Por Senhorita Kaho Mizuki
Capítulo VI
Já
não sei dizer se ainda sei sentir Maurício, Legião Urbana
O aposento era agradável e até um pouco luxuoso, nem parecia um mero quarto de hospital. Era individual, espaçoso, mas isso explicava-se por se tratar de um hospital que atendia à alta classe da capital grega, o que já era um tremendo diferencial na área médica. - Tem certeza que não há grandes seqüelas? - Parece que não, mas vou providenciar alguns exames para confirmar. É incrível que esteja intacto depois de uma queda daquelas, houve sangramento, mas nenhum dano cerebral que necessite de cirurgia. - Sei...- se ele soubesse...- E a falta de memória? - Creio que é temporária, logo ele estará ligando os fatos, só esta um pouco confuso, normal no estado dele. - Certo. Obrigado, doutor.
Ficou a sós com o cavaleiro, suspirando pesadamente. Camus olhava
disperso para a janela, mal percebendo a aproximação do
outro. Sentou-se na lateral da cama, segurando sua mão, chamando-lhe
a atenção para si. Virou-se e sorriu docemente, recebendo
em troca um sorriso triste. - Espera um pouco, minhas costas... - Desculpe.
Afastou-se de pronto, arrependido, podia tê-lo machucado. O outro
o trouxe de volta, dizendo que estava tudo bem. Encostou a cabeça
morena no ombro do francês, que embalou o amante como uma criança,
depositando pequenos beijos na testa coberta pela farta franja. - Milo?- o chamado interrompeu seus pensamentos egoístas- Lembra-se da vez em que roubou um bracelete de um cavaleiro de prata, e acabou me envolvendo na história? Sorriu assentindo, como poderia esquecer da sua época de adolescente, quando cultivava um amor platônico pela mais maravilhosa das criaturas, nunca. - Lembro, tivemos que correr por umas três horas seguidas daqueles brutamontes enfurecidos, você me dava bronca a cada vez que diminuíamos os passos.- riu divertido.- A cara deles eram muito engraçadas! - Não achei graça nenhuma naquela maluquice, fugir de algo que eu não tinha feito. - Você que quis me seguir, não me culpe. - Acontece que a besta aqui tinha que te proteger de encrencas 24 horas por dia! - Não posso fazer nada...- encolheu os ombros.- Ainda tenho aquele bracelete, sabia? - Sério? Nunca o vi usando! - Quem disse que eu roubei para usar? O francês olhou de um jeito tão sério para ele, que não conseguiu evitar de cair na gargalhada. Não adiantava quantas vezes ele tentasse endireitá-lo, que o repreendesse, uma vez Milo, eternamente Milo, o ambicioso e malandro. - Mas não é desse fato especificamente que eu queria recordar, mas do que aconteceu depois da confusão, da noite que passamos. - Ah, sim. A noite de inverno, aquelas ruínas eram tão frias... - Tremia tanto, coitado. - Mas havia um corpo tão quente e gostoso para me aquecer, me agarrei nele assim...- enterrou o rosto na curva do pescoço alvo, aconchegando-se mais ao abraço terno.- e nunca mais quis me soltar dele. Suspirou deliciado, arrancando uma risadinha de Camus. - Porque se lembrou disso agora? - Não sei. Deixa para lá... Fechou os olhos, descansando no peito do cavaleiro de gelo, enquanto recebia carinhos pelas costas. - Milo? - Hum? - Como foi que eu caí de um penhasco?
Sentiu o Escorpião remexer desconfortavelmente, respirando profundamente.
