Avisos:
Spoilers do primeiro ao sexto livro, O Enigma do Príncipe.
Disclaimer: Harry Potter e personagens aqui representados não me pertencem, mas sim a autora J.K.Rowlings e a Warner Bros. Foi escrito de fã para fã, sem fins lucrativos.
Capítulo 6 Pegou a garrafa de firewhisky e encheu mais uma vez seu copo, sob os olhares desaprovadores
de Hermione. Devolveu-lhe um olhar de desafio, virando a bebida de uma
vez, vendo estrelinhas girarem na sua frente. Ele precisava daquilo. Sua cabeça estava remexida, de cabeça
para baixo, e tudo que precisava era ficar bêbado o bastante para não
pensar. A ceia de Natal na casa dos Weasley fora um tanto constrangedora.
Gina se recusava a lhe dirigir qualquer palavra, e obviamente esperava
que Harry viesse se desculpar e mimá-la. O caso era que ele não se sentia
com vontade de fazer aquilo, não sem deixar de pensar naquela festa. Harry fez uma careta e encheu mais uma
vez o copo. A amiga de cabelos castanhos e revoltos apenas bufou e se
afastou. Não fazia idéia de que horas retornara,
apenas que estava péssimo demais para andar, quanto mais para desaparatar
como fizera. Acabou bem em frente à Toca,
e numa infelicidade, vomitou no canteiro de rosas da Sra. Weasley, assim
que um sonolento Ron de pijamas abriu a porta. O resultado fora uma ressaca monstro no
dia seguinte e um jantar silencioso, onde olhares ansiosos passeavam
dele, para uma raivosa Gina. A única criatura aproveitando o momento
da sobremesa fora o bebê de Fleur e Bill. - Não vai fazer
nada a respeito disso, cara? Ron interrompeu seus pensamentos sentando
afobado do seu lado e o cutucando insistente, e logo apontando na direção
de um sofá. Harry piscou algumas vezes antes de focar sua vista, eram
Gina e Dino conversando animadamente. As mãos do rapaz estavam um pouco
próximas demais da sua noiva e se inclinava sugestivamente, e ela não
parecia estar aborrecida com isso, muito pelo contrário. Assim como ele, todos os ex-colegas de Hogwarts ali presentes sabiam
que Dino ainda tinha uma queda pela caçula dos Weasley. Aquilo ia espalhar
pelo escritório na manhã seguinte. Harry olhou para seu copo vazio.
Estranho. Não sentiu aquela sensação que
tinha no sexto ano quando os via juntos, seu monstro no peito rosnando
como um leão enfurecido. Era uma péssima idéia aquela festinha
de confraternização que haviam decidido fazer entre as pessoas do escritório
do Ministério, em um pub no Beco Diagonal. A maioria sempre se excedia
na bebida e alguns eram motivos de piada por uma semana inteira. Estalou
a língua e deu de ombros, o álcool já atingindo um nível favorável dentro
de seu corpo. - Deixe, ela está
fazendo pra me deixar com ciúmes. – respondeu numa voz preguiçosa. - Bem... E você
está? – o amigo cruzou os braços e ergueu uma sobrancelha ruiva. - É sua irmã, Ron!
Não vai fazer nada que não deve. Não confia nela? – pescou mais uma
garrafa e encheu dois copos, empurrando um para o ruivo – Aqui, beba
com seu amigo! - Harry, você está
bêbado. - Ainda não, mas
estou perto! – soltou uma risada que fez Ron duvidar – Fique também,
assim ao menos cria coragem pra chamar Mione pra dançar. - O que? – o amigo
corou de imediato – Eu não vou tirar Mione pra dançar! Porque eu faria
isso? - Porque estamos
todos cansados desse jogo que faz com ela desde o nosso quarto ano. O ruivo abriu a boca para argumentar,
mas logo a fechou, sabendo que havia um fundo de verdade naquilo. Limitou-se
a virar o copo de uma vez como Harry havia feito antes, para então se
levantar já chamando Hermione. Ao menos alguém ali sabia o que queria,
apesar de estar anos atrasados, pensou Harry, enquanto observava o amigo
ainda corado abaixar a cabeça, coçar a nuca e dizer algo a Mione. A
garota inclinou a cabeça para poder ouvi-lo e um rubor cobriu seu rosto,
competindo com o que cobria o do ruivo. Deu um breve aceno e acompanhou
Ron até a pista de dança. Quando voltou a olhar o sofá que o amigo
havia lhe mostrado minutos antes, viu que havia um outro casal se agarrando
nele. Varreu o olhar pelo lugar, sem ver Dino ou Gina em lugar algum.
