Alcançando a Unidade Islâmica
Por Mohammad Al-Hilli
"E apegai-vos todos à corrente de Allah e não vos dividais; e recordai-vos da mercê de Allah para convosco, porquanto éreis adversários mútuos e Ele conciliou os vossos corações e, mercê de sua Graça, vos tornastes verdadeiros irmãos;". Alcorão (3:103).
Quando a Comunidade Muçulmana debate sobre a questão da Unidade Islâmica, ela está debatendo sobre uma das mais importantes metas no processo de estabelecimento e disseminação do Din (Religião) de Allah (swt). Não há duvida nenhuma de que uma Comunidade Islâmica jamais poderá conviver em paz e harmonia sem um estado de unidade entre ela. Sem contar as várias barreiras e obstáculos que enfrentamos na tarefa de recrutamento de não-muçulmanos para o Islam.
Para justificar a Unidade, nós não precisamos nos ater a nada além do domínio do Islam, do Alcorão Sagrado e do Hadith. A ayeh (versículo) acima, deixa claro que Allah fez da Unidade uma obrigação para todos os muçulmanos, independentemente de suas opiniões pessoais.
Isso, portanto, leva ao entendimento de que aqueles que clamam pela desunião ou que não reconhecem a necessidade de concórdia entre os muçulmanos estão desobedecendo as ordens indubitáveis do Todo-Poderoso (swt) e do Seu Mensageiro (saww).
Além disso, em outros versículos, Allah (swt) indica de forma explícita, que punirá severamente os instigadores da discórdia.
"Não Sejais como aqueles que se dividiram e desentenderam, depois de lhes ter chegado as evidências, porque esses sofrerão um severo castigo." Alcorão (3:105).
O Profeta (saww) também disse num hadith: "União é perdão, enquanto desunião é punição."
Outra razão para imediata constituição da Unidade Islâmica é a presente situação da Ummah (Comunidade).
O Islam é e continua sendo um alvo para seus inimigos, que levantam antigas disputas e suscitam muitas outras entre os muçulmanos. É evidente que estão ocorrendo muitas catástrofes, crises, tumultos e distúrbios no mundo islâmico. Desde os massacres em Kosovo ao genocídio no Iraque, a Ummah parece estar num completo estado de incerteza e aflição. A maioria dos intelectuais islâmicos concorda que tudo isso é uma conseqüência direta da desunião entre os muçulmanos, e uma punição de Allah (swt):
"Quanto aos incrédulos, são igualmente protetores uns aos outros; e se vós não o fizerdes (protegerdes uns aos outros) haverá intriga e grande corrupção sobre a terra." Alcorão (8:73)
Além disso, uma conseqüência da desunião é que a Ummah se enfraquece, sofrendo de moral baixa e desperdiçando energias em problemas insignificantes ou secundários. Isso, claramente, provoca conflitos de personalidade, ódio ou tensão, e enquanto tudo isso está acontecendo, os inimigos do Islam regozijam-se e continuam a implementar seus planos "perversos" contra a Ummah.
Tendo estabelecido a importância da Unidade Islâmica, alguma pessoa pode perguntar o motivo pela qual ela não está sendo alcançada ou pelo menos não numa progressão mais célere. A resposta para essa questão é muito complexa e profunda, divergindo em muitas origens diferentes. Entretanto, todas elas convergem para o mesmo lugar comum: o da ignorância.
Uma das causas da desunião é que muitos muçulmanos estão ignorantes quanto à obrigação tanto de esforçar-se pela Unidade como a de mantê-la. Isso, é claro, tem sua origem na falta de educação e aprendizado de importantes princípios e ideologia islâmica.
Outros causam disputas e vaidades, praticam hipocrisia, mesquinharia e amor-próprio. O amor a essa vida, a tendência de dominação sobre os outros e a propagação de racismo e nacionalismo são outras causas da desunião.
É importante esclarecer que desentendimentos entre muçulmanos não são permissíveis. Nós precisamos ser capazes de distinguir entre expressar diferenças de opinião e fomentar ódio e orgulho dentro da Comunidade. Isso é evidente no Alcorão, onde nós aprendemos que um dos belos sinais da criatividade infinita do Onipotente é a variação e a diversidade que encontramos em qualquer lugar para qual olhamos no Universo. Como pessoas portadoras de diferentes atitudes e de diferentes níveis de inteligência e discernimento, nós podemos esperar diferenças de opinião.
Com efeito, podemos dizer, seguramente, que no tocante a compreensão dos ricos e profundos significados do Alcorão Sagrado e da Sunnah, os escolásticos muçulmanos irão, inevitavelmente, discordar um dos outros em certos pontos.
