Aceita um pouco de chá?
Por Senhorita Kaho Mizuki
Shun e Seiya estavam animados em poderem viajar, Hyoga estava revoltado, mas foi obrigado por Camus, Ikki... bem, esse recebeu uma leve bonificação da deusa adolescente para ir. Alguns dólares e o não se transformou em um sim, ela conhecia muito bem seus defensores. Shiryu era o único tranqüilo, qualquer coisa para fugir das tarefas de casa que o mestre ancião lhe dava, como arrumar as telhas, pescar e caçar, cuidar da plantação... ufa, e ainda tinha de agüentar a Shunrei. Os outros cinco iam pela fama mal adquirida mesmo. O chinês chegou pouco antes dos outros no avião, cumprimentou Tatsumi (esse estava sempre onde a patroa estava, que carrapato), escolheu um lugar na frente, guardando suas coisas. Acomodou-se confortavelmente numa poltrona. Entrelaçou os dedos encima das pernas, fechando os olhos alongados, iria aproveitar para meditar, descansar a mente e... - Seiya, devolve minha mala! - Hahaha! Vem pegar, mané! Dali a pouco uma gritaria acompanhada de uma euforia adentrou o veículo, haviam chegado. Seiya desabou do seu lado, segurando uma mala que não era sua, mas sim de Jabu, que o atacava desajeitado, pedindo-a de volta. Céus, eu não mereço isso, Shiryu apertou os olhos, tentando ignorá-los. Logo o avião partiria e teriam de parar com aquela bagunça. Só tinha de ter paciência e esperar, ai teria sossego. Ou não. Pégasus ia empurrando-o contra a janela, para tentar fugir de Unicórnio. Estava praticamente sentado no seu colo, e Jabu estava em cima dos dois. Tinha dois montados em cima dele! Aquilo era abusar! Deu um berro que os assustou, derrubando-os no chão. - Já que os dois querem tanto, sentem juntos! - Mas... mas... Shi... Pegou os ombros de Seiya e o fez sentar no banco onde estava, fazendo o mesmo com o outro cavaleiro, prendendo os cintos nas cinturas de cada um. Pegou sua mala e foi para os fundos, onde estava vazio, apenas Ikki estava dormindo por ali, no antepenúltimo banco. Os dois lá na frente olharam-se sem entender o motivo do estresses, só estavam brincando. Foi sentar-se no último banco, poderia finalmente descansar como o planejado. Encostou a cabeça, cerrando os olhos. Sentiu alguém chegar do seu lado agitado, respirando ofegante. Franziu as sobrancelhas, se fosse Seiya, iria expulsá-lo daquele avião a pontapés. Abriu os olhos, prestes a pronunciar uma série de ofensas. Ficou com a boca aberta, interrompendo o que ia fazer ao ver o tórax de Hyoga meio descoberto, próximo ao seu rosto, enquanto o loiro levantava os braços para passar as mãos pelos cabelos molhados. Dava para ver os músculos bem definidos da barriga, estava tão perto que podia beijá-la. Engoliu em seco e se recompôs rapidamente, fechando a boca e virando-se para a janela. Só então percebeu que chovia lá fora. Algumas gotas dágua salpicaram sua face, Cisne sentou-se no banco ao seu lado, esfregando uma toalha de rosto na cabeça. Sorriu-lhe. - Posso ficar aqui? - Pode. deu de ombros. que aconteceu? - Acordei tarde, e para piorar minha situação, começou a chover no meio do caminho. resmungou. Saori me olhou feio quando entrei. - Não sei por que, ela sabe que você sempre chega atrasado mesmo, Hyo... AI! Com os nós dos dedos, deu um soquinho na testa do chinês, que esfregou o lugar dolorido, gemendo baixinho. - Não começa. apontou-lhe o dedo. Deixou a toalha em um dos joelhos, prendendo o cinto e encostando a cabeça úmida no banco. Respirou fundo, fazendo com que Shiryu prestasse atenção no peito sob a camisa molhada colada ao corpo. Viu subir e descer levemente, os mamilos despontando no tecido. Mas afinal o que pensava que estava fazendo? Corou e se concentrou na vista, repreendendo-se. O tempo estava ruim, o céu cinzento. Tomara