Nota:
Agradecimentos a sis Lien Li e a Ivi pela betagem. Gravity
Teve uma sensação muito ruim, lembrando-se dos sonhos que costumava ter com Lord Voldemort e seus subordinados desde o seu quarto ano em Hogwarts. Aquela era mais uma daquelas visões? Poderia ser o esconderijo do poderoso bruxo e seus subordinados ou um dos esconderijos dos Comensais da Morte? Arrependeu-se muito de não ter continuado as aulas de oclumência apenas por orgulho e aversão a Snape. Percebeu estar segurando algo entre os dedos. Levou a mão direita à altura dos olhos, arregalando-os por detrás dos óculos. Ele nunca havia visto aquele objeto de perto em toda sua curta vida e, sinceramente, nunca quis ver ainda mais se estivesse apontado para si. Reconhecia de filmes e programas de tv que os Dursley viam até na hora do jantar e também nos jogos violentos que Duda insistia em jogar naquele playstation. Era uma arma. Uma arma de fogo, um revólver preto. Harry ofegou e estremeceu, mas não largou o objeto, com os olhos ainda cravados nele. Por que segurava um revólver? Não acreditava que bruxos usassem um, já que havia armas suficientes para matar com seus feitiços e poções. Não fazia sentido! Alguém ia morrer ou estava sendo morto? Ouviu passos curtos e desgrudou os olhos do objeto, focando na direção do barulho. Alguém se aproximava lenta, mas firmemente. Mas tudo que Harry podia ver era um vulto, apenas dava para saber que se tratava de um garoto. Ele parou a alguns passos de Harry. Uma risada debochada ecoou pelas paredes da caverna. Instintivamente, Harry apontou a arma que tinha nas mãos em direção a cabeça do outro. Suou frio. Por que estava fazendo aquilo? - O que vai fazer? Me matar? A voz do garoto ecoou como sua risada e era familiar, mas Harry não conseguia identificar de quem era. Em resposta, levou o dedão a uma pequena alavanca na ponta da arma, destravando-a. O som fez Harry estremecer. Não era certo. - Eu não sou um assassino... a voz de Harry soou trêmula e falha. - Tem certeza... Harry Potter? A voz ecoou dessa vez dentro da sua cabeça. Harry fechou os olhos com força, não conseguia abaixar seu braço, continuava em riste para o alvo e prestes a atirar. O pânico enchia seu peito, ele não queria matar. Queria? Quando abriu os olhos, tudo que viu foi o teto manchado do quarto que ocupava na mansão dos Black. Ofegou, respirando rapidamente pelo nariz e pela boca. Passou a mão pelo rosto e descobriu-se úmido de suor. O que diabos havia sido aquilo? Instintivamente, passou os dedos pela testa, traçando a cicatriz em forma de raio. Em todos os sonhos, na verdade, visões que envolviam Voldemort, ele acordava com uma dor lancinante como se a cicatriz queimasse. Mas não daquela vez. Um pesadelo normal? Harry franziu a testa. Era raro ter um. Mas então pensou em todos os problemas, preocupações e acontecimentos que se sucederam desde seu sexto ano em Hogwarts. Inspirou fundo. Era isso, tinha muita coisa na cabeça. O que não daria para esvaziá-la por algum tempo como em uma penseira. Virou-se no colchão, fazendo os estrados gemerem com seu peso. Esticou o braço e alcançou os óculos pousados na cômoda ao lado e os colocou. Encarou a cama do outro lado do quarto, onde garoto da sua idade ressonava, de costas para ele e coberto até o pescoço, deixando apenas a cabeça loira ser vista. E também a curva do pescoço. Seu olhar pousou ali, vendo como era delicada, tanto que imaginou que uma mão grande como a de Krum, por exemplo, poderia quebrá-lo sem muito esforço. Olhou para suas mãos e então sacudiu a cabeça. De onde aquele pensamento veio? Ali estava ele, com a cabeça cheia, tendo de pensar em como achar as horcruxes sem o auxílio de Dumbledore. E, agora, tinha mais aquele loiro sonserino debaixo do seu teto para se preocupar. Poderia tê-lo deixado nas mãos daqueles aurores, sua consciência sibilou, ele sempre foi um problema para você. Sim, ele sabia muito bem. Mas, então, a lembrança da Torre de Astronomia o