Balacobaco
Planeta Terra
Rio de Janeiro
Entrevista Com Leda Ulyss�a
-> Leda por Leda
Acho rid�culo apresentar um curr�culo formalmente estruturado mas na pr�tica da vida
in�til. Enfim, algumas refer�ncias: Livre Docente em Sociologia do Desenvolvimento;
Doutora em Ci�ncias Sociais; Bacharel e Licenciada em Filosofia; Professora Titular da
UFRJ; Paraibana mansa; M�e de numerosa fam�lia, de mais ou menos uns 6 bilh�es de
filhos. Creio que estou exposta o suficiente para que os leitores me entendam, com estas
linhas.
RSL - O que significa o t�tulo do seu mais recente livro:
"Todos e Ningu�m"?
Leda Ulyss�a - O t�tulo significa que ou todos se salvam ou ningu�m se salva,
incluindo-se a� estruturas de todo o nosso planeta, tanto animais quanto vegetais e
minerais. Chegamos � famosa "beira do abismo".
RSL - O que cracteriza a sua obra?
LU - O que caracteriza a minha utiliza��o das categorias sociol�gicas � a minha
finalidade de "fazer as cabe�as" das pessoas quanto � gravidade da situa��o
mundial e, ao mesmo tempo, mostrar o que eu considero a chave do caminho da salva��o,
que , neste caso, � sin�nimo de sobreviv�ncia.
RSL - Voc� j� escreveu sobre as Ligas Camponesas, qual � a
rela��o existente entre elas e o Movimento dos Sem Terra?
LU - A rela��o das Ligas Camponesas com o Movimento dos Sem Terra � hist�rica e
pol�tica. As Ligas, irradiadas de Pernambuco para a Para�ba e outros estados
brasileiros, eram mais primitivas, o pessoal era mais radical e guardavam no seu
comportamento revolucion�rio os valores culturais do Brasil rural, como as cren�as
religiosas e pol�ticas. Eles beijavam a m�o do l�der Juli�o e prosseguiam nos
batizados e outras cerim�nias da tradi��o cat�lica.
RSL - Como v� o governo FHC?
LU - O nosso presidente �, antes de tudo, um equ�voco para mim e outros intelectuais
ligados �s Ci�ncias Sociais , tanto que eu mesma votei nele em 1994, erro que n�o
repeti em 98, quando votei no Lula.
RSL - Alguma cr�tica � m�dia?
LU - A m�dia, como tenho constantemente dito, � a ponta do poder do Imp�rio Mundial
formado pelo poder financeiro internacional. Isto se explica pela pr�pria estrutura
econ�mica das empresas, que tiram as suas
receitas dos an�ncios das produtoras dependentes da boa vontade do poder plutocr�tico,
imbutido no poder pol�tico.
RSL - O que h� de errado na pol�tica cultural do governo?
LU - A pol�tica cultural do governo, como todas as �reas da aplica��o das verbas
estatais, obedece �s orienta��es do n�cleo mundial do poder financeiro, que justamente
exige rendimento do que eles chamam "desenvolvimento"e negam qualquer maior
coopera��o com as �reas propriamente humanas como a sa�de, a educa��o e a cultura.
RSL - Qual a rela��o da sua obra com a religi�o?
LU - Tanto a minha poesia quanto a prosa (ensaios) s�o compat�veis com quase todas as
religi�es conhecidas aqui. Sou batizada na Igreja Cat�lica mas n�o costumo frequentar
nem os templos nem os sacramentos e, ainda por cima, recuso a ditadura teol�gica de
qualquer religi�o. Por exemplo, vemos que o budismo ensina a mesma coisa que o mestre
Jesus ensinou, isto �, a compaix�o, o perd�o , enfim todos os corol�rios do amor.
RSL - Quais escritores a influenciaram?
LU - Na minha forma��o filos�fica, posso apresentar uma pequena listinha dos que
influi�ram no resultado mostrado nos meus livros: Marx, realmente escritor, e alguns que
n�o escreveram nada como S�crates e Jesus.
RSL - Tem algum mote que a acompanhe?
LU - Tenho v�rios motes tirados da B�blia que me acompanham. Por exemplo, Isa�as,
quando diz : "Voc�s s�o deuses", frase repetida por Jesus, e este que eu
considero o �nico mandamento: "Ama o teu pr�ximo como a ti mesmo",
recomenda��o do pr�prio Nazareno Jesus.
RSL - Qual o papel do escritor na sociedade?
LU - O papel do escritor na sociedade depende do que cada escritor tem como diretriz da
sua vida p�blica e privada. No que me diz respeito, creio que os escritores devem ajudar
o povo nos seus reclamos quanto
principalmente � sobreviv�ncia , ao bem estar, enfim � felicidade, que est� longe
tanto dos ricos quanto dos pobres.