que não tivessem nenhuma turbulência, era o que faltava para completar aquela viagem. Sua vista ficou cada vez mais turva, as pálpebras pesadas, não demorou até que dormisse também. Quando acordou, mantinha ainda os olhos cerrados, meio sonolento. Moveu a cabeça, descobrindo algo debaixo dela, aspirou um perfume, de cenho franzido. Abriu os olhos, ficou estático. No sono, Cisne havia apoiado sua cabeça loira no seu ombro, que estava até úmido por conta disso, e acabara por fazer o mesmo, só que apoiando sua cabeça na dele, encaixando-se perfeitamente. Separou-se devagar, mas alguns fios negros ficaram presos. E Hyoga dormia tão profundamente, que não teve coragem de movê-lo. Parecia bastante cansado, sua estava boca entreaberta e deixava ver uma parte de dentes brancos e o lábio inferior cheio, meio avermelhado. As faces estavam coradas, estaria com febre? Ia levar a mão a sua testa, acabou apenas afastando a franja farta do rosto. Ridículo pensar nisso, era um cavaleiro do gelo, não pegaria uma gripe ou algo assim só com aquela chuvinha. Na verdade estava quente ali dentro, abafado. Abriu alguns botões da sua camisa chinesa, na frente os companheiros conversavam alto.
Viu pelo canto dos olhos a mão de Hyoga agarrar o tecido da sua
camisa, esfregando a testa contra seu pescoço, suspirando. Ainda
dormia. Aquela baderna toda e ainda dormia pesado. Segurou a mão
do russo, mas não a tirou do seu colo. Shiryu largou de imediato a mão, gaguejando enquanto erguia seu olhar. Milo estava ajoelhado no banco da frente e virado para trás, com os braços cruzados na cabeceira. Conhecia aquele sorriso irônico, um sorriso de o que estão aprontando ai?. Inclinou o corpo mais para frente, encostando a palma da mão na face exposta de Hyoga, antes de começar a estapeá-lo. - Ei! Projeto de cavaleiro! Vamos acordando aí! - Mas que... Pára com isso, Milo! Acordou tão furioso com o grego, que nem percebera onde estivera dormindo, para o alívio do chinês. O cavaleiro de ouro continuava dando-lhe tapas, rindo com o garoto que erguia os braços para defender-se. Não eram golpes de verdade, estavam longe disso, e estando bem próximo de Cisne, pôde ver que ele também ria por debaixo dos braços. Surpreendeu-se, era raro vê-lo desse jeito. Em pouco tempo o avião pousava, e os rapazes saiam afobados. Shiryu e Hyoga desceram por ultimo, para se livrarem daquela confusão, e andavam afastados do grupo. - Achei que odiasse o Milo. Cisne parou de andar, com as mãos nos bolsos, olhando-o de esguelha, com uma sobrancelha erguida. - E quem disse que não? Ele roubou o meu mestre de mim! Voltou a andar, pisando firme e apressado, deixando-o para trás. - Me espera! * No salão do hotel, esperavam Camus voltar do balcão com Milo. Saori decidira se adiantar, indo para sua suíte luxuosa previamente reservada para ela. Ikki bufou, para eles só sobravam os problemas para arranjar quarto. Os cavaleiros de ouro voltaram com várias chaves na mão. - Temos problemas. Infelizmente não há quarto para todos, dois terão de ser divididos. Hyoga se adiantou. - Tudo bem, eu fico com Camus. - Nada disso, mocinho. Milo interferiu Eu já vou dormir com ele. - Como é que é? Cisne levantou-se e agarrou o colarinho de Milo, querendo acertar seu nariz no meio de toda aquela gente endinheirada. Shiryu segurou a cintura do russo, tentando separá-lo de Escorpião, que o provocava ainda mais. Enquanto a confusão rolava, os rapazes iam pegando as chaves das mãos de Aquário, no fim sobraram Hyoga, Shiryu, Ikki e Seiya no hall. Camus mostrou três chaves. - Sobraram essas. - Vamos sortear. E se eu e o Seiya formos escolhidos? Ah não! Ele não vai me deixar dormir nem me deixar em paz! E o que seriam férias, serão pesadelos., Shiryu pensava.
