Liberdade Religiosa no Reino da Arábia Saudita
Com Enfoque nos Cidadãos
Sob embargo
Até 30 de Janeiro de 2001
Introdução
Minorias, Um Panorama Geral:
A Seita Oficial Hanbali:
Minorias Sunnis
A Seita Shafii
A Seita Maliki
A Seita Hanafi
Minorias Shias:
Seita Ismailita
Seita Jafari
Seita Zaidita
Shias Ocultos
Controle Governamental de Instituições Religiosas:
Mesquitas
Husayniat
Salões de Casamento e a Tragédia de Qudayh
Santuários Religiosos
Clérigos
Controle Governamental de Educação e Cultura:
Educação
Educação Religiosa
Universidades Religiosas
Compêndios Escolares
Prêmios e Doações Reais
Nomes
Livros
Música
Feriados Religiosos
Internet
Leis Discriminatórias e Práticas Legais
Prisões
Juízes
Proibição de Viajar
Violência Religiosa
Punição Coletiva
A Arábia Saudita testemunhou nesse ano muitos atos de intolerância
religiosa executados pelo governo e por várias figuras religiosas. O evento
mais proeminente foi o ataque à principal mesquita Ismailita na cidade de
Najran, no sul do país, o fechamento de várias mesquitas Shias e salões
comunitários (husayniahs), a prisão de vários clérigos Shias, e a
proliferação de websites de ódio religioso que promovem o ódio sectário.
Este trabalho trata da situação de minorias religiosas Shias e Sunnis na
Arábia Saudita e as limitações impostas pelo governo sobre a liberdade de
expressão e o exercício das crenças dessas minorias.
Minorias, Um Panorama Geral:
A Arábia Saudita possui várias minorias religiosas. A seita Hanbali, a seita oficial endossada pelo Estado, é dominante apenas na região Central. Os Shafiis, Malikis e Hanafis são dominantes na região Ocidental do país. Os Shias Jafaris dominam a região Oriental com alguns Shafiis e Hanbalis. A região Sul tem uma mistura de Shias Ismailitas, Shias Zaiditas e alguns Hanbalis.
A Seita Oficial Hanbali:
A seita é provavelmente a maior de todas as seitas do país e a mais poderosa. Ela é a instituição religiosa e a seita oficial do Estado. Os Hanbalis estão concentrados na Província Central (Najd) em números de milhões. O Mufti e todos os juízes são sempre selecionados entre a seita Hanbali. Embora o governo endosse essa seita, ela é sujeita a um controle oficial mais rígido do que qualquer outra seita.
Minorias Sunnis:
A Seita Shafii:
A seita Shafii é uma das quatro principais Escolas dentre os Sunnis. Os Shafiis eram numericamente a maioria no reino até algumas décadas atrás. Eles constituem a maioria na Província Ocidental (Hijaz). Acredita-se que o número deles esteja em milhões (1).
Instituições religiosas Shafiis têm sido gradativamente extintas pela seita Hanbali, dominante em Najd. No passado, famosos clérigos Shafiis como Zaini Dahlan atraíram seguidores ao redor de todo o mundo islâmico (2). Hoje em dia, Hanbalis fanáticos se referem aos Shafiis como Sufis. O Sufismo é proibido no país. O número deles, especialmente na Província Oriental, tem se reduzido nos últimos anos. Não é permitido aos Shafiis, liderarem orações em Makkah e em Madina como historicamente eles faziam. Uma das mais proeminentes figuras Shafiis é a do ex-ministro da informação, Dr. Mohammad Abdu Yamani.
A Seita Maliki:
Como os Shafiis e Hanafis, eles estão concentrados em Hijaz, especialmente em Makkah, onde o líder deles, Sheikh Mohammad Alawi Al-Malik reside. Eles também enfrentam ataques de fanáticos religiosos Hanbalis. Vários livros financiados pelo governo foram escritos por clérigos Hanbalis para atacar o Sheikh Mohammad Alawi Al-Maliki acusando-o de praticar o Sufismo e a apostasia. O Sheikh Abu Baker Al-Jazairi, nativo da Algéria, que trabalhou como orador na mesquita do Profeta e como professor na Universidade Islâmica de Madina, atacou o Sheikh Al-Maliki em vários discursos e em pelo menos um livro (3). O Sheikh Abdullah Bin Manee, um juiz do alto-escalão e membro do Conselho de Ulama Sênior, escreveu um livro acusando Al-Malik de apóstata e religioso transviado. O falecido Grande Mufti, Sheikh AbdulAziz Bin Baz, escreveu o prefácio do livro (4).
