TODOS OS DIAS SÃO ASHURA, TODAS AS TERRAS KARBALA!

Huyyatulislam Mohsen Rabbani
Extraido de El Mensaje de Az-Zaqalain, Año IV, nº 11, Maio de 1998


O mundo ocidental tem observado nos últimos anos na
televisão e nas revistas imagens de grandes concentrações de
homens e mulheres que choram e recordam amargamente
o martírio de Imam Hussein (as),  como se tratasse
de uma tragédia recente, sem entender como podem se lamentar
desta maneira por uma pessoa que morreu no século VII

Imam Hussein nasceu em 3 de Sha'ban do ano 4 da Hegira ( 626
d.c) na cidade de Medina capital do primeiro estado islâmico
da história. Seus pais foram da família mais célebre da
história islâmica Imam 'Ali, Emir al Muminín (as) e Fátimah Az-
Zahara (as), seu avó foi o Profeta Muhammad (saas), o qual o
chamava de filho.

Narra a história que quando o profeta supôs que seu neto
havia nascido se dirigiu com rapidez a casa de sua filha
Fátimah. Quando entrou na casa  expressava feições de
profunda tristeza. Com a voz apagada dirigindo-se a Asmâ, uma
mulher que ajudava sua filha nas tarefas domésticas,
disse: "Traga meu filho."

Asmâ trouxe o menino e o colocou nos braços do Profeta, que o
abraçou, o beijou e começou a chorar. Asmâ observando o
estado do Profeta disse:

- Por que choras, Oh Mensageiro de Allaah??

- Choro por este meu filho - respondeu o Profeta ( as.)

- Chora por este menino recém nascido? disse Asmâ, muito
surpreendida pela resposta.

- Um grupo opressor o matará depois de minha morte. Allah
queira que estes não obtenham minha intercessão - disse o
Profeta.

- O Mensageiro de Allah recitou então aa chamada oração
(adhan) em seu ouvido direito e a el Iqâmah em seu ouvido
esquerdo e lhe deu o nome de Hussein.No sétimo dia de seu
nascimento sacrificou um cordeiro cuja a carne foi
distribuída, conforme a tradição islâmica, cortou o cabelo do
recém nascido e repartiu entre os pobre o equivalente ao seu
peso em prata. Imam Hussein foi educado tendo como guia os
maiores mestres da história humana; o Profeta Muhammad, o
Imam Ali e Fátimah Az-Zahara.

Cinqüenta anos depois do falecimento do Profeta (as), o 
Islam havia conquistado o coração e o espírito de todas as
grandes culturas do mundo antigo. Havia chegado aos persas,
aos Indianos, em parte da China, no centro asiático, Bizâncio
(o Império Romano Oriental) e ao Egito. A vitalidade do
Islam se mantinha e seguia em expansão porque os povos  se
entusiasmavam com a mensagem libertadora do Corão, porém tal
como o Profeta Muhammad ( as) e Imam Ali ( as) haviam
predito, no interior do governo, e no Califado começaram as
desavenças.

É bem verdade que no período dos três primeiros Califas: Abu
Bakr, 'Umar e 'Uzmân,  havia sido preservada certa
estabilidade política e moral, quando vinte e cinco anos
depois Ali subiu ao Califado os elementos mais reacionários
que governavam os territórios ricos como a Siria, governada
por Mu'awiah bin Abu Sufiân levantaram sua voz. Este
governante que havia se fortalecido e enriquecido durante o
mandato dos califas anteriores pertencia aos Omeyas, a
família que mais se opunha ao Profeta. A história do Islam
nos recorda que o pai de Mu'awiah foi um dos maiores líderes
dos exércitos de Meca que enfrentaram o Profeta (saas) e era
ainda o representante dos poderosos na época de Yahiliiah
(período pré-islamico)

Quando o clan Omaeya se viu perdido, decidiu aceitar o Islam.
Mas assim que o Profeta morreu, mobilizaram todo o seu poder
e influencia para apoderar-se do Califado e evitar a ascensão
de Ali ao poder como era seu direito.

Nem a casa de Abu Sufiân, nem o clan dos Omeya, nem a
aristocracia das tribos árabes aceitaram o legitimo direito
que Allah estabeleceu para que Seu Profeta (saas) nomeasse
Ali (as) como o supremo guia espiritual e político dos
muçulmanos após sua morte. Este ódio contra Ali (as), recaiu
também sobre seus filhos Hassan (as) e Hussein (as)

Foi precisamente Hussein quem após o assassinato de seu Pai
Ali e o envenenamento de seu irmão Hassan levantou a bandeira
da Casa Profética (Ahl ul-Bait)  e enfrentou um califa
corrupto, Iazid, filho de Mu'awiah que não ocultava seus
vícios e ainda os apregoava abertamente.

