A Atuação Fisioterapêutica na Gestação
Roberta de Oliveira Lopes
Tatiane David Assumpção
Sociedade Educacional Fluminense
Alunas do 4º período de Fisioterapia.
Resumo
A gestação é um período que envolve grandes transformações para a mulher, momento em que ocorrem alterações físicas e emocionais. Transtornos de ordem músculo-esquelética, circulatória e digestiva são comuns durante a gestação, devido às alterações hormonais e mudanças mecânicas que ocorrem durante este período. A fisioterapia tem por finalidade preparar fisicamente a gestante para que tenha um pre-natal, um parto e um pós-parto de maneira que possa aproveitar o máximo. Como no caso da hidroterapia onde se há o tratamento e prevenção dos seus principais desconfortos, onde iremos citar a lombalgia a qual acomete em torno de 48 a 56% das gestações.
Palavras-chave: gestação, objetivos da fisioterapia, trabalho de parto, hidroterapia, lombalgia.
Abstrate
The gestation is a period that involves great transformations for the woman, moment where physical and emotional alterations occur. Upheavals of order muscle-esquelética, digestive circulatória and are common during the gestation, which had to the hormonais alterations and mechanical changes that occur during this period. The fisioterapia has for purpose to prepare the gestante physically so that it has a pre-Christmas, a childbirth and a after-childbirth thus it can use to advantage the maximum. As in the case of the hidroterapia where if it has the treatment and prevention of its main discomforts, where we will go to cite the lombalgia which acomete around 48 - 56% of the gestations.
Keywords: gestation, objectives of the fisioterapia, work of childbirth, hidroterapy, lumbar pain.
Introdução
A gravidez é um período de intensas transformações físicas e emocionais. Todo corpo da mãe se transforma para que ela possa abrigar seu bebê, alimentá-lo e permitir seu desenvolvimento até a hora do nascimento.
O Fisioterapeuta vai orientar e preparar a gestante para enfrentar as transformações decorrentes da gravidez. Orientações quanto a fisiologia da gravidez, hábitos que devem ser adotados e a preparação física da gestante com os (por exemplo) métodos usados pela hidroterapia, incluindo a prevenção de problemas e a manutenção da saúde durante o parto e no período pós-natal são alguns dos papeis do Fisioterapeuta. A fisioterapia tem por finalidade preparar fisicamente a gestante para que possa enfrentar convenientemente a mudança fisiológica que nela vai produzir-se como por exemplo a dor lombar, para que possa, assim aproveitar ao máximo a sua gestação.
O parto normal pode Ter o acompanhamento do Fisioterapeuta, que trabalha principalmente o relaxamento, a respiração adequada, a troca de postura na fase de dilatação ( a fim de torná-la mais rápida), o alívio das dores do parto e o auxílio na função expulsiva, promovendo mais segurança à mãe e qualidade ao trabalho de parto.
3. Hidroterapia na Gestação
É necessário que a gestante tenha um acompanhamento fisioterapêutico para que estas modificações não se tornem ameaçadoras para o seu equilíbrio psico- físico.Com a atuação da cinesioterapia aquática, há prevenção e tratamento das principais modificações e desconforto gravíssimos : que incluem o abalamento do Períneo, diástese do Reto Abdominal, lombalgia, diminuição da excursão diafragmática, dispnéia e problemas circulatórios. O Fisioterapeuta atua submetendo a gestante durante a hidrocinesioterapia a técnicas de relaxamento e promovendo orientações gerais que beneficiam a mãe e o bebê. Uma piscina aquecida se torna o ambiente ideal para a realização destes exercícios, especialmente pelo efeito da Pressão Hidrostática, que empurra os líquidos extra-vasculares para dentro do espaço vascular, aumentando a diurese e melhorando a retenção hídrica. Além desse efeito bem conhecido, vários estudos têm comprovado a vantagem dos exercícios aquáticos em relação aos exercícios terrestres. Estes estudos
comprovam que durante a realização de exercícios aquáticos a Freqüência Cardíaca, Pressão Arterial, Temperatura e Freqüência Cardíaca fetal são mais baixas quando comparados com exercícios em solo. O volume cardíaco, débito cardíaco e retorno venoso para
o coração e pulmão são maiores no meio hídrico do que em terra. É sabido também, que exercícios aquáticos são mais seguros para as articulações por diminuir o estresse mecânico sobre elas. Apesar de todos esses benefícios durante a realização dos exercícios,
é necessário dosar a intensidade dos mesmos ,cuidando-se, para que sempre ocorra transferência de calor do corpo da gestante para a água, evitando assim, o aumento da temperatura corporal, que pode ser prejudicial ao feto. Como em qualquer intervenção Fisioterapêutica , não se prescinde da realização da Consulta inicial, quando são verificadas se está ocorrendo
acompanhamento clínico pré natal e se identificam possíveis contra indicações ao exercício aquático, como:
- Cardiopatias
- Trabalho de parto pré- maturo
- Incompetência de Colo
- Placenta prévia
- Crescimento fetal retardado
- Suspeita de sofrimento fetal
- Hipertensão e diabetes graves e não controlados
4. Lombalgia no Período da Gestação
Entre as queixas mais freqüentes, nos relata Picada (2000), está a lombalgia, a qual acomete em torno de 48 a 56% das
gestações sendo que geralmente ocorre entre o 5º e 7° mês da gestação e, em muitos casos, leva esta gestante ao
afastamento do trabalho. Segundo Kisner & Colby (l998), a lombalgia ocorre devido a alterações posturais da gestação, aumento da frouxidão ligamentar e diminuição da função abdominal.
