As Poderosas Cortesãs
 

 

Olhando no site da Siciliano onde gosto de ver as novidades literárias estava em lançamento o livro que na minha opinião é muito interessante: "O livro das cortesãs - Um catálogo das suas virtudes" da norte-americana Susan Griffin.

Elas nunca foram prostitutas somente, mas também não podiam ser classificadas como simples concubinas. Mulheres cultas, poderosas, ricas e expert na arte de amar, as cortesãs eram mais respeitadas do que as esposas oficiais e nunca se curvavam para agradar seus pretendentes. Ao contrário, teceram sua teia em diversos segmentos da sociedade, desde o império romano até a belle époque parisiense, influenciando homens do poder no árduo exercício diário da tomada de decisões. Em “O livro das cortesãs - Um catálogo das suas virtudes”, a autora Susan Griffin traça as raízes da profissão mais antiga do mundo(vocês sabem qual!!!) recriando o estilo de vida de algumas das mais famosas cortesãs de todos os tempos.

De Imperia, na Roma imperial, a Madame de Pompadour, Ninon de Lenclos e Veronica Franco. Elas poderiam ter sido boas donas de casa, mães de família e verdadeiras nulidades na sociedade em que viviam. Preferiram, no entanto, usar o cérebro (e o corpinho, claro!) que Deus lhes deu para coisas melhores, como tentar a igualdade de sexos no mundo dos homens, o que lhes seria impossível se optassem em se tornar donas de casa profissionais(garotas expertas). Verônica de Franco, poetisa de valor, atuou na Veneza do século XV, amealhou incrível fortuna e aconselhou os políticos das mais diversas correntes.

A célebre Madame de Pompadour era a preferida de Luís XV e tinha influência suficiente sobre o rei da França para indicar ministros e ordenar prisões. Isso, num tempo em que a mulher era mero acessório, relegada ao papel de reprodutora, onde o machismo era total. Claro que Madame de Pompadour sabia como cobrar pelos conselhos que dava ao monarca. Desde os primeiros encontros, a coccote tratou de acumular bens que fariam inveja a muitas damas da nobreza. Foi uma das mulheres mais ricas de seu tempo, perdendo, talvez, somente para a rainha.

Madame de Pompadour, assim como a maioria das cortesãs famosas, não veio da alta sociedade. Muito longe disso. Conta-se que, em geral, eram meninas pobres que trabalhavam duro (e no duro...) para sobreviver. As que tinham sorte trocavam a vida de lavadeira, faxineira ou camareira pelo prestígio de serem sustentadas por um ou mais homens. De quebra, podiam estudar, freqüentar a sociedade e mudar seus destinos. É nesse aspecto que o livro ganha muitos pontos, principalmente porque, como sugere o subtítulo, apresenta as qualidades (atrevimento, alegria,inteligência, graça, charme, malícia, bom humor...) indispensáveis ao bom exercício da profissão e por real sobrevivência elas tinham de ter virtudes.

Ao se deparar com as "lições", o leitor encontra casos deliciosos das personagens. Como o da cortesã francesa conhecida como Lantelme, que disse, à queima-roupa, à esposa do amante: "Minha querida, você pode ficar com ele sob três condições. Eu quero o colar de pérolas que você está usando, um milhão de francos... e você". Outra grande personagem, Caroline Otero, também rende risadas largas. Obrigada a ceder seu lugar no teatro para o czar da Rússia, ela resmungou uma medida econômica: "Tudo bem, eu saio. Mas, nunca mais como caviar".

O período da monarquia européia sobrepuja qualquer outro recorte temporal, mas estão lá também os anos loucos da belle époque do Velho Mundo e dos Estados Unidos. Marion Davis - atriz de pouco talento cuja carreira foi patrocinada pelo magnata das comunicações dos EUA, William Randolf Hearst, personalidade que inspirou o protagonista de Cidadão Kane - é um dos exemplos da atuação das cortesãs na "vida moderna". Os cabarés da Berlim dos anos 20 e os bastidores da Folies-Bergère também viraram cenário, mostrando que a função serviu como trampolim para ascensão social de diversas mulheres de talento que se tornariam importantes no mundo artístico, como Chanel e Sarah Bernhardt.

Ficha:

Livro: O livro das cortesãs - Um catálogo das suas virtudes

Autora: Susan Griffin

Tradução: Talita Rodrigues

Editora: Rocco

 

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