Avisos:
Spoilers do primeiro ao sexto livro, O Enigma do Príncipe.
Disclaimer: Harry Potter e personagens aqui representados não me pertencem, mas sim a autora J.K.Rowlings e a Warner Bros. Foi escrito de fã para fã, sem fins lucrativos.
Capítulo 7 Hermione pressionou uma bolsa de gelo
na testa de Harry, este agradeceu, pegou a bolsa e continuou pressionando
sobre sua cabeça. Em seguida a garota depositou uma aspirina e um copo
de água na mesa, olhando-o de forma reprovadora. Agradeceu baixinho,
pois até mesmo falar fazia sua cabeça latejar de dor, era um verdadeiro
castigo ter de se recuperar de uma ressaca ao modo trouxa. Tomou a aspirina
e recostou-se no espaldar da sua cadeira no escritório onde os aurores
em treinamento, como ele, ficavam. Naquela manhã, Harry havia entrado no Ministério e lançando olhares
desafiadores para quem ousasse
mencionar a noite anterior no pub.
Obviamente as notícias já haviam voado feito um furacão. Não havia rastro
de Dino Thomas em lugar nenhum, e Harry achou que era melhor assim.
Voando pela porta aberta, uma coruja vinha
com sua edição do Profeta Diário.
Seguindo ela vinha Ron, ofegando como se houvesse corrido. Colocou a
moeda na bolsinha da patinha e pegou seu jornal, como Hermione também
fez. - Não acho uma boa
idéia abrir esse jornal, Harry! – o amigo alertou erguendo o dedo. Tarde demais, porque no mesmo aposento,
Hermione já havia aberto e soltava uma exclamação abafada. Justino olhou
por cima do ombro da colega e leu a notícia, soltando um palavrão. Harry
olhou para eles e depois para Ron, que tinha uma expressão de súplica.
Então abriu o jornal sem cerimônia, folheando até chegar à coluna social
e vendo o que temia. Uma foto constrangedora de Harry tropeçando
nos próprios pés para chegar ao banheiro e dando um flagra em Gina e
Dino, uma foto encantada com a trajetória inteira,
até ele desmaiar. Perfeito,
resmungou entre dentes. Viu a autoria da foto e grunhiu alto, sentindo
mil agulhas perfurarem sua cabeça. - Quem foi o bastardo
que convidou Colin Creevey? - Ninguém, ele se
infiltrou como sempre. – disse Justino, como se fosse a coisa mais óbvia
do mundo. Ron suspirou pesadamente e deixou os ombros
cair, tendo falhado na sua missão de evitar o inevitável. Arrastando
os pés, puxou a cadeira na frente de Harry e sentou-se pesadamente.
Fez umas caretas antes de falar ao amigo. - Mamãe pediu pra
que você reconsiderasse, e perdoasse Gina. – fez um gesto vago com as
mãos – Disse que ela estava chateada e provavelmente muito bêbada. - Certo. – Harry
rolou os olhos para o lado – Então quer dizer que está tudo bem trair
sua irmã se eu estiver bêbado e chateado? - Hum... Eu acho
que não. – o ruivo torceu a boca e olhou incerto para o outro. - Ron, eu realmente
amo sua mãe como se fosse minha... – começou num tom cansado – mas acho
que ela deveria deixar meus relacionamentos em paz e se preocupar mais
em quando você vai pedir Mione em casamento. - Harry! – Hermione
guinchou de seu lado, acertando seu braço com o jornal que segurava. Como algo automático ligado ao nome de
Mione e qualquer menção de relacionamento, Ron ficou vermelho e embaraçado.
Pela primeira vez naquele dia Harry sorriu, mas só conseguiu mover um
pouco a boca, porque até isso lhe doía. - Ele não parece
estar mais mal humorado. – a amiga resmungou, voltando a abrir o Diário. - Talvez seja melhor
assim, Ron... Nosso relacionamento não andava muito bem. Gina tem brigado
muito comigo, é como se ela vivesse de tpm! Nisso ele recebeu outro golpe com jornal
de Hermione, Justino soltou uma sonora risada e também apanhou. O ruivo
apenas cruzou os braços e pareceu considerar. - Eu acho que ela
ainda gosta de Dino, ou descobriu que gosta mais dele do que de mim,
se é que me entende. - Hey, Harry! Obrigado
por compreender, amigão! A cabeça de Dino apareceu na porta aberta,
como se estivesse ali fazia um bom tempo, com medo de entrar e enfrentar
certo companheiro. Dois na verdade, porque não apenas Harry, mas Ron
também levantou e fechou a cara, estralando os dedos como um aviso.