Constatada a alta incidência de lombalgia em gestantes, foi proposta
a análise e utilização dos diversos recursos fisioterapêuticos indicados na literatura (hidroterapia, cinesioterapia,
orientações posturais, relaxamento, conscientização respiratória) como meios de intervenção e prevenção da dor lombar em gestantes. Faz-se necessário à conscientização da mulher grávida sobre o seu próprio corpo, adaptando-o às inúmeras modificações próprias deste período, evitando-se assim a lombalgia e proporcionando, desta forma, um período sereno e prazeiroso. Para Kisner & Colby (1998) dentre as alterações fisiológicas acima citadas, a mulher, por estar em estado
gravídico, torna-se, na maioria das vezes, sedentária. O que faz com que haja um aumento do peso, o que desloca ainda mais o centro de gravidade, agravando assim o quadro de algias lombares. Na tentativa de reequilibrar o seu centro de gravidade (CG), elas acabam por adotar
posturas inadequadas, como: aumento da lordose com hiperextensão dos
joelhos, aumento da lordose cervical com anteriorização da cabeça,
protração escapular e rotação interna dos membros superiores, entre
outros, o que, com freqüência acarreta dores lombares.Com a hidroterapia
e uma de fisioterapia no solo, com duração de quarenta minutos aproximadamente, cada sessão e um trabalho de educação em saúde, através da realização de oficinas terapêuticas com o grupo, fornecendo orientações sobre as alterações fisiológicas decorrentes da gestação e a importância da prática de exercícios durante o período pré e pós parto podemos visualizar uma melhora significativa na região lombar minimizando ou podendo chegar a 100% de ausência de dores.
Conclusão
Ao finalizarmos este estudo, verificamos o quanto é importante a atividade física para a gestante , tanto quanto, sua auto-estima, que ganham como conseqüência a diminuição da ansiedade. A atuação fisioterapêutica tem, de fato, um papel importante na
redução de algias em gestantes, em especial na dor lombar. Não deixando de lembrar que a união paciente- terapeuta é essencial para termos resultados positivos. O fisioterapeuta, no trabalho com gestantes, tem um vasto campo de atuação que deve ser compreendido e trabalhado de forma eficaz.
ANEXO
Análise e discussão dos resultados:
A seguir fazemos uma breve descrição de cada gestante, comentando suas alterações
posturais.
Gestante 1 - Casada, 23 anos, estudante e primípara, esta paciente com sinais vitais
normais, apresentou algias constantes em coluna lombar média e inferior e dor esporádica
em coluna lombar superior.
Durante a realização da avaliação postural, pode-se perceber, na posição
antero-posterior: desnível dos ombros e das cristas ilíacas à direita, triângulo de
Talles alterado à direita e presença de joelho varo. Na posição póstero-anterior,
constatou-se: escápulas aladas e importante escoliose em "S" toracolombar, com
convexidade dorsal à esquerda e lombar à direita. Na posição perfil, verificou-se a
presença de hiperlordose lombar, ombros anteriorizados, antero-versão pélvica e
hiperextensão dos joelhos.
Gestante 2 - Casada, 21 anos, estudante e primípara, esta paciente com sinais vitais
normais, apresentou edema em membros inferiores e cistite, com freqüência, até o 2°
mês gestacional.
Durante a realização da avaliação postural, verificou-se, na posição perfil:
hiperlordose lombar, ombros anterorizados, anteroversão pélvica e hiperextensão dos
joelhos.
Gestante 3 - Casada, 24 anos, estudante e primípara, esta paciente com sinais vitais
normais, apresentou sinais e sintomas, como náuseas e vômitos até o 5° mês
gestacional, fazendo uso da medicação Dramin®. Relata sentir-se dispnéica em
situações que alterem seu estado emocional.
Durante a realização da avaliação postural, na posição antero-posterior, notou-se
apenas a presença de joelho varo. Na posição póstero-anterior, G3 apresentou escápula
alada e na posição perfil: hiperlordose lombar, ombros anteriorizados, anteroversão
pélvica e hiperextensão dos joelhos.
