Os êxitos terapêuticos, que têm lugar sob influência da transferência positiva, estão sob a suspeita de serem de natureza sugestiva. Se a transferência negativa obtém a primazia, eles são soprados como espuma do mar, pulverizada pelo vento"
Já no verbete "Analista, influência do" (Cunha,1978 p.10), podemos encontrar que "Tal influência realmente existe e desempenha um papel importante na análise. Não empregamos esta influência pessoal - elemento sugestivo - como é feito na sugestão hipnótica, para suprimir os sintomas que o paciente sofre. Alem do mais, seria um erro pensar que esse elemento resiste ao impacto e proporciona o principal auxílio no tratamento. No princípio, sim, mas, mais tarde, atrapalha os nossos propósitos analíticos e nos força a adotar contra-medidas mais extensivas... O neurótico dispõe-se à tarefa, porque ele crê no analista, e acredita nele porque começa a nutrir por ele certos sentimentos. De fato, a atitude é - para dizê-lo cruamente - uma espécie de enamorar-se. O paciente repete, na maneira de enamorar-se pelo analista, experiências psíquicas, pelas quais passou antes: transferiu, ao analista, atitudes psíquicas, pelas quais passou antes; ele transferiu, ao analista, atitudes psíquicas disponíveis dentro dele e que estavam intimamente relacionadas com o início de sua neurose. Ele também repete, ante os nossos olhos, suas antigas relações de defesa e nada mais quer do que repetir todas as vicissitudes daquele período esquecido, em suas relações com o analista. Assim, o que nos está mostrando, é o próprio âmago de sua vida mais íntima; ele está reproduzindo-a, perceptivelmente, como se, em vez de lembrar, tudo estivesse acontecendo no presente. Através disso, o enigma do amor transferencial é resolvido e, com própria ajuda da nova situação, que parecia tão ameaçadora, o analista pode progredir."
Partindo desses dois exemplos podemos confirmar a ambigüidade do conceito a que nos propomos, porem seria necessário apreender, aqui a evolução de tal teoria dentro da obra de Freud, para tanto nos remeteremos a Etchegoyen (1987), que nos apresenta esse percurso. O autor argumenta que a teoria da transferência se apresenta, de um lado, como se tivesse vindo ao gênio de Freud de uma única vez, de outro, pelo desenvolvimento lento no decurso de sua produção. Assim no primeiro sentido podemos nos referir a teoria em sí e no segundo aos detalhes.
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OBJETIVOS: |
De modo geral pretende-se com esse projeto, através da identificação da representação do orgasmo em um grupo determinado de mulheres, possibilitar uma melhor compreensão do tema ao meio acadêmico, que em muito carece de tais definição. A psicologia, que se esmera pelo lido de ações subjetivas contidas nas relação entre sujeitos, carece de perceber o real significado desse conceito, junto ao público de trabalho. Assim tal projeto poderá ser tomado como guia referencial no trato de questões psicológicas e existenciais, isto porquê como já foi possível identificar até, as afecções referentes a sexualidade, estão intimamente ligadas à formação conceitual que os sujeitos trazem durante o desenvolvimento psicossocial.
Já de modo específico, pretende-se, através de questionários, chegar o mais próximo possível, do como se dá o entendimento de tal questão neste grupo determinado, afirmando ou negando que é apresentado pela literatura, dita "machista", até agora determinante na produção científica. A partir de tal conhecimento oferecer ao público em geral os resultados, que segundo nossa perspectiva se faz necessário para o bom desenvolvimento psíquico dos indivíduos.
Sendo assim, a preocupação aqui se evidencia pelos objetivos teóricos em quiestão, servindo, os resultados, para futuras análises e discuções.
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PROBLEMATIZAÇÃO: |
Acreditamos que só poderemos chegar a representação do orgasmo, a partir de um quadro categorial teórico bem definido. Para tanto, nos valeremos de duas abordagens teóricas, das quais tentaremos subtrair quadro categorial, que posteriormente deverá ser levado a um pré-teste, para assim estabelecermos o conteúdo do questionário a ser aplicado.
Wilhelm Reiche (1975), nos apresenta 10 momentos que vão da excitação inicial até o relaxamento pós clímax, ao que ele denominou estado de "ato sexual orgasticamente normal", o autor adverte que tal descrição é incompleta, já que não levou em conta o prelúdio biológico, determinado pelas necessidades individuais, e por isso sem caráter de universalidade. Apesar da advertência do autor tentaremos acompanhar seu raciocínio, pois tal descrição nos parece, a princípio apropriada.
