COMO EU ENCONTREI A SENDA RETA
Pelo irmão Muhammad Yusuf
(Submetido por Rai Muzammil Hussain)
Bismillah ir Rahman ir Rahim
Em Nome de Deus, O Clemente, O Misericordioso.
Como eu, um sunita seguidor da jurisprudência Hanafi, vim a encontrar e abraçar a Senda Reta da Ahlul-Bayt? Todas as bênçãos e graças estejam com Deus (Subhana wa'tala) que em sua Clemência e Misericórdia guiou-me em direção à verdade.
Minha jornada começou quando do início de um novo emprego conheci pela primeira vez um seguidor da Ahlul-Bayt. Até aquele momento, eu sabia muito pouco sobre os shias - exceto pelo que eu tinha ouvido dos irmãos sunni, que para dizer o mínimo, não eram coisas muito agradáveis e completas. Eu não havia lido nada sobre eles, pois nunca tinha achado algo para ler: todos os livros sobre o Islam que eu encontrei num período de muitos anos eram sunni e escritos por muçulmanos sunni. Todos os muçulmanos que eu conhecia em meu país de residência e em lugares como Egito, eram sunni, e até mesmo neste moderno meio de comunicação, a Internet, eu não tinha encontrado nenhum site shia, provavelmente porque eu não havia reparado neles especificamente e apenas seguia links de um site sunni a outro. Eu também conhecia muito pouco sobre a história primitiva do Islam, com exceção é claro, o que sabia de livros sobre quão maravilhosos eram os "Califas Piedosos".
Nesse momento, eu já tinha começado a pensar seriamente sobre determinadas questões, tal como predestinação, e a ficar um pouco interessado em alguns Hadiths que eu li em Bukhari e Muslim que me pareceu, na minha inocência e falta de conhecimento, contradizer as palavras do Alcorão Sagrado. Eu tinha interesse também sobre a questão de se seguir certos escolásticos, pois sempre haviam dito que eu poderia escolher qual Madhab seguir, e que se eu não estivesse pessoalmente satisfeito com alguma coisa, poderia seguir outras escolas em certas matérias, bem como seguir e aceitar conselhos de qualquer escolástico e de qualquer Escola. Isso não me pareceu estar correto.
Talvez devo acrescentar que, à essa época, eu era relativamente um recém-convertido, tendo descoberto em um período de alguns anos, a verdade sobre o Islam e o Profeta Mohammad (s.a.s.) e tendo me convencido que não apenas era Deus o Único e sem parceiros, mas também que Mohammad (s.a.s.) era seu Profeta e Mensageiro. [Anteriormente, eu tinha sido um Cristão, e de fato, um monge Católico por um tempo].
O irmão shia e eu éramos os únicos muçulmanos em nosso local de trabalho, de modo que, era natural que nós orássemos juntos a Zuhr e a Asr. Ele era benévolo, atencioso e bem-educado - de fato, um exemplo de como os muçulmanos deveriam ser - e não fazia importância que ele rezasse ligeiramente diferente de mim. Eu apenas assumi, em minha ingenuidade, que simplesmente ele era um seguidor de uma Madhab diferente.
Então eu mencionei a um irmão na Mesquita local que eu estava orando junto com um shia. A reação negativa dele serviu apenas para me deixar mais interessado em descobrir novas informações sobre eles. Assim, fiz algumas perguntas a meu irmão shia. Ele me respondeu de forma simples, sempre salientando que eu deveria formar minha opinião própria a respeito e utilizar a razão como guia.
Eu me lembro vivamente de um certo incidente. Me foram enviados muitos artigos de um grupo, que era influenciado pelos Wahhabi, veementemente anti-shia e que fizeram toda sorte de alegações sobre os seguidores da Ahlul-Bayt. Mencionei esse grupo a meu irmão shia, ao que ele disse, calma e simplesmente: "O que você acha deles?"
Eu repliquei que não poderia conceber o Profeta Mohammad (s.a.s) atuando de uma forma tão intolerante, pois eu me lembrava do Hadith que dizia como o Profeta tratou o homem que era mal-educado o bastante a ponto de urinar numa Mesquita enquanto o próprio Profeta (s.a.s) estava lá.