Quando Al-Maliki tentou pregar na Grande Mesquita em Makkah como seu pai e seu avô, o Conselho de Ulama Sênior o impediu (5). Ele não tem uma mesquita para orar e é obrigado a publicar seus livros no exterior, principalmente no Egito. Não é permitido que Malikis liderem orações ou profiram sermões na Grande Mesquita ou na Mesquita do Profeta em Madina como eles historicamente faziam. Uma das figuras proeminentes Maliki é a do ex-ministro do petróleo, Ahmed Zaki Yamani.
A Seita Hanafi:
A seita Hanafi é a menor seita Sunni, e as suas instituições religiosas não existem mais. Como eles compartilham proximidade religiosa e geográfica com as seitas Shafi e Maliki, eles tendem a depender deles para instrução religiosa. Não há nenhum clérigo Hanafi conhecido.
Minorias Shias:
A Seita Ismailita:
Os Shias Ismailitas estão concentrados na Região Sul de Najran. Praticamente toda a tribo Yam é Ismailita. O atual líder deles conhecido como Al-Dayee é o Sheikh Hussain Bin Ismail Al-Makrami. O número de adeptos deles varia de duzentos mil a um milhão de acordo com diferentes fontes. Discriminações contra eles têm crescido nos últimos anos depois da nomeação do atual governador, Príncipe Mishaal bin Saud (6). Os Ismailitas são impedidos de usar o seu distintivo chamado da oração, em qualquer lugar, inclusive em suas próprias mesquitas.
A Seita Jafari:
Os Shias Jafaris constituem a maioria na Província Oriental. Eles também possuem grandes comunidades menores em Jeddah e em Riyadh. O número deles é matéria de disputa e variam de novecentos mil a dois milhões de adeptos. Eles são provavelmente a mais ativa minoria no país, brigando contra o governo pelos seus direitos. A situação deles merece a maior atenção dispensada às minorias no Reino.
A Seita Zaidita:
Eles estão concentrados nas cidades de Asir, Najran, Jeddah e Yunbo, no sul do país. Não há nenhuma mesquita Zaidita conhecida ou quaisquer instituições religiosas organizadas; os Zaiditas sauditas confiam nos Zaiditas do Iêmen para orientação espiritual. O número deles não é conhecido e eles tendem a esconder sua fé em cidades dominadas por Sunnis. O governo confiscou a Mesquita Zaidita em Najran três anos atrás e instalaram um Imam Hanbali para liderar orações nela.
Shias Ocultos:
Discriminações e sentimentos extremamente anti-Shia em cidades predominantemente sunni compelem muitos Shias de todas as seitas a esconder a sua fé. A comunidade nativa Shia de Najd em Riyadh não é conhecida por residentes da cidade. Eu tive a oportunidade de encontrar um famoso artista daquela comunidade.
Muitos Shias de Madina, Asir e Najran vivem em Jeddah e em outras cidades, e não declaram a sua fé. Esse ambiente leva a algumas conversões à seita Sunni. Há também muitos relatos de Sunnis convertendo-se ao Xiismo secretamente (7). Um membro da família real adotou, de modo secreto, o credo Xiita, recentemente.
Controle Governamental de Instituições Religiosas
Mesquitas
O país possui 37.850 mesquitas, de acordo com o Ministério de Doação. O governo constrói a maioria das mesquitas. Mesquitas construídas por particulares precisam ser submetidas ao controle governamental. O governo também tem financiado a construção de cerca de 1.600 mesquitas ao redor do mundo, inclusive nos Estados Unidos (9).
Não é permitida a construção de mesquitas por Shias Ismailitas, Jafaris e Zaiditas. A maioria das mesquitas deles ainda existente, data do período de dominação turca ou são construídas clandestinamente. Não existem mesquitas Zaiditas. Também não há mesquitas exclusivamente Shafii ou Maliki.
O governo nomeia os Imams em todas as mesquitas Sunnis e controla a maioria das suas atividades. Acredita-se que todos os sermões (kutbah) proferidos em mesquitas Sunnis sejam elaborados pelo Ministério de Assuntos Islâmicos. Os sermões em duas mesquitas sagradas (AlHaramain ASharefain) em Makkah e em Madina também precisam ser pré-aprovados pelo Ministério de Assuntos Islâmicos (10).
