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EDUCAÇÃO: ARGUMENTO PARA UMA ESCOLARIDADE QUE NÃO APRISIONE.Paulo Roberto Mermejo |
EDUCAÇÃO: ARGUMENTO PARA UMA ESCOLARIDADE QUE NÃO APRISIONE.
Ensaio
escrito por ocasião da edição inaugural do jornal da mulher.
Por Paulo Roberto Mermejo
Argumentar a educação em um jornal direcionado a mulher, nos remete, necessariamente e num primeiro momento, ao intrincado universo familiar, com toda a sua dialética paranoide e "microfísica do poder" a que se submete. Digo necessariamente, em função de que a escola, com sua função de transmissora e modificadora da herança cultural, se reveste do papel da mãe afetuosa e do pai direcionador. Assim como, no sentido pedagógico, ela só se torna eficaz a medida em que estabelece a concordância de seus objetivos e valores com a dinâmica familiar vigente.
A família dos tempos atuais, se caracteriza pela forma nuclear que agrega, o pai, a mãe e os filhos, porém, para chegar a tal configuração, um longo caminho de transformações foram necessários. A diferença básica entre a família antiga e a atual, a se argumentar, aqui, é em relação às atitudes frente aos filhos em desenvolvimento. A família antiga profilática se preocupava em manter apenas um ou dois filhos em volta para garantir a transmissão do patrimônio, os demais eram encaminhados a outras famílias para desempenhar a função de aprendizes dos ofícios em voga. Longe de serem nucleares elas agregavam: criados, aprendizes, crianças de outras famílias e parentes menos afortunados e, nesse sentido eram, mais, uma realidade moral que sentimental.
A partir da revolução industrial, marco da revolução das mentalidades, o êxodo rural obriga a institucionalização da família e de seus espaços privados. Tornam-se menores e mais higiênicas, isso em função de uma educação que atendessem aos preceitos sanitários do momento. Com o estabelecimento das famílias nucleares, já no século XIX, se faz necessária a educação formal a cargo do estado, que de forma definitiva iria instaurar a dialética de poderes mediado pelas ideologias de manutenção das estruturas de ordem.
Dessa breve incursão história, tiro subsídios para um argumento por uma escolarização que não aprisione. Se a passagem de estruturas na família antiga para a atual se da na mediação de valores e princípios pautadas pelas transformações sociais, econômicas e culturais. Se a instituição escola é criada para atender a necessidade de transmissão e modificação da herança cultural formalmente, a partir da necessidade da nova configuração familiar. E ainda, que essa transmissão implica correspondência com os valores e princípios da família. Podemos argumentar que a educação que atenda somente aos ditames ideológicos dos poderes políticos com fins a manutenção das estruturas estabelecida, se dá de forma aprisionadora, já que não corresponde às expectativas de suas função na família e consequentemente ao estudante que se estrutura no núcleo da mesma.
Dos tempos de insanidade mental que desempenhava funções de assessoria a políticos, uma coisa boa ecoa em minha consciência. Ouvi inúmeras vezes o discurso inflamado que pregava a necessidade de escolarização sob o argumento de que cada criança que conclui o primeiro grau representa um decréscimo percentual no número de miseráveis de um pais. Porem quando deparo com a realidade nacional penso ser necessário sair do discurso e ir a prática. Para se efetivar uma educação libertadora, além dese estabelecer correspondência entre os valores e objetivos da família com a escola tem que se discipar a dicotomia de um pais que carrega em seu discurso uma educação democrática e que apresenta uma realiade de 35 milhões de analfabetos, de 8,5 milhões de crianças fora da escola e 8 milhões de adolescentes entre 15 e 17 anos que não sabem escrever.
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ABERTURA |