RAMPA

A Base de Hidroaviões de Natal 

 

      A base de Hidroaviões ficava encravada na cidade de Natal, à direita do Rio Potengi, próximo à sua embocadura.

Vista aérea recente das instalações da Rampa no bairro da Ribeira em Natal, vendo-se abaixo o Rio Potengi. À esquerda a rampa e o estacionamento das aeronaves com uma quadra esportiva ao centro. Em baixo e à direita o prédio do clube e o restaurante. Acima e à direita o depósito de combustíveis.

 

     O local havia sido anteriormente utilizado para uma  estação de passageiros da Panair do Brasil e por instalações da Lufthansa/Condor, tudo no local conhecido como Praia da Montagem.

    Embora o rompimento de relações com os paises do Eixo só tenha ocorrido em 28 de Janeiro e a decretação do "Estado de Guerra" em 22 de agosto de 1942, o Governo Brasileiro permitiu que um esquadrão de Patrulha VP-52 da Marinha Americana, constituído por hidroaviões  do tipo Catalina PBY-5, ocupasse, a partir de dezembro de 1941, a área  até bem pouco utilizada pela companhia alemã e sua coligada brasileira.        

     Havia uma RAMPA de duas seções, construídas no período de 1941 a 1942; uma de concreto e outra de pranchas de madeira apoiadas em base de pedra. ( A Rampa custou aos cofres do Tio Sam U$ 842,397,00 )

     A Rampa tinha capacidade para operação  hidroaviões de bombardeiros médio de patrulha  ou outras aeronaves de peso equivalente.

     Havia ainda uma área de estacionamento pavimentada e destinada a receber hidroaviões   que eram empregados para patrulha marítima.

     A energia elétrica para iluminação da área, luzes da rampa, luzes de mastro, etc era fornecida pela cidade de Natal, mas, em casos de interrupção de energia, existiam disponíveis dois geradores, que atuavam como unidade de emergência.

     As instalações para combustíveis compreendiam dois tanques subterrâneos, de aço, com 6.000 galões de capacidade cada um; outros dois tanques de 4.800 galões cada um e ainda dez tanque de 5.000 galões cada um.

     O combustível que ficava estocado no Campo de Tanques das Dunas era transferido para a Base de Hidroaviões por meio de uma linha especial de transferência.

     A construção dessa Base tornou-se imperiosa, afim de assegurar as operações dos aviões de Patrulha da Marinha dos Estados Unidos, empenhados na guerra anti-submarina e nas operações de salvamento mo mar, ao longo da costa do nordeste do Brasil.

     A autorização para construção e ocupação da Base de Hidroaviões de Natal, constou do Decreto-Lei Nº 3.462 promulgado pelo Governo Brasileiro.

 

Vista das instalações do clube em 1999 em condições de manutenção muito precárias. 

A cidade de Natal ao fundo.

Aeronave da Aviação Naval Francesa pousada no Rio Potengi em 1959.

     A construção da Base foi iniciada em março de 1941 e  prolongou-se até 1944.  

 

 Foto do Arquivo Nacional de Washington, mostrando um Catalina  VP-52 nas águas mornas do Potengi em 1942. A área ocupada atualmente pelo Museu de Aeronáutica e Espaço é aquela acima da ponta da asa direita, mais à distância. ( Foto cedida pelo Cel Av Rômulo Peixoto Figueiredo )

 

     A responsabilidade da manutenção e segurança das instalações ficou com a Marinha dos Estados Unidos até junho de 1945, ocasião em que tal responsabilidade foi transferida para o Exército dos Estados Unidos no Atlântico Sul  - USAFSA.

     Por ocasião da desativação da USAFSA, o controle da Base passou então para a Ala do Atlântico Sul do Comando de Transporte Aéreo ( SATW-ATC), a partir de 31 de outubro de 1945.

     Em dezembro de 1945, a Base foi considerada sem qualquer serventia para as Forças Armadas dos Estados Unidos.

     O local ficou conhecido como “RAMPA”, tendo sido transformado em Clube e posteriormente em Cassino dos Oficiais da FAB.

 

 Desde então importantes acontecimentos sociais foram realizados nos salões do Clube Rampa.