O Sheikh Saud Al-Shuraim, um dos oradores da Grande Mesquita, foi proibido temporariamente de proferir sermões depois de ter criticado os esforços para expandir o turismo no país. Além disso, os Imams em mesquitas Sunnis são obrigados a rezar para o rei (11). Este ano uma proibição foi imposta sobre o Qonoot, levantar as mãos durante as orações, depois de muitos Imams rezarem pela vitória chechena contra a Rússia.
Os Shias Jafaris em Madina, uma minoria substancial na cidade, não possuem mesquitas. O governo destruiu suas mesquitas e husayniats (centro comunitário) décadas atrás. Eles mantêm mesquitas subterrâneas na mata fora da cidade ou oram em porões de residências privadas (12).
A Mesquita Imam Al-Hussain em Al-Battalia na Província Oriental foi fechada em abril. Acredita-se que a mesquita fora construída utilizando-se uma permissão residencial. A maioria das mesquitas Shias erigidas desde a fundação da Arábia Saudita foram construídas primeiramente como residência, mas se converteram paulatinamente em mesquitas (13).
As mesquitas dos Shias Ismailitas são fechadas pela polícia no dia da Eid sempre quando a Eid Ismailita difere da do governo. Os Ismailitas usam métodos diferentes dos utilizados pela instituição religiosa oficial para determinar a Eid.
Husayniat
Husayniat é uma instituição social e religiosa dos Shias que exerce a função de um centro comunitário. Sermões religiosos, casamentos e funerais são realizados usualmente nas husayniats. Elas são ilegais no país e são geralmente construídas usando-se permissão residencial.
Este ano, sete husayniats foram fechadas na região de Al-Ahsa durante as comemorações de Muhharam. Eles incluem Al-Qaim e Al-Mojtaba em Al-Mubaraz, Al-Rassol Al-Adam em Al-Batalia, Al-Mortada e Azzahhra em Al-Garn, e Al-Askari em Al-Andalus (14). Também houve vários fechamento de várias casas usadas para propagação de sermões em Al-Ahsa e Al-Jesh, e vários proprietários desses domicílios foram presos por vários meses por manterem esses sermões em suas casas. Um exemplo disso é o de Naser Al-Morey de Al-Ahsa.
Salões de Casamento e a Tragédia de Qudayh
Os salões de casamentos estão disseminados por todos os estados e cidades sauditas, com exceção de Qateef e áreas Shias circunvizinhas. Além disso, estranhamente, Qateef não possui nenhum hotel. Isso é o resultado de uma proibição imposta pelo ministro do interior, Príncipe Naif, cerca de 15 anos atrás a fim de impedir os Shias de usarem os salões para organizar reuniões religiosas e comunitárias, como casamentos.
O aumento da população e o reduzido número de husayniats fizeram da utilização de largas tendas a única opção disponível para a realização de festas matrimoniais. Isso resultou na maior tragédia ocorrida na Arábia Saudita nos últimos anos, a tragédia de Qudayh.
No dia 28 de julho de 1999, um incêndio se iniciou numa tenda de casamento matando 76 mulheres e crianças, e ferindo dezenas de outros na cidade de Qudayh, na região de Qateef (15). O Príncipe Mohammad Bin Fahd, o governador da província e que vive a 20 minutos dali, não visitou o local da tragédia ou as famílias das vítimas, como é comum em todo o mundo. Em contraste, o Príncipe visitou os sobreviventes e o local de uma explosão acidental perto de Jeddah que matou quatro crianças no dia 29 de julho de 2000 (16). Por outro lado, o Príncipe Soberano Abdullah enviou uma mensagem de condolências às famílias das vítimas de Qudayh. Foi reportado que ele doou um pequeno terreno para a construção do primeiro salão matrimonial em Qateef.
Santuários Religiosos
O país possuía muitos santuários no começo do século XX, mas a maioria deles, senão todos, foram destruídos desde a fundação da Arábia Saudita.
Em 1925, forças governamentais demoliram o cemitério Baqee em Madina, onde se encontram os túmulos de várias figuras históricas islâmicas e que é sagrado para as seitas Shafii, Maliki e Shia. O falecido Rei Hussain visitou o cemitério Baqee durante sua última visita a cidade. Além disso, vários locais islâmicos foram destruídos, incluindo as casas do Profeta Mohammad em Madina. Em Makkah, o santuário da primeira esposa do Profeta também foi demolido.