Não podia dizer, não queria. Mas se não falasse
algo, seu silêncio o faria desconfiar. Separou-se do corpo agora
pouco receptivo, com um nó na garganta. Ficou sentado na cama,
olhando para o outro lado. - Olha para mim, Milo. Eu te conheço, o que esta escondendo de mim? Irritado, soltou seu braço bruscamente, dando uma resposta rude. - Nada! Porque não acredita em mim? O início de uma nova discussão foi interrompida por uma batida na porta, Milo respirou aliviado. Hyoga, Shun e Issac entraram no quarto, com um enorme buquê de rosas brancas. Escorpião fez uma cara de desgosto, rosas brancas? Porque logo rosas? Elas lembravam alguém muito desagradável. - As visitas foram liberadas só hoje, por isso não viemos ontem. Estávamos ansiosos para vê-lo bem.- Hyoga tomou a palavra do pequeno grupo. Olhou surpreso mas feliz para os dois pupilos, há quanto tempo não os via assim, juntos num recinto. Recebeu alegremente as flores, fitando fixamente Issac, que parecia muito nervoso. - O que foi, Issac? Algum problema? - Hã? Ah...é...- fechou os olhos, tomando fôlego e coragem- Por favor, mestre! Perdoe Kanon, ele não fez aquilo por mal! Disse de supetão, abaixando envergonhado a cabeça, deixando Camus estupefato e sem entender nada. Kanon? O que tinha ele? - K-Kanon? O que ele fez? Os três meninos entreolharam-se, interrogativos. Milo blasfemou baixinho atrás deles, para então lhes esclarecer. - O médico disse que ele está com uma pequena amnésia, não se lembra dos acontecimentos das últimas semanas. - Sério? Cisne ficou preocupado. - Mas ele garantiu que é normal no caso dele e que pode voltar, ele só esta um pouco confuso agora. - Menos mal. Shun sorriu. Os dois alunos sentaram-se ao lado da cama, engatando uma animada conversa. Andrômeda viu o mestre sair de fininho e o seguiu, chamando-o. Milo virou-se para o rapaz, afagando-lhe e desmanchando o cabelo do alto da cabeça dele. - Eu preciso resolver uns negócios por aí, vocês poderiam ficar com ele hoje? - Vai ficar o dia inteiro fora? - Sim. Volto amanhã, cuidem dele. - Sim, senhor.
Com dois dedos unidos, levou a mão à testa, num gesto
de despedida. Colocou as mãos nos bolsos da jaqueta e foi andando,
confundindo-se com o grande movimento de enfermeiros, médicos
e pacientes no corredor. - Kanon? Que faz aqui? E a essa hora? pensou um pouco. Tem horário de visitas noturno? - Não pateta, eu entrei escondido! - Ah...O QUE? Mas porque? Uma faísca de luz passou pela sua cabeça, Isaac falou alguma coisa sobre Kanon não ter feito aquilo por mal...mal? Que mal seria esse? Camus foi se encolhendo na cama, fazendo um sinal da cruz. - Não sei o que você fez, mas coisa boa não é! Não chega perto! - ...Bateu a cabeça mais forte do que eu imaginava... Aproximou-se mais, causando uma nova onda de pânico no francês. Suspirou impaciente, fazendo um sinal, pedindo calma. - Pelo amor de Zeus, Camus! Parece até uma mocinha com medo, eu não sou nenhum vampiro ou coisa parecida, ta? - Tem certeza? - Haha...muito engraçado. Eu só vim para esclarecer umas coisas...e talvez pedir desculpas. - Desculpas? Do que esta falando? - Do que? N-não vai me dizer que...que... Parou de falar e aproximou-se mais, olhando nos olhos azuis do outro, bem próximo. - Me diga uma coisa, Camus... - Sim? - Qual foi a ultima vez que eu e você nos vimos? - Qual? Hum...vejamos...estávamos assinando os papéis para a sociedade entre os Solo e os Kido! Porque? - ...Como imaginei...isso foi há cinco meses atrás. O cavaleiro marinho levantou a mão, espalmando-a na cabeça de Camus. A pupila do francês dilatou-se, estava num estado de choque, recebendo uma bateria de imagens, em flashes de centésimos de segundos. Quando elas acabaram, sentiu uma intensa fadiga, caindo desacordado nos travesseiros macios. - Nada que uma ajudazinha divina não resolva.
