Avisos:
Spoilers do primeiro ao sexto livro, O Enigma do Príncipe. Disclaimer: Harry Potter e personagens aqui representados não me pertencem, mas sim a autora J.K.Rowlings e a Warner Bros. Foi escrito de fã para fã, sem fins lucrativos.
- Podiam tirar aquele cartaz dali de cima, está começando a amarelar. resmungou para o homem alto que o acompanhava. Não só o cartaz, grande, com o rosto dele estampado, mas também o sorriso que se via obrigado a dar para as pessoas que freqüentavam o Ministério e insistiam em idolatrá-lo como se tudo tivesse acontecido na semana anterior. O homem negro do seu lado riu, divertido. - Relaxe, Harry. As pessoas não esquecem tão facilmente os feitos como o seu. Pensei que já estivesse acostumado com a popularidade. O Menino-Que-Sobreviveu (se é que ainda podia ser chamado assim), apenas deu um muxoxo. Não era bem assim. Achava que depois de finalmente destruir Voldemort, poderia ter uma vida simples. Mas aquela sempre havia sido a vida normal de Harry Potter. Pessoas olhando fascinadas e pedindo autógrafos; a imprensa que não perdia seus passos e volta e meia inventavam histórias sensacionalistas ou surgia algum ex-Comensal em busca de vingança. Hogwarts voltara a ser reaberta pela professora Minerva McGonagall, e finalmente os alunos puderam completar seus últimos anos e prestar os NIEMs. Mas nada mais foi o mesmo depois da morte de Dumbledore. Harry agora era um Auror em treinamento. Acompanhava Nymphadora Tonks e Kingsley Shakebolt, o homem com quem conversava agora, em algumas missões. Remus lhe dizia que seus pais e Sirius ficariam orgulhosos do que se tornara. Separou-se de Shacklebolt e seguiu para a sala que compartilhava com outros colegas em treinamento. Antes de chegar, ouviu uma discussão animada e risadas. Quando entrou, três pares de olhos o encararam. - Vejo que acordaram de bom humor. Posso saber o motivo da comoção? Hermione Granger, sua melhor amiga desde o primeiro ano da escola de magia, sorriu enigmática e atrás dela, Dino Thomas e Justino Finch-Fletchley riram. Um jornal foi posto na mesa a sua frente, franziu a sobrancelha antes de pegá-lo. O que haviam inventado sobre ele daquela vez? - Parece que alguém ficou com inveja do seu artigo, Harry. a garota falou. - Como sempre. Dino revirou os olhos. Os três amigos haviam começado o treinamento para Aurores logo que saíram de Hogwarts, Harry ficara feliz de poder ainda ver e manter contato com a maioria dos colegas. Ainda mais quando pensava que nunca sobreviveria para vê-los adultos. Abriu o jornal e os olhos correram pela parte indicada, arregalando ligeiramente os olhos verdes. Em uma foto em preto e branco, Draco Malfoy se mexia posando, arrogante, para o fotógrafo. A manchete acima dizia que estava noivo. Piscou duas vezes. Malfoy noivo? E quem seria a caça níqueis que agüentaria o loiro? Havia uma mulher do seu lado, tinha cabelos lisos e loiros, possuía um olhar aristocrático, que para Harry parecia olhar de alguém doente. Praticamente uma cópia mais nova Narcissa Malfoy, a mãe de Draco. Se não soubesse dos parentes de Sirius, poderia jurar que era alguma prima da parte dos Black. Fez uma cara enojada e voltou a encarar os amigos. - Por acaso existe um pré-requisito para ser esposa de um Malfoy? resmungou. - Gostaria de saber de onde elas saem, deve haver uma fábrica delas em algum lugar da Europa. completou Dino. - Eu também. Creio que gostaria de uma dessas. Justino falou, fazendo com que os três o encarassem incrédulos Que foi? Ao menos é bonita! - Tirando o ar doente, talvez. Dino concordou. - Sempre achei que ele se casaria com Pansy Parkinson. observou Harry, sentando-se na sua mesa e puxando alguns pergaminhos empilhados. - Todos achavam. disse Hermione, pegando o jornal de volta Nessa nota abaixo do artigo diz que ela atualmente está viajando com um partidão italiano. Harry grunhiu e pôs-se a começar a trabalhar. Odiava aqueles artigos sociais. Na semana