Várias colunas da Grande Mesquita que datavam do século VII também foram removidas. O governo demoliu, décadas atrás, o santuário do Profeta Elias em Al-Awjam a oeste de Qateef.
Clérigos
Vários clérigos de várias seitas minoritárias permanecem presos. O mais antigo deles é o Sheikh Saeed Al-Zuair, um clérigo Hanbali, que está encarcerado na prisão de segurança máxima de Al-Hair fora de Riyadh. Ele foi preso seis anos atrás.
Sheikh AbdulLatif Mohammad Ali, Sheikh Saeed Al-Bahaar e Sheikh Habeeb Hamdah, entre outros clérigos Shias da Província Oriental, estão presos há quatro anos sem nenhuma acusação.
Sheikh Mohammad Al-Khayat, um clérigo Ismailita, foi preso enquanto dava aulas na Mesquita Al-Mansorah em Najran no dia 23 de abril de 2000 e acusado de feitiçaria. Sua prisão provocou conflitos entre a comunidade Ismailita e forças de segurança que deixaram pelo menos seis mortos e 600 presos. Uma reportagem sugeriu que Sheikh Al-Khayat foi forçado a confessar em fita a feitiçaria depois de sua prisão (17).
Sheikh Hassan Al-Khawildi, 40, um famoso clérigo Shia de Safwa, foi suspenso em maio, depois de mencionar em seu sermão, a repressão de algumas professoras Shias que foram para a escola vestidas de preto no dia de Ashura. Tradicionalmente, as mulheres Shias vestem-se de preto durante os meses de Muhharam e Safar.
Outros clérigos que permanecem suspensos são o Sheikh Ayed al-Qarni, um clérigo Hanbali de Riyadh que tem sido impedido de exercer sua profissão por vários anos. Sheikh Ali Abdul Karim Al-Awwa, um clérigo Shia de Awamia foi impedido de realizar quaisquer atividades religiosas por mais de 10 anos. Sheikh Jafar Al-Mobarak de Safwa, também foi proibido de liderar orações ou ministrar aulas de religião às crianças e se tornou um pescador três anos atrás depois de sua saída da prisão (18).
No dia 9 de julho de 2000, Sheikh Safar Al-Hawali e Naser Al-Omar, ambos Hanbalis, receberam a permissão para começar a ministrar aulas sobre textos puramente religiosos novamente. Ambos foram soltos da prisão no último ano depois de cinco anos de reclusão devido as suas opiniões políticas. Naser Al-Omar é o autor do memorando anti-Shia "Waqe Al-Rafidah fe Belad Attawheed" (Os Rejeitadores na Terra do Unitarismo). O memorando foi escrito em 1992 ao Conselho de Ulama sênior exortando o governo a destruir todas as husayniats Shias, prender clérigos Shias e queimar todos os empregados públicos Shias (19).
Controle Governamental de Educação e Cultura
Educação
O Diretório Geral para Educação Feminina é uma das instituições mais anti-Shia no país. Não é permitido às professoras Shias ensinar matérias religiosas ou exercer funções tais como: diretoras escolares, aconselhadoras profissionais e professoras universitárias. O Diretório Geral para Educação Feminina rejeitou todas as solicitações Shias para construir escolas femininas privadas.
Ahmed Al-Zahrani, um professor Sunni da escola elementar masculina Yarmook em Safwa, disse aos alunos Shias da quinta e sexta séries que eles adoram pedras em vez de Deus. Os pais avisaram ao diretor, entretanto o professor não foi repreendido. Em abril de 2000, o departamento de educação na Província Oriental dominada por Shias, nomeou 47 aconselhadores profissionais, nenhum deles era Shia.
Educação Religiosa
O governo impede o ensino de textos religiosos não-Hanbalis em escolas e universidades. Os pontos de vista Shafii, Maliki e Shia não são representados na educação religiosa. Não é permitido aos clérigos não-Hanbalis ensinar a sua fé mesmo particularmente. A maioria dos clérigos Shias Jafaris foram educados no Irã, no Iraque ou na Síria. Syed Munaeer Al-Khabaz, um clérigo Shia de Qateef, foi preso em dezembro de 1999 e libertado depois do seu retorno do Irã, onde ele estava estudando (20).
