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RODOANEL COMPENSAÇÕES AMBIENTAIS
Um texto em 
SERRA VERDE INFORME
FOLHA DE SÃO PAULO 06/09/2.005
RODOANEL COMPENSAÇÕES AMBIENTAIS
Parecer da gestão Serra cobra do governo Alckmin
Parecer da gestão Serra cobra do governo Alckmin a criação de
quatro parques como contrapartida ambiental Prefeitura exige compensação
por parte do Rodoanel AFRA BALAZINA DA REPORTAGEM LOCAL
Um parecer técnico da gestão José Serra (PSDB) exige maiores
compensações ambientais para a cidade de São Paulo pela construção do
trecho sul do Rodoanel e cobra do governo tucano de Geraldo Alckmin estudos
mais aprofundados sobre os impactos da obra no município. Os pedidos podem
fazer a construção atrasar ainda mais e ter seu custo elevado. O início das
obras estava previsto para junho, mas como a Dersa (estatal que administra
estradas) precisa fazer análises complementares sobre as conseqüências a
pedido do Ibama, a rodovia não deve sair do papel antes de novembro.
O parecer pode também gerar mal-estar entre o governador paulista e o
prefeito, ambos cotados no PSDB como possíveis candidatos à Presidência
em 2006.Para compensar os impactos ambientais da construção do trecho sul
do Rodoanel Mário Covas, a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente
quer a criação de quatro parques nas áreas de mananciais. Também cobra a
implantação de uma "estrada-parque" -faixa de até 300 metros no entorno da
rodovia que faria a ligação entre as unidades de conservação.
A requisição foi feita em parecer técnico elaborado por um grupo de trabalho
criado na secretaria em março deste ano. A prefeitura contou com a parceria
do ISA (InstitutoSociambiental) na elaboração dos estudos.
A manifestação da cidade é necessária para a Dersa (Desenvolvimento
Rodoviário S.A.) obter a licença prévia desse trecho do Rodoanel.
"Essa é a segunda obra mais importante do Brasil, atrás apenas da
transposição do São Francisco. Quero ter segurança de que vai se ter mais
cuidado do que no trecho oeste. E o mínimo que uma secretaria do meio
ambiente responsável pode fazer é exigir uma compensação ambiental mais
generosa", afirmou o secretário do Verde,Eduardo Jorge.
Até agora, o trecho oeste foi o único do Rodoanel já entregue e o trecho
sul será o próximo. A Dersa propôs como compensação ambiental fazer plantio
de vegetação numa área total de 1.016 hectares -haverá desmatamento de
508 hectares. Mas a secretaria diz não ter um local público que permita
o plantio contínuo, o que seria o ideal. A compensação também não surtiria
o efeito desejado se fosse feito em outra área do município. Segundo a
secretaria, o Estudo de Impacto Ambiental do trecho sul do Rodoanel prevê
a criação de dois parques na região de mananciais. O problema apontado pela
equipe, entretanto, é o fato de o estudo não prever quem seria o
gestor das áreas e também não estimar os recursos necessários para a
implantação das unidades de conservação.Ocupação Eduardo Jorge requisitou
também que seja analisada mais profundamente a questão da indução à ocupação
na região de mananciais do município. O Rodoanel terá influência direta
em 6.211 hectares ou 4% de todo o território paulistano.
Uma maior ocupação dessa área seria "desastrosa" para a cidade, de acordo
com o secretário, porque agravaria ainda mais o problema da produção de água.
O ideal é que as
áreas de proteção aos mananciais sejam pouco ocupadas
impermeabilizadas. "Passaremos de cerca de 20 núcleos de ocupação no trecho
oeste para mais de 90 com os do trecho sul. A exemplo do que já está
ocorrendo, os moradores vão fazer pressão por acessos à rodovia", disse
Marussia Whately,coordenadora do Programa Mananciais do ISA.Ela acredita
ser necessário avaliar as conseqüências da criação de novos acessos ao
Rodoanel, como na estrada de Parelheiros. E também analisar medidas para
evitar que haja um impacto negativo para saber se são viáveis.Segundo
João Whitaker, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da
Universidade de São Paulo, o estudo matemático da Dersa de que não vai
haver adensamento populacional no trecho sul do ponto de vista urbanístico
é uma "aberração". "A infra-estrutura urbana gera a atração. Mas no trecho
oeste os impactos são mais ceitáveis, porque se trata de uma região de
expansão da cidade.
No trecho sul, a situação é bem mais delicada", afirmou Whitaker.
Em estudo preliminar dos impactos urbanísticos do trecho oeste, ele ressalta
que ocorreram falhas para evitar danos ambientais e também para compensar
os problemas causados. "A revegetação não utilizou vegetação nativa, na
faixa de domínio [do Rodoanel] foram observados esmoronamentos de terra e
a fiscalização não consegue controlar os acessos informais", disse.
Eduardo Jorge pede ainda que seja analisado e apresentado um novo
traçadopara o trecho, mais ao norte do atual, que pode ter menor
impacto Ambiental.
OUTRO LADO
Documento não é definitivo, afirma Dersa
/DA REPORTAGEM LOCAL /
A Dersa disse ontem que está discutindo o parecer técnico com a Prefeitura de São Paulo
e que o documento não é definitivo. O governo do Estado afirmou que conversa com o
município assim como discutiu a construção do trecho sul do Rodoanel com as demais
cidades que serão interceptadas pela rodovia.
Entretanto, a Dersa não quis se manifestar sobre o pedido de criação de quatro parques e
uma faixa de até 300 metros ao longo da rodovia para ligá-los. Também não falou a
respeito da exigência da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente de estudos mais
amplos sobre a indução da ocupação na área de mananciais
e sobre o outro traçado, mais ao norte do atual.
O trecho sul, com 57 km, atravessará Embu, Itapecerica da Serra, São Paulo, São
Bernardo do Campo, Santo André, Ribeirão Pires e Mauá. Maior obra do governo
Alckmin (PSDB), o Rodoanel tem o objetivo de desafogar o trânsito de São Paulo -quando
concluído, a expectativa é tirar 58% dos caminhões das marginais.
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