Artigos de Charlles Setúbal

 

 

 

Personalidade

 

           Escrito em 05 de agosto de 2007

 

Segundo a Wikipédia, “personalidade é uma estrutura interna, formada por diversos fatores em interação. Não se reduz a um traço apenas, como a autodeterminação ou um valor moral. Pode ser muito ou pouco valorizada. Não importa. Uma pessoa mesmo sem valores, mal formada, com falhas morais ou limitações psicológicas, não deixa de ter personalidade porque tem uma estrutura interna, embora defeituosa.

Também, a personalidade não é a simples soma ou justaposição de elementos, mas um todo organizado e individual, produto de fatores biopsicossociais.”

A definição ajuda a entender, mas o que quero tratar neste texto é a personalidade da  forma de encarar o mundo de frente, com coragem, sabendo os riscos que corre e assumindo os resultados por esses riscos.

Neste final de semana, vi esse fato acontecer com o jovem piloto de 22 anos, Lewis Hemilton. Recém chegado na fórmula 1 (hum), começou humildemente, com poucas declarações e muita ação e regularidade. Agora, ele tem condições reais de conquistar o título mundial e demonstra uma personalidade que até então havia escondido. Peitou o chefão da equipe MacLarem – Ronn Denis – ao não aceitar uma ordem e realmente fazer o contrário do que o chefe queria, além de não estar nem aí para o fato de Fernando Alonso ser o atual bi-campeão mundial.

Não vejo na ação do jovem aspirante a campeão mundial nenhum sinal de arrogância ou coisas do gênero, somente amor-próprio. Vejo um jovem que tem uma família feliz, um pai que o ama e o orienta de forma correta, um talento nato – mas devidamente conduzido. Só na penúltima corrida que participou (GP da Europa), onde teve um final de semana desastrotoso, em que ocorreu tudo errado, teve o seu aprendizado completado. Na corrida de hoje, GP da Hungria, chegou a 80 (oitenta) pontos, deixando distante os demais pilotos.

Pode acontecer de Lewis Hamilton não chegar a ser campeão, o que é muito difícil, mas, mesmo ficando em 2º (segundo) lugar no mundial de pilotos de 2007, já entra para a história da Fórmula 1, como fenômeno, o mais sortudo (por entrar na melhor fase da MacLaren depois de uns 4 anos desastrosos), ser um piloto regular (só deixou de pontuar no GP da Europa) e por ter personalidade. Não se melindrou – ou se alguma vez isso aconteceu, teve determinação para mudar – teve presença de espírito para dar o melhor do seu melhor, visto que só faz isso na vida: ser piloto de corridas. Na realidade, sabe ele que o tempo médio de um piloto na Fórmula 1 é de 10 anos ou menos. Fechar a boca e agir muito é o que ele está fazendo, ao contrário do parâmetro negativo, piloto falastrão e choramingão, Rubinho Barichello.

No entanto, se ganhar o campeonato, Hamilton será o mais novo campeão mundial de  Fórmula 1, o primeiro “negro” a entrar e conquistar um título na F-1 e o único estreante da F-1 a conquistar o título.

O texto acima foi escrito para os jovens de hoje, pois nós – adultos – já tivemos o nosso tempo. Se conquistamos, ou não, as coisas, só interessa a nós e/ou nossa família. Devemos valorizar, mesmo que pequenas, as nossas conquistas. Mas devemos conquistá-las com brio, honra, determinação, honestidade, humanidade, urbanidade e muitos aspectos positivos. Às vezes, essas coisas nos faltam, pois planejamos e não se sai o esperado . A continuidade com prudência e regularidade é importante. Mesmo que a família ou cônjuge não concorde ou acredite em você, você deve ser capaz de acreditar em si. Se alguém acredita, aproveite o apoio deste alguém e não seja cético, pois o ceticismo é uma praga que mata aos poucos a mentalidade de quem se deixou contaminar.

Lembrem-se: para o hoje, não existe amanhã.