Hussein compreendeu como mais ninguém em sua época que era
necessário dar uma lição a comunidade ou caso contrario o
Islam desapareceria da história, como já havia ocorrido
com outras culturas que pareciam destinadas a viver
eternamente. O corrupto governo de Iazid havia transformado o
Califado em uma despótica monarquia.

Quando o Imam saiu da cidade de Medina onde residia, para
Meca e posteriormente para Kufa no Iraque, estava consciente
de que se dirigia a seu destino final. Prova disso é o que nos
foi transmitido  de seu encontro no caminho de Kufa com Al-
Farasdaq, um dos  poetas mais celebras da época. O Imam o
perguntou:

- Que noticias trazes. Oh Abu Firas!?
- Quer a verdade? contestou o poeta.
- Quero a verdade, disse o Imam Husseinn

- Os seus corações estão contigo, porémm as espadas estão com
os Omeyas e a vitória é somente de Allah,

- Disse a verdade - exclamou o Imam - AAs pessoas são escravas
do mundo. A religião é uma vaidade em suas línguas. E quando
lhes rendem ganâncias para sua subsistência a preservam, mas
quando provam a dificuldade poucos revelam ser piedosos.

Não há duvida de que aquela era uma comunidade de homens que
lamentavelmente careciam de caráter. Disse Imam Ali (as): "O
caráter é a religião do homem. Quem não possuir caráter não
possui religião."

E o Mensageiro de Allah (saas) disse: "Opressor e Oprimido,
ambos merecem o inferno."

O homem contemporâneo pode aprender muitas lições do
acontecimento social e espiritual que advêm do martírio de
Imam Hussein (as). Uma delas é que , até seu último momento,
Hussein (as) tratou de orientar e educar, não somente a seus
amigos, mas também seus inimigos, porque o Islam é uma
mensagem divina da misericórdia, cuja principal missão é
educar a humanidade, e não condená-la. O mártir de Karbala
sempre clamou pelo diálogo e pela paz, esforçando-se para
evitar derrubar sangue inocente.

Imam Hussein nos deixou ensinamentos fundamentais:

1 - O homem deve orientar-se em objetivos nobres e para
atingi-los deve empenhar-se com todo o seu esforço. O objetivo
de Imam Hussein (as) era o de todos os enviados divinos:
Adorar ao Deus Único (Tauhid) e não aceitar opressão.

2. - O homem deve defender sua liberdade com sua vida.

O Imam Hussein (as) com seu comportamento, mostrou a
humanidade  que viver sobre o julgo dos tiranos é uma
humilhação e que morrer sobre suas espadas é um triunfo. Ele
disse: "A morte é para mim melhor do que cavalgar sobre a
ignomínia do opressor."

3. - Não se deve abandonar a senda da verdade e trocá-la pela
mentira, ainda que na senda se perca seus bens, seus filhos e
sua própria vida.

Sobre isso Imam Hussein (as) recitou os seguintes versos:

Se o mundo se considera algo precioso,
A morada da recompensa divina é ainda mais excelente e nobre.
Se os corpos foram creados para a morte
O martírio de um homem sob uma espada, pela causa de Deus é muito melhor.
Se os bens deste mundo serão abandonados totalmente.
Que sentido tem então há em prender-se ao que vais deixar?

4 - A história de Karbala nos ensina que a humanidade deve
lutar para preservar os valores humanos e divinos.

5 -  O martírio de Imam Hussein (as) junto aos seus
companheiros no deserto de Karbala representa um modelo a ser
seguido neste mundo injusto, não somente por muçulmanos mas
por todos os homens livres que buscam a verdade. Por isso
mesmo, Mahatma Gandi disse: "Eu não inventei nada para
libertar a Índia só apliquei o método de Hussein." O mesmo
disse o líder do Paquistão, Muhammad 'Alî Yunah, que disse
haver se inspirado no exemplo de Imam Hussein para obter a
independência de seu país.

6 - A história de Imam Hussein, nos mostra que se não se
sacrifica algo no caminho da justiça perdem-se os valores
espirituais e humanos.

7 - Se o ser humano e a sociedade não podem tomar partido
contra os opressores, ao menos não devem unir-se a eles.


Fonte:
http://www.islam-shia.org/

 

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