Olhou o cavaleiro adormecido. Que ótimo, agora tinha que espera-lo
acordar, não devia ter descarregado tanta energia de uma vez
nele. Ora, não era tão ruim, assim podia observa-lo melhor,
não era todo dia que podia apreciar uma legítima beleza
clássica. Camus parou de falar, lembrava-se de cada detalhe do que havia acontecido. A raiva ferveu seu sangue, prestes a explodir a qualquer momento, Kanon percebeu isso. - C-calma! Lembre-se de que estamos num hospital, então que tal uma conversa civilizada? - Olha quem fala! - Eu não vim brigar! Só vim esclarecer um engano! Dá para parar e me ouvir um instante? Aquário ficou desconfiado, mas soltou-o mesmo assim. Saiu da cama e andou até a janela, com os braços cruzados e de costas para o outro. Sacudiu os ombros. - Como quiser, fale! - O que Issac disse não é verdade... - Qual das acusações não é verdadeira? - Ele insinuou algo que te deixou nervoso, eu nunca encostei um dedo naquele garoto. - Nunca? Virou-se para olhá-lo, estava calmo, sua voz não vacilava, ou estava falando a verdade, ou era tão frio e bom dissimulador quanto Saga. - Olha para mim, Kanon, nos meus olhos. Droga! Estava falando sério... - Continua. - Realmente, ele voltou no meio da noite e foi procurar Julian no quarto dele, mas encontrou o que não queria, e teve uma crise de ciúmes. - Ciúmes? - De Julian. - O que? - Eu falei para ele parar de brincar com os sentimentos de Issac, mas ignorou meus apelos, dizendo que era divertido fazê-lo ficar tão submisso e obediente por umas migalhas de atenção. - Moleque mimado... - Julian? Ele é sim, e consegue tudo o que quer, mas a brincadeira dele acabou. - Isso que esta me dizendo é verdade? Posso falar com Issac, que ele irá confirmar tudo? - Pode. Uma coisa é certa, Camus. Eu não sou nem nunca fui um papa-anjos, sei das conseqüências jurídicas. - Bom mesmo que saiba...já disse tudo? - Creio que sim...Não quer me dar um beijo de despedida? Segurou seu queixo, Camus soltou-se ainda nervoso. - Vai para o inferno! - Haha...como imaginei...Adeus!
*** - Milo? Que é isso? - Para você! Achei que a comida daqui deve ser horrível e resolvi comprar umas coisinhas... - ...Você veio andando com esse trambolho até aqui? - Foi sim, qual o problema? - Nada... Depositou o pacote no colchão, abrindo-o. Era uma cesta gigante, com inúmeras guloseimas dentro. Milo mostrava tudo animado, mas Camus não acompanhava aquela alegria toda, estava aborrecido. Só foi perceber quando ofereceu uma torrada com patê, e o outro o fuzilou com o olhar. - Que foi? Não gosta de patê de peru? - Sumiu por três dias, e nem deu noticias para os meninos... - Eu tive que resolver umas coisas, não fica bravo! - Que coisas? - Umas coisas...experimenta isso aqui. Enfiou um brioches na sua boca, mas que homem, se esquiva de tudo! Enquanto recebia a comida que Milo oferecia, Camus puxou sua camisa, abrindo alguns botões dela e enfiando a mão por dentro. Descobriu um dos ombros, fitando e acariciando a cicatriz, placidamente. O outro ficou estático, percebendo que havia enfim recuperado a memória. - Doeu muito? Nunca quis te machucar... Afastou-se, cobrindo novamente seu ombro e guardando tudo de volta na cesta. Chegara a hora que temia, a da conversa franca. Balançou a cabeça, rindo. - ...tapa de amor não dói... - Amor? - Mas de ódio sim...dói aqui...- apontou para o coração.- Sentir-se usado, nem que seja por um instante... Não pôde evitar que as lágrimas surgissem, secava-as como podia, molhando ainda mais o rosto vermelho. Camus puxou-o para si, secando o rosto carinhosamente com o lençol, acariciou o peito moreno do outro, como se quisesse massagear e fazer passar a dor que causou a quem sempre quis bem. - Você me ama, Milo? - Mais do que a mim mesmo...Não quero perdê-lo de novo, prefiro morrer.
Ficou em silêncio, deixando Milo em expectativa. Porque não
dizia? Alguma coisa pelo amor de Zeus! Qualquer! Que precisava dele,
que não vivia sem ele, que...não, seria pedir demais.
Que mania besta essa de achar que o companheiro retribuía tudo
o que sentia, o que lhe dava já era muito. - Você nunca me perdeu, Milo...Não se esqueça que foi você que me deu vida, ou algum sentido a ela. - Como? - Nada, não precisa entender.