Com base nos dados obtidos na avaliação postural, podemos visualizar alterações
posturais comuns a este período nas três gestantes. Alterações como hiperlordose
lombar, anteriorização dos ombros, anteroversão pélvica e hiperextensão dos joelhos,
foram mencionadas por todas as gestantes.
Realizamos a aplicação do Protocolo Modificado de Avaliação de Desconforto nas Partes do Corpo (Corlett & Manenica, 1980 - Anexo II), numa avaliação inicial e numa avaliação final, obtendo os seguintes resultados:


Tabela 1: Avaliação do desconforto nas partes do corpo
Como resultado da aplicação do protocolo, o qual foi a maneira encontrada por nós
para comparar os dados obtidos na avaliação inicial e na final, constatou-se que em
algumas regiões do corpo das gestantes o desconforto mostrava-se de forma mais
significativa do que em outras.
Entre as regiões não acometidas por dor estão os braços, antebraços, punhos e mãos
(MsSs), portanto não mencionadas pelas gestantes como áreas dolorosas, tanto na
avaliação inicial quanto na final.
Entretanto, foram citadas algumas regiões como de pequena incidência de dores, mais
precisamente situadas nas regiões do pescoço, joelhos e ombros, referidas,
respectivamente por G1, G2 e G3, como dor esporádica na avaliação inicial. Após a
intervenção fisioterapêutica G1 e G3 não apresentaram dor nas regiões do pescoço e
ombro, enquanto que na região do joelho o resultado final permaneceu o mesmo da
avaliação inicial.
Já nas regiões dos glúteos e coxas, a incidência de queixas quanto a dores passou a
ser maior do que nas regiões já mencionadas. As gestantes G1 e G2 apresentaram dor
esporádica na região da coxa, enquanto que G1 e G3 apresentaram o mesmo tipo de dor na
região glútea. Após a avaliação final verificamos que apenas G1 permaneceu com
sintomas de dor esporádica em ambas regiões.
Outras regiões geralmente acometidas pelas gestantes por algias, são as pernas,
tornozelos e pés (MsIs). Examinando-se a ilustração e a tabela descritas nas páginas
55 e 56, percebemos que, no que comete às pernas, G1 apresentou dor constante e G2
somente esporadicamente, sendo que G3 não apresentou dor alguma. Já nos tornozelos e
pés, somente G1 e G2 referiram sentir apenas dores esporádicas. Como resultado de nosso
trabalho fisioterapêutico notamos uma melhora significativa na região das pernas, onde
G1 que inicialmente apresentou dor constante, passou a sentir dor esporádica e, G2 e G3
referiram ausência de dor nas pernas. Na região dos tornozelos e pés apenas G1
permaneceu com dor esporádica.
Anteriormente à intervenção fisioterapêutica, na região lombar superior, todas as
gestantes sentiram dores esporádicas. Quanto a região lombar média, apenas uma (G1)
teve dor constante, sendo que as demais (G2 e G3) somente sentiam dores esporádicas. Por
fim, na região lombar inferior, local onde as algias foram mais intensas, G1 e G3 diziam
ser ela constante, enquanto G2 alegou ser unicamente esporádica.
Analisando os dados finais da avaliação, podemos visualizar uma melhora significativa na
região lombar. Sendo que na lombar superior houve 100% de ausência de dores. Na região
lombar média, G1, que anteriormente ao tratamento apresentava dor constante, passou a
apresentar dor esporadicamente. Já G2 e G3, que referiam dor esporádica, não referem
mais dor. A região lombar inferior foi acometida por todas as gestantes. Sendo que G1 e
G3, apresentaram dor constante e, ao final do tratamento referiram que esta passou a ser
esporádica, e G2, que anteriormente apresentava dor esporádica, refere a ausência
desta.
Em nosso trabalho, um fato que nos chamou atenção, foi constatarmos que a paciente G1, a
qual apresentou na avaliação postural escoliose estruturada, teve uma grande incidência
de dores em diversas regiões do corpo. Essas dores na maioria dos casos, diminuiram sua
freqüência dolorosa de constante para esporádica após a intervenção
fisioterapêutica, mas ainda se mantiveram presentes, com exceção do pescoço e da
região lombar superior. Isto está em concordância com Souza
(1999) quando relata que "gestantes com escoliose estrutural podem apresentar dores
mais acentuadas neste período".
Comparando os sujeitos de nossa amostra, vemos que está de acordo com Picada (2000),
quando diz que, entre as queixas mais freqüentes das gestantes, está a lombalgia, a qual
acomete em torno de 48 a 56% das gestações sendo que geralmente ocorre entre o 5º e 7°
mês da gestação e, em muitos casos, leva esta gestante ao afastamento do trabalho.
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