Hyoga olhou de esguelha para Ikki, não é uma boa idéia
ficar sozinho num quarto com esse tarado, vai que ele me agarra no meio
da noite?, suou frio. - Shiryu! Olharam-se e concordaram imediatamente com um aceno, Dragão pegou a chave da mão de Aquário e andou com Cisne ate o elevador. Milo os observava, inclinando a cabeça para o lado, com um sorriso nos lábios. O companheiro deu as outras chaves e o mirou curioso. Olhou para o aluno, e para Milo, para o aluno e para Milo. - Ah não... você não está imaginando que aqueles dois... não mesmo! Esquece! - Quem sabe? - Milo, você tem a mente mais suja e depravada que eu conheço! - Eu sei... e você me adora por isso. Estalou um beijo na face do francês, piscando para ele, antes de se dirigir ao bar do hotel. * Hyoga destrancou a porta, Shiryu saia do elevador com as duas malas. O loiro ficou parado na porta, impedindo sua passagem, colocou as mãos na cintura sem entender. Esticou a cabeça por cima do seu ombro, arregalando os olhos. Havia apenas uma cama de casal! Não mencionaram esse detalhe! Mas também não lhes dera tempo para explicar... O quarto de Camus e Milo devia ser igualzinho, o russo ficou se remoendo de raiva ao raciocinar, e para piorar teria de dividir o quarto com Shiryu. Pelo menos não seria com Ikki, ele era mais calmo e normal. Deu de ombros e entrou mais tranqüilo, tirando a camiseta pela cabeça e jogando-a numa cadeira. Não era tão trágica assim a situação. Sentou numa poltrona ao lado da cama, erguendo as pernas para o ar, tentando tirar com dificuldade as botas pretas. - Vai falando ae, Shi! Qual a nossa agenda de hoje? - Bem... Tirou um pedaço de papel do bolso de trás da calça, que com um gesto virou um pergaminho que ia da altura dos seus olhos a cintura. Ao ver, Cisne capotou para trás junto com a poltrona. Saori devia estar muito doida... por dinheiro. - Coletiva, almoço com empresários, sessão de fotos, gravação na TV, coquetel... tudo para hoje. - Ma-mas... como? A Saori pirou? - Parece que os planos de fazer turismo por Londres vão para água abaixo... Aquela patricinha empoada cheia de lengo-lengo... além de tomar todo o tempo do meu mestre ainda tem que nos explorar como fôssemos animais de circo. Se não fosse sustentado por aquela marmota, e se ela não fosse a reencarnação de Athena, teria dado no pé há tempos. - Pelo menos podemos descansar da viagem, não é? O chinês olhou de novo para o papel e depois para ele, erguendo um pouco os ombros, com uma expressão de desculpas. Soltou um palavrão e voltou a pôr as botas, não ia se dar ao trabalho de se trocar apressado. Saiu com passadas largas, deixando a porta aberta para Shiryu segui-lo, mas o chinês continuou lendo papel, tão concentrado que nem o viu ir embora. Levantou a cabeça para falar algo para Hyoga, vendo o quarto vazio. Uma mão puxou-o para fora da suíte, trazendo-o para o corredor e batendo a porta com força. - Ô lerdeza... - Cisne foi arrastando o moreno confuso.
