Nascido em Belo Horizonte - Minas Gerais, teve a formação em balé clássico com Carlos Leite, de quem foi assistente, e Maria Olenewa. Foi pioneiro na transposição da dança (movimento corporal) para a dramática da cena (a palavra na raiz do movimento), exercendo grande influência no espaço cultural brasileiro, tendo dirigido várias escolas de dança e teatros oficiais no Rio e em São Paulo, e recebendo vários prêmios e homenagens importantes tanto no teatro como na dança.
Apaixonado pela dança e pelas possibilidades expressivas do movimento, criou um método próprio de trabalho que vem influenciando varias gerações de bailarinos. Esse método pouco ou nada tem a ver com os sistemas de regras, códigos, e princípios ordenados na concepção comum na dança clássica e moderna. A dança é entendida e vivida como um caminho do autoconhecimento, de comunhão com o mundo e de expressão do mundo.
Segundo Klauss, a vida, o mundo e o homem manifestam-se através do movimento. Dançar é mover-se com ritmo, melodia e harmonia. Através dos movimentos da dança aprofunda-se cada experiência e realiza-se o milagre da comunicação. Pela dança o homem manifesta os movimentos de seu mundo interior, tornando-os mais conscientes para si mesmo e para o espectador. A essência desse trabalho corporal, é a busca de harmonia com o próprio corpo, que possibilita uma dança singular, original, diferenciada, rica em movimento e expressão.
Um dos requisitos básicos de um movimento é que ele seja claro e objetivo. Todo gesto tem três fases: sustentação, resistência e projeção. A ausência de uma dessas fases esvazia sua intenção. Um movimento limpo, consegue expressar aquilo busca expressar ganhando em beleza e emoção. Para isso deve ser vivenciado inúmeras vezes, sem racionalização. Nessa repetição, consciente e sensível, o gesto amadurece e passa a ser próprio, cheio de individualidade.
A dança não � uma ginástica. A dança se faz não apenas dançando, mas também pensando e sentindo, sem ignorar ou reprimir as emoções que se traz dentro de si. A técnica da dança tem a finalidade de preparar o corpo para responder a exigência do espírito artístico. Ela é eficaz quando torna possível extrapolar todos os falsos e repetitivos conceitos de beleza, que permite criar ou revelar a identidade entre a dança e o dançarino, entre quem dança e o que esta sendo dançado, organizando fisicamente as emoções e sua expressão harmônica.
Uma preocupação excessiva com a técnica, seguindo as regras em detalhes, de forma obsessiva, apenas cria uma ligação neurótica com a dança. A forma deve surgir como conseqüência do trabalho de enriquecimento das possibilidades musculares. Buscando outros movimentos, fazendo outras coisas, o passo desejado vai surgir, no seu tempo.
O gesto trabalhado por um ser humano, especialista, envolve não apenas a memória daquele corpo mas o corpo de todos os homens. O aperfeiçoamento dessa técnica vai permitir ao bailarino chegar a essa memória e a essa emoção comum a todos os seres humanos.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
VIANNA, KLAUSS E CARVALHO, MARCO ANTONIO - A Dança - São Paulo: Editora Siciliano - 1990