Balacobaco

Planeta Terra

Rio de Janeiro



Entrevista com Jorge Ferro Piqu�

 



O prof. Jorge Ferro Piqu�, diretor do Centro Virtual de Estudos Cl�ssicos, � formado em Grego e Portugu�s pela Universidade de S�o Paulo (USP) e possui Mestrado em Grego pela mesma universidade. Professor de L�ngua e Literatura Grega na Universidade Federal do Paran� desde 1994, foi secretario-regional da Secretaria Regional da Sociedade Brasileira de Estudos Cl�ssicos - SU2/Paran� (1995-1997) e � atualmente membro do Conselho Consultivo-Deliberativo da SBEC (1997-2003)e membro da Sociedad Espa�ola de Estudios Cl�sicos. No momento realiza doutorado na Universidad Aut�noma de Madrid em Ling��stica do Grego Antigo.


mailto:[email protected]
http://www.humanas.ufpr.br/delin/classic/jpique.htm



Balacobaco - Como surgiu a id�ia do Centro Virtual de Estudos Cl�ssicos?


R. Em 1995 �ramos responsaveis no Setor de Ci�ncias Humanas, Letras e Artes da Universidade Federal do Paran� por dar acesso aos nossos professores e alunos a alguns servi�os b�sicos da Internet, como email e WWW. Pouco tempo depois
passamos tamb�m a oferecer informa��o atrav�s do site deste setor http://www.humanas.ufpr.br


O passo l�gico seguinte seria a utiliza��o de todos esses recursos para uma tarefa mais complexa do que simplesmente informar sobre nossas atividades, ou seja, a teleduca��o ou educa��o a dist�ncia. Em mar�o de 1997, a �rea de
Letras Cl�ssicas (Grego e Latim) http://www.humanas.ufpr.br/delin/classic/CLASSIC.HTM ofereceu, de modo experimental, o primeiro curso de extens�o universitaria via Internet oficial no Brasil: Grego Antigo I via Internet http://www.humanas.ufpr.br/delin/classic/curso/CURSO.HTM].


A partir de ent�o, outros cursos de extens�o online foram oferecidos e por fim, quando j� t�nhamos adquirido alguma experi�ncia neste novo meio de educa��o, tivemos a id�ia de reunir todos os cursos sob a administra�ao de
um �nico centro, com o estatuto, dentro da universidade, de �rg�o vinculado, para permitir um mais amplo desenvolvimento de nossas atividades. O Centro Virtual de Estudos Cl�ssicos http://www.humanas.ufpr.br/orgaos/cvec/
passou a existir oficialmente a partir de mar�o de 1998 e em julho do mesmo ano o site passou a funcionar. para mais detalhes ver Hist�rico do CVEC  http://www.humanas.ufpr.br/orgaos/cvec/hist.htm


B - Voc�s t�m o patroc�nio da Sociedade Brasileira de Estudos Cl�ssicos. O que �? Como � a sua atua��o na sociedade?



R. A Sociedade Brasileira de Estudos Cl�ssicos (SBEC) http://www.exmachina.com.br/sbec/ � o �rg�o m�ximo no Brasil no que se refere aos Estudos Cl�ssicos, entendidos como todos os estudos relacionados � Antig�idade Cl�ssica, Gr�cia e Roma, especificamente, e tamb�m � civiliza��o indiana. Tem como atribui��es apoiar, coordenar e divulgar todas as atividades relacionadas a este campo de investiga��o em nosso pa�s.


B - A internet vem sendo um bom meio para a divulga��o do saber?


R. A Internet � um excelente meio de divulga��o do saber. Em primero lugar, pelo n�mero crescente de pessoas que pode atingir, e tamb�m pela extrema facilidade para produzir material em formato html. Na verdade, o maior
problema n�o se encontra no meio t�cnico em si, mas nos agentes responsaveis pela divulga��o. Neste sentido, a universidade brasileira ainda est� muito longe de desenvolver todas as potencialidades de informa��o e educa��o acad�mica que a Internet pode oferecer.


B - Qual o requisito b�sico para fazer alguma das mat�rias? Os cursos s�o gratuitos?



R. Os requisitos t�cnicos b�sicos s�o possuir endere�o eletr�nico e ter acesso a World-Wide Web. Os requisitos pedag�gicos dependem de cada curso. Alguns cursos podem pressupor algum tipo de conhecimento pr�vio, outros partem do
zero, como por exemplo, o curso de L�ngua Grega I http://www.humanas.ufpr.br/orgaos/cvec/cursos/grego/I/default.htm


No momento os cursos n�o s�o gratuitos. H� uma pequena taxa de inscri��o, vari�vel segundo o curso, mas aproximadamente em torno de R$ 50,00. Criamos tamb�m um sistema de bolsas de modo a permitir que alguns alunos da UFPR,
sem recursos financeiros, possam participar sem pagar a taxa. Pensamos em oferecer no futuro cursos gratuitos a todos os participantes, caso consigamos algum tipo de financiamento para o pagamento dos atuais custos.


B - Quem s�o os professores? Como os cursos s�o ministrados? H� uma prova, algum diploma?


R. Os professores que ministram os cursos podem ser da pr�pria UFPR ou de outras universidades, brasileiras ou estrangeiras. O curso Sof�stica y Tragedia Griega http://www.humanas.ufpr.br/delin/classic/curso/tragedia/default.htm, por exemplo, foi ministrado pela profa. Viviana Gastaldi, da Universidad Nacional del Sur, Argentina.


