Avisos:
Spoilers do primeiro ao sexto livro, O Enigma do Príncipe.
Disclaimer: Harry Potter e personagens aqui representados não me pertencem, mas sim a autora J.K.Rowlings e a Warner Bros. Foi escrito de fã para fã, sem fins lucrativos.
Capítulo 8 Harry não estava prestando a mínima atenção ao que o juiz dizia.
Seus olhos verdes estavam cravados na figura magra de Malfoy, pouco
atrás do capitão do time adversário, o próprio Richard Honeyman. O loiro
o encarava debochado, o sorrisinho que lhe era tão característico adornando
os lábios. As mãos enluvadas que seguravam o cabo da vassoura se moveram
para cima e para baixo, sugestivamente. Harry sentiu-se ruborizar, imaginando
coisas indevidas com os dedos longos que estavam debaixo daquelas luvas. Desviou seu olhar e resolveu ouvir o juiz,
que já estava no fim de seu discurso. Sabia de cor, uma vez que se tornara
um fanático por quadribol como Ron, graças a Hogwarts. Antes de escolher
seu lado do campo, cada capitão virou-se para seu time, dando últimas
instruções. Ron bateu amigavelmente em seu ombro com
um imenso sorriso no rosto, dizendo “Vamos chutar o traseiro da Doninha
Quicante”. Tenha certeza de que
vou, pensou maliciosamente Harry, escolhendo o seu lado do campo. O juiz apitou e as vassouras voaram com
velocidade para os céus. Harry posicionou-se, vendo o estádio de cima,
com suas arquibancadas grandes decoradas em cores roxas e douradas. - Isso é engraçado
– uma voz arrastada começou – os pés rapados contra os playboys. Identificou a voz antes mesmo de se virar
na direção dela, vendo Malfoy flutuando a poucos passos de si. Os fios
finos e loiro-platinados esvoaçavam em volta do seu rosto, criando uma
aura que contrastava com o sorriso sarcástico. Os olhos cinza desviaram
dos seus e se dirigiram para um ponto abaixo deles, Harry o seguiu,
vendo Dino Thomas sobrevoando perto dos aros que Ron defendia. - Até entendo trazer
o pobretão do Weasley para o jogo, mas também o amante da sua noiva,
Potter? – estalou a língua num tom de desaprovação. - Não tenho mais
noiva, Malfoy. – grunhiu em resposta. - Oh, é mesmo? –
ergueu as sobrancelhas claras – Que notícia mais agradável! Sem replicar, Harry lançou-lhe um olhar
irritado. Era o tipo de situação que gostaria de evitar, ouvir as provocações
de sempre de Malfoy. Mas Harry não cairia mais na tática de distraí-lo
de seu objetivo. Inevitavelmente o outro iria ficar na sua cola durante
a partida toda, sendo apanhador também, conhecia-o muito bem, não duvidava
que continuasse o mesmo depois de Hogwarts. Esperava que a disputa pelo
pomo começasse logo, assim teria desculpa para acertar aquela cara debochada
do loiro em cheio. Afastou-se, sabendo que ele o seguia de
perto, varrendo os olhos pelo céu a procura de um brilho dourado. - Eu acho que é
muito triste pra você não ter mais a desculpa de fazer parte dos Weasley.
– a voz irritante soou próxima dele de novo – Mas não fique deprimido,
você pode tingir o cabelo e fingir ser um deles. Ou há a alternativa
dos outros irmãos solteiros. – a voz ficou ainda mais próxima – Creio
que sardas não é seu único fetiche, não estou certo Potter? Se virando bruscamente,
Harry agarrou a frente do seu uniforme de quadribol, fazendo o loiro
dar um grito abafado de surpresa. Seu rosto ficou a centímetros do
nariz arrebitado do outro, lançando-lhe um olhar irritado. - Eu não sei do que está falando, Malfoy. – sussurrou ameaçador. - Ah, mas eu tenho certeza de que sabe... Ou foi tão frustrante
que decidiu apagar da sua mente, Potty?
– disse numa voz que imitava a de uma criança, piscando os cílios
como uma criatura inocente. Pelo canto dos olhos,
Harry viu um balaço vir diretamente em direção deles, soltou o sonserino
e ambos se jogaram para trás, a tempo da bola passar assobiando entre
eles. - Você está bem, Malfoy? – um batedor do time dele perguntou, parecia
que ele havia batido aquele balaço. O loiro acenou para
ele, indicando que estava. Harry aproveitou a brecha para partir com
tudo para baixo, passando pelos jogadores dos dois times. Espichou
os olhos para o placar, que marcava trinta a dez para o time de Richard.
Se estavam jogando, mesmo que não valesse nada além de seu orgulho,
Harry faria questão de ganhar. Gritou com seus companheiros
do time, consertando a posição deles. Justino e Dino se entreolharam
de cenho franzido, Ron se animou e se postou firme na frente dos aros.