 

04 de novembro - DIA DO OFICIAL R/2

          Escrito em 04 de novembro de 2006

           Parabéns a todos nós, Oficiais da Reserva R/2 (formados nos NPOR/CPOR), que comemoramos o primeiro aniversário oficial do "DIA DO OFICIAL R/2". Uma classe bastante austera, lutadora e unida, que é, normalmente, injustiçada e desmerecida por alguns poucos Oficiais equivocados, assim como alguns poucos Praças recalcados. Sejamos superiores a tudo isso e sejamos pessoas melhores, unindo-nos cada dia mais, procurando, inclusive, passar essa mensagem aos futuros oficiais R/2, para que sejam não só excelentes em "papiros" e "resultados", mas como pessoas. O BRASIL tem exemplos "in memorian" (Cap R/2 Apollo, que participou da 2ª Guerra Mundial, entre outros) e em vida (Dr. Ivo Pitangy - cirurgião plástico mundialmente conhecido, PAULO RENATO SOUZA - Ex-Ministro da Educação e Ex-Reitor da USP, RENATO ARAGÃO - comediante dos TRAPALHÕES, Dr. SAFE CARNEIRO - Ex-Presidente da OAB/DF, entre outros) da capacidade técnica e intelectual da nossa classe. Sejamos um "irmandade" unida, pois unidos, teremos condições de fortalecer-nos e dar o melhor para a sociedade brasileira.Novamente, Parabéns. Hurra !


Educação, um sonho ainda distante

           Escrito em 03 de setembro de 2005

           Em 1989, deparei-me com a campanha à presidência da República. Existiam vários candidatos ao cargo de presidente da República: Fernando Collor de Mello, Leonel Brizola e Luiz Inácio Lula da Silva eram os três primeiros colocados.

           Não irei aqui me deter nos entremeios do embate político da época. Sei que em um primeiro e mal analisado momento, o nome do  ex-governador de Alagoas pareceu-me simpático, mas as primeiras e muitas denúncias de corrupção em sua gestão no governo fizeram com que eu mudasse rapidamente de opção. Comecei a pesquisar todos os candidatos da época e veriquei que a do ex-governador do Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro era a melhor, por uma única razão: havia um projeto nacional de Educação representado pela escola de tempo integral chamado CIEP's (Centro Integrado de Educação Pública) idealizado por Anísio Teixeira com as Escolas Parques na Bahia, mas que tomaram corpo realmente no Rio de Janeiro com o  governador Brizola  e seu vice e secretário de Educação, o antropólogo mundialmente conhecido Darcy Ribeiro.

           Não votava na época, tinha 15 anos, mas o despertar pela política, pela sensibilidade e responsabilidade social aumentaram naquele momento.

           Brizola não chegou ao segundo turno - por motivos semelhantes ao que fizeram Ruy Barbosa não ser presidente do Brasil contra Marechal Hermes da Fonseca - chegando o "sapo barbudo" - prefiro não me ater ao nome deste cidadão neste espaço - e o caçador de Marajás. Collor acaba sendo eleito. Em 1991, ocorre o que parecia impossível. Uma aproximação administrativa entre Brizola e Collor, que só favoreceu o Rio de Janeiro. Brizola havia sido eleito pelo povo fluminense com mais de 70% dos votos    e no primeiro turno. No entanto, com o decorrer do tempo, o povo do Rio de Janeiro preferiu as "luzes" invejosas das redes de comunicação quanto a essa relação necessária.Com essa aproximação, Collor "iluminado" cria os CIAC's (Centros Integrados de Atendimento às Crianças) que custavam em média, à época, nos preços de hoje, US$ 600.000,00 (seiscentos mil dólares), enquanto um Brizolão (CIEP's) custava US$ 1.000.000 (hum milhão de dólares). Os CIAC's tinham praticamente o mesmo projeto educacional: educação em tempo integral que envolvia alimentação 4 (quatro) vezes ao dia, banhos tomados durante o dia, recreação, prática de esportes, aulas cotidianas e de artes cênicas, enfim, dignidade e inserção social.