atingiu. Por mais que odiasse Malfoy, ele era inocente. Oh, como se deixar Comensais entrarem na escola e quase matar Katie e Ron provasse sua inocência, a consciência sibilou mais uma vez, sarcástica. Mas novamente o olhar assustado do loiro invadiu sua mente. Praguejou baixinho. Maldito instinto grifinório. Ergueu-se e tratou de acordá-lo logo, antes que sua consciência decidisse querer confundir sua cabeça de novo. Desfez os feitiços lançados ao redor da cama do outro garoto para evitar que ele saísse dela. Mas, então, ficou olhando para a figura adormecida, as cobertas envolvendo os ombros e engoliu em seco. Ele realmente estava...? E daí se ele estava nu ali? Uma olhada não ia matar ninguém. Afinal, só queria ver... Ver se Malfoy havia recebido a marca, se fora marcado como um servo das trevas, como suspeitava. Apenas isso. Convencendo a si mesmo, Harry levou a mão suada até a barra do cobertor, ficando cerrada no tecido um bom tempo, antes de puxar e descobrir o corpo até a cintura. Soltou a respiração que havia prendido sem perceber, exasperado. E lançou um olhar aborrecido para o sonserino que ainda dormia, vestido com a camisa de manga longa enorme do pijama de Duda. Uma risada abafada soou atrás de Harry, fazendo-o se virar assustado, com a varinha em punhos. Mas logo desfez a pose de ataque quando viu Fineus Nigellus de volta a seu quadro. O velho ex-diretor de Hogwarts colocava a mão na boca, rindo com gosto da sua cara. Harry revirou os olhos, encarando-o irritado. - Qual é a graça? vociferou. - Garoto, veja com que respeito trata os mais velhos! Fineus tentou parecer bravo, sem muito sucesso Nenhuma, meu rapaz. Apenas admirado que o jovem herói dos bruxos seja tão ousado. Harry corou violentamente, fazendo o velho Black rir mais uma vez. Ele se inclinou no quadro, tentando ter uma boa visão do rapaz na cama atrás de Harry. Sua boca pendeu um pouco e piscou admirado. - Oh, eu entendo. sorriu mais uma vez, mostrando a fileira de dentes amarelados - Não o culpo. É realmente um rapazinho bem bonito. piscou um olho. O grifinório abriu a boca, chocado com a insinuação do velho, mas antes que pudesse replicar, ouviu o garoto atrás de si mexer, rangendo a cama. Virou-se, vendo Malfoy se espreguiçar, abrindo os olhos e franzindo a testa, como se estivesse se perguntando onde estava. Olhou para Harry incomodado, sem notar o quadro. - O que foi? - Achei que pretendia dormir sem roupa. ergueu uma sobrancelha. - Eu ia, mas estava com frio. o sonserino murmurou, esfregando os olhos, sonolento. Depois um sorriso maroto se desenhou nos lábios finos de Malfoy, como se tivesse percebido algo. Pendeu a cabeça para o lado, olhando para o grifinório de esguelha. - Porque, Potter? Decepcionado por não me ver ao natural? - Em seus sonhos, Malfoy! cerrou os punhos com força Só o pensamento de ter outro garoto, ainda mais você, dormindo pelado debaixo do mesmo teto me dá arrepios de desgosto! desconversou. - Certo. respondeu em tom incrédulo Sei muito bem que tipos de arrepios são... gracejou. Então empurrou as cobertas para o lado, sentando na cama. Harry arregalou os olhos, sentindo seu rosto queimar pela segunda vez só naquela manhã. Gaguejou um pouco antes de formar alguma frase completa, os olhos presos nas pernas finas e brancas. A camisa ia até as coxas do garoto, fazendo parecer um camisolão de dormir. - Malfoy, onde estão suas calças? - Eram tão grandes que não paravam na minha cintura, Potter! - Bem, não me admira! riu sarcástico Você tem uma cintura de garotinha, Malfoy! - Ora, vai se... então, arregalou os olhos acinzentados Potter! Eu disse para não me olhar enquanto me trocava! - Hum... Talvez tenha visto de relance. murmurou, encabulado. Mas Malfoy cravou o olhar em um ponto atrás de Harry, abrindo ainda mais os olhos e tratando de recolher as cobertas e voltar a cobrir as pernas desnudas. Harry seguiu seu olhar, deparando-se com o velho Black apoiando os cotovelos na borda do