Universidades Religiosas
Existem oito universidades no país, três das quais são predominantemente religiosas. A Universidade Imam Mohammad Bin Saud em Riyadh e a Universidade Islâmica em Madina se recusam a admitir estudantes Shias Jafaris ou Ismailitas ou contratar docentes ou empregados Shias. Naser al-Qafari escreveu sua tese de doutorado na Universidade Imam Mohammad Bin Saud sobre os Shias Jafaris e referiu-se a eles usando o termo derrogatório Rafidah (rejeitadores da religião). A tese foi publicada posteriormente com a utilização de fundos governamentais (21).
Compêndios Escolares
O governo controla a educação religiosa em escolas públicas e privadas da primeira série até a universidade. Todas os curriculums históricos e religiosos são escritos de acordo com a interpretação Wahabi da seita Hanbali. Nenhuma outra opinião Shia ou Sunni é introduzida nestes textos. Nos últimos anos, os compêndios têm se referido a muitas práticas religiosas de Shias, Shafiis e Malikis, tal como a celebração do aniversário do Profeta, como Bidah (inovação religiosa). Há novos compêndios sendo elaborados para o próximo ano, mas ainda não disponíveis para o nosso exame.
Prêmios e Doações Reais
O Rei Fahd doa dinheiro somente para mesquitas e instituições religiosas Hanbalis. Este ano o rei doou vários milhões de dólares a várias instituições e projetos religiosos dentro e fora do país, como a universidade religiosa no Paquistão. Não há nenhuma evidência de que o rei alguma vez repassou dinheiro a instituições ou projetos religiosos Shafiis, Malikis ou Shias (22).
O prêmio de maior prestígio no país é o King Faisal Prize, que é concedido anualmente em várias categorias, como serviço ao Islam, medicina e literatura. Ele já foi concedido, desde de 1975, a cerca de 110 pessoas de 31 países, incluindo os Estados Unidos. Nunca houve premiados Shias em nenhuma categoria (23). Houve apenas um candidato Shia, Seyyed Hussein Nasr, o famoso filósofo muçulmano e professor da Universidade George Washington nos Estados Unidos. Ele foi notificado da conquista do prêmio em 1979, mas depois o prêmio foi removido sem nenhuma explicação.
O Príncipe Mohammad Bin Fahd, o governador da Província Oriental, concedeu ao Dr. Manea Al-Jehani seu primeiro prêmio por trabalhos beneficentes. Dr. Al-Jehani é o chefe da Associação da Juventude Islâmica (WAMY) e um membro do conselho de consultoria. A WAMY publica livros anti-Shia, os quais clamam que o Xiismo é fruto de uma conspiração Judaica contra o Islam. Esses livros são publicados em vários idiomas e distribuídos gratuitamente (24). A WAMY é financiada por fundos governamentais e mantém um escritório em Washington.
Nomes
O ministério do interior controla os nomes dos cidadãos através do registro civil administrativo. Nomes que não são agradáveis à instituição religiosa oficial são banidos.
Muitos cidadãos Shias são forçados a mudar de nome, especialmente nos últimos anos. Nomes usados exclusivamente por Shias, tal como AbduliNabi, Abdul Rassol, AbdulHussain são todos proibidos. A mídia saudita não menciona esses nomes como o do famoso comediante do Kuwait, AbdullHussain AbdulReda, cujo nome foi modificado para Hussain Redah.
Em 1992, uma nova diretriz foi promulgada restringindo mais nomes. Essa nova diretriz proibiu nomes derivados do Alcorão tais como Imam e Sura e que são esporadicamente usados por cidadãos Shafiis, Malikis e Shias (25).
Descendentes do Profeta Mohammad, usualmente conhecidos como Sada ou Ashraaf são proibidos de usarem seus títulos nas suas carteiras de identidade ou documentos oficiais. Todos os países vizinhos concedem a eles a permissão para usarem esses títulos.
Livros
Existe uma proibição sobre a importação de livros religiosos que não são aceitos pela instituição religiosa oficial. Livros religiosos Shias e Suffis são proibidos e confiscados assim que chegam ao país. Multas, chicotadas e prisões são as possíveis punições. Vários jovens Shias foram presos na cidade de Awamia por venderem livros Shias de suas respectivas casas. Ahmad Al-Hamad foi identificado entre os detidos.
As bibliotecas das universidades sauditas não contam com livros Shias ou com livros escritos por clérigos Malikis, como o Sheikh Mohammad Alawi Al-Maliki. Ele publica seus livros secretamente no país, no Egito ou no Líbano e os distribui pessoalmente, pois legalmente as livrarias não podem vendê-los.
Por outro lado, livros anti-Shia estão disponíveis no país e são vendidos legal e livremente. Alguns chegam mesmo a ser impressos por instituições governamentais e distribuídos gratuitamente. Todas as bibliotecas sauditas estocam livros anti-Shia. O Sheikh Hassan Al-Saffar, o principal clérigo Shia, conseguiu publicar somente um livro. Ele também mantém uma página na internet (26).
Música
Músicas religiosas louvando o Madhi e aquelas freqüentemente usadas por Malikis e Shafiis na Província Ocidental e Egito são proibidas. A família do falecido e famoso cantor saudita Talal Al-Madah trabalhava em cantos religiosos. Músicas religiosas Shias tocadas durante as suas comemorações que são conhecidas como Nohai ou Aza também são proibidas. Houve várias prisões de cantores religiosos na Província Oriental (Shayaleen) esse ano. O vice-governador, Príncipe Saud Bin Naïf, segundo consta, ordenou essas prisões administrativas que duraram entre dois a seis meses (27).
Feriados Religiosos
O governo reconhece somente dois feriados: Eid Al-Fitr (depois do Ramadan) e Eid Aladha (depois da Hajj). Outros feriados religiosos como o aniversário de nascimento do Profeta Mohammad, celebrado pelas seitas Shafii, Maliki e Shia não são permitidos nem anunciados pela mídia (28). Cidadãos de Hijazi celebram o aniversário de nascimento do Profeta Mohammad secretamente.
Feriados Shias como Ashura e outros como os das mortes do Profeta Mohammad, da sua filha Fátima e de seu marido Ali são todos oficialmente proibidos. Faltar ao trabalho ou à escola pode levar a advertências ou a demissão. Professores Shias não recebem licença de dispensa do trabalho durante os feriados religiosos Shias. Em Safwa, vários professores da 4ª Escola de Ensino Médio, exclusiva para garotas (AlMatwasta AlRabiah), foram repreendidas pelo diretor por se vestirem de preto e mandadas para a casa para trocarem de indumentária. Além disso, vários garotos foram agredidos por um professor na Escola de Ensino Fundamental Derrar, em Safwa, e foram enviados para casa para mudarem de roupa.
Os Ismailitas são impedidos de comparecerem às orações de Eid quando a Eid deles difere daquela declarada pelo Estado. Viaturas policiais em Najran impedem a transmissão do parecer de qualquer mesquita Ismailita se o dia da Eid deles acontecer antes ou depois do dia da Eid oficial. Os Shias Ismailitas e Jafaris decidem o dia da Eid deles de forma independente. Os Ismailitas utilizam cálculos astronômicos para determinar o seu dia de Eid, ao passo que a instituição religiosa oficial utiliza a visão da lua para decidir a data da Eid.
A tradicional festividade conhecida como Grayqaan e celebrada por Shias e Sunnis em todos os países do Golfo também é proibida. Durante o festival, crianças batem à porta das pessoas e coletam presentes enquanto entoam canções tradicionais e vestem roupas também tradicionais.
Internet
O decreto do Rei Abdul Aziz para a Tecnologia Cientifica, regula o acesso à internet no país e bloqueia páginas da rede por razões morais, políticas e religiosas. Inúmeros websites Shias são bloqueados enquanto sites anti-Shia propagando o assassinato e expulsão de cidadãos Shias, são livremente acessados. Tais sites como sahab.com e muslm.net estão repletos de termos derrogatórios como Rafidah (Rejeitador) que são usados contra os Shias por alguns fanáticos religiosos Hanbalis.
Eles também propagam acusações de que o Xiismo é produto de uma conspiração judaica e que os Shias mantêm orgias sexuais nas husayniats durante as comemorações de Ashura.
Seguindo uma fatwa do Grande Mufti Sheikh Abdul Aziz Al-Sheikh permitindo "hackear" websites "suspeitos", uma rajada de hackers atacou e tirou do ar vários sites Shias (31). Esses ataques têm sido referidos como uma "Cyber Jihad".
Exemplos de sites Shias "hackeados" por fanáticos Hanbalis
reach.to/etehamat
www.hajr.com
www.shialink.org
www.danafajr.org
www.alhaq.com
Exemplos de sites Shias bloqueados:
www.rafed.net
www.alhaq.com
www.shialink.org
www.karbala.com
www.aqaed.com
Exemplos de sites promovendo o ódio sectário que são acessíveis do país:
rafidha.hypermart.net
www.sahab.net
www.ansar.org
www.alsalafyoon.com
www.khayma.com/najran
Leis Discriminatórias e Práticas Legais
Prisões
Embora os Shias sejam uma minoria no país, cerca de 95% dos prisioneiros encarcerados por razões políticas e religiosas são Shias. A maioria desses prisioneiros são Shias Ismailitas, 500, seguido por Shias Jafaris,85. Há quatro prisioneiros Shias que estão desaparecidos desde 1996. Vários prisioneiros Shias libertados relataram que pertencer à seita Shia figurava entre as acusações sofridas por eles. Durante interrogatórios, diferenças Shias e Sunnis foram discutidas e foi pedido aos prisioneiros que se convertessem à seita Sunni em troca de reduções de sentenças e de acusações. Clérigos presos foram conclamados a interromper suas atividades religiosas e a procurar outros negócios.
O Sheikh Jafar Al-Mobarak abandonou sua função religiosa e se tornou um pescador devido as freqüentes detenções. Discriminações contra os Shias eram também óbvias em prisões. Um ex-prisioneiro Shia disse: "prisioneiros políticos Sunnis eram tratados como convidados e não eram torturados, ao contrário dos Shias" (32).
Juízes
Todos os juízes do país são graduados em instituições religiosas como a Universidade Imam Mohammad Bin Saud e são Hanbalis. Não há nenhum juiz Maliki, Shafii ou Shia no país. O juiz Fuad Al-Majid em Qateef, que setenciou Sadiq Mallallah à morte por apostasia seguindo apenas um mero argumento permanece em sua posição (33). O chefe da Corte de Najran, Mohammad Al-Askari, estava, segundo consta, por trás do ataque à Mesquita Ismailita Al-Mansorah no dia 23 de Abril. Ele recebeu a visita, em junho, do Príncipe Naïf, o ministro do interior (34). O juiz da cidade de Sharoorah, próxima a Najran, se recusou a aprovar licenças de casamentos para vários Ismailitas com garotas Sunnis.
Proibição de Viajar
Fontes estimam que cerca de 6.000 Shias na Província Oriental e em Madina são proibidos de deixar o país. Passaportes são apreendidos sem qualquer processo judicial. As razões para as apreensões vão desde viajar para o Irã a causas desconhecidas, como o caso de Fátima Al-Jarash de Qateef. Inúmeras crianças foram incluídas nas proibições de viajar. Várias centenas de pessoas conseguiram seus passaportes de volta este ano, novamente por razões desconhecidas (35).
Violência Religiosa
Em 23 de abril de 2000, Najran testemunhou o mais violenta ataque contra uma minoria religiosa. De acordo com várias testemunhas Ismailitas e notícias da mídia, o incidente teve início com um ataque de religiosos e da polícia secreta (Mabahith) com o suporte da polícia religiosa (Hay'a) à Mesquita Al-Mansoorah, a principal mesquita Ismailita da cidade.
O ataque foi realizado para prender o Sheikh Mohammad Al-Khayat, um clérigo Ismailita do Iêmen que estava dando aulas aos cidadãos Ismailitas na mesquita. Ocorreu uma troca de tiros em frente à Holiday inn depois que o governador local, Príncipe Mishael Bin Saud, se recusou a se encontrar com os protestantes que demandavam a libertação do Shaikh Al-Khayat (36).
Quatro cidadãos Ismailitas e dois soldados morreram durante o confronto que
durou 30 horas. Uma unidade do exército foi deslocada 10 horas após o
incidente e se retirou cinco dias depois. Um adolescente, Ibn Shqaih, e um homem
surdo, Ibn Natash, foram identificados entre as vítimas. Cerca de seiscentos
Ismailitas foram presos durante o confronto e quinhentos permanecem na cadeia
(37).
Em outro incidente, o corpo da pessoa encarregada de fazer o chamamento da
oração Shia, Ali Al-Malblab, 70, retornou a sua família e foi cremado um ano
depois de sua morte. Al-Malblab foi morto pela polícia religiosa dentro da
própria delegacia em novembro de 1998, em Al-Jaffer (Província Oriental). Sua
família escreveu ao Príncipe Naïf e ao Príncipe Herdeiro Abdullah e não
obtiveram nenhuma resposta ou compensação. Os assassinos de Al-Malblab foram
transferidos para a delegacia Al-Qyoon como punição pelo assassinato.
Punição Coletiva
Parece que punições coletivas são reservadas a minorias religiosas e não são usadas contra grupos regionais e tribais. Por exemplo, centenas de Shias Ismailitas foram humilhados, torturados e transferidos de Najran depois do conflito de abril. Pelo menos setenta professores Ismailitas foram transferidos de Najran para a Província do Norte em 9 de agosto de 2000. Nenhum estudante Ismailita foi aceito em centros de ensino militar este ano, ao contrário de anos anteriores (38). Punições coletivas similares foram perpetradas contra os Shias Jafaris.
1. Entrevista com um doutor Shafii (Maio de 2000).
2. Syed Hashim Al-Refaey (desconhecido) Conselho para nossos Irmãos, os
Escolásticos de Nadj.
3. Al-Jaiziri, Abu Baker (1986) "Eles vêm chegando, Espere os propagadores
do Extravio".
4. Bin Manee, Abdullah Bin Suliman (1983) "Um Diálogo com Al-Maliki para
Rejeitar seus Pecados e Desvios".
5. Syed hashim Al-Refaey, Op. Cit.
6. Entrevista com um líder comunitário Ismailita (Julho de 2000).
7. Entrevista com um cidadão Shia no.1(Julho de 2000).
8. Entrevista com um homem de negócios Shia (ex-Sunni) (1999).
9. Jornal Al-Riyadh, Domingo, 24 de maio de 2000, No. 11647.
10. Entrevista com um cidadão Hanbali (Julho de 2000).
11. Entrevista com um ex-prisioneiro Hanbali (Agosto de 2000).
12. Entrevista com um cidadão Shia no.2 (2000).
13. Entrevista com um prisioneiro Shia (Maio de 2000)
14. O Comitê de Defesa dos Direitos Humanos na Península da Arábia (1999).
Comunicado # 87.
15. www.saihat.org
16. Jornal Al-Jazirah, Domingo, 30 de Julho de 2000, #10167.
17. Entrevista com um cidadão Ismailita (2000).
18. Entrevista com um cidadão Shia no.3 (2000)
19. Al-Omar,Naser (1992). (Waqe Al-Rafidah fe Belad Attawheed) Os Rejeitadores
na Terra do Unitarismo.
20. O Comitê de Defesa dos Direitos Humanos na Península da Arábia, Op. Cit.
21. Al-Qafari, Naser (1981), Os fundamentos da Seita Shia.
22. Jornal Al-Jazirah (2000), 27 de julho, no. 10164. Riyadh, Arábia Saudita.
23. Jornal Al-Riyadh (2000), Domingo, 14 de maio, No. 11647.
24. Ismaeel, Saeed (1995). A Diferença entre os Shias e Maioria dos
Escolásticos Sunnis (WAMY).
25. Entrevista com um cidadão Shia no.1 (Julho de 2000).
26. www.saffar.org
27. Entrevista com um prisioneiro Shia (Maio de 2000).
28. Entrevista com um doutor Shafii (Maio de 2000).
29. Entrevista com um cidadão Shia no.1 (Julho de 2000).
30. Entrevista com um estudante primário Shia (Julho de 2000).
31. Revista Al-Dawa, 11 de maio de 2000. # 1741.
32. Entrevista com um prisioneiro Shia (Maio de 2000).
33. Ibid. 32.
34. Jornal Al-Riyadh, Domingo, 30 de Julho de 2000, no. 11724.
35. Entrevista com um cidadão Shia no.3 (2000).
36. Entrevista com um líder comunitário Ismailita (Julho de 2000).
37. Entrevista com um cidadão Ismailita (2000)
38. Ibid. 37.
39. Jornal Al-Riyadh, Sexta, 7 de julho de 2000, No. 11701, ANO 37.
40. Rahim, Rend; Fuller, Graham (1999). Os Árabes Shias, Os Muçulmanos
Esquecidos.