Não demorou muito para que Malfoy aparecesse de novo na sua cola,
emparelhando sua vassoura com a dele. Os dois trocaram olhares de
esguelha. - Está bastante focado no jogo, ahn? - Estou aqui pra jogar, Malfoy, não para ouvir sua ladainha. –
replicou seco. - Ouch! – colocou a mão no peito num gesto teatral – Não diga isso,
vai machucar meu coração desse jeito. Harry revirou os
olhos, tomou alguma distância dele e voltou com tudo, chocando dolorosamente
seu ombro contra o de Malfoy. O outro foi jogado ligeiramente para
o lado quase perdendo o equilíbrio e gemeu, blasfemando alto. Logo
depois lançou um olhar irritado e devolveu-lhe o golpe, mas ficando
pressionado contra Harry. O moreno cerrou as pálpebras, ficando consciente
demais do corpo próximo ao seu. - Gosta de mais bruto, Potty? – provocou, não deixando de empurrar
– Acho que foi isso que assustou a Weasley? Ela não era adepta e por
isso procurou outro? - Cala a boca, sua Doninha maldita! – rosnou. A risada dele soou nos seus
ouvidos, distraindo-o ainda mais do seu foco. Ele sabia que estava
parecendo ridículo, dando voltas pelo campo com Malfoy, um empurrando
o outro. Com alívio viu o rastro dourado riscar o espaço, seus olhos
apurados identificaram o pomo. Não viu alternativa senão atingir o
estômago do loiro com o cotovelo. Acelerou e deixou-o
para trás, curvando-se e abraçando o abdômen atingido. Draco soltou
um ofego e perdeu velocidade, olhando para Harry e então divisando
o pomo. Soltou um palavrão baixinho e colocou gás na sua vassoura,
chegando à cola do outro de novo. Este desviou o olhar um milímetro,
só para checar o loiro ali. Nenhum dos dois tinha noção de qual era
o placar, focado que estavam um no outro... e no pomo, claro. Harry admirou a boa
forma de Malfoy, se mantendo firme e perfeitamente emparelhado com
ele. Mas isso acabou quando o maldito tornou a abrir a boca. Mas nem
naquela velocidade e com o pomo tão próximo ele não fechava a boca? - Ainda acho que o problema foi outro. – começou com sua voz falha
pelo fôlego despendido na corrida – Eu sei que aproveitou cada segundo
daquilo, Potter. Eu o tive bem na minha mão. - Droga, Malfoy! – gritou frustrado. Tomou distância para
bater no loiro de novo, mas ele se desviou a tempo, fazendo Harry
se desequilibrar e conseguindo brecha para avançar. Chegou bem perto
do pomo, estendendo a mão e chegando a roçar os dedos nas asinhas.
Ah não, você não vai, sibilou a mente de Harry, que acelerou e puxou
a manga do loiro, para afastar sua mão. Os dois começaram
a se pegar em pleno vôo, mãos embolando na ânsia de pegar o pomo dourado,
puxando, empurrando. A certa altura eles acabaram enrolados, o resto
dos dois times olhou Então Draco rolou
e ficou por cima, sentando sobre o tórax de Harry, erguendo uma mão
cerrada. Sorriu vitorioso e mostrou o pomo dourado, relaxando mais
o corpo sobre o outro, sua respiração tão ofegante quanto. - Parece que você está um pouco fora de forma, Potter. – disse
em tom de riso. - Isso foi sujo! – reclamou, mesmo já esperando aquele tipo de
coisa. - Malfoys nunca jogam limpo. – sussurrou, saindo de cima dele. Honeyman chegou ao
chão antes dos outros, oferecendo sua mão para ajudar Harry a se levantar.
Tinha aquele sorriso polido, mas notou certa perturbação nele. - E com isso, ganhamos de duzentos e cinqüenta a cem. – dirigiu-se
polidamente para os outros membros do time de Harry – Foi um bom jogo,
rapazes. - Estávamos empatados? – Harry perguntou para Justino, que acenou
com a cabeça e ergueu os ombros. Olhou para seus amigos,
com seus uniformes sujos e estando suados, olhando um tanto quanto
constrangidos pra o chão ou outros lugares, evitando encararem-se
uns aos outros. Harry soltou um grunhido baixo, não acreditava que
havia perdido para Malfoy pela primeira vez na frente deles. Com Richard Honeyman
envolvendo seus ombros, que deveria parecer de forma amigável, mas
para Harry pareceu meio possessivo, Draco brindou-o com um sorriso
zombeteiro e mandou-lhe um beijo pelo ar. Achando que tivera o bastante
por um dia, Harry virou-se e chamou os amigos para seguirem ao vestiário. oOo Após um silencioso
banho, Harry e os companheiros se despediram do outro grupo. Havia
um murmúrio sobre o que realmente havia acontecido na disputa do pomo,
pra estarem tão entretidos ali e não prestarem atenção ao resto do
jogo. O grupo já estava próximo à saída do estádio, onde uma barreira
mágica os separava dos trouxas, quando Harry parou. Seus amigos viraram
para trás e ele lhes disse que havia esquecido algo, e que iria voltar.