Selou o último comentário com um longo beijo, sem dar
trégua para que aquela conversa inútil continuasse. Os
gestos falavam mais do que simples palavras ditas ao vento, e que podiam
ferir com um descuido. - Bom dia! Dormiu bem hoje, né? - Ahn...bo-bom dia, Shun... - Eu já pedi o café da manhã, vamos comer? - Claro... Foram para sala, uma mesa pequena toda enfeitada de flores instalada entre os sofás. Apostava que a idéia das flores era de Shun, mas para que tudo aquilo? Algum dia especial, talvez a recuperação de Camus? - Que bom, olha que bonito, rosas... - Gostou? Eu que decorei. - Foi? Tem jeito para essas coisas, poderia decorar as inúmeras festas que a Saori dá, porque não pede para ela? - Pode ser...
Sorriu, pelo amor de Zeus, não faz isso..., sem graça,
Hyoga sentou-se em frente a mesa, enfiando uma torrada na boca. Pronto,
agora tinha desculpas para não conversar. Shun postou-se do outro
lado, de frente para ele, congelou na hora. A mesa era pequena demais,
tanto que inevitavelmente os joelhos dos dois encostavam abaixo da tabua.
Engasgou, o outro esticara as pernas, colocando uma entre as suas. - Mas eu ainda não terminei! - Depois comemos, quero tratar de algo mais importante que comida. - Nani?
Passou para o sofá oposto, agarrando a cintura de Shun, encostando
sua boca na dele. Esperou um pouco, nada. Começou a mover a boca,
enfiando a língua sem encontrar resistências. Shun não
resistia, mas também não reagia. Movia-se insistentemente,
acariciando o corpo abaixo do seu, até arrancar alguma resposta.
Um gemido, pequeno, mas que o motivou a continuar. - Shun? Tem certeza? - Toda. Faz tanto tempo... - Ué! Pensei que estava mais preocupado com o seu mestre esse tempo todo. - Que tem o Milo? - Andava tão afoito em impressioná-lo, que esqueceu de todo o resto. - Desculpe...Não faço mais isso.
Terminou de tirar a roupa de Hyoga, que fez o mesmo com a sua e o deitou
no sofá de três lugares, enchendo-o de beijos e lambidas.
- Comendo café da manhã a essa hora, Shun? - É que eu acordei tarde hoje. - Também, depois da algazarra de ontem...e Hyoga? - No banho! Não ia ficar hoje no hospital? - Ah, sim. Vim só pegar as coisas de Camus, ele quer ir embora amanhã logo cedo. Tem uma listinha do que ele quer...
Procurava as coisas, Shun esperava impacientemente, ajudando-o a achar
tudo. Fechou a porta aliviado, indo até o banheiro, ansioso.
Cisne abriu a porta, puxando-o para dentro do box e ligando o chuveiro.
Tinham que aproveitar aquele momento ao máximo. - Posso saber o que essa mulher faz aqui? - O que faz aqui? Ela é a enfermeira, Milo! - Isso? Uma enfermeira? Esta parecendo mais uma... - Milo! - E cadê aquela senhora setentona que vive te chamando de filho? - Ela aposentou-se ontem, - a moça respondeu.- eu sou sua substituta... - Como assim? A substituta tem que ser uma senhora igualmente experiente, não uma iniciantezinha qualquer!