Dino achou que ainda não era uma boa hora para aparecer e engoliu em
seco, desaparecendo de vista. - Volte aqui que
não resolvemos esse assunto ainda! Harry precipitou-se pela porta, mas foi
impedido por um obstáculo de asas, que ficou voando ali em cima de si
bicando sua cabeça. Achando sua varinha, lançou um feitiço e com um
piozinho o pássaro caiu duro no chão. Esfregando a testa olhou para
os dois lados do corredor, vendo bruxos atarefados e milhares de bilhetes
voarem de um lado para o outro, mas sem rastro de Dino novamente. Suspirou e olhou para a coruja petrificada,
amarrada a sua patinha havia um pergaminho enrolado que parecia ser
de boa qualidade, estava lacrado por com o selo de um brasão que Harry
já havia visto. Soltou-o antes de desfazer o feitiço. O animal o bicou
violentamente no pé e levantou vôo, percorrendo habilmente os corredores
daquele andar do Ministério. Quando voltou para a sala, Ron tinha uma
expressão mortificada. - O que raios foi
aquilo? - Uma coruja de
raça, não deve pertencer a qualquer bruxo. – Hermione disse olhando
para o pergaminho em sua mão. – Do que se trata? Harry quebrou o selo e abriu, descobrindo
uma letra bastante rebuscada e o brasão se repetindo em uma estampa
no topo da folha. Uma rápida olhada no fim da carta o fez franzir a
testa, era de Richard Honeyman. Não podia ser coisa boa, porque tudo
havia começado por causa dele. Era um convite, não para assistir uma
partida, mas para jogar uma
partida de quadribol. Harry imaginou que o rapaz deveria gostar bastante
de jogos, e estava curioso para saber até onde ele iria com eles. Havia
reservado um estádio em uma ilha da Escócia para tal, Harry arregalou
os olhos, não era qualquer estádio, mas o do time Pride of Portee! Oh, mesmo não sendo dos Chudley Cannons, Ron ia ficar com tanta
inveja. Mas como um balde de água fria lhe veio
a lembrança fatídica daquela festa, daquele quarto. Richard comentara
sobre convidar Harry para uma partida de quadribol... com Malfoy. Logo, aquele loiro, maldito, com seu orgulho puro sangue enfiado no traseiro, estaria
lá em um dos times. Com cem por cento de certeza. Não, já havia tido o suficiente daquele
sonserino. A partir do momento que se reencontraram uma onda de azar
o atingiu. Uma que não o havia atingido desde que derrotara Voldemort.
Dobrou a carta e largou na mesa, pegando um pergaminho da sua gaveta
e começando a redigir sua resposta. - Um convite para
jogar quadribol no fim de semana – resmungou para os colegas, sabia
que estavam curiosos. – que não irei aceitar. - Quadribol? É sempre
bom... – Ron começou, pegando a carta e lendo antes que Harry pudesse
impedir – Não vai? – pulou de onde estava – Mas... Mas é o estádio dos
Pride of Portee! - E daí? Não torcemos
para eles. – disse indiferente. - Não me importo,
é um dos estádios britânicos mais tradicionais! – Ron fez uma cara de
cachorro abandonado – Você poderia me levar... - Ron, eu não vou. - Eu acho melhor
reconsiderar e aceitar, Sr. Potter. A voz forte e grave veio da porta, fazendo
todos virarem para a figura de Kingsley Shacklebolt. O alto auror segurava
uma fumegante xícara de chá, olhando para Harry com uma das sobrancelhas
erguida. - Achei que tinham
trabalho a fazer. – disse Kingsley indicando a papelada que formava
pilhas nas suas respectivas mesas. Harry, Justino e, principalmente, Hermione
empertigaram-se em suas mesas e enfiaram os narizes nas pilhas de papéis,
como se o expediente tivesse começado naquele momento. - Potter, venha
para meu escritório, sim? – disse Kingsley e, enquanto saía da sala,
continuou – Weasley creio que essa não é sua seção. - Desculpe senhor!
