E. KANT: 

A ESTÉTICA TRANSCENDENTAL, O NÚMENO, O FENÔMENO E A DIALÉTICA TRANSCENDENTAL.

Paulo Roberto Mermejo

 

           

            Para Kant é possível o entendimento humano a partir de dois tipos de conhecimento – o conhecimento dos sentidos, pelo qual identificamos os objetos e o conhecimento do intelecto, que nos é dado pelo pensamento. Assim a dinâmica do conhecimento de Kant, é próxima da de D. Hume – ou seja, primeiro o objeto nos é dado e depois será pensado.

            A estética transcendental de E. Kant deve ser entendida a partir de uma terminologia própria. Para ele as sensações  são impressões passivas no sujeito quando os objetos lhes são dado. A sensibilidade é a faculdade pela qual o sujeito é modificado pelo objeto, ou seja, a sensibilidade e o modo como o sujeito organiza as suas sensações. A intuição é para Kant o conhecimento imediato dos objetos, assim a intuição é própria da sensibilidade do sujeito. O fenômeno é o objeto da intuição sensível. Assim o fenômeno é o que captamos do objeto pela nossa sensibilidade que segundo Kant se dá pela matéria e pela forma, onde a primeira se caracteriza pela modificação que produz no sujeito a posteriori (depois da experiência sensível) e a segunda pela maneira de organiza-la segundo  determinadas relações, como modo de funcionamento da sensibilidade, próprio do sujeito e portanto a priori.  

            Assim quando nos deparamos com um objeto sensível somos por ele impressionado segundo sua matéria fenomênica (como ele se apresenta a nós, mas não como ele é em si) como temos um modo de sensibilidade que tende a organização interna segundo determinadas relações, aplicamos a este objeto sua forma  fenomênica - o nosso modo de entende-lo.

            Os objetos sensíveis nos chegam pela intuição que como já foi mencionado é o conhecimento imediato que temos do objeto. Esta intuição pode ser empírica – concretamente presente nas sensações que temos do objeto – ou puras - que prescindem tanto da matéria como da forma, características da intuição empírica.

            As intuições puras, são desta forma princípios do  conhecimento, e por isto estão a priori no sujeito. Segundo cante as únicas intuições puras no sujeito são o espaço e o tempo. São princípios do conhecimento, já que tudo que nos é possível conhecer deverá estar situado no espaço – forma no sentido externo, e no tempo – forma no sentido interno. Lembrando que forma aqui se refere ao modo de organização do sujeito frente ao fenômeno que se apresenta.

            A partir desta estética transcendental, averigua-se que as coisas como fenômenos não existem em si, mas somente em nós, segundo o nosso modo de sensibilidade. Assim só conhecemos as coisas do mundo segundo o nosso modo de capta-las. Para Kant o objeto em si – o númeno – só poderia ser conhecido por um intelecto originário no momento mesmo de coloca-los.(Deus)

            Assim, quanto ao que se refere as verdades das ciências, podemos dizer que, segundo Kant,  são conhecimentos universais e necessários – juízos sintéticos a priori – apenas no âmbito fenomênico.

             Mas se o fenômeno é como a coisa se apresenta para mim, podemos supor que deva ser em si. Kant argumenta a necessidade de postular o númeno (a coisa em si) para fugir a uma redução  de toda a realidade ao fenômeno. Segundo ele em função das intuições que dispomos é impossível ao humano ir além do fenômeno. O númeno, segundo o filósofo,  poderia ser apresentado de forma negativa - como a coisa é em si abstraindo de  nosso modo de intuí-las.E de forma positiva – como intuição intelectiva. Como já foi anunciado anteriormente é impossível ao humano, uma intuição intelectiva, assim o conceito se apresenta como um limite de nossa sensibilidade.

            Mas o espírito humano tende naturalmente a vôos para além da experiência e neste caminho encontra erros que pela própria natureza do espírito humano não podem deixar de serem cometidos. E é neste caminho de erros que Kant propõe a sua dialética. A dialética é para cante o caminho de erros e ilusões do espírito na tentativa de desvendar o númeno.

            A questão não se encerra e Kant se vale de outros transcendentais para justificar seu idealismo.

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