quadro e os observando com extremo interesse. - Quem é esse? a voz trêmula de Malfoy soou às suas costas. - Oh, não se incomodem comigo. O velho bruxo sorriu, malicioso Sou Fineus Nigellus, a seu dispor. Já fui o patriarca dessa casa. E você é... - Grande. Mais parentes... resmungou para si mesmo revirando os olhos. - Esse arrogante aí, é parte Black. Harry respondeu no lugar de Malfoy. - Um Black? ergueu as duas sobrancelhas em espanto, voltando a olhar para o loiro que lhe devolveu o olhar indulgente Oh. sua expressão passou para uma de reconhecimento É aquele filho de Lucius Malfoy? Nisso, Fineus fez uma cara de desagrado. Obviamente sabia muito bem que tipo de família era a dos Malfoy. Harry imaginou se o ex-diretor teve de lidar com muitos deles estudando em Hogwarts. De repente, Harry se sentiu novamente na sala do diretor, com extrema vontade de contar os podres de Malfoy. - Se Dumbledore não está entre nós, é graças a ele. cruzou os braços, apontando a cabeça para o outro garoto. O sonserino se encolheu sob a acusação, as faces ficando vermelhas na pele de porcelana. Harry lambeu os lábios com satisfação, fixando os olhos na figura de cabeça baixa. Muito orgulhoso para admitir ou negar, não é? - Hunf. o velho bruxo começou a resmungar - Deve ter saído da banda podre dos Black. São todos assim. Metendo-se em problemas, em lados errados. Sempre criando desgosto para a família. É uma maldição que ela carrega, é o que digo. Malfoy mordiscou nervoso o lábio inferior e ergueu os olhos para o quadro, de forma petulante. Harry viu seus ombros estreitos tremerem e achou que ele estava prestes a explodir. Sabia o quanto Malfoy ficava ofendido quando se tratava da sua família. - Não me dê esse olhar, mocinho! Os olhos de Fineus esbugalharam Lidei com muitos garotos mimados como você! Estalou a língua antes de continuar Não concordava com muitas decisões de Dumbledore, mas reconheço que foi um grande bruxo e diretor! terminou furioso. Então lhes virou as costas, andou nervoso de um lado a outro do quadro e desapareceu. - Aonde o senhor vai? Harry perguntou, franzindo o cenho. - Visitar meus outros quadros. Não me sinto à vontade dentro da minha própria casa! apenas a voz rabugenta respondeu. Virou-se para o outro que voltou a encarar o chão. Harry espantou-se com o fato de Malfoy ficar calado o tempo todo, sem dirigir uma única palavra a Fineus. Então, afinal de contas, era um nada sem Crabbe e Goyle às suas costas e prontos a receber suas ordens, um bando de sonserinos para rir das suas piadas infames, Snape para protegê-lo e dar-lhe cobertura e sem o pai para se gabar. O rosto fino se ergueu, os olhos frios e cinzentos cravaram-se nos verdes de Harry. - Potter, me dê o que vestir. disse imperioso. Harry lançou-lhe um olhar ameaçador, sustentado pelo sonserino ainda com vestígios do nervosismo. - Malfoy, eu não sou um elfo doméstico. - Jura? Ouvi dizer que seus tios trouxas o tratavam como um empregado de casa, Potter. Então, achei que estava acostumado a agir como um. Um sorriso de escárnio se desenhou nos lábios finos. O moreno rilhou os dentes e contou até dez, para resistir à vontade de socar aquele rostinho debochado. Abrindo o armário, pegou a primeira muda de roupa que encontrou, jogando-a na cara de Malfoy e mandando-o se vestir rápido. O que Malfoy, claro, fez bem demoradamente dentro do banheiro. Os dois garotos desceram as escadas e um cheiro agradável de café e ovos chegou até eles. Harry cerrou os punhos, sabendo o que encontraria no café da manhã. Mas tudo bem, pensou, olhando de esguelha para o garoto mais magro que ele. Não devia ver comida decente há meses. A do Caldeirão não era de todo péssima, mas comida caseira como a que desfrutava em Hogwarts, não tinha comparação. O que só foi confirmado quando ouviu um som característico da barriga de Malfoy, indicando que estava morto de fome. O loiro empertigou-se, corando de leve e desviando o olhar, subitamente interessado