           Essa criação, fruto do relacionamento político-administrativo de Brizola com Collor, resultou em uma fúria imensa e incomensurável contra o então presidente. Denúncias de corrupção apareceram contra o ex-tesoureiro, Paulo César Farias, e apoiadas em novas denúncias formuladas pelo próprio irmão do presidente, fizeram com que uma CPI fosse criada. Resultado final: em 1992, o presidente sofre "impeachment". O primeiro presidente eleito depois de 20 anos de governo militar, um presidente que não gostava dos salamaleques a que estava acostumado o Congresso Nacional, um presidente que não negociava - pelo menos não apareceu    pela imprensa - valores em malas com dinheiro, cheques, liberação de recursos das emendas dos deputados em troca de apoio, enfim, baixezas da República. Sabemos o porquê dos outros presidentes não terem sofrido o mesmo instituto de Fernando Collor. Porque eles atendiam e atendem plenamente os sortilégios do Congresso Nacional. Brizola esperou até o último momento para que o Congresso Nacional, em sua suposta "dignidade", abrisse o leque para outros políticos e não-políticos envolvidos. Mas isso não acontece. A sua fidelidade aos princípios derrubaram o "velho guerreiro". O povo do Rio não o entendeu e nunca mais o elegeu a nada. Tenho pena do povo do Rio de Janeiro. Povo ingrato.

           Assume em setembro de 1992, o vice Itamar Franco, um governo fraco. Assume em 1994 e 1998, Fernando Henrique Cardoso, eleito por duas vezes consecutivas, um presidente-pensador, que apriorizou a educação.  No entanto, foi regular quanto ao melhoramento da exigibilidade em qualidade do Ensino Superior e pós-graduação, como a seu acesso. Em 2002, é eleito, o presidente do Brasil com as mais negativas idiossincracias: omissão, covardia, bom mocismo, desídia, relaxamento, falar demais,    beber demais, dentre outras que não recordo no momento. Esse atual mandatário, seja feita justiça, conseguiu ser melhor em relações internacionais que o seu antecessor. Mas isso até o momento em que não apareceram as denúncias de corrupção que envolviam gente do seu partido, gente muito próxima por sinal. A partir do momento em que elas surgiram,   os defeitos que acima citei, foram demonstradas.

           Com relação à Educação, a ex-prefeita do município de São Paulo, * Marta Suplicy, fez um projeto magnífico em São Paulo: os CEU's (Centros  de Educação Unificados).Um projeto tão bem elaborado, fisicamente e em seu plano pedagógico como os CIEP's e CIAC's. Entretanto, o atual mandatário, que ficará somente até 2006, não soube aproveitar um projeto tão bonito e rico. O custo de R$ 14.000.000,00 (quatorze milhões de reais) vale o preço, pois caro não é o valor da educação. Caro é a ignorância.

           O todo exposto, serve para dizer que, independentemente do   governo que estiver no poder, a Educação deve ser prioridade. Mesmo que haja diferenças políticas, se o projeto é bom, melhor continuar e aperfeiçoar. Até mesmo, copiar para melhor e dominar.

 


A Esquerda brasileira é uma piada

          

           A Esquerda brasileira é uma piada. Acredito que se faça ser piada. É claro que existem bons representantes dessa ala no Brasil, mas grande parte procuram avacalhar a vida nacional a partir do momento em que não há claro o que querem.     Há candidatos que sabem não ter condições de chegar a um segundo turno de uma eleição, no caso presidencial, e insistem em mantê-la. A probabilidade de morrerem  na praia é evidente. No entanto, a insistência em achar que algo de diferente acontecerá, provoca reações débeis nesses cidadãos “esclarecidos”. A possibilidade de união é impossível na Esquerda, pois eles pensam em si e não na sociedade brasileira. A vaidade é algo incrível no ser humano. Quando essa droga natural acabar e eles verificarem que a realidade os avisou, será tarde. O tempo passará e  a infelicidade prevalecerá no que se refere ao sonho de ser presidente. Qualquer  outro cargo público poderão conseguir, mas serão esquecidos pela história.

Professor de Língua Portuguesa formado pela Universidade de Brasília e pós-graduado em Pedagogia Escolar pelo IBPEx/FACINTER

* - não gosto da ex-prefeita, mas aplaudo o projeto elaborado em sua gestão na prefeitura do município de São Paulo (2000-2004).

 

SAIR 

 

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