Avisos: Spoilers do primeiro ao sexto livro, O Enigma do Príncipe.
Agradecimentos especiais a: sis Lien Li, o poço sem fundo de idéias oficial da nossa família Evil, que ficou pendurada comigo no msn finde, dando rumos per... digo, novos a essa história. /o/

Disclaimer: Harry Potter e personagens aqui representados não me pertencem, mas sim a autora J.K.Rowlings e a Warner Bros. Foi escrito de fã para fã, sem fins lucrativos.


Wicked Game


Por Senhorita Kaho Mizuki

 


Capítulo 4

 


Quando ouviu o clique da porta se fechando, Harry ficou tenso, os olhos ainda fixos na figura sentada na cama. Ele desconfiava de algo, e ia descobri-lo a qualquer momento, a não ser que desaparatasse antes. O que para sua infelicidade não aconteceu.

Em um movimento rápido de varinha, Malfoy levitou o biombo. Mas em seguida o deixou cair com estrépito no chão, acertando em cheio o seu pé. Harry soltou um gemido alto, arrastando-se para fora do biombo e segurando o pé atingido. Abriu um dos olhos verdes, se deparando com um loiro boquiaberto com o que acabara de achar. Pelo visto não esperava ser justamente Harry Potter.

Ainda sentado na cama e de ombros caídos, Draco abria e fechava a boca sem falar. Até que pareceu se recuperar e vociferou com a voz trêmula:

- Merda Potter! O que está fazendo aqui?

Ele bem que gostaria de saber o que fazia ali. Fazendo uma ligeira careta de dor Harry se pôs de pé, tentando parecer o mais digno possível. Pelo olhar de desprezo que recebeu, percebeu que era praticamente impossível.

- Eu... Bem...

- Praticando espionagem para o treino de auror, Potter? Sinto dizer, mas desse jeito você vai acabar sendo reprovado. – disse na sua voz normalmente arrastada, erguendo a sobrancelha e cruzando os braços.

- Não enche Malfoy. – incrível como ele conseguia ter munição – Eu me perdi. – murmurou embaraçado – Por acaso essas portas são encantadas?

- Sim, por acaso elas são. – um sorrisinho de escárnio se desenhou nos lábios finos – Richard achou divertido deixá-lo se perder um pouco. Mas não imaginava que ia se perder tanto! – ergueu as duas sobrancelhas em fingido espanto.

- Boa Malfoy. Parece conhecer esse castelo e o filho do proprietário muito bem.

Um calorzinho espalhou-se no seu peito ao ver Malfoy corar e ficar com os ombros tensos. Talvez para desviar do assunto, o loiro inclinou-se para trás e apoiou-se nos cotovelos, lançando um sorriso sarcástico.

- Divertiu-se bastante às minhas custas, Potter?

- Oh sim! Fui muito bem, não acha?

- Ao menos bêbado você serve para alguma coisa. – deu de ombros – Eu tenho de ir.

Mas nem dera três passos em direção à porta teve seu braço seguro por Harry. Seus olhos cinza foram da mão ao rosto dele, em um gesto claro de desprezo. Com um safanão se soltou, virando-se para o ex-grifinório e cruzando os braços, esperando para ver o que queria.

- Malfoy, você realmente pretende se casar?

O loiro franziu as sobrancelhas ao tom preocupado daquela pergunta.

- Sim, Potter, eu pretendo. Com toda a pompa que eu tiver direito. – fez um gesto impaciente com as mãos.

- Então, por que... – e apontou para o canto onde os havia visto antes de ser descoberto.

- Bem, isso não é da sua conta, é?

E com isso se virou novamente, mas Harry se pôs na sua frente dessa vez. Com a paciência já no limite, Malfoy respirou fundo, cravando os olhos cinza nos verdes ainda um tanto nublados pela bebedeira. Um sorriso maldoso se desenhou no rosto do ex-sonserino.

Malfoy se aproximou mais, ficando a poucos centímetros de Harry, que se sobressaltou assustado. O hálito quente e adocicado do loiro acariciou suas faces de tão próximo que estava.

- Nós estávamos apenas nos divertindo, Potter.

- Se divertindo, Malfoy? Sua noiva está nesse mesmo lugar! – exclamou, horrorizado.

- Oh... Isso soa tão estranho da boca de um grifinório que quebrava as regras antes de pensar duas vezes. – balançava a cabeça como se o repreendesse, enquanto as pontas dos seus dedos passeavam pelo peito do outro rapaz.