nas paredes vazias onde havia manchas de sujeira, indicando que anteriormente havia quadros forrando todas elas. No caminho, passaram pelo quadro da dona Walburga Black. Harry se sobressaltou: tinha sido descoberto. A cara gorda e debochada dela percorreu os olhos pelos dois garotos, detendo-se no loiro e alargando o sorriso. Harry mandou que o outro continuasse o caminho até a cozinha. Malfoy resmungou e olhou curioso para a mulher pintada, mas obedeceu. O grifinório postou-se na frente do quadro, de braços cruzados. A Sra. Black estreitou os olhos em clara diversão maligna. - É o filho de Narcissa. concluiu. - Oh, vejo que Monstro já a informou do nosso novo hóspede. disse sarcástico. - Resolveu, finalmente, botar algum puro-sangue que preste dentro da minha casa, garoto? - Ele não passa de um prisioneiro. Meu prisioneiro. enfatizou com os olhos chispando por trás dos óculos Não abuse, senhora. Essa é minha casa agora. Um dia, ainda descubro um feitiço para arrancar esse quadro daí. sussurrou ameaçador Apenas espere e verá. Os dois trocaram olhares de desafio até que Harry fechou as cortinas sobre o quadro, abafando os gritos da mulher. Na cozinha, encontrou Malfoy sentado à mesa muito mais cheia que o normal, com ovos mexidos, bacon tostado, além de diversos doces. Lançou novamente um olhar furioso a Monstro que fingiu, mais uma vez, não notar. Bem, não iria reclamar da comida. Afinal, estava tão faminto quanto o sonserino. Quanto à outra questão, discutiria com aquele elfo insolente, mostrando quem mandava ali. Observou, por sobre os óculos, o outro rapaz comer com indisfarçável prazer um pedaço do bolo de nozes. - Não pense que tem aliados nessa casa, Malfoy. O loiro ergueu o olhar de súbito, retirando da boca o dedo que lambia. Acompanhou o olhar que Harry lançou ao elfo resmungão que limpava as cinzas do fogão de pedra. - Não seja paranóico, Potter. Infelizmente, se é verdade que herdou de Sirius Black esta casa, meu sangue, por mais puro e Black que seja sorriu sem alegria não vale para seu elfo ou qualquer propriedade que faça parte dessa herança. Nunca ouviu falar nesses contratos mágicos? A pálpebra de Harry tremeu, mas não respondeu. Apenas murmurou um bom saber e voltou a sua refeição. Saciados, dirigiram-se para o saguão de entrada. Harry sentou-se em uma poltrona e Malfoy o imitou, sentando-se a uma distância considerável. Ficando um bom tempo em silêncio, o grifinório olhou aborrecido para o outro, que mantinha os olhos focados em um ponto qualquer. - Diga alguma coisa, Malfoy. - O que? sem lhe encarar. - Qualquer coisa. Me ofenda, me xingue. Me entretenha como sempre fez. Malfoy soltou uma risada baixa que lhe lembrava muito a que dava com seus colegas sonserinos quando passava por ele, Ron e Mione, balançando a cabeça. - Entediado, Potty? Encarou-o e ergueu uma sobrancelha Não há muito que fazer preso aqui, imagino. Percorreu os olhos para a mansão praticamente abandonada Esteve aqui esse tempo todo? - Não. Desde que completei dezessete anos. respondeu-lhe sem nenhum traço de emoção. - Algumas semanas, então. concluiu E o que andou fazendo? - Revirando a biblioteca, vendo alguns feitiços novos. Então, um sorriso surgiu no canto dos seus lábios Aposto que não tem tanta literatura sobre magia negra na sua mansão, Malfoy. Bom você estar aqui, assim poderei praticar alguns feitiços que li. Podemos brincar que é meu alvo. -
Oh, que amável. disse em um tom fingidamente emocionado Vejo