Meu irmão shia não disse nada, mas alguns dias depois (conforme me lembro) ele me emprestou uma cópia de uma tradução inglesa de Nahj al-Balagha contendo um pouco da sabedoria de Imam Ali (a.s.). Eu o li e me maravilhei com a sua erudição, e decidi tentar descobrir mais sobre esses shias - até aqui, eu ainda sabia tão pouco sobre eles que desconhecia que shia significava seguidor e que os shias eram seguidores da Ahlul-Bayt, um termo que igualmente não dizia nada para mim.
Então, não muito tempo depois, eu larguei meu emprego para me dedicar a uma nova função e dessa forma perdi o contato com meu irmão shia, embora eu houvesse tentado contactá-lo uma vez, mas meu e-mail tinha retornado, à medida que obviamente não havia me lembrado o endereço certo. Vários meses se passaram antes que eu começasse um estudo mais aprofundado, resolvido a ler o sermão de Ghadir Khumm como relatado em Tirmidhi e Muslim: fontes sunni que eu ainda implicitamente aceitava. Afinal de contas elas não eram Sahih - secundadas apenas pelo próprio Alcorão Sagrado?
Aqui, estava o Profeta (s.a.s.) afirmando que todos nós deveríamos seguir e nos agarrar a sua Ahlul-Bayt, tal como eu tinha lido quantas vezes ele tinha exaltado Imam Ali (a.s.) em tais termos que seguramente significava que ele o via ou o desejava como seu Sucessor.
Eu descobri algumas das crenças básicas dos seguidores da Ahlul-Bayt, tal como Taqlid e os Quatorzes Infalíveis e quanto mais eu refletia sobre eles mais racionais e lógicos eles me pareciam. Eles eram as conseqüências lógicas e naturais do próprio Alcorão Sagrado. Isso realmente me iluminou bastante a respeito do Xiismo: foi como eu tivesse encontrado uma verdade fundamental pela primeira vez, alguma coisa simples e ao mesmo tempo profunda.
Alguns dias depois, num site de Internet, li a respeito do episódio de Karbala. Tenho de admitir que chorei. Como aqueles que se diziam muçulmanos puderam tratar outros irmãos muçulmanos daquela maneira - e como eles puderam lutar e até mesmo matar o próprio neto do Sagrado Profeta? Eu achei esse fato bastante assustador. Como essa tragédia pôde acontecer? E depois eu li algumas palavras proferidas pelo quarto Imam (a.s.) sobre esse incidente, e o que ele representava e sempre representaria.
E a partir de então, eu passei vários dias lendo a respeito da história primitiva do Islam - Umáidas e Abássidas e como eles perseguiam violentamente os seguidores da Ahlul-Bayt. Li as obras de Muhammad Tijani "Então Eu Fui Guiado" e "O Xiismo é a Real Ahl al-Sunna", vários outros livros e muitos, muitos artigos escritos pelos seguidores da Ahlul-Bayt. Li também o sermão de Imam Hussain (a.s.) em Mina, o qual descreveu o estado aterrador da Arábia apenas cinqüenta anos depois da morte do Profeta Muhammad (s.a.s.) - a corrupção de Yazid e dos escolásticos da época. E me lembrei ainda de um dito que havia lido em algum lugar: "Todo dia é Ashura e toda terra é Karbala."
Pensei seriamente sobre as questões que as minhas leituras haviam levantado, e me convenci que era meu dever como muçulmano seguir a Ahlul-Bayt - afinal de contas esse foi claramente o desejo do Sagrado Profeta (s.a.s.) que estava revelando a vontade de Deus, a qual como muçulmano devo submeter-me. Simplesmente, não havia argumentos racionais contra as crenças dos seguidores da Ahlul-Bayt, desse modo, pareceu-me que as mesmas não apenas expressavam o que era racional e lógico, como também baseavam-se nos ensinamentos do próprio Sagrado Profeta (s.a.s.).
Foi então que comecei a procurar meu irmão shia, vindo a encontrar um nome semelhante ao dele na lista telefônica da cidade onde eu sabia que ele vivia, e então telefonado para ele. A máquina de fax respondeu, ao que eu enviei um breve fax, pedindo que entrasse em contato comigo, não sabendo ainda se ele havia recebido o meu fax ou não.
Alhamdulillah, a máquina de fax pertencia ao seu tio e em menos de uma semana depois eu estava com ele, e o Imam na mesquita local, afirmando que Ali (a.s.) era o sucessor por direito do Profeta (s.a.s.).