retrasada, o Profeta Diário havia noticiado que havia ficado noivo de Gina Weasley. Não era verdade, mas a notícia teve tal impacto que fora difícil desmentir. No fim a Sra. Weasley o havia obrigado a comprar um anel e fazer o pedido. Estava mais que na hora, lhe diziam. Logo quando a guerra acabou Harry havia corrido e reatado com Gina, achando que havia sido umas das coisas mais erradas que fizera. Namoraram desde que voltaram a estudar, até aparecer aquele artigo. Gina era bonita e agradável, mas não era como se estivesse apaixonado ou arrebatado por uma turba de paixão. Devia ter sido atraído como fora a Cho Chang, em um arroubo de puberdade. Bem, estava feito. Provavelmente se casaria e teria uma vida tranqüila, com alguns filhos. Se é que ser um Auror era ter uma vida tranqüila. Estar ligado à família dos Weasley pelo resto da vida lhe agradava, afinal, ele havia desejado estar nela por tanto tempo. Seus pensamentos foram interrompidos por uma série de passos duros e agressivos contra o chão do corredor, seguido de um baque de madeira e uma voz gritando enfurecida. Hermione saltou de seu assento e trocou olhares com Harry quase que imediatamente. Fazia muito tempo, mas ambos reconheciam aquela voz. Saíram e seguiram na direção do som e Harry teve a sensação de que era nada bom. Naquela direção estava a Seção para Detecção e Confisco de Feitiços Defensivos e Objetos de Proteção Forjados**, onde o Sr. Weasley trabalhava e Rony, seu outro melhor amigo, agora ajudava o pai. - Falando no capeta. murmurou Hermione momentos antes de alcançarem seus destinos. - Como se atreve a mandar gente revistar minha casa, Weasley? Além de não ter a mínima autoridade para fazer tal coisa, alguém precisa lembrá-lo que a mansão já foi revistada pelo Ministério centenas de vezes desde que essa maldita guerra acabou! E para sua informação, levaram quase metade dos nossos pertences! O que espera achar ainda? O loiro parou para tomar fôlego, tinha os punhos apoiados na mesa a sua frente. Harry percebeu que tinha os cabelos desalinhados e as faces coradas. Na mesa estava Rony, encarando-o com uma expressão um tanto satisfeita. Harry soltou um gemido baixinho, o que seu amigo aprontara daquela vez? - Malfoy. Chamou, antes que ele pudesse recuperar o fôlego e continuar a jorrar palavras para o ruivo. O rapaz da sua idade se endireitou ao ouvir sua voz. Puxou a barra do seu colete e endireitou as mangas da camisa fina, passou os dedos pelos fios loiro-platinados, colocando-os no lugar, antes de se virar para ele. Um sorriso de escaninho lhe adornava o canto dos lábios quando o fez. Draco Malfoy, o arrogante, almofadinha, desprezível de sempre. Harry estendeu a mão, oferecendo-lhe para um aperto cortês. O ex-Sonserino apenas baixou os olhos claros para ele e depois voltou a se focar no seu rosto, ignorando solenemente a mão estendida. - Potter! Que encontro agradável! o tom da sua voz era tudo, menos agradável. - Sinto não poder dizer o mesmo. Harry recolheu sua mão e cruzou os braços. - Adorável, como sempre. passando a língua pelos lábios, recostando-se na mesa Eu sempre soube que você ia acabar casando com algum Weasley, mas eu achava que era com o fuinha* aqui. Nisso apontou para Rony, que ficou da cor do seu cabelo e se levantou. Estava com uma cara de que iria socar Malfoy até ele perder a consciência a qualquer momento. Atrás de Harry Mione continuava silenciosa, esfregando a têmpora e prevendo um desastre. - Corte o papo infantil, Malfoy. replicou Harry, então se virando para Rony O que está acontecendo aqui? - Oh, deixe-me explicar... se intrometeu o loiro sarcástico Eu estava tomando meu café-da-manhã na sacada, com minha mãe, quando três pessoas do Ministério bateram à minha porta, com o motivo de revistar, pela enésima vez, nossa mansão. Tenho certeza de que fui cooperativo com o Ministério desde o final da guerra, entreguei documentos e tudo que poderia ser considerado Arte das