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A GestalterapiaPaulo Roberto Mermejo |
Diferenças com a psicanálise:
A primeira grande diferença encontrada é o modo de lidar com o passado. Para a gestalt o que aconteceu no passado ou é assimilado tornando-se parte de nós, ou é trazido como uma situação inacabada, como uma gestalt incompleta.
Já a psicanálise encara as lembranças do passado como fundamentais na constituição da personalidade das pessoas. A psicanálise julga os traumas como as raízes dos problemas; ela coloca a "culpa" da doença nos acontecimentos do passados e não na própria pessoa.
A gestalt coloca que estes traumas tão valorizados pela psicanálise, são somente inversões do paciente para preservar sua auto estima; na verdade eles não existem, nunca ninguém provou sua existência. "São mentiras às quais se apega firmemente para justificar a falta de vontade em crescer. Amadurecer significa assumir responsabilidade pela própria vida, de ser por sí só.
Outra diferença fundamental é que a psicanálise estuda o por que das coisas, e assim obtém uma explicação. Para a Gestalt- Terapia os porquês são palavrões e não conseguem levar o terapeuta a uma compreensão do problema. Esta usa o "Como" e assim se consegue orientar e dar perspectiva.
A Gestalte - Terapia coloca que o por que favorece apenas inquéritos. Sem fim sobre a causa da causa; o como, por sua vez , engloba tudo o que é estrutura, comportamento. Para a psicanálise a ansiedade é um conceito bastante complexo. Já para a Gestalt, a ansiedade nada mais é que a tensão entre o agora e o depois, devido à insegurança que o futuro nos traz.
A culpa também é muita complicada no sistema freudiano, enquanto que para a gestal-terapia é um ressentimento projetado "... sempre que você sentir culpa, descubra do que você se ressente, a culpa desaparecerá e você tentará fazer com que outra pessoa sinta culpa..." A Gestalt concorda que a tomada de consciência de si mesmo, do mundo e do que está na zona intermediária da fantasia. Freud concorda também que existe algo entre você e o mundo, e analisou apenas esta zona intermediária, desconsiderando a auto consciência e/ou a consciência do mundo. Sendo assim, para a gestalt ele deixa de considerar o que podemos fazer para estarmos em contato com o nosso selff e com o mundo.
Existe ainda uma outra diferença essencial entre a psicanálise e a gestalt-terapia. A idéias de Freud do procedimento de associação livre, onde você conseguirá liberar a parte negada de sua personalidade, e colocá-la à disposição da pessoa e então a pessoa desenvolveria o que ele chamou de ego forte; esta idéia é considerada um absurdo completamente sem sentido para a gestalt-terapia. Segundo ela é um jogo de interpretar-computar que impede a experiência daquilo que é. Segundo, ainda, a Gestalt-terapia, você pode falar e perseguir suas memória da infância o quanto quiser que nada ira mudar.
Assim, em contraste com a idéia de Freud que da maior relevância as resistências, a ênfase dada pela Gestalt é na atitude fóbica, no evitar e no fugir de. O autor coloca que como Freud sofria de um grande número de fobias, ele não conseguia olhar para o paciente, encarar o fato de Ter um encontro com o paciente, assim colocava-o deitado no divã e isto tornou-se a marca registrada da psicanálise e, com isso ele evitava o ato de evitar.
Para o autor todos nós evitamos situações desagradáveis e por isso o terapeuta deve descobrir o que o paciente evita a fim de possibilitar o seu desenvolvimento.
Concluí-se que a Gestalt é uma abordagem simples, que irá prestar atenção ao obvio, a superfície, não explorando o inconsciente ( região desconhecida) e não acreditando em repressão . Diferindo assim da psicanálise, que atribui grande valor a este dois conceitos.
OS CONCEITOS BÁSICOS DA GESTALT-TERAPIA.
Os conceitos teóricos podem ser resumidos em dois aspectos básicos:
· O CONCEITO DE DOENÇA.
· Para a Gestalt - terapia o modelo de doença é um "modelo educativo - distúrbios de desenvolvimento e de cresccimento.
· A perturbação neurótica aparece, sempre que o contato consigo mesmo e/ou com o meio se torna perturbado.
· Mecanismos neuróticos:
· INTROJEÇÃO - Fronteira entre o indivíduo e o meio deslocada em favor do meio.
· PROJEÇÃO - Atribuir a outrem aspectos desagradáveis de nós mesmos.
· RETROFLEXÃO - Infligir em sí mesmo aquilo que gostaria de infligir em outro.
· PROTOFLEXÃO - Cisão rígida entre ser observador e observado - O indivíduo se fecha em relação ao meio exterior.
· DEFLEXÃO - Método de evitar contato direto e de se esquivar de um compromisso
· CONFLUÊNCIA - Se revela quando o indivíduo não percebe nenhum limite entre si e o meio, quando sente como se ambos fossem um só.
· IMAGEM DO SER HUMANO:
· SELF-SUPPORT - Equipamento necessário para enfrentar a vida.
· TOTALIDADE E INTEGRAÇÃO - Visão do homem como um todo.
· UNIDADE CORPO/ALMA/MENTE - Situação de influência recíproca e não são separáveis ou hierarquizáveis.
· UNIDADE PASSADO/PRESENTE/FUTURO - Derivação do conceito olistico - TEMPO - O presente é o ponto de transformação entre passado e futuro, passado e futuro se encontram no presente, porque nós os consideramos em nossa história de vida vivida até então e nas nossas expectativas sobre o futuro
· UNIDADE DE SE ACEITAR E DE SE MODIFICAR - Somente a percepção clara e a aceitação da situação presente e sua aceitação sento sentida e vivida liberta de ideais do eu e de pretensões ambos irrealistas que só podem levar à frustração e à decepção. A suposição de ser assim no momento, libera as forças para a percepção de possibilidade de ação realista e alternativas.
· UNIDADE DETERMINANTE DETERMINADO - O ser humano é determinante e determinado ao mesmo tempo no objetivo da responsabilidade
· UNIDADE INDIVÍDUO MEIO
· NO ÂMBITO INTERPESSOAL - Por um lado precisamos de nossa independência e de nossa responsabilidade por nós mesmos e ao mesmo tempo necessitamos do outro ou dos outros.
· EM RELAÇÃO A SOCIEDADE - Colocando limites a auto realização, ao crescimento pessoal, à realização dos respectivos interesses, ao desenvolvimento da independência se apresenta a sociedade e suas condições.
· CONTATO E LIMITE DE CONTATO - O limite no qual o indivíduo e o meio se tocam é o limite de contato - intercâmbio vivo entre o indivíduo e o meio
· Físico - pele, boca etc
· Psíquico - desejo, carinho etc.
· O CONTATO - Percepção e acietação das novidades assimiláveis, mas também a sua rejeição
· PERCEPÇÃO, CONSCIÊNCIA, AQUI-E-AGORA
· PERCEPÇÃO - Constante aparecimento e desmoronamento de gestalts, apesar de exitir uma dinâmica constante e viva entre figura/gesntalt e fundo
· CONSCIÊNCIA - Estar consciente é um determinado estado de consciência, uma condição de atenta vigília frente aos fatos que estão ocorrendo no respectivo instante aqui e agora. Em mim, comigo e em minha volta.
· NÍVEL INTERNO - autopercepção
· NÍVEL EXTERNO - Consciência em relação aos outros e ao meio.
· NÉVEL DE MEDIAÇÃO - Domínio das fantasias e das sprojeções em geral
· AQUI E AGORA - AGORA = EXPERIÊNCIA = CONSCIÊNCIA = REALIDADE.
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ABERTURA |