     Somente em 1º de dezembro de 1947, foi designada pelo Comando da Base Aérea de Natal a primeira Diretoria do Clube dos Oficiais da Rampa. O primeiro Presidente foi o Cap Av Octávio Viçoso Jardim e o Vice-Presidente 1º Ten Av Sindímio Teixeira Pereira.

     A quadra de esportes da Rampa foi inaugurada em 13 de junho de 1963 às 20:00 horas com a realização de diversas partidas de futebol de salão.  

 

Durante muitos anos foi um dos principais e mais prestigiados restaurantes da cidade.

Capa do cardápio do restaurante na década de 60.

Colaboração de Luciano Fasanaro

 

     Durante muitos anos a Rampa foi um importante e gostoso ponto de encontro da Oficialidade da Aeronáutica e também da sociedade potiguar. Os seus movimentados fins de semana e as paisagens belíssimas do por do sol ficarão para sempre na mente daqueles que tiveram o privilégio de conhecer a Rampa. As alegres festas lá realizadas foram responsáveis por importantes momentos da vida de quase todas as pessoas que viveram em Natal e certamente proporcionam recordações inesquecíveis.  

Essas imagens permanecerão para sempre na memória daqueles que tiveram oportunidade de viver esses momentos.

     A RAMPA é um monumento histórico que deve ser preservado.

     Depois de um longo período de completo abandono, as instalações da RAMPA chegaram ao estado registrado nas fotos abaixo.

     Que essas lembranças fiquem na memória de todos para que não permitamos que aconteça nunca mais.

Prédios completamente destruídos pelo tempo e saqueados por invasores.

     O Gabinete do Ministro  da Aeronáutica por meio da Portaria 069/GM3 de 11 de Janeiro de 1984 , reconhecendo o enorme valor histórico das instalações da antiga Base de Hidroaviões tombou ao Patrimônio Histórico da Aeronáutica esses prédios ( cadastrado na SDPA 11-06-E-267  - publicado no DOU 013 de 18 de Janeiro de 1984 ).

     Em 19 de Março de 1991, o Ministro da Aeronáutica chegou a determinar a imediata avaliação, licitação e alienação da área com sugestão de revogação da Portaria 069/GM3 de 11 Jan 84.

     Em 18 de Maio de 1992, atendendo solicitação do Governo do estado do Rio Grande do Norte, o CATRE propõe a recuperação do histórico imóvel, transformando-o em um museu sobre a Segunda Guerra Mundial.

     No ano de 2000, foi estabelecido convênio com o Governo do estado ( 001/93) por meio da Fundação José Augusto para a recuperação das instalações da RAMPA e criação da Fundação RAMPA - entidade civil sem fins lucrativos para administrar e manter o Museu de Aeronáutica e Espaço do Natal

     Seriam atribuições da Fundação José Augusto:

     - Elaborar o projeto

     - Recuperar o prédio

     - Licitar e controlar a execução, mantendo as características originais do prédio.

 

     Seriam atribuições do CATRE

     - Colocar a disposição todo o acervo, no que for possível

     - Fiscalizar a obra

     - Dar todo o apoio e servir de elo entre a Fundação e os órgãos da Aeronáutica ( CENDOC, MUSAL etc ).

 

     Dessa forma se inicia a recuperação desse patrimônio de valor incalculável para a história militar brasileira.

 

RAMPA - Museu de Aeronáutica e Espaço do Natal
O imóvel está preservado em todas as sua características originais, inclusive os suportes das luminárias em bronze antigo.

 Na parte superior do prédio pode-se observar a antiga torre de controle da Base.
Com a maré baixa, os barcos de pesca bem como os do vizinho Iate Clube de Natal repousam sobre o leito do Rio Potengi.

 

Essas vistas inesquecíveis estão de volta

 

 

Deixamos aqui registrado o profundo reconhecimento a todos aqueles que lutaram para que fosse preservado esse importante capítulo de nossa história.

    

 

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     Hoje estudada-se a possibilidade de passar ao Comando da Marinha do Brasil as Instalações da Rampa, por não mais atender as necessidades da Força Aérea Brasileira (Hidroaviões e mesmo os eventos sociais), já se encontrando suas instalações, novamente, em estado precário.

 

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