Trevas. parou, para recuperar o fôlego novamente Fui ver quem havia assinado aquele mandado absurdo. lançou um sorriso enviesado para Rony Então, Potter, e Granger olhou para a moça escondida se puderem explicar para essa cabeça de vento a besteira que acabou de fazer, eu agradeceria imensamente. Um longo silêncio se seguiu após a última sentença de Malfoy. Rony torcia a pena que tinha em sua mão como se estivesse se segurando para não pular no pescoço do loiro. Então Harry abriu os braços e os deixou cair como se dissesse tudo bem, tentando ignorar o olhar atravessado que recebeu do amigo. - Ótimo! disse Malfoy. Pegando algo que parecia muito com a bengala de seu pai, com a cabeça de uma serpente na ponta, o loiro se retirou com pompa. Os ex-Grifinórios olharam exasperados para Rony, que se sentou ruidosamente em seu assento. Harry achou que ele havia melhorado e muito seu autocontrole. Na época de escola ele não pensaria duas vezes antes de descer um punho em Malfoy. - Rony, o que você fez? começou Hermione. - Achei que meu pai ficaria orgulhoso de mim quando voltasse de viagem. o rapaz ruivo se defendeu, evitando o olhar da garota. - Não, o que você queria era alguma vingança contra Malfoy pelos tempos de escola. Mione disse num tom que lembrava a professora Minerva Seu pai não vai ficar nada feliz de saber disso, Rony. - Eu odeio ter de concordar com Malfoy, cara. interveio Harry Mas realmente acredito que a mansão deles esteja praticamente vazia, depois do tanto que arrancaram de lá. - Fizeram até uma fogueira na frente para queimar o que retiravam. complementou Mione. Lucius Malfoy continuava preso e com uma longa sentença nas costas, em Azkaban. O patriarca havia deixado o filho e a esposa em uma situação delicada, moral e financeiramente, além de colocar os dois em perigo. A única opção para eles parecia se aliar aos Comensais da Morte, o que realmente Draco Malfoy fez. Alguns meses depois do incidente em Hogwarts, que resultou na morte de Dumbledore e o ataque aos estudantes, o garoto reaparecera, se entregando aos Aurores. Harry suspeitava que Snape o havia protegido e ajudado a escapar. Não chegara a ser preso por ser menor de idade e fez um acordo para cooperar com a Ordem. As conseqüências vieram logo após o término da guerra. O nome Malfoy estava manchado na sociedade, quase nenhum dos amigos de seu pai, famílias de nomes poderosos no mundo bruxo, haviam aceitado os apoiar. Draco Malfoy havia voltado para completar o último ano, como Harry e seus colegas. Boa parte da escola e da própria Sonserina dera as costas a ele e aos poucos filhos de Comensais e ex-Comensais que voltaram junto. Por um ano inteiro, não houve os ataques ao trio dourado. Assim como no sexto ano, Draco o evitava, andando com aparência cansada pelos corredores e aulas. Quando o encontro com Harry fazia-se inevitável, ele lançava seus olhares e seus comentários sarcásticos. Mas dessa vez sem brutamontes às suas costas para rir das suas piadas infames. Vicente Crabbe e Gregório Goyle haviam feito uma grande besteira ao se juntar aos Comensais. Era sabido que não eram lá muito inteligentes e hábeis em magia. Eles haviam morrido em uma batalha entre Aurores e Comensais, que acontecera no meio da rua de uma cidade trouxa. Curiosamente, Malfoy se entregara pouco tempo depois. Mas a situação dos Malfoy pareceu melhorar em poucos meses depois que Draco se formara. Narcissa e seu filho voltaram à sociedade bruxa, administrando a fortuna da família e substituindo a posição de Lucius Malfoy. Voltaram a aparecer em colunas sociais, e o jovem Malfoy era citado como um dos heróis juvenis da guerra. Como se voltar com o rabo entre as pernas e entregar metade das famílias bruxas importantes para o Ministério fosse um ato de heroísmo, pensou Harry, enquanto voltava com Hermione para a sala deles. Draco combinava mais com covardia e egoísmo.
Continua... Março/2006
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