No salão do hotel uma mesa longa fora montada, para comportar dez cavaleiros de bronze, todos os garotos afobados que não paravam de conversarem e apontarem para todos os lados. Saori no meio da mesa tentava se controlar, não podia gritar com eles no meio de todos aqueles repórteres, tinha de manter a imagem de boa moça, sempre sorridente. Ainda que desejasse matar Seiya, que a qualquer minuto ia quebrar uma taça com água colocada a sua frente. Hyoga se debruçava na mesa, apoiado na mesa, com tédio, respondia as perguntas em monossílabos, indiferente às garotas que gritavam do lado de fora do salão quando falava. Seu estômago roncava de fome, não via a hora de almoçar, mesmo que fosse com uns homens de negócios chatos. Não entendia dessas coisas, portanto ia manter a boca ocupada com uma bela porção de comida. No almoço, ofereceram bebidas aos garotos, Shiryu recusou, pedindo apenas chá. Experimentou um gole, achando-o diferente e muito gostoso. Terminou rapidamente e logo pediu mais, e mais. Cisne percebeu e balançou a cabeça, não acreditando, nunca vira um chinês tão doido por chá. - Soube que o casalzinho está dormindo junto, não é? A voz irritante de Jabu fez Hyoga encarar o cavaleiro irritante na sua frente, entre eles estava um belo de um pernil assado. Arrancou uma das coxas do animal e apontou com ela para Unicórnio, erguendo-se um pouco da cadeira e precipitando-se na mesa. - Repete se for homem! - Ah, com prazer!
Do lado do russo, Shiryu pedia mais uma rodada de chá. O que
havia ali? Aquilo estava tão bom que mal percebia a confusão
que se armara naquela parte da mesa. Apenas provava lentamente seu chá,
lambendo os beiços e tentando adivinhar quais eram os ingredientes.
Os ingredientes que fossem as favas, esvaziou a xícara e pediu
mais uma. - Afinal aonde pensam que estão? No jardim de infância? Saori completou aos berros. - Poderia me dar mais chá? A voz do Dragão sobressaiu-se no silencio dos cavaleiros, fazendo com que todos o olhassem estupefatos. O loiro ao seu lado afundou na cadeira, deslizando mais para baixo, queria se enfiar debaixo da mesa. * Já eram oito da noite quando acabaram as fotos e a visita a uma rede de televisão. Ainda tinham de encarar o coquetel. Era a parte melhor, podiam beber e comer a vontade, mas estavam cansados demais para isso. Hyoga só via cama na frente, podia desabar e dormir naquele chão de mármore mesmo. Afastou-se da multidão e foi para a sacada, tomar um pouco de ar, não havia ninguém ali. Shiryu o acompanhou com sua bendita bebida, pelo menos podia falar suas besteiras sem que ouvissem. O que estava acontecendo com aquele chinês? A viagem afetara seu cérebro? Que fosse. Debruçou-se no parapeito da sacada, suspirando cansado. Mas logo se ergueu de subido, querendo subir e pular dali, furioso. No jardim do hotel podia-se ver Camus e Milo juntos, a cada beijo dado por Escorpião na nuca do mestre, este dava uma risadinha. Aquela visão irritou Cisne ainda mais, não estava lá para agüentar Milo dando em cima de Aquário, não mesmo! Ia acabar com aquela palhaçada. Ia pular, mas Shiryu percebeu e segurou sua cintura, pelo visto era só isso que estava fazendo naquela viagem, impedir que o russo desse um escândalo. -
Mas eu vou matar aquele grego safado! Um flash e um barulho de clique de maquina soou, fazendo-os estancarem, o chinês ainda com os braços em volta da cintura de Cisne, numa situação muito constrangedora. O fotógrafo clicou mais uma vez, quase os cegando, disse obrigado em inglês e desapareceu. O viram desaparecer estáticos e boquiabertos. Envergonhado, Dragão soltou o russo, que furioso de novo procurou o fotografo, indo até o salão e voltando. -
Para onde aquele inglês filho da mãe foi?
Cisne olhou-o aborrecido, mas acatou a sugestão em silêncio,
se dirigindo para fora do salão em direção aos
elevadores. Juntou-se a ele, encostando as costas na parede, bocejando
um pouco e esfregando a vasta cabeleira negra. Enquanto o russo se dirigia
ao banho, Shiryu desabou na cama pegando o telefone do criado mudo,
pondo-o no colo. Quando saiu do banheiro, viu o chinês atendendo
a porta e voltando com uma bandeja de biscoitos e um bule. - Isso que é vida!