que sentiu saudades de mim. - Por que estamos sentados aqui? disse, notando o olhar ansioso para a porta. - Esperando alguém. O loiro apenas disse Oh e voltou a desviar o olhar, ficando silencioso. Mas Harry não queria que ele continuasse assim, fingindo que nada acontecia. - Ainda pensa que eu escolhi os amigos errados, Malfoy? Ainda acha que escolhi o lado perdedor? Viu o queixo fino do sonserino tremer e os ombros ficarem tensos, apertando com força os braços da poltrona. Isso apenas o encorajou a continuar. - E o lado que você escolheu? Como Lord Voldemort o outro estremeceu ao ouvir o nome o recebeu depois que fugiu de Hogwarts? Ele brindou e o encheu de elogios e honrarias? estreitou os olhos por detrás dos óculos, adorando sua reação Ou Snape roubou toda sua glória? O sonserino se levantou bruscamente e Harry fez o mesmo, encarando com firmeza os olhos frios e raivosos. Eram quase da mesma altura e ficaram a apenas dois palmos de distância um do outro. O loiro tremia, dos pés a cabeça, de raiva e de ultraje. - O que pensa que sabe? disse entredentes. - Oh, muita coisa. Mais do que pode imaginar, Malfoy. Pensou se diria que estava lá, vendo-o apontar a varinha para Dumbledore, falhando miseravelmente. Ele imaginou Malfoy chegando a salvo graças a Snape, pedindo clemência de joelhos a Voldemort pelas suas falhas, sendo punido com inúmeros Crucios, a dor transpassando por cada membro do seu corpo esguio. Sendo alvo de desprezo e chacotas entre os Comensais da Morte. O filho de Lucius Malfoy não chegava a ser nem um terço do que o pai era. Estando vivo por piedade, o orgulho jogado na sarjeta. - Uma vez me disse que eu deveria ser seu amigo. disse em um sussurro e então elevou a voz Onde estão os seus amigos sonserinos agora, Malfoy, ahn? - Faço a mesma pergunta. E onde estão os seus amigos grifinórios, Potter? rebateu no mesmo tom. Nesse momento, a campainha os interrompeu, fazendo desviarem seus olhares um do outro e focarem na porta mais adiante. Harry demorou mais alguns segundos antes de caminhar até ela. Com alívio, viu Remus postado na soleira. O homem parecia mais abatido que o normal com suas roupas remendadas. Eles trocaram um abraço breve, antes de Harry abrir espaço para que Remus entrasse e trancasse a porta. Nisso, ouviram um barulho de algo se arrastando e espatifando. Ambos se entreolharam e puxaram as varinhas, apressando-se em direção ao som. Encontraram os cacos de um vaso no chão, a poltrona deslocada e Malfoy com as costas contra a parede. Os olhos grises estavam vidrados e presos em Remus, como se acabasse de ver uma assombração. - O-o que ele está fazendo aqui? disse num fio de voz. - Remus é meu convidado. respondeu Harry, sem paciência. - Não o deixe se aproximar de mim! deslizou pela parede quando os viu fazendo menção de se aproximar Potter, ele é um lobisomem! Harry revirou os olhos, cansado demais para ouvir os velhos preconceitos e pregação sobre sangue-puro entre bruxos de Malfoy. - Oh, por favor, Malfoy. riu zombeteiro Nem ao menos estamos perto da lua cheia. Remus é inofensivo. Um bruxo como qualquer um de nós. - Maldição, Potter! Eu disse para não deixar ele perto de mim! Estacaram no lugar. Malfoy se agachou e se encolheu contra o canto da parede, puxando os joelhos para o peito. Parecia estar à beira do desespero, as lágrimas escorrendo livres pelo rosto, as faces vermelhas. Harry só o havia visto daquele jeito uma vez e não havia sido há muito tempo, no banheiro da Murta-Que-Geme. Com o cenho franzido, o grifinório deu alguns passos em sua direção e ergueu a mão, quase tocando os fios loiros. - Malfoy? chamou baixinho. - Harry. chamou Remus em uma voz suave, segurando seu pulso e impedindo-o de se aproximar mais. O garoto de cabelos escuros encarou os olhos castanhos do ex-professor, que balançou a cabeça. - Greyback. apenas disse. Abaixo deles, Malfoy gemeu baixinho e a lembrança da cena ocorrida na Torre de Astronomia voltou à mente de Harry com força. Lembrou da face sádica do homem que estava junto com os demais Comensais, lambendo os dentes afiados e amarelados com prazer indecente, as unhas sujas querendo cravar-se em algo vivo, o cheiro de sangue emanando de seu corpo magro. Lembrou do que ele fez a Remus quando era apenas um garoto, no que transformou o irmão de Ron. -
Malfoy, não me diga que... mas o resto da sentença de
Harry morreu na sua garganta. Continua...
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