Camus encolhia-se cada vez mais para baixo do lençol, envergonhado,
que papelão estava fazendo. Crise de ciúmes num lugar
como aquele realmente não era apropriado. Viu a moça sair
chorosa, tinha humilhado ela, subestimando a sua capacidade. - Mas que espetáculo tu fez, hein senhor Milo? Agora isso vai rodar o hospital inteiro, agradeça aos céus que eu vou ficar aqui só hoje, senão eu pulava no seu pescoço. - Não é uma má idéia... - Seria para arrancar o seu couro! Virou o rosto, aborrecido. Escorpião suspirou impaciente, pronto, estava bravo com ele de novo. Foi até ele e o fez encara-lo, segurando seu queixo. - Certo, eu admito que eu errei. Ok. Eu errei feio. o outro olhou pateticamente. Ta, ta! Eu fui o pior dos canastrões! Satisfeito agora? Deu de ombros, virando de costas para ele na cama. Não, não faça isso, não num dia tão especial como aquele, que planejara ser especial. - Me perdoa...olha, eu trouxe tudo o que me pediu. - Vem aqui. Deu um espaço no colchão, convidando-o a sentar junto dele. Segurou seu rosto, dando-lhe um beijo, que foi se aprofundando pouco a pouco, numa dança ativa de línguas. Estava tão absorto nele, que Milo percebeu um pouco tarde que sua camisa era desabotoada. Sem interromper o beijo, tirava constantemente a mão do francês que insistia em invadir a calça. - Pára com isso. - Não. - Pára. - Não dá, eu te quero. Escorpião interrompeu tudo, olhando-o assustado. Queria? Naquele exato instante, num quarto de hospital? Teria perdido o bom senso com a batida na cabeça? E a aula de moral que estava dando agora a pouco? - Você está bem? - Que foi? deu uma risadinha Pensei que para você quanto mais perigosa a situação, mais excitante seria. - Alguém pode entrar, e eu sei que você vai querer morrer de vergonha. - É só não deixarmos entrar ninguém... Assim que o disse, Camus foi até a porta, com uma cadeira nas mãos. Colocou o encosto embaixo da maçaneta, não teriam perigo de serem pegos. Voltou com um sorriso maliciosos, deitando-se na cama e obrigando Milo fazer o mesmo. - Pronto, se formos discretos e silenciosos, não tem problema.
Sem mais nenhuma reclamação, aceitou ser conduzido ao
mundo de prazer que há tempos sentia falta. Aquela atitude partir
de seu companheiro era muito estranho, mas não queria discutir,
mas sim aproveitar. - Cadê meu mestre, Milo? - Rápido, Hyoga. pegou a mão do loiro, puxando-o para fora. Antes que aquele homem suma de vez! - O que?
*** Virou-se em direção do chamado. Hyoga elevou o olhar abobado, aquela era... - Mamãe? seus olhos se encheram de lágrimas Mestre, você... Visivelmente exausto, assentiu para o discípulo. Cisne correu até ele, abraçando-o e chorando desesperado. - Obrigado. - Ei vocês! Não dá para me dar uma mãozinha aqui? Morro de neve abaixo, Milo, cheio de casacos, se atrapalhava todo em subir. O loiro riu, limpando os olhos e fungando, descendo até ele. Camus seguiu-o, pasmo, o que aquele doido estava fazendo naquele lugar? - Eu falei para você esperar em casa, Milo. Hyoga o ajudava a se equilibrar. - Brrrr! Pelo amor de Zeus, como alguém pode viver numa geladeira a céu aberto? - É maluco...
O cavaleiro de Aquário o carregou nas costas, aturando-o se agitar
e blasfemar a cada passo. Do seu lado, o aluno ria divertindo-se com
a cena hilária. - Dá para parar de resmungar feito uma velha rabugenta? Hyoga esquente uma bacia de água. - Ok. - Está um frio de matar, você quer que eu faça o que? - Já já eu te esquento. Alimentou um pouco mais o fogo, indo sentar-se ao lado de Milo. Colocou seus pés na água quente, cobrindo-o com as mantas e abraçando-o. - Pronto... Cisne trouxe uma caneca enorme de chá, entregando para o friorento. Sentou-se na poltrona vazia, observando-os por cima do vapor da bebida. - Porque se arriscou a nadar naquela profundidade? - Depois da minha perda de consciência, vieram-me lembranças que há muito tempo esqueci. Lembrei-me da minha única família, e vi que eu fui muito cruel. Tirei de você a única família que possuía... Agarrado ao francês, Milo ergueu o rosto, vendo o perfil triste. Hyoga baixou a cabeça, antes de colocar a caneca na mesa. Levantou-se hesitante, e abraçou os dois cavaleiros emocionado. - Vocês são minha família... Escorpião continuava surpreso, enquanto Camus puxava o menino para o meio do sofá, ficando entre os dois e cobrindo-o com o cobertor grande. Da janela, quem os visse podia claramente imaginar que se tratava de uma pequena família, unida em frente ao fogo, iluminando a cena.
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