Recostou-se na poltrona onde havia se instalado e decidiu relaxar, que
ela se divertisse e dançasse. Talvez ela esquecesse do assunto da festa
rápido. Harry fez uma careta, o que ele não conseguia
esquecer de jeito nenhum. O que Malfoy estava pensando? Avançando
sobre ele daquele jeito, passando mãos onde nem mesmo Gina já havia
passado. O pior não era a provocação do sonserino, mas a reação que
Harry havia tido. Não deveria ter se excitado daquele jeito, devia?
Da última vez que checara, ele ainda gostava de garotas. Que lembrasse,
somente achara Diggory atraente, mas daí a escola inteira concordava. Havia suspeitas sobre a sexualidade de
Malfoy em Hogwarts, principalmente em seu último ano. Mas Harry por
mais que isso lhe fornecesse bons meios de atacar o sonserino, achara
que eram apenas rumores sem fundamento. Malfoy namorava Parkinson desde
o seu terceiro ano, pelo que se recordava. Mas ele deveria desconfiar,
nenhum garoto tinha um cabelo tão sedoso e brilhante na escola inteira. Não que ele houvesse checado cada cabeça,
nem que estivesse tão obcecado que decorara a textura sedosa quase palpável
da cabeça de Malfoy. Fora apenas obrigado a seguir o loiro seu sexto
ano inteirinho, claro que certas coisas ele acabaria percebendo no outro
garoto. Como quando ficava sério apenas quando
estava concentrado, o resto do tempo andava e agia como fosse o dono
do lugar, um sorriso de escárnio se insinuando nos lábios finos e rosados.
O modo como as faces pálidas ficavam rubras em dia de calor, como juntava
as claras sobrancelhas quando alguém falava a seu ouvido, como as olheiras
tomavam seu rosto cansado quando estivera trabalhando na Sala Precisa.
Ou as mãos longas e finas, manipulando com cuidado ingredientes de poções,
segurando a pena de modo diferente dos outros, ou o modo como lambia
o suco da fruta que estivesse descascando. Um arrepio percorreu sua espinha, pensar
nas mãos não havia sido uma boa idéia. Pois logo lembranças de como
elas se insinuaram pelo cós da calça e o acariciaram surgiram mais vivazes
do que nunca, e subitamente suas calças naquele momento ficaram um tanto
apertadas. Pediu outra garrafa de bebida e tornou a encher o copo, tomando
um atrás do outro. Respirou algumas vezes, ignorando a pressão em seu
baixo ventre. Se Malfoy era gay, e estava se envolvendo
com Richard, porque arranjar uma noiva? Harry forçou-se a entender,
mas sua cabeça já estava cheia de álcool o suficiente pra não conseguir
discernir uma cadeira de uma mesa. Tendo uma noiva e se envolver com outro
era traição, não era? Harry arregalou os olhos, ele havia traído Gina
naquela noite também? Logo isso já não tinha mais muita importância
no momento. Harry sentiu uma sensação familiar crescendo dentro dele,
que não era aquela dentro da sua calça. Um bolo vindo pela garganta
e deixando sua boca amarga. Precisava urgentemente ir ao banheiro. Com a mão sobre a boca ele se levantou
e foi empurrando as pessoas do caminho, até chegar à porta que pelo
cheiro devia ser o que procurava. Abriu a porta e gelou. Poderia culpar
a bebida, o som alto e as vozes, mas Harry sabia exatamente o que acontecia
a sua frente. Na entrada do banheiro um cara e uma ruiva
se agarravam, estavam tão colados que pareciam ser uma só coisa. Absorvidos
em algo que estava intenso demais para ser chamado de “amasso”. Mesmo
estando pouco difícil distinguir o rosto deles no meio de cabelos revoltos
e uma batalha de quem engole a língua de quem, Harry sabia exatamente
quem era quem. - Merda. – foi tudo que falou quando tirou
a mão da boca. Nesse momento os dois finalmente perceberam
sua presença, Gina soltou um grito agudo e tentou desesperadamente baixar
a saia que já era curta, Dino passou a mão pela cabeça e começou a ensaiar
uma desculpa. Harry olhou por algum tempo pra eles, antes de baixar
a cabeça e vomitar. Então tudo ficou preto.
Continua... Outubro/2006
|