Num primeiro momento o genital feminino torna-se hiperêmico e úmido de forma específica, pela profusão de secreção das glândulas genitais.
Apresentação de um estado de ternura em relação ao outro; não há impulsos contraditórios.
O estado expiatório agradável, que permaneceu mais ou menos no mesmo nível durante a atividade do anteprazer, aumenta subitamente com a penetração. A mulher sente estar absorvendo o homem.
Pela fricção mútua, gradual, rítmica, espontânea e sem esforço, a excitação vai se concentrando nas partes posteriores da membrana mucosa da vagina. O corpo ainda esta menos excitado que o genital.
Nessa fase, a interrupção da fricção é em si mesma agradável por causa das sensações especiais de prazer que acompanham essa pausa, e não exigem esforços psíquicos. Dessa forma prolonga-se o ato.
Tem início a fase de contrações musculares involuntárias.
O aumento da excitação não pode mais ser controlado
A excitação física torna-se cada vez mais concentrada no genital
Contrações involuntária de toda a musculatura de toda a região genital. Essas contrações se experimentam na forma de ondas, a elevação da onda coincide com a total penetração, enquanto a decida com a retração do pênis
Nesse estágio a interrupção do ato é totalmente desagradável, em se havendo, as contrações que levariam ao orgasmo passam a ser espasmóticas em vez de rítmicas.
A prolongação voluntária da primeira fase do ato sexual (1 a 5) não é dolorosa. Por outro lado a partir desse momento é dolorosa em função da natureza involuntária característica dessa fase.
Por meio da nova intensificação e do aumento de freqüência das contrações musculares involuntárias, a excitação sob rápida e intensamente em direção ao clímax. Isso coincide, normalmente com , com as primeiras contrações musculares ejaculatórias no homem.
Nesse ponto a consciência se torna mais ou menos nublada; seguindo-se a uma pequena pausa no auge do clímax a mulher deseja "receber completamente" durante e logo após, o clímax.
A excitação orgiástica toma conta do corpo inteiro e produz fortes convulsões da musculatura do corpo todo. O clímax representa o ponto decisivo no sentido da excitação; isso é antes do clímax, a direção a direção é para o genital, após o clímax a excitação reflui do genital.
Antes de ser alcançada o ponto neutro, a excitação desaparece em curva suave e é imediatamente substituída por uma agradável relaxação física e psíquica. Habitualmente há grande vontade de dormir.
A discrição Reichiana, pode se revelar, em muitos pontos, contravertida, porém serve perfeitamente ao nosso objetivo inicial que é estabelecer um pré-suposto teórico para a elaboração do questionário a ser aplicado em pré teste, e a partir daí possibilitar uma inervenção mais segura.
Porem, como já foi possível demonstrar, o ato sexual em si e a convergência desse ao orgasmo não nos será suficiente. Para tanto devemos completá-la com um arcabouço conceitual mais amplo. Lief (1979), nos servirá a esse propósito. Como já fora mencionado anteriormente, o primeiro capítulo de "sexualidade Humana" nos fornece uma grande quantidade de dúvidas já estabelecida pelo público leitor, dos quais nos valeremos das que mais convem a nossa investigação:
Atividade sexual entre estudantes universitários. Mervin B. Freedman garante que mediante uma pesquisa realizada entre os anos 50 e 60 as universitárias se sentiam satisfeitas com suas experiências e atividades sexuais inclusive aquelas que as tinham mínima. Será que tal resultado se aplicaria em nossos dias?
Identificação com o parceiro. Fritz Kant argumenta que a falta de identificação com o parceiro masculino obstará a resposta orgástica da mulher. Deve-se levar encontra a técnica do homem no contato sexual.
Tamanho do pênis. Seling Neubart demonstra que a "vagina é um espaço potencial e a vagina sadia oporá resistência a qualquer objeto penetrante, seja de que tamanho for" e ainda que "o tamanho do objeto penetrante ( em particular, dentro da curta amplitude de diferença que existe entre membros eretos), pouco influi na satisfação sexual.
Orgasmo vaginal x orgasmos clitóris. Emily H. Mudd, nos mostra que temos uma grande influência do passado do conceito, principalmente sobre a formulação de que o orgasmo clitorial se dá ao nível infantil, o que pode Ter provocado em muitas pessoas crenças de um inadequação nesse tipo de prazer. A autora argumenta que a descarga orgiástica trás consigo a ação de uma série de zonas erógenas, assim como é freqüente tanto a estimulação clitoriana quanto a vaginal. Assim o orgasmo feminino é resposta corporal total, variando acentuadamente quanto à reação, intensidade e freqüência. A autora argumenta que este problema se dá pela elaboração masculina das teorias a respeito do orgasmo.
