JUVENTUDE
PSI.
por: Paulo R. Mermejo

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JUVENTUDE: QUEM SABE DE MIM SOU EU |
O MITO:
Dédalo;
Engenheiro, Arquiteto, escultor, etc. prisioneiro de sua própria
engenhosidade. Construtor da novilha de bronze que seduz o touro enfurecido de
Posídon com quem Pacífae concebe o Minotauro. Construtor do labirinto que
encerrou o mesmo Minotauro e serviu de palco para a trama de Teseu e Ariádine.
Construtor das asas de penas e cera que possibilitaram sua fuga ao lado de Ícaro
do mesmo labirinto. Construções magníficas que o credenciaram ao posto de o
mais completo dos artífices , mas que o condenaram ao exílio constante,
afinal, difícil agradar gregos (atenienses ) e gregos (cretenses ).
O OUTRO MÍTO:
Ícaro: Jovem impetuoso, filho de Dédalo, com uma escrava de Mínos -
Neocrates. Jovem que pelo encantamento desafia a sabedoria do pai e busca a
proximidade do céu. Jovem que vê o calor do sol derreter a cera que segura
as penas de suas asas. Jovem que se precipita no mar Egeu e sucumbe a sua
ousadia. Jovem que por sua impetuosidade da nome a sua mortalha - Mar de Ícaro.
O FILÓSOFO:
Thomas Hobbes: um contratualista do século XVI; "Pois a natureza
dos homens é tal que, embora sejam capazes de reconhecer em muitos outros
maior inteligência , maior eloquência ou
maior saber, dificilmente acreditam que haja muitos tão sábios como eles próprios;
porque vêem sua própria sabedoria bem de perto, e a dos outros a distância"..."
Portanto se dois homens desejam a mesma coisa, ao mesmo tempo que é impossível
ser gozada por ambos, eles tornam-se inimigos... E no caminho para o fim ( que
é sua própria conservação e ás vezes
apenas seu deleite) esforçam-se por se destruir ou subjugar um ao
outro". ( Leviatã, cap.XIII).
A CENA:
Uma sessão psicodramática: O aquecimento foi o jogo da verdade e o
tema foi relacionamento familiar - dificuldades de relacionamento que
revelaram falta de sintonia na comunicação. Protagonistas, Platéia e Egos
auxiliares foram alunos entre
dezesseis e vinte anos.
Uma cena bastante trivial em se tratando de jovens estudantes. Qualquer manual de "psi" - cologia" que trate deste segmento nos remete ao conflito de gerações.
Então o que me leva a ater-me a este recorte?
O que salta aos olhos é que tal conflito extrapola, os limites do conflito de gerações. Os dias atuais desvelam o "homem lobo do Homem" de Hobbes, que antecipando o perigo de ser agredido, agride. E em se tratando do mundo jovem as evidências deste homem naturalmente agressivo são mais acentuadas.
A sessão psicodramática revela que entre as duas pontas do "Fio de Ariadine" poderia estar a tolerância. Aqui, deste lado, o Jovem, que para preservar a impetuosidade do nosso Ícaro lança-se ao céu esquecendo-se dos perigos do sol. E lá, do outro lado, os adultos, doutos no mínimo pela experiência da vida, apregoam verdades prontas e acabadas, sem ter em conta o Dédalo interior que os vitima por sua própria engenhosidade. Ambos, como nos lembra o filósofo contratualista do século XVI, exercendo sua natureza própria, que os leva a subjugar o outro tomando como verdade absoluta seu universo pessoal.
A juventude, ávida pelo novo se amotina contra os velhos conceitos. E neste caminho deparando-se com a ausência de qualquer outro conceito que o ampare e justifique sua postura.
O mundo adulto, em crise com a velocidade proposta pela atualidade impõe seus valores mas sem a convicção necessária para que sejam aceitos pelos mais jovens.
Um conflito trivial, como já fora dito, mas não é sem conta as vezes que se tenta achar as causas de tanta violência no mundo urbano. E se tomarmos este conflito primordial aqui ilustrado, como um indício e estabelecêssemos a tolerância como paliativo, poderíamos ao menos ter uma trilha a nos levar a uma melhor qualidade de vida.
Assim abriríamos a possibilidade de coexistência entre o vivido e o por viver, entre o mundo adulto e a juventude.
O mundo adulto apregoando alternativas ao invés de verdades e a juventude alçando seus vôos tendo em vista o solo já conquistado pelo mundo adulto.
Mas como contrariar a própria natureza?
Acho que necessariamente, a partir do exercício diário da empatia. Do exercício diário de se colocar subjetivamente no lugar do outro.
Paulo Roberto
Mermejo
é jornalista,
licenciado em
Filosofia e
Psicologia com
e especialização
em Psicopedagogia.
Emal: [email protected]
www.geocities.yahoo.com.br/shophos
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