– o ruivo corou e saiu ligeiro, mas não antes sem lançar um olhar nervoso
para o amigo. Ignorando os gestos do ruivo, Harry seguiu
Kingsley até sua sala que, para um auror da posição dele, até que era
apertada. Assim que se sentou do lado oposto da mesa, a porta se fechou
atrás dele. - Senhor, porque
eu tenho de aceitar o convite de Richard Honeyman? – estreitou os olhos
por detrás dos óculos – Hey, como sabia o conteúdo da carta? - Tenho uma missão
pra você, Harry. – apenas disse se reclinando na cadeira e tomando um
gole de seu chá. - Sério? Uau. – Harry piscou os olhos, um sorriso
começou a se formar no canto da sua boca – Isso é ótimo, eu estava imaginando
até quando ia nos deixar apenas cuidando de burocrac... – um sino soou
na sua cabeça – Espere. Por favor, diga que essa carta não tem a ver
com a missão. - Bingo. – apontou
os dois dedos para Harry, como se fossem duas armas. Droga.
Estava em uma semana de Murphy! - Então, do que
se trata? – recostou-se na cadeira, dando-se por vencido. - Uma fonte vem
nos informando sobre uma possível ligação de Honeyman com alguns Comensais
da Morte. - Sir Honeyman? – Harry franziu o cenho.
Não parecia ser coisa que o homem faria, sem falar que tinha
boas e generosas relações com o Ministério. - Não, seu filho
caçula, Richard. Deslizou pela mesa o que parecia ser a
ficha do corvinal. Havia alguns delitos sem muita importância, ocorridos
fora de Hogwarts, que pareceram a Harry coisas de um adolescente rebelde.
Os gêmeos tinham fama de desordeiros por muito menos do que constava
naquela ficha. Não que houvesse alguma coisa que ligasse o corvinal
a Voldemort. Mas era fato que a maior parte dos feitos fora encoberta
pelo pai do rapaz. O que o dinheiro e a influência não faziam, pensou Harry. No entanto, realmente, não conseguia ver mais
que um playboy entediado querendo chamar a atenção. Não se lembrava
como era em Hogwarts, Harry não era familiarizado com os estudantes
de anos anteriores ou acima deles. Apenas os de sua casa, já que freqüentavam
a mesma sala comunal. - Sabe bem que uma
boa parte dos Comensais ainda está solta. – Kingsley falou e esperou
o garoto assentir – Acreditamos que Honeyman esteja se comunicando e
encobrindo um grupo. - E eu entro onde
nisso? - Uma investigação,
mas não é um trabalho de auror. O Ministério não nos deu permissão para
esse caso, Honeyman é uma figura importante para a política de Scrimgeour.
Estamos agindo com a Ordem aqui, Harry – disse em tom de confidência
– Richard possui muitas amizades com jovens de famílias bruxas conhecidas,
e pareceu interessado em você - deu uma pausa e uma piscadela sugestiva,
o que fez Harry engolir em seco e imaginar que tipo de “interesse” era
– Você ainda é um auror em treinamento, Honeyman sabe que não podemos
lhe dar missões que não sejam supervisionadas por ao menos dois aurores
profissionais. E ele deve achar, como alguns, que você é apenas o enfeite
do Ministério. – sorriu de um jeito debochado. - O que? – grunhiu
e depois soltou um muxoxo – Eu sou não sou? É pra isso que me mandam
para aqueles eventos entediantes e constrangedores, não é? – concluiu
deprimido. - Você pode provar
que é mais do que isso, Harry. – o auror se inclinou apoiando os cotovelos
na mesa – Então? O rapaz olhou pensativo para a janela
encantada. Parecia um serviço importante, precisava de alguma ação depois
daqueles dias terríveis. Mal via a hora de começar com o trabalho de
auror, mas este caso era o melhor que conseguiria até lá, certo? O empecilho era o fato do insuportável do Malfoy ser amante do suspeito. Harry pulou na cadeira, ficou ereto, finalmente
dando conta da situação. Malfoy!
Por Merlin, estavam falando sobre um caso envolvendo Comensais, e o
maldito estava mais uma vez metido ali. Sentiu uma excitação correr
por suas veias, um sentimento familiar de quando ele tinha aquele pressentimento
sobre o sonserino estar envolvido em algo muito podre no sexto ano.
Naquela vez estava certo sobre suas suspeitas, agora teria que investigar... - Pode contar comigo,
senhor. – disse com convicção. Kingsley pareceu querer falar mais alguma coisa, mas Harry não soube o que era, porque o homem calou-se, parecia ter desistido. Este apenas sorrira, entregando-lhe a pasta com a ficha de Richard, dispensando Harry em seguida.
Continua... Outubro/2006
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