Os cursos s�o ministrados basicamente atrav�s da vincula��o dos conte�dos did�ticos por meio de p�ginas na WWW e de discuss�o dos temas e apoio pedag�gico atrav�s de email, mas n�o h� um formato fixo. O objetivo do curso � que determinar� a forma a ser adotada. Como regra geral, procuramos evitar um uso superfluo de certas tecnologias ainda n�o completamente estabilizadas. Nosso foco � mais na qualidade do conte�do que no meio em si.


O sistema de avalia��o � decidido pelo professor de cada curso, dentro das normas determinadas pela UFPR. Pode ser uma ou v�rias provas, exerc�cios, e/ou a apresenta��o de um trabalho monogr�fico. Os alunos aprovados recebem
um certificado oficial http://www.humanas.ufpr.br/orgaos/cvec/cert.htm da UFPR, comprovando sua participa��o em um curso de extens�o universit�ria.


B - Em que a Antig�idade Cl�ssica pode contribuir com a vida moderna?


R. Uma das caracter�sticas da vida moderna vem sendo a crescente especializa��o profissional. As institui��es de ensino, conseq�entemente, formam cada vez mais especialistas, o que � inevit�vel, em decorrencia da pr�pria complexidade que nossas sociedades adquiriram. Mas essa pr�pria complexidade, ao mesmo tempo, nos lan�a diariamente novos desafios, novos questionamentos, sobre problemas pol�ticos, �ticos, est�ticos, religiosos, etc. Os Estudos Cl�ssicos, se, por um lado, s�o um campo de investiga��o especializada como qualquer outro, por outro, permitem a qualquer indiv�duo
um contato extremamente enriquecedor com civiliza��es com uma enorme experi�ncia nas principais �reas do conhecimento humano.

Somente indiv�duos com horizontes mais amplos do que aqueles fornecidos pela estrita forma��o vocacional poder�o participar de forma efetivamente criativa no aperfei�oamento e transforma��o de nossa pr�pria civiliza��o e
cremos que os Estudos Cl�ssicos t�m, juntamente com muitas outras disciplinas de car�ter geral, um papel importante a desempenhar na forma��o de cidad�os mais preparados para o mundo em que vivemos.


Al�m disso, uma vez que a civiliza��o ocidental esteve durante os principais momentos de sua hist�ria em permanente contacto com a civiliza��o greco-latina, torna-se simplesmente imposs�vel compreender, de forma m�nima, nosso passado, mesmo o mais recente, sem levar em considera��o esta rela��o.


Nestas �ltimas d�cadas perdemos completamente a no��o de qu�o presentes para nossa civiliza��o eram os Estudos Cl�ssicos. Apenas para dar um exemplo, dentre muitos, uma das primeiras cartas que temos de Freud foi escrita quando era apenas um adolescente. Nela fazia alguns coment�rios de como havia sido as provas de final de ano. Escrevia, o jovem Freud,
orgulhoso, que tinha se sa�do muito bem nos exames de Latim e de Grego. O exame de Latim consistia na tradu��o de um trecho da Eneida, de Virg�lio, e no de Grego, ... do �dipo-Rei, de S�focles.


B -Em que a sua equipe trabalha no momento?


R. No momento estamos tentando modificar as bases t�cnicas, operacionais, do CVEC, para oferecer um melhor servi�o aos usuarios. Para este ano, est� confirmada uma nova turma do curso Sof�stica e Tragedia Griega no primeiro semestre. Algumas possibilidades para o segundo semestre s�o novas turmas dos cursos de L�ngua Grega Antiga I via Internet
http://www.humanas.ufpr.br/orgaos/cvec/cefault.htmursos/grego/I/d e Introdu��o � Il�ada http://www.humanas.ufpr.br/orgaos/cvec/cursos/iliada/default.htm, mas
ainda sem previs�o de data.


Para este ano de 1999, pensamos em ampliar a atua��o internacional do CVEC com a cria��o da vers�o espanhola do site. Queremos aumentar nossa rela��o especialmente com Espanha e Am�rica Latina. Mais a longo prazo, gostar�amos
de criar uma �rea dentro do CVEC que permita um maior contato de crian�as e adolescentes com o mundo cl�ssico, atrav�s de p�ginas com conte�dos adequados a este p�blico e que sejam visualmente agrad�veis.



B - Qual o papel da UFPR no projeto?


R. A Universidade Federal do Paran� http://www.ufpr.br/ sempre deu seu apoio �s nossas iniciativas. Em primero lugar, atrav�s da Dire��o do Setor de Ci�ncias Humanas, Letras e Artes http://www.exmachina.com.br/sbec/, ao qual o CVEC est� vinculado administrativamente. Em segundo lugar, atrav�s da Pr�-Reitoria de Extens�o e Cultura (PROEC)
http://www.ufpr.br/administracao/pro_reitoria/proec/index.htm que nos permitiu oferecer nossos cursos de extens�o via internet com carater experimental e pioneiro no Brasil.


B - Que falta para que o CVEC possa crescer mais?


R. Nosso principal problema s�o as limita��es t�cnicas. Apesar do apoio que temos de nossa institui��o, a universidade brasileira, de modo geral, n�o dispoe de todos os recursos para fazer face �s in�meras demandas. Por isso, acreditamos que � importante um maior v�nculo do CVEC com outras entidades, p�blicas ou privadas, de modo que, atrav�s de apoios, patroc�nios, conv�nios, etc., possamos ampliar nossas atividades e oferecer melhores servi�os a um n�mero crescente de usu�rios. Para maiores detalhes veja Apoios ao CVEC http://www.humanas.ufpr.br/orgaos/cvec/apoio.htm


Rodrigo de Souza Le�o

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