- É diferente. – grunhiu e arregalou os olhos, vendo para onde eles iam – Malfoy, o que está fazendo?

Ao invés de responder, Malfoy apenas alargou o sorriso malicioso. Sua mão chegando ao baixo ventre do outro e então pressionando gentilmente o volume na frente da calça. Inclinou a cabeça, aproximando a boca da orelha de Harry que estremeceu ao toque dos fios macios e a respiração quente.

- Quer jogar... – deu uma pausa significativa – Harry?

Por Merlin, porque o seu nome soara tão errado na voz de Malfoy? “Porque é o Malfoy!”, um lado da sua cabeça sibilou, mas o outro não tinha certeza naquele momento se era por isso não. Cerrou os olhos com força, tentando não reagir ao toque insistente daqueles dedos longos.

Sua cabeça ainda estava leve e zumbia. Deu um ligeiro sobressalto, sentindo algo úmido tocar a pele abaixo da sua orelha. Gelou ao constatar de que se tratava da língua do loiro.

- Malfoy, você deve estar brincando!

Aquilo não podia estar acontecendo, só podia ser ilusão. Provavelmente devia ter desmaiado de tanto beber e agora delirava em sonho. Sonho? Se havia um Malfoy no meio, devia ser pesadelo!

O ex-sonserino fez um som amuado, dando mais um passo assim Harry pode sentir mais que a mão e a língua contra ele.

- Mas eu quero jogar, Potter. Você estragou minha diversão da noite, me fez ficar realmente irritado. Vai ter de compensar...

Okay, aquele era um Malfoy com o qual não sabia lidar. O que afinal ele estava fazendo?

A mão continuava a traçar círculos na frente da sua calça, desenhando o volume protuberante, mandando correntes elétricas pelo seu corpo. A outra mão abriu a capa que usava, circulando a cintura e o puxando de encontro a si. Harry sentiu sua perna roçar na região entre as pernas de Malfoy, arregalou os olhos, apavorado.

O rosto do loiro se moveu, até quase tocar o nariz com o de Harry. O ex-grifinório percebeu que ofegava, como se acabasse de correr uma maratona. O hálito doce dele se misturava ao seu.

Sentiu a mão esfregar sua ereção com mais força, arrancando um gemido que surpreendeu o próprio Harry. Em um momento ela se afastou e os botões da sua calça foram abertos, os dedos longos mergulhando para dentro dela. Malfoy fez um som satisfeito.

- Você quer isso, não quer, Harry? – sussurrou.

Forçou-se a mover os olhos verdes até eles se perderem nos cinzentos, mais escuros e irradiando luxúria. Já não pensava mais se era efeito da bebida, se não passava de ilusão ou se preocupava em ter Malfoy fazendo-lhe aquilo. Harry engoliu em seco e mexeu a cabeça, confirmando, não confiando na sua voz.

Como se esse fosse o gesto mágico, sentiu dedos frios envolverem sua ereção. Ofegou, estava tão próximo, mesmo com poucos e sutis toques. Mordia o lábio inferior, em uma inútil tentativa de impedir que seus gemidos fossem ouvidos.

Viu o rosto de Malfoy se aproximar mais e sentiu seus lábios roçarem, ele sorria. Harry instintivamente inclinou os quadris, querendo mais daquele toque. Quase, queria tanto o alívio que realmente nada mais importava.

Mas então o toque sumiu, o calor do outro corpo desapareceu e não havia mais sinal do hálito doce. Duas mãos agarraram seus ombros e o empurraram, o fazendo cair na cama. Harry ergueu-se pelos cotovelos, atrapalhado e ainda ofegante.

Ao pé da cama, Malfoy passava a mão pelo cabelo, fazendo os fios irem para trás e então caírem sobre os olhos cinza, com uma expressão indecifrável no rosto. Então sorriu, lembrando a Harry a cara que fazia quando zombava dele e de seus amigos na escola.

Franzindo a testa o viu ir até uma cômoda, vestindo a capa que usava na festa que acontecia no andar térreo do castelo. O loiro ajeitou as mangas e suspirou, estalando a língua e encarando o moreno em desordem na cama.

- Pena... Mas eu não me rebaixaria a tanto, Potter. Você não está a minha altura. Além de um meio bruxo, tem classe nenhuma. – seu sorriso se alargou mais – Classe como Richard possui.

Então se dirigiu para a porta, o olhar de Harry o seguindo. A porta se fechou, e ouviu a voz de Malfoy ecoar por ela, rindo: “Que patético!”.

 

Continua...

Abril/2006

 

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