Mandou-os irem sem ele, Justino e Dino acenaram com a cabeça brevemente,
entendendo de pronto. Quando se viu sozinho, tirou sua velha capa
da invisibilidade de seu pai da bolsa. Não servia mais para andar
em grupo como fazia em Hogwarts, porque havia crescido demais desde
então. Mas ainda servia-lhe perfeitamente. Esgueirou-se até
os vestiários novamente, mantendo-se em um canto quando o grupo saiu
de lá, tomando cuidado para não esbarrar Aproximou-se cuidadosamente
do vestiário, onde os dois continuavam. Pareciam começar uma discussão. - ...não gosto disso. – captou a voz de Honeyman, irritada – Não
sei o que aconteceu entre vocês durante o jogo, mas não vou arriscar
porque você quer provocá-lo. - Não venha com ciúmes, Richard. – Malfoy o cortou ácido – Você
tinha até achado que seria divertido. - Não sei, mudei de idéia. – grunhiu, dando de ombros e passando
os dedos pelo cabelo negro e curto. - Não venha com essa! Prometeu que Potter seria meu! – aumentou
a voz e pressionou um dedo no peito do outro – Que eu teria minha
vingança. - Porque não o deixa para ele?
Aposto que tem tanta vontade de se vingar quanto você, Malfoy, ou
até mais. – deu um sorrisinho sarcástico. - De jeito nenhum, eu cheguei primeiro. – replicou com desprezo
– Não darei esse gostinho a ele. O loiro cruzou os
braços e ergueu o queixo, de um jeito arrogante que conhecia muito
bem. Honeyman ainda passava a mão pelos cabelos, nervoso e olhando-o
como se fosse uma criança teimosa. Sem dizer mais nada,
parecendo não querer argumentar mais, ele se aproximou de Malfoy.
Circulou sua cintura com os braços e inclinado o rosto para beijar
o pescoço do outro. Harry cerrou o punho naquele instante, ficando
perturbado sem perceber. O loiro desviou-se friamente, fazendo-o estreitar
os olhos em resposta. - Não estou a fim. – explicou, com uma sobrancelha clara erguida. - Faz semanas, Malfoy. – disse entre dentes, visivelmente frustrado. - Eu sei, mas você cortou completamente o clima agora. – afastou-se,
vestindo sua capa e puxando os fios úmidos para trás. - O que você quer Draco? Já não lhe dei o bastante? - Não. – respondeu simplesmente, encarando-o impassível – Eu quero
Potter. E se retirou do vestiário,
deixando-o amargando a conversa sozinho. Harry ainda o viu chutar
um banco e blasfemar, antes de sair e seguir Malfoy. Sentiu o sangue
ferver, cerrando ainda mais o punho enquanto andava a uma boa distância
dele, não perdendo a cabeça loira de vista. Então era o que estava
planejando, ter sua vingança? Vingança pelo quê?
Por seu pai estar preso, por Harry derrotar Voldemort, por fazer a
família Malfoy falir? Por nunca ter aceitado sua amizade? Harry sacudiu a cabeça,
imaginando porque de repente pensou naquele fato ocorrido dez anos
atrás, que deveria estar enterrado no passado. Remoeu as palavras
frias de Malfoy durante todo o caminho, percebendo apenas depois de
um tempo considerável que o outro não havia desaparatado. Podia tê-lo
feito assim que saiu dos domínios mágicos do estádio dos Pride
of Portee. Ao invés disso, ele
seguia caminhando pelas ruas mal iluminadas na noite. Harry decidiu
se aproximar um pouco mais, para evitar ser despistado. Ali tinha
coisa. Por acaso ia para outro lugar, um encontro secreto que não
podia ser arriscado pelo rastreamento de uso de magia? A mente de Harry
estava processando a mil, quando viu o loiro virar uma esquina e o
seguiu cegamente. Quando alcançou, deu de cara com um rosto pálido
muito próximo olhando diretamente para ele com seus olhos cinza. Harry
não conteve um grito abafado de susto, como se houvesse visto um fantasma,
tropeçando na barra da capa e caindo estrondosamente no chão. De braços cruzados,
Malfoy virou os olhos para cima, num gesto de enfado. Então se inclinou
e estendeu a mão, puxando a capa e descobrindo o resto do corpo do
moreno. - Realmente Potter, tem certeza de que ser auror é uma boa escolha de profissão?
Continua... Outubro/2006
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