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A TENDÊNCIA GRUPAL E A BUSCA DA INDIVIDUALIDADE OU O ISOLAMENTO |
PAULO R. MERMEJO
C
erta vez, uma pessoa me abordou intrigada... "- Você conhece, bem, tal pessoa, explique-me o que está acontecendo. Ela e minha irmã estavam sempre juntas e no dia do aniversário dela ( a irmã) a sua amiga simplesmente nem apareceu. Minha irmã ficou muito chateada... Dizem que ela ficou em casa com o novo namoradinho."Basicamente, uma cena cotidiana simples, se não se tratasse de uma jovem universitária que pela primeira vez em sua vida estava fora da casa dos pais. Primeiro poderíamos nos perguntar, o porquê da indignação do meu amigo? Depois poderíamos tentar sugerir, algumas coisas que dessem significado a atitude de minha amiga.
Eu realmente tinha uma representação bastante concreta do que deveria ser a estrutura de pensamento de minha amiga, e de sua relação com a irmã de meu amigo, mas, naquele caso em particular ficaria difícil descrever o comportamento dela ( a universitária) sem antes um acompanhamento minucioso de suas relação espaço temporais. Como se tratava de uma nova realidade, já que ela se encontrava, naquele momento fora da casa de seus pais, e fora do meu circulo de ação, pouco poderia saber dos reais motivos que a levaram a tal atitude, que apesar de simples causou surpresa no outro.
De uma maneira bem generalizada, pegaremos o desenvolvimento daquele fato para posicionar um momento histórico do desenvolvimento do indivíduo. Estamos falando aqui, como em outras oportunidades, do jovem adulto ou do pós-adolescente, como eu prefiro. Aberastury considera a tendência grupal como um caminho necessário para a construção da identidade adulta e Erikson, coloca o conflito entre as tendências a individualidade e ao isolamento como desenvolvimentais necessários no período posterior à adolescência. Como em outra oportunidade, situaremos estas duas possibilidades para analisarmos o comportamento padrão, possível, entre jovens na "idade do não ser" ou seja, o adulto jovem ou ainda o pós-adolescênte.
Poderíamos sugerir que minha amiga se encontrava, justamente na transição destes dois tipos de representações, a tendência grupal representada pela irmã do meu amigo e seu grupo em uma festa de aniversário, e a tendência a individualidade ou ao isolamento no caso do novo namorado. Isto parece-me bem simples. Porem sabemos que até a pouco tempo, minha amiga estava ligada as relações parentais e consequentemente aos seus esquemas infantis, agora frente a nova vida, e a possibilidade de construção de uma personalidade própria, ela pode estabelecer os caminhos para os novos relacionamentos.
Se ao invés da troca de uma festa para o aconchego da indidualidade, que teve como conseqüência a indignação do outro, isto se der em instâncias mais comprometedoras, como poderíamos analisar? o adulto jovem esta saindo de uma posição esquisoide onde as ações morais sociais, tem pouco significado, mas ao mesmo tempo está construindo na sua estrutura de novo conflito o indivíduo, provavelmente tendera a construção de duas mascaras, uma que se refere a casa (aqui representada, pela circulação parental, ou melhor, a sua casa) e a outra a rua (aqui representada pela pela nova vida universitária fora da casa dos pais). Sendo assim o meu amigo conhecendo só a mascara que se refere a casa, ficou indignado. O melhor seria acreditar que este comportamento é provisório e necessário para a construção de sua identidade adulta, entretanto se deparamos com a permanência prolongada dessas atitudes, é claro que em instâncias mais comprometedoras, é sempre possível a ajuda terapêutica.
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ABERTURA |
A IDADE DO "NÃO SER" II: O ADULTO JOVEM E A BUSCA DA IDENTIDADE
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