Colocou um travesseiro de pé na cabeceira, recostando as costas
nele. O outro cavaleiro despertou do transe constrangido, balançando
levemente a cabeça, sentando-se calmamente do seu lado, enchendo
a xícara com o liquido fumegante. Olhou de soslaio para baixo,
a toalha fora jogada no chão, num canto do quarto. Hyoga usava
uma bermuda simples, como conseguira imaginar que usava nada embaixo
daquele pano felpudo? Andava pensando besteiras demais, bebeu um gole
da bebida quente. - Shi- hum...hum?
Ficou sem fôlego, tanto pela surpresa, quanto pela forma que era
beijado, com avidez e desespero, não deixando brechas para que
respirasse. Forçou a entrada com a língua, invadindo o
interior, ouvindo os gemidos abafados arranhando a garganta do loiro.
Podia afastá-lo com um safanão, mas estava tão
confuso que não entendeu o porquê não o fizera ainda,
talvez fosse o modo com que sugava e enlaçava sua língua.
Seu amigo não era desse tipo de coisa, sempre fora reservado
e tranqüilo, nunca dera mostras de que queria... queria? Será
que andava tão ocupado escapando das investidas do pervertido
do Ikki que não notara nada em Shiryu? - Shiryu! Mas que diabos você pensa que está... AH! A mão de dedos longos desceu mais, encontrando o pequeno pedaço de tecido, agarrou sem pudor o volume que ali se escondia. Afastou-se do seu pescoço, para ver deliciado o loiro corar de vergonha com seu atrevimento, olhando-o furioso e largar um palavrão na língua russa. Soltou uma pequena risada de divertimento e sorriu-lhe malicioso, apertando-o mais uma vez. -
Você dizia...?
Voltou os olhos ambiciosos para os mamilos que há pouco o enlouquecia
de vontade de tocá-los, Hyoga acompanhou o olhar, gritando de
surpresa, sentindo uma pequena dor ao ser beliscado naqueles dois pontinhos
túrgidos e rosados. Tapou a própria boca com as duas mãos
espalmadas, para conter que mais gritos saíssem da sua garganta.
Ótimo conseguira o que queria, o fazer chamar atenção,
apostava que dali a pouco bateriam na porta reclamando do barulho. Cerrou
as pálpebras bem forte, procurando algum auto controle para afastar
Shiryu e colocar algum juízo naquela cabeça oca. -
Achou que eu deixaria você a ver navios? Eu não sou tão
mau a esse ponto...
Que ironia. Devia ser charme daquele loiro indeciso! Ao mesmo tempo
em que pedia para que parasse, se esfregava tanto nele que se não
parasse com aquilo ia acabar cedo demais... e queria saboreá-lo
lentamente, tortura-lo como ele fazia consigo. Prensou-o na cama, apertando
seu quadril no seu, fazendo-o sentir, roçando o seu no dele.
Tomou-o em outro beijo lento e possessivo, esfregando os desejos pulsantes
dos dois, aprisionando-os entre eles. -
Não mesmo! Aí não!
Hyoga cruzou os braços, carrancudo e apertou as pernas, o outro
olhou desafiador. Então era assim, não é? Teria
de tomar à força? Hum... aquilo seria divertido. Sentou-se
na cama, mirando o corpo na sua frente, ainda estava excitado, ainda
que recusasse a dar o que ele queria. Jogou os cabelos para trás
e voltou a cobrir Cisne, que lhe mostrou a língua. Beijou a curva
do seu pescoço, acariciou o peito debaixo dos braços cruzados.
Se ele achava que aquilo o faria ceder, estava muito enganado, pensava
o loiro. Foi quando, inesperadamente, pousou as mãos debaixo
das axilas, e começou a lhe fazer cócegas. Oh, sabia como
ninguém que era sensível naquele lugar. - Shiryu!
Outra estocada. * -
Hyoga? Hyoga? Alexei Hyoga Yukida!
