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KANT E A REVOLUÇÃO COPERNICANA NO CAMPO METAFÍSICO
Paulo Roberto Mermejo |
Emanuel Kant, filho de uma família humilde, mas, de onde tirou uma forte personalidade de retidão e determinação, principalmente moral e religiosa. Seu pai tinha a profissão de seleiro – um homem laborioso e honesto e com um determinado horror à mentira. Sua mãe, uma mulher profundamente religiosa, de quem herdou uma sólida formação moral.
Nos primeiros anos de estudos recebeu uma significante influencia do pietismo, onde a fé cristã verdadeira é uma fé viva e que tem na leitura direta da bíblia, a fonte por excelência da regeneração interior.
Na universidade de Koenigsberg, Kant cursou Filosofia com os olhos voltados para as ciências, objeto de suas primeiras investigações racionais.
O filósofo alemão acredita que os movimentos de evolução do pensamento, como também das ciências, passam por momentos de intensa mobilização intelectual a partir de idéias lançadas por determinados homens de espírito transformador que questionam conceitos e crenças até então cristalizados pela cultura. Como o caso de Copérnico e sua teoria heliocêntrica. Daí o conceito de revolução copernicana.
Kant se autodenomina um destes homens no tocante a suas reflexões no campo da teoria do conhecimento.
Para que fique clara a intenção desta afirmação, faz-se necessário uma breve incursão pelo real significado da posição de Copérnico ao postular o heliocentrismo. Não se trata apenas, de mudar o lugar da terra no universo, mas obriga uma nova postura antropológica, um deslocamento do lugar do homem no mundo, principalmente ao que se refere ao homem enquanto criatura divina.
Copérnico, ao colocar o sol no centro do universo, coloca a terra a margem da criação e com isto minimiza a importância do homem no campo da criação divida, aquele homem imagem e semelhança de Deus, esta agora em um pequeno planeta em sua órbita circular e mecânica em torno do Sol – o todo poderoso “Astro Rei”. Não se tratou apenas de um deslocamento espacial no campo da física, mas de um deslocamento revolucionário no campo cultural e religioso.
No mesmo nível de Copérnico, Kant coloca Tales de Mileto no que se refere à identificação do Triangulo Isósceles, pois não seguiu passo a passo a quilo que viu na figura nem se apegou ao simples conceito desta figura, mas percebeu que a geometria era uma criação humana e que não dependia de nada, além da mente humana.
Também na Física, Kant identifica estes momentos de revolução copernicana, quando seus teóricos compreendem que a razão humana vê, só aquilo que ela própria produz segundo os seus desígnios obrigando a natureza responder suas perguntas.
Seguindo estes princípios é que Kant se coloca dentre estes homens transformadores. Como Copérnico que tira a terra do centro do universo, o filósofo tira o sujeito do centro em relação ao objeto: “n ao o sujeito que conhece, descobre as leis do objeto, mas sim ao contrário, que é o objeto que é conhecido, que se adapta as leis do sujeito que o recebe cognoscitivamente”, ou seja, nos só conhecemos a priori – antes da experiência – aquilo mesmo que nós colocamos a ser conhecido. Propondo esta inversão, Kant muda ainda a noção de entendimento daquilo que é o transcendental. Enquanto para a metafísica tradicional o transcendental se remete ao ser enquanto tal, para ele nada mais é do que aquilo que o sujeito põe nas coisas no ato mesmo de conhece-las.
Quando Kant muda o lugar do sujeito na relação com o objeto, provoca esta revolução dita copernicana, pois muda o paradigma do entendimento humano em relação às coisas que conhece.
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ABERTURA |