As referencias acima descritas também se prestarão a elaboração do questionário piloto, porem, devido a diversidade dos fatores sócio culturais em que foram elaborados ou ainda a época de sua construção.
Ambas as referências aqui apresentadas como sustentação do questionário piloto, não se apresentam como fim em si mesma, a apresentação o pré-texto deverá enriquecer e dar segurança ao que nos propomos, identificar a representação do orgasmos entre um grupo específico de universitários.
Sujeito:
O presente projeto pretende identificar a representação do orgasmo entre mulheres, adulto-jovem, matriculadas em curso superior na área de humanas, que já passaram pela primeira experiência sexual. Na primeira amostragem foram selecionadas nove alunas do curso de Psicologia da Universidade Paulista, campus Ribeirão Preto, aos quais foram aplicados o questionário piloto. Após o estabelecimento do questionário definitivo esta amostra deverá ser elevada a cinqüenta sujeitos.
Material:
Para a aplicação de entrevistas serão necessários impressos com o questionário, lapis ou caneta. Para a Segunda fase, onde serão feitas entrevistas com um grupo selecionado de sujeitos, serão usados: gravadores, fitas magnéticas (K7), papel para transcrição, lapis ou caneta
Procedimento:
Na primeira fase do projeto foi aplicado em nove sujeitos um questionário piloto que deverá dar diretrizes para a confecção do questionário definitivo, (em anexo). A partir desse questionário constatou-se a complexidade do objeto de interesse do projeto, portanto a partir dele deverão ser feitas correções. Identificado tais problemáticas deve-se selecionar uma amostra de aproximadamente 50 sujeitos com as características descritas acima onde serão aplicados o questionário definitivo.
Após a aplicação do questionário definitivo deverão ser selecionados 10 sujeitos para a entrevista semi diretiva que pretende ampliar o universo de compreensão das representações sociais do orgasmo em estudantes universitárias matriculadas em cursos da área de humanas. As entrevistas deverão ser gravadas e transcritas para posterior análise qualitativa.
A partir da análise qualitativa fornecida pelas entrevistas e pelos questionários deverá ser elaborado documento discretivo, fornecendo luz ao conceito pretendido.
Sujeito:
O presente projeto pretende identificar a representação do orgasmo entre mulheres, adulto-jovem, matriculadas em curso superior na área de humanas, que já passaram pela primeira experiência sexual. Na primeira amostragem foram selecionadas nove alunas do curso de Psicologia da Universidade Paulista, campus Ribeirão Preto, aos quais foram aplicados o questionário piloto. Após o estabelecimento do questionário definitivo esta amostra deverá ser elevada a cinqüenta sujeitos.
Material:
Para a aplicação de entrevistas serão necessários impressos com o questionário, lapis ou caneta. Para a Segunda fase, onde serão feitas entrevistas com um grupo selecionado de sujeitos, serão usados: gravadores, fitas magnéticas (K7), papel para transcrição, lapis ou caneta
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ANEXO: |
QUESTIONÁRIO PILOTO;
IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO:
SOBRE A PRIMEIRA RELAÇÃO:
SOBRE O ORGASMO:
SOBRE AS FANTASIAS PRÉ-COITO.
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Bibliografia: |
APROBATO, Mário Silva (1985)- Disfunção sexual feminina. Influência de fatores
sociais, econômicos e biológicos, in Revista brasileira de Ginecologia e obstetrícia;
7(1): 13-5, jan.-fev.
CAVALCANTI, Mabel (1984)� Orgasmo Feminino: Meta Terapêutica e realização
pessoal: processo de descoberta pessoal, in Femina; 12(9): 798-800, passim,
LIEF, Harold I, (1979) � compilação e Prefácio � Sexualidade Humana: Orientação
Médica e Psicológica Atual, Livraria Atheneu, Rio de Janeiro
REICH, Wilhelm ( 1975 ) � A Função do Orgasmo : Problemas econômicos-sexuais da
energia biológica. 9� edição, Brasiliense, SP
SILVA ACM(1982), Martins CC, Wanderley COM, Sesto MIB, Pereira SG & Rocha MTN �
Introdução ao Estudo da Sexualidade Feminina �in Jornal Brasileiro de
Psiquiatria, 31(5): 315-324.
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ABERTURA |