Pulou da cadeira ao ouvir o chamado do mestre, olhando-o confuso e sonolento,
esfregando os olhos. Levantou a cabeça da mesa, se endireitando
na cadeira ao ver o olhar de desaprovação de Camus. Milo
ria atrás dele, queria esganá-lo, o que era tão
engraçado? -
Hyoga... que olheiras são essas? Shiryu se sentara do seu lado naquele momento, colocando um guardanapo no colo, dando um bom dia bem humorado. Lançou um olhar furioso de esguelha para ele, respondendo a pergunta num resmungo. - Não me deixaram dormir... O chinês engasgou com o pedaço de pão. -
Tinha um casal barulhento no outro quarto...
Foi a vez de Hyoga engasgar e pisar com tudo no pé do moreno,
que se sobressaltou. Sorriu para os dois garotos curiosos para disfarçar.
Engoliu em seco ao ver a cara de poucos amigos do russo, estava furioso
com ele. Encolheu os ombros e suspirou, não tinha explicação
para o modo como agira na noite anterior. Não que não
quisesse aquilo, desejava há muito tempo. Mas em seu estado natural
não faria aquilo que fez, perdera a cabeça. -
Um minuto! Era isso que você estava bebendo ontem Shiryu? Encarou o chinês ruminando, a veia na sobrancelha pulsando. -
Hehe!
Mais um dia cheio os deixou ocupados demais para pensarem na noite anterior,
nenhuma menção. No entanto, mesmo cansados, ao pararem
na porta do quarto, vendo a cama refeita pela camareira. Haviam deixado
aquilo como se um furacão tivesse passado por ali. E fora um
furacão, pensou Hyoga, em forma de Dragão. -
É algum tipo de vingança?
Vestiu-se rapidamente e se enfiou nas cobertas, virando-se para o lado
oposto ao dele. Viu sua parte do cobertor ser puxado, descobrindo-o.
Era alguma brincadeira? Olhou por cima, o loiro respirava pesadamente,
mostrando que dormia. Praguejou e deslizou mais para o interior da cama,
encostando suas costas na dele. -
Shiryu... você bebeu hoje? Num rompante Hyoga se ergueu e prendeu o corpo do moreno sob o seu. O cobertor escorregou, estava como antes, apenas de bermuda. -
Hyoga, eu tô com frio! Não nasci na Sibéria como
você!
Dizendo isso, montou sobre seus quadris, sorrindo felinamente. Soltou
uma exclamação exasperada, quem precisava de conhaque
afinal? Rebolou um pouco, até ouvi-lo gemer, como o havia feito
gemer. Hora da vingança. -
Menino mau... achou mesmo que eu deixaria você me possuir? Mordiscando a nuca do loiro, afastou as pernas e as nádegas posicionando o sexo entre elas. Gemeu profundamente com a primeira estocada, curta e seca. Dois braços o envolveram e o ergueu, ficando de joelhos. A mão no seu membro túrgido acompanhava o ritmo do chinês, que aumentou sem parar até que chegassem ao clímax. Shiryu caiu extasiado nas costas suadas de Hyoga. Não iria ter bis, estavam cansados demais. Cisne adormeceu aliviado, mas ainda com o orgulho ferido. *
No dia da partida, depois de Saori sugar todo o sangue e suor dos pobres
cavaleiros, a mesma confusão do dia de chegada. Mas estavam menos
eufóricos, devido ao cansaço. Hyoga saiu do elevador com
as mãos nos bolsos, aborrecido. Férias frustradas, uma
deusa sanguessuga, ter de agüentar Milo dando em cima do mestre,
vingança por água abaixo. Depois dessa, não pensara
duas vezes em voltar para a Sibéria. -
O que vai fazer com isso, ai? Mostrou-lhe a língua e foi andando ate a saída, deixando Hyoga estático, parado no mesmo lugar, tentando concatenar. Se Milo visse a foto, estava perdido! Shiryu não tinha noção do perigo. Saiu correndo atrás dele. - Shiryu!
Este parou, agarrou-lhe pela cintura, e tascou um beijo em público,
deixando-o tonto ao soltá-lo. Deu de cara com o mestre e com
Milo... FIM Novembro de 2002
|