Contudo, esse processo não precisa levar a rivalidades e ao desdém. Ele, simplesmente, deve ser visto como um ponto de discordância teológica e judicial de importância secundária ou como uma interpretação diferente de um versículo do Alcorão ou de um hadith em particular.
Isso nos leva ao ponto das abordagens práticas para se alcançar a Unidade Islâmica. No estabelecimento dessa unidade entre os muçulmanos, nós devemos considerar a convergência de pensamentos islâmicos e discutir tópicos de interesse nos quais haja um entendimento comum, em vez de tentarmos eliminar a diversidade das várias seitas islâmicas.
"Dize: Ó adeptos do Livro! Venham a uma palavra comum entre nós e vós".
Assim, independente de divergências de ponto de vista e de práticas dos muçulmanos, e contanto que todas as seitas concordem em adorar Allah (swt), o Todo-Poderoso e em obedecer ao Profeta Mohammad (saww), nós todos permaneceremos dentro do extenso círculo da Ummah Islâmica.
Nós podemos concordar que a unidade pode ser alcançada se nós a construirmos sobre as bases originais de orientação, o Alcorão Sagrado e a Sunnah do Profeta (saww). Esse é o requisito básico. Como muçulmanos, devemos iniciar nossos diálogos e argumentos a partir de pontos harmônicos.
Muitas pessoas concordam que todos os muçulmanos têm vários aspectos em comum, o que, conseqüentemente, pode nos levar a uma sólida aliança. Afora o fato de que todos nós adoramos Allah (swt) e acreditamos no Profeta (saww), bem como praticamos muitas outras obrigações tal como o jejum e o Hajj da mesma maneira, todos nós temos uma mesma visão de mundo e somos partes da grandiosa Cultura e Civilização Islâmica. Essas características comuns são uma grande fonte de poder no confronto contra nossos inimigos.
Além disso, todos nós, muçulmanos, devemos alimentar um forte senso de fraternidade, por meio do qual, poderemos nos amar e nos entender mutuamente. Devemos também deixar qualquer hostilidade de lado e respeitarmos uns aos outros.
Não obstante, preconceitos religiosos podem ser fruto de uma longa história de diferenças, assim como de pressões psicológicas, sociais e históricas. E isso deve ser mantido em mente.
Portanto, é importante familiarizar e educar os muçulmanos no estabelecimento de diálogos refinados, baseados no glorioso Alcorão, a fim de seguir adiante e de construir uma vigorosa e coesa Sociedade Islâmica.
"Convoca (os humanos) à senda do teu Senhor com sabedoria e uma boa exortação e dialoga com eles de maneira benevolente."
O principal obstáculo que se encontra, na tentativa de se alcançar a Unidade Islâmica, é a existência desses assim chamados "muçulmanos", que empregam todos os meios possíveis para atacar publicamente as outras seitas islâmicas, seja de forma verbal ou por intermédio da força. Isso é manifestado tanto por discursos ou artigos em livros e jornais, como através da instigação de uma série de violência e de assassinatos. Esses indivíduos não estão apenas prejudicando severamente o lento processo da construção da Unidade, mas estão, também, ajudando enormemente os inimigos do Islam a alcançar seus perversos objetivos de total destruição Islâmica.
Nosso puro objetivo em alcançar a concórdia nessa vida, é o estabelecimento do Deen de Allah (swt), e não a dominação de uma seita sobre a outra. A menos que a presente disposição de ânimo seja removida e até que a total aderência ao Islam puro, através de métodos apropriados de debate islâmico seja atingido, vai ser difícil imaginar uma Ummah coesa e unida.
Nós não devemos perder a fé e a esperança se a unidade não for estabelecida hoje, mas sim trabalhar com determinação para que isso se concretize no futuro. Além disso, não devemos cair na armadilha dos oponentes da Unidade Islâmica que, constantemente, escondem a verdadeira natureza da Aliança Islâmica e iniqüamente clamam que uma Ummah unida é algo impraticável e destinado ao fracasso.
Nós não podemos enfatizar a importância de se atingir um completo estado de coesão e unidade dentro da Ummah Muçulmana. Devemos manter isso em mente em todos os diálogos ou argumentos em que entrarmos e em cada ação que efetuarmos. Somente alcançando essa Ummah Islâmica unida, é que conseguiremos pôr fim à dominação e opressão pela qual passamos por parte dos inimigos do Islam. E quando esse momento chegar, paz, segurança e justiça não serão meras aspirações, mas uma genuína realidade.
"Ó Allah, nós desejamos de Ti um estado honorável, onde o Islam e seu povo sejam fortalecidos e onde a hipocrisia seja degradada. E nos faça estar nesse estado, entre os que convidam para Sua obediência e guiam para Seu caminho, e nos dê através disto, a honra neste